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08/jul

Severus Prince Snape, Sonserina. Viveu na Rua da Fiação toda a sua adolescência e era praticamente vizinho de Lily Evans. Não tinha amigos. Sua única distração eram as centenas de livros que haviam em sua casa e que o ajudavam a não se aprofundar nos problemas particulares dos pais.

 

Sua juventude foi extremamente solitária e, ao descobrir que do outro lado da vila existia alguém como ele, resolveu interagir com a pequena garota ruiva que não fazia ideia de que seus poderes mágicos estavam se desenvolvendo devido a condição que era: uma bruxa.

 

A amizade se dispersou por causa do termo sangue-ruim, utilizado para identificar aqueles que não possuíam linhagem bruxa. Por dizer isso a Lily, Snape se encontrou mais uma vez sozinho. Entrou para o grupo de Comensais da Morte na década de 70 e os abandonou ao saber que Lily – já casada com seu rival James Potter – havia sido encontrada e morta por Voldemort.

 

Desnorteado, ajoelhou-se aos pés de Dumbledore e pediu, além de perdão, proteção jurando-lhe lealdade. Dessa forma, Severus Snape se tornou o novo professor de Poções da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts, vigiado de longe pelo diretor de óclinhos meia lua que evitava qualquer forma de contato entre o novo docente com as artes das trevas por temer uma possível recaída.

 

O mundo bruxo estava em paz e Snape viu uma oportunidade de ter uma nova vida. Estava seguro atrás dos portões de Hogwarts. Tudo isso mudou quando Harry ingressou em seu primeiro ano na escola.

 

A acidez com que tratava o filho de Lily e James Potter iam a níveis absurdos, como se Snape o odiasse antes mesmo de seu nascimento. Os anos foram se passando e Harry não conseguia entender porque o Mestre de Poções o tratava daquela maneira. Para ele, era ódio puro e enraizado. Conforme ia ficando mais velho, o relacionamento entre os dois só piorou e tudo ficou mais crítico quando Voldemort voltou ao poder.

 

Ninguém sabia da vida de Snape. O sentimento que todos os bruxos que estavam ao lado do Dumbledore tinham com relação a ele era “confiar-desconfiando”, afinal, se o único bruxo que Voldemort temia confiava em Snape, não havia o que contestar.

 

Assim que o bruxo maligno ressurgiu, Snape foi mandado para recolher informações sobre os novos trâmites das trevas. Enquanto isso acontecia, a Ordem da Fênix foi restabelecida. Para espanto de Harry, Rony e Hermione, ele era um dos membros, mesmo sendo ex-Comensal da Morte.

 

Os dois volumes finais da saga Harry Potter foram cruciais para aqueles que confiaram nele após a morte de Dumbledore. Enquanto os dias passavam, Snape era apenas um assassino e o mais novo traidor da Ordem da Fênix. Harry tinha vontade de arrancar seus olhos e torturá-lo para que ele sentisse a mesma dor que dominava seu peito. O grande sonserino virou ameaça número um e todas as atitudes foram tomadas para que ele não recebesse mais nenhuma informação confidencial sobre os planos da Ordem da Fênix com relação à Segunda Guerra bruxa.

 

Logo, ele dominou Hogwarts a mando de Voldemort. Ele tinha uma batalha nas mãos e os assíduos leitores queriam saber em que lado ele realmente estava. Embora tivesse matado Dumbledore no lugar de Draco Malfoy, essa atitude ainda não respondia 100% quem era Severus Snape. Nada foi dito sobre sua vida antes de Hogwarts, se alguma vez teve amigos, se alguma vez se apaixonou de verdade, se tinha filhos, se já foi casado… Eram muitos mistérios que ainda circundavam o até então leal seguidor do Lord das Trevas.

 

O personagem, muito bem interpretado por Alan Rickman nas adaptações cinematográficas, sempre me cativou por suas frases engraçadas, taciturnas e lógicas. Ele não dava o braço a torcer mesmo que seu segredo em amar Lily Evans Potter nunca tivesse sido revelado até o último livro da saga. Para mim, mesmo que odiasse admitir a si mesmo, Snape amava Harry e sempre buscou maneiras de protegê-lo para compensar o que havia acontecido com sua mãe no dia 31 de outubro de 1981.

