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23/mar

Mais uma vez tivemos um conflito entre passado e presente em The Vampire Diaries e que acabou se encaixando perfeitamente com o resultado final. A timeline da vez, se divide entre 1912 e os tempos atuais onde vemos Stefan e Damon vivendo o mesmo impasse de quase 100 anos atrás. O episódio que era para ser teoricamente de Damon, se tornou de Stefan. A abstinência do Salvatore mais novo ganhou importância desde que ele parou de fazer uso de sangue para se alimentar, após ter guiado Elena para um quase derradeiro fim, na ponte em que os pais dela morreram. O problema é que a sede do vampiro é imensurável e entre tiques nervosos e alterações no humor, a única pessoa que se mostra capaz em compreendê-lo e que está disposto a ajudá-lo a se safar desse “vício” é Damon.

 

Começando por 1912, vemos Zachariah Salvatore ser morto em praça pública. Damon e Stefan não aproveitavam a irmandade na época, pois o irmão mais velho tinha uma ira interna sobre sua nova condição de vampiro e não lidava muito bem com o fato de Katherine estar presa na tumba. Ao contrário dele, o Salvatore mais novo se mostra mais vivido, porém, sóbrio de sangue humano e consciente de que ser vampiro não é motivo para matar outras pessoas em vão. Esse pequenos problemas que sempre separaram os dois, se repetem no presente, mas com singelas diferenças. Stefan veta sua vontade de beber sangue de todas as maneiras possíveis, mas se pergunta até quando conseguirá se controlar. A atitude poderia ter sido fácil no passado, já que viveu em meio ao glamour de tirar vidas em troca de alimento e se sentir no topo da montanha por isso. Mas as coisas agora são completamente diferentes. O Stefan de antes amargurava a ausência de Katherine e era o famoso ripper e, o de agora, faz de tudo para se manter bem diante dos olhos de Elena, por mais que ainda jure de pés juntos que não se importa com o que ela pensa sobre ele. Para enfatizar um pouco mais do drama da abstinência do vampiro, vemos ele depois de muito tempo, escrevendo em seu diário, artefato que sempre foi importante e especial na série. Nada caminharia na trama se não fosse por esses pedaços de papel, certo?

 

Pois é exatamente nisso que Damon está pensando. Ao pegar o irmão diante da escrivaninha, depois de ironicamente caçoá-lo da sua tentativa em escrever algo, ele volta da delegacia focado em ler os diários da família Salvatore à partir de 1900, a fim de descobrir o que está acontecendo em Mystic Falls, referente aos repentinos assassinatos de Brian e do Sr. Forbes. Além disso, ele se sente na obrigação de tirar o amigo Alaric da cadeia, preso por acusações que Meredith plantou contra ele. O “pai” de Elena tenta provar sua inocência atrás das grades, mas a única pessoa que não revida ao pedido de não fazer nada por ordem da xerife, logicamente, é Damon. A situação fica mais ilógica quando o vampiro quer juntar às peças desse quebra-cabeça e pede a colaboração do irmão mais novo, que também viveu na época da qual os fundadores eram atacados para morrer misteriosamente.

 

Sage é a mulher da vez tendo um papel importante a sua maneira na vida de Damon, algo muito diferente da que Lexi exerceu na vida de Stefan. A ginger fatale só piora os sentimentos ruins que o Salvatore mais velho carregava, enchendo seus olhos com as vantagens de ser um vampiro. É com ela que ele aprendeu o poder de seduzir a presa, fazê-la implorar por mais da sua companhia, explorar o lado enriquecedor de sua nova condição de vida e fazer todo o processo de caçar para ter sangue um ritual, sem deixar nenhuma bagunça no meio do caminho. A mulher do ringue o guia para o caminho errado, mas o ensina a ser mestre do seu próprio destino, sem escorregar nas atitudes e escolher a dedo a sua fonte de alimento. Em suas próprias palavras: a woman isn’t just for food, she’s for pleasure. Não há dúvidas que Damon aprendeu muito bem a lição, nos bastando apenas contar quantas mulheres já foram vítimas da sua lábia.

 

Os “gêmeos-maravilha”, sacada mestre de Damon, saem pela cidade e gostei do fato de terem incluído a temperamental Rebekah como companhia. Há aquele jogo de sedução entre ela e Damon sobre a noite que compartilharam juntos e a jogatina com relação ao novo caráter de Stefan, a fim de quebrar um pouco o clima da passagem de tempo e não torná-la maçante. A loira parece realmente empenhada em descobrir onde está localizada a árvore de carvalho branco e para isso deve socializar com os irmãos, pois a família deles era responsável pelos arquivos de moagem. Mesmo tendo um foco que vai cair nos ouvidos de Klaus, ela se rende à história de Damon e Stefan, que em parte, coincide com a sua. A trama que se segue de volta ao passado se dividiu satisfatoriamente bem, com narrativas entre o trio enriquecedoras e divertidas. No final das contas, descobrimos no meio do flashback o que difere Damon e Stefan no quesito caráter vampírico e quem merece o Oscar em ser mais perigoso à raça humana.

