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27/fev

A 84ª edição do Oscar foi como eu esperava. Sem grandiosidade e totalmente sem graça. “O Artista” abocanhou os principais prêmios da noite – leia-se: Melhor Filme – confirmando que não era o favorito da vez à toa. O longa francês agradou os olhos e ganhou ótimas críticas por ser um resgate ao cinema mudo e preto e branco, longe da pressão do mercado, focado apenas em acumular uma bilheteria rentável com blockbusters. Meryl Streep saiu do Teatro Kodak com honrarias, merecidamente, ao receber o prêmio de Melhor Atriz das mãos do meu ídolo Colin Firth.

 

E Harry Potter saiu de mãos vazias. Para sempre!

 

Não é novidade alguma o quanto foi revoltante a falta de consideração da Academia com relação à saga do menino bruxo. Não foram dois anos de história, mas sim dez anos de experiências incríveis para uma legião de fãs fiéis. Foram dez anos de trabalho árduo, atuações impecáveis e um compromisso inquestionável. Não consigo entender até agora como Harry foi indicado a apenas três categorias medíocres. Era o último filme que estava em jogo e é revoltante ter a sensação de que toda essa dedicação não conseguiu gerar reconhecimento dos chefões da premiação.

 

Em anos anteriores, Harry preencheu praticamente as mesmas categorias, mas não conseguiu levar nenhum homenzinho para à terra da Rainha. Nem se quer foi tratado com dignidade por ser uma evolução na indústria cinematográfica mundial, por ser a franquia mais bem-sucedida de todos os tempos. Acredito que o único momento que os potterheads conseguiram torcer nessa edição do Oscar, além da história que mudaram suas vidas, foi pela indicação de Gary Oldman. O ator é uma lembrança agradável aos fãs da saga por ter dado vida a Sirius Black em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e Harry Potter e a Ordem da Fênix.

 

Nessas horas, chego ao ponto alto de fã frustrada. Não consigo digerir que nem Alan Hickman conseguiu uma indicação. Nem que fosse por respeito, nem precisava ganhar, pois o professor Snape foi o grande destaque de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 e Alan deixou qualquer potterhead cheio de orgulho e de joelhos. A atuação intensa do personagem e seu amor por Lily Evans (mãe de Harry) abaixou o escudo daqueles que aprenderam a gostar do Mestre de Poções por meio de RDM 2 – embora eu considere metade poser (lidem com isso, sociedade!).

 

Mas julgar quem gosta ou não do Snape, não é o caso. A Warner Bros. tentou vender a ideia para que Harry Potter conseguisse indicações importantes, como Melhor Direção, por exemplo. Eles não estavam pedindo demais. Pôsteres foram expostos por toda a parte e os fãs abraçaram a causa, espalhando o pensamento pela internet para que a Academia se mobilizasse e reconhecesse que a saga merecia mais atenção. Se tratava do desfecho de uma história que atingiu milhões de pessoas, criou novos leitores e novos escritores. Ser indicado em três categorias técnicas foi o cúmulo do descaso.

 

Por mais que eu tenha ficado revoltada, não quero entender os motivos para que isso tenha acontecido, pois sei que ficarei muito mais estressada. Os EUA deveriam colocar a mão na consciência e perceberem que não são tão grandiosos quanto imaginam.

 

Não irei cuspir para o alto, claro, pois aprecio bons filmes dos estúdios de Hollywood. No quesito atual de produção de filmes, copiar o que já foi criado em países como Reino Unido e França tem sido o achado da vez. Talvez, a única adaptação bem falada da vez é Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, que conseguiu levar um Oscar para casa, mas mesmo assim é uma obra sueca, algo que o mercado cinematográfico americano absorveu por osmose.

 

Nem me espantaria se houvesse uma tentativa na criação de um Harry Potter da terra do Tio Sam, mas para grande tristeza deles, o badalado se chama Edward Cullen.

 

Essa edição do Oscar achei tão fraca quanto a do ano passado, mas pelo menos o host da noite foi muito melhor do que a dupla fracassada James Franco acompanhado de Anne Hathaway, que fez a cerimônia de 2011 uma grande piada. Por outro lado, não tem como deixar a decepção falar mais alto e pensar no quanto foi injusto um trabalho não ser reconhecido justamente (só porque é britânico? Can be!). Também não serei desonesta em não admitir que os demais indicados na mesma categoria de HP são obras brilhantes e que mereceram o prêmio. Era mais do que óbvio que Hogwarts não sairia mais uma vez vitoriosa.

 

Mas um bom fã sabe que o reconhecimento está muito além de um homem dourado na prateleira. Harry Potter está muito além de um trabalho que visou apenas o mercado. J.K. Rowling queria que os potterianos amassem seus livros, pois ela dedicou anos de sua vida para que ele desse certo. O que realmente importa é o quanto Harry Potter mudou nossas vidas, nos inspirou e o quanto permanecerá na nossa memória com muito carinho. É esse um dos principais objetivos que o mundo mágico de Harry Potter trouxe para nós, um herói que nos ensinou o valor do amor, da amizade e da coragem.

 

E, o mais importante, acreditar que todos os sonhos são possíveis e que qualquer pessoa pode ter inspiração para mudar o mundo da maneira mais incrível possível.

 

Until the End.

Stefs
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