 

 

Suas vestes sempre negras representavam um luto eterno por aquela amiga e, acima de tudo, a única mulher que amou. Era um martírio diário para ele lidar com o filho de Lily que tinha como pai James Potter, um dos marotos responsáveis por suas humilhações públicas em Hogwarts. Harry tinha os olhos verdes que o matavam por dentro, pois eram a única lembrança vívida do amor da sua vida.

 

Ao mesmo tempo que isso o fazia lembrar a quem pertencia sua lealdade, o professor de Poções lutava todos os dias com a lembrança de James que estava no filho. Os cabelos negros e desgrenhados e os óculos eram motivos suficientes para ele focar sua repulsa e nunca revelar que havia certo afeto pelo garoto que venceu Voldemort duas vezes.

 

Ele literalmente era um morcego. Vivia em uma masmorra em Hogwarts, sozinho, e duvido muito que tenha compartilhado alguma coisa sobre sua vida com os outros professores, além de Dumbledore. Snape é um personagem marcante e fantasmagórico e, a maneira como ele lutou até o fim para preservar aquilo que aprendeu a respeitar, serviu para que ele se tornasse um dos heróis da saga de livros escritos pela J.K..

 

Eu queria muito ver a cara de choque de todas as pessoas que não confiaram nele. Embora eu não goste de inúmeras atitudes de Dumbledore, pelo menos em algo chegamos a concordar: confiar nele. Não precisava de motivos. Confiar era o que bastava.

 

Enigmático, Snape sempre tomou cuidado para que sua vida não se tornasse um livro aberto. Não é à toa que, quando esteve frente a frente com Sirius Black mais uma vez, o motivo da briga foi gerado por assuntos da época em que eles eram adolescentes. Na mente de Snape, uma pessoa como Sirius jamais o entenderia e que, futuramente, seria uma das pessoas que calariam a boca por achar que ele nunca protegera Harry.

 

Vale lembrar que ele foi uma pessoa muito contida. Nunca se viu um sorriso de verdade e nem mesmo uma lágrima. Tudo se resumia a sua casa no mundo trouxa e na sua outra moradia em Hogwarts. Por mais que não pareça, Snape é um dos personagens mais humanizados que a J.K escreveu.

 

O que mais me surpreendeu ao ler o último livro é como as atitudes dele conseguiram se encaixar facilmente. Tudo na vida do sonserino teve uma lógica e ser duplo-agente fazia parte de um dos milhões de planos de Dumbledore. E isso custou a sua vida.

 

 

Não é à toa que ele foi o melhor membro da Ordem e ao mesmo tempo o melhor Comensal da Morte. Sua armadura gélida permitiu que ele jamais transparecesse sua verdadeira dor e, por ser mestre em Oclumência, jamais deixou Voldemort invadir seus pensamentos e descobrir a verdade.

 

Aqui realmente fica a lição de que somos julgados pela aparência. Basta caçar as linhas escritas pela autora e ler como Snape sempre foi minimizado por aparentar ser o que não era. Mesmo com toda aquela casca grossa, sempre imaginei um homem bondoso que teve que aprender a lidar com suas diferenças sozinho. Ele é brilhante e de longe um dos bruxos mais inteligentes que passaram por Hogwarts.

 

Eu lamentei muito por ele ter morrido. Por ser quem ele é, eu como uma de suas fãs número um, sairei desolada do cinema quando suas memórias forem expostas na última parte da adaptação de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” e por saber que ele não estará mais vivo para ver o futuro do mundo mágico onde o bem conseguiu vencer. Assim como os Marotos, Snape sempre será respeitado por mim. Sou completamente apaixonada por ele e, saber que ele amava a minha ruiva, me fez colocá-lo ainda mais no pedestal.

 

Foram sete anos remoendo um passado sem enlouquecer. Foram sete anos de bravura. Foram sete anos se contendo em não admitir que respeitava quem Harry Potter era. Foram três anos para ludibriar Voldemort em seu retorno e todos aqueles que acreditavam em Dumbledore. Foi uma vida inteira fingindo que não se importava, de que sangues ruins não valiam nada e de que seus princípios o faziam melhor do que qualquer outro bruxo sonserino.

 

Foi uma vida inteira sem ser contada aqueles que mereciam ouvir. Com um filete de lembrança em seus últimos minutos de vida, Snape mostra compaixão a Harry e, apenas com um singelo contato visual, ofereceu seu pedido de desculpas ao filho da sua tão amada Lily Potter.

Stefs
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