 

Damon pode ser canalha, egoísta, recalcado, inúmeros adjetivos ruins, mas ele é meticuloso. Ele não gosta de deixar rastros de seu erros impensáveis, por mais que goste de receber os créditos. Quando ele precisa realmente matar alguém, ele o faz sem pensar duas vezes, mas elimina qualquer evidência que poderia colocá-lo como culpado. Ele é sensato nesse sentido, embora não obedeça nenhuma regra e não pratique a boa vizinhança. Ele trata o sangue como algo precioso e fazer às vítimas obedecê-lo é mais interessante que matá-las sem ter a emoção do momento. Ao contrário dele, Stefan pode ser amoroso, fiel, racional, mas é um vampiro descontrolado quando se trata de sangue. Ele se tornou viciado no líquido vermelho, o que torna a necessidade de bebê-lo desesperadora, a ponto de transformá-lo em um monstro. Ele nunca teve escrúpulos e não é à toa que recebeu o apelido de estripador. O Salvatore mais novo a 100 anos atrás foi ludibriado pela luxúria e isso ficou muito mais claro quando ele conheceu Klaus. Ele nunca escondeu sua sujeira, sempre deixou corpos no caminho secos, sem um sopro de vida. Sua salvação realmente foi Lexi e lamento por ela não estar mais viva para puxar a orelha dele.

 

Cause now you’re all I got

 

O episódio apenas mostrou que Stefan depende muito mais do sangue do que imaginava. Até mesmo Damon se surpreende com a inquietação do irmão, que sempre foi muito regrado após largar o vício. Klaus ainda deixa resquícios de sua presença no Salvatore mais novo, sem ao menos ter o esforço de atordoá-lo ou ameaçá-lo. Com isso, o improvável acontece: Damon coloca sobre a mesa que ajudará o irmão a sobreviver a sua nova condição de vampiro insaciável. O fato de diminui-lo com piadas e denegrir sua imagem chamando-o de hipócrita foram apenas provocações para fazê-lo se convencer que de fato precisa de sangue, mas pode reaprender a não sentir um desejo feroz com relação a isso. O Salvatore mais velho afirma que ele pode se conter. Quando ele caminha com Stefan e Rebekah nos calcanhares à um beco sem saída e hipnotiza uma vítima para que o irmão mais novo tivesse o deleite do sangue, honestamente, pensei que Damon estava fazendo o possível para incitar Elena a odiá-lo também. Ora, Damon mordeu a mãe de Bonnie e a bruxa não fala com a amiga a semanas, nada mais certo do que levar o brother para o fundo do poço com ele. Minha premonição até se realiza quando a amada de ambos vê Stefan com a boca ensanguentada, mas no final das contas, Damon quer apenas cuidar dele e evitar o que aconteceu em 1912. Damon viu Stefan se tornar um monstro na época, recebendo a fama de “O Estripador de Monterey” e não fez nada para interromper isso. Afinal, vê-lo sofrer era a maior das suas recompensas. Ao contrário de agora, ele quer ajudá-lo, pois sabe que o irmão não tem autocontrole para vigiar sua sede e se controlar para não matar suas vítimas.

 

De fato, Damon só tem a Stefan. E, ironicamente, Stefan só tem a Damon. À partir do momento que eles canalizam a ideia de ignorar Elena, não há interação entre o triângulo amoroso. A única vez que há um encontro, além da cena do beco, é quando Damon está na delegacia a fim de salvar Alaric e age extremamente rude com a jovem. É fachada, claro, mas ele se mostra disposto a se comportar contra ela. Elena ganha pouca importância dessa vez, mas sofre com o silêncio de Bonnie. Não ter os Salvatore por perto, sobra-lhe apenas Matt, o único amigo que ficou na cidade. Ela recebe a notícia que Abby aceitou continuar a transição de humana para vampira e Caroline está com a Bennett para ajudá-la a se adaptar. Confesso que ando preferindo Elena com o Matt, pois ela volta a ser uma personagem natural e agradável, longe do martírio que a mudou por ter os Salvatore na sua vida. Por mais que esteja magoada e perdida, ela precisa de calor humano e achei bem bacana essa atenção vir do ex-namorado. Matt sempre foi muito prestativo e nota-se que ainda é e muito apaixonado por ela. Senti até um clima da parte dele, quando eles invadem a casa de Meredith à procura de provas para inocentar Alaric. Não quero cair na besteira de voltar a shippá-los como casal, até porque não há nenhuma chance, mas confesso que seria um risco a correr bem interessante. Um recomeço para Elena Gilbert, algo que acho extremamente validado.

 

Elena já passou por altos perrengues e nada mais certo do que dar a ela uma dosagem de vida normal. A única figura responsável que ela possui é Alaric, mas ele não tem o mesmo peso que Jenna e Jeremy. Talvez ela precise um pouco da invisibilidade de Matt, como ele mesmo acentua, para voltar a se focar no que é mais importante. Achei o desabafo dela sobre os Salvatore para o amigo de alguma forma especial, pois não era muito claro sua posição com relação aos dois irmãos. E ele concordar afirmando que é realmente difícil afastar quem se ama com lágrimas nos olhos fez meu coração derreter. Sempre gostei do Matt e o prefiro muito mais que Jeremy. Eu achava que ele não teria mais importância na série, ficando de molho até o season finale, mas desde que ele fez aquele ritual de passagem no aniversário de Elena, finjo que o vexame dele com o fantasma da irmã nem aconteceu. A diminuição de personagens na trama, pelo menos até agora, impede que eles fiquem deslocados. Matt ganhou uma utilidade bem legal e Alaric, pelo que aparenta, terá grande destