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28/fev

O último episódio de Glee, On my Way, rendeu muitos motivos para se pensar na vida. Fazia tempo que não assistia a um episódio tão intenso, tão cheio de mensagens a ponto de me fazer debulhar em torrentes lágrimas.

 

O caso Karofsky foi de suma importância, um momento que tenho certeza que muitos se lembraram ou se identificaram com o fato do quanto é difícil sobreviver ao período escolar. Parte dos adolescentes tendem a ser ruins uns com os outros, principalmente quando acham que dominam o espaço de ensino.

 

Comentários a parte, esse post será direcionado a minha personagem favorita: Quinn Fabray.

 

Interpretada pela adorável Dianna Agron, o acidente de carro que envolveu a personagem nos minutos finais me deixou por alguns segundos estática na cadeira. O choque foi tão grande que mal consegui respirar direito. Quem cria certo vínculo com alguma figura da ficção, sabe bem do que estou falando. A pior parte dessa sensação é saber que esperarei – esperaremos – até abril para saber o destino da minha rebel queen.

 

Quinn Fabray é uma boneca de porcelana que começou intocável e foi despedaçada aos poucos. Sabemos o quanto ela é danificada por dentro e finge ter uma super autoestima para se sentir sempre no topo de qualquer situação. Essa segurança de estar no pico do relevo é um contorno, uma camada fina, que cutucada do jeito certo, a desmonta por completo. Ela é uma figura um tanto quanto complexa, que exemplifica uma garota aparentemente perfeita, propensa a sofrer uma queda livre por não tratar as pessoas como elas merecem e se achar o centro do universo.

 

Na primeira temporada, Quinn teve que lidar com uma gravidez indesejada: a pequena Beth, fruto de um erro com Puck. Na segunda temporada, a jovem só queria voltar a ser uma adolescente, cujo status social na escola se resumia a ser uma líder de torcida e rainha do baile. Na terceira temporada, vemos sua tentativa em amadurecer e esquecer de uma vez as coisas do passado.

 

A “new Quinn”, com cabelos rosa, piercing, vestes desencanadas e boca dura é o reflexo da parede de defesa que ela criou para que ninguém mais ousasse machucá-la. Quando ela consegue se desvencilhar do seu mundo nublado, a garota enxerga dentro de si que sair da sua cidade Natal é possível, bastando apenas se desligar do sofrimento que teve ao longo dos anos.

 

Ao contrário de alguns personagens de Glee, que ainda capengam para ter um futuro considerado bom, Quinn entrou em Yale, construiu uma amizade estranha com Rachel Berry e deixou os garotos de lado. Toda essa preparação positiva para vê-la sofrer um acidente e ver, mais uma vez, seus sonhos se despedaçarem.

 

A quarta temporada de Glee terá renovações no elenco, isso é inquestionável. O criador Ryan Murphy pode mentir ou ocultar todas as informações universais o quanto quiser, mas metade dos personagens arrumarão as malas e sairão do New Directions. Não adianta proteger Rachel, Finn e Kurt, pois uma hora eles terão que dizer adeus. O roteiro capenga para a formatura e não dá para segurar aqueles que são mais importantes para a história (opinião: sem Lea Michele não há Glee), a não ser que alguém repita de ano (algo que só resta ao Puck fazer).

 

Quinn Fabray é uma parte desse elenco que está com meia bagagem pronta para ir embora e seguir seu rumo seja ele qual for. Eu acreditava que ela conseguiria atingir uma estrela lá no céu, pois depois de tanto sofrimento, a jovem precisava de algo para se manter erguida. Se o futuro dela não for a morte, espero que ela não desanime e continue a batalha contra o destino que tenta derrubá-la toda hora. Ela possui tantas inseguranças, tantos pavores que acho injusto apagar a luz no final do túnel em direção à faculdade dos seus sonhos.

 

Perder Beth foi uma consequência que ela optou pagar, mas isso não quer dizer que Quinn queira abraçar o lado negro da força para sempre. Ela só queria uma vida normal, ser a melhor aluna da classe e ter algum sucesso.

 

O tom de despedida rolou no episódio especial do Michael Jackson. Quinn cantou Never Can Say Goodbye para os três garotos que, de alguma forma, representaram formas de amor muito diferentes na sua vida. Em linhas gerais, era o empecilho que ela precisava superar, pois a jovem tinha grande necessidade de ser amada. Finn foi o primeiro amor, Puck o amor bandido e Sam o amor mais saudável que ela teve.

 

Ainda não me conformo que o relacionamento dela com Sam não tenha vingado, fazendo-o correr atrás da Mercedes, sem nenhum motivo decente para que isso acontecesse. Eu gostava da forma como Quinn sorria quando estava com ele, de verdade. Mas tudo nessa vida tem um propósito e parece que Fabray encontrou tragicamente seu futuro antes da hora.

 

O acidente será mais uma prova que, com certeza, a mudará por completo. Ou ela será mais amarga que o normal ou vai empinar o nariz e lutar contra o que tiver que ser superado.

 

Quinn sempre foi aborrecida e uma pessoa desgostosa. Seu lado mais evil deu uma controlada nessa temporada de Glee, mas ela sempre procura usar sua experiência para convencer sua amiga Rachel a não fazer nenhuma besteira. A jovem sempre achou que a beleza fosse crucial para fazê-la conquistar tudo que almeja e, claro, ter conquistas com extrema facilidade. Não é à toa que no passado, a loira foi gorda e seu nome era Lucy Caboosey.

 

Um passado do qual ela sente vergonha. Inúmeras vezes Sue Sylvester afirmou que ela a lembrava quando a treinadora era mais nova. Só um pouco mais – digamos – bondosa. Quinn e Sue se identificam em partes por sempre colocarem seus objetivos em primeiro lugar, não importando quantas cabeças teriam que decepar para ter o que queriam. Mas de tanto remoer suas dores e seus planos darem errado, Quinn não teve outra saída a não ser se fechar e dar uma reviravolta para sair do círculo vicioso do qual se encontrava.

 

No último episódio de Glee, Quinn pede a treinadora para voltar à equipe de líderes de torcida, por ser seu último ano. O que ela queria era as sensações do passado para tornar sua saída do ensino médio mais especial. Vemos aí mais uma ponta de despedida por parte da personagem.

 

Alguns fãs devem estar preocupados em como isso refletirá no casamento Finchel. Vale lembrar que Quinn foi contra a união de Rachel e Finn no começo e contou com o apoio de Kurt e – sem saber – dos pais do casal que só fingiram que os apoiava. Estar com a amiga em uma data importantíssima como aquela fez Quinn mudar seu comportamento e assumir o posto de madrinha.

 

Sendo muito sincera, eu não me importo com o casamento Finchel e teria me posicionado igual a ela. Não sou fã da Rachel e do Finn, fato! Ambos possuem a tendência de me irritar.

 

Talvez, isso reforce ainda mais a minha falta de interesse nos protagonistas de muitas séries. Os personagens principais precisam ser relativamente bons para que os esperançosos de plantão se identifiquem com eles. Isso não é errado, pois realmente alguns são uma inspiração. Não quero criar generalizações, mas prefiro um personagem torto, confuso, longe da perfeição, pois assim me aproximo da personalidade dele e consigo abraçar sua causa.

 

E é assim que eu me sinto com a Quinn. Ela pode ter todos os momentos de egoísmo do mundo, não a culpo, pois sou assim em muitos instantes.

 

Eu também impediria minha melhor amiga de casar, mesmo que ela jurasse que o cara é o amor da vida dela. As pessoas confundem o ato de impedir algo porque acha errado com o sentimento de inveja. Quinn já sofreu tudo o que tinha que sofrer e, se o problema dela fosse amar o Finn, ela não mediria esforços para boicotar a relação dele com a Rachel em nome dos velhos tempos.

 

Nunca foi intenção dela causar danos ao futuro casamento. Rachel queria uma opinião e ela foi sincera. Quinn tem a consciência limpa ao declarar que aquele casório é um absurdo e que a amiga não deveria largar seus sonhos para se afundar em um relacionamento. Tratando-se de Rachel, ela quis dizer apenas para que a garota não deixasse seu brilho morrer. De fato, quem é você com 17 anos? A ficção deveria parar de vender essa ideia de casamento dos sonhos, pois vivemos em uma sociedade egoísta.

 

O amor adolescente não é o mesmo de um amor adulto. Ninguém sabe o que quer da vida com 17 anos, muito menos achar que casar com tal idade é supernatural. Por isso, assino embaixo as palavras da Quinn.

 

Quinn Fabray é um dos raros personagens em que foi trabalhado os altos e baixos causados pela idade, algo comum em séries adolescentes voltadas para o drama. Enquanto alguns ficam nos castelinhos da imaginação, outros têm que dar as duas faces para bater e conquistar alguma coisa na vida. Isso faz da personagem mais palpável se comparada a outras como a Brittany, que até agora não teve nada a oferecer.

 

A srta. Fabray lutou contra seus medos e inseguranças, usou o mal para realizar seus objetivos mais perversos, só por não acreditar na capacidade de conquistar alguma coisa de maneira honesta. Ela aprendeu, tarde, mas aprendeu. Quando você se torna desistente, você sempre procura motivos para se automutilar, não adianta.

 

O medo de virar um adulto sem futuro é um pesadelo de 20 jovens que saem da escola. Desilusões amorosas se juntam ao pacote de inseguranças, ao lado dos acidentes no percurso como uma gravidez precoce. Assim como Kurt e Karofsky são um ótimo exemplo ao público LGBT, cuja história e sofrimento em ser homossexual é/foi tocante de uma maneira bastante realista, Quinn é apenas uma daquelas garotas do colegial que você detestou e que, em algum momento, você descobre que aquele comportamento mandão é só fachada e que, no fundo, aquela pessoa é bem legal. Digo isso por experiência própria.

 

Independente do que acontecer com Quinn Fabray, espero que mais uma vez ela saia dessa. Não digo isso por ser uma grande fã da Dianna, mas ela e o Kurt são as causas para que eu continue assistindo Glee, que perdeu a graça para mim desde a segunda temporada. Confesso que a temporada atual está muito melhor e aquele sentimento em ser gleek voltou à tona.

 

Com o coração na mão, tentarei me poupar ao máximo com relação aos spoilers, pois não quero que o clima dramático que guardei com relação à personagem suma por causa das promos saltitantes no YouTube.

 

“Lucy Caboosey. I hated the way I looked. I had zits, I was chubby. I felt terrible about myself. I didn’t have friends. Nobody would talk to me. I was the only kid at school who had to dissect their own frog because nobody would be my lab partner. And then I joined ballet, lost a little weight, found out I was athletic and joined gymnastics and cheerleading, went on Proactiv for my acne, and when my dad got transferred he got a raise, and I asked him if I could get a nose job, and he said yes, and I asked them to call me Quinn.”

 

Rachel e Quinn – “I Feel Pretty/Unpretty”

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair a qualquer momento

Stefs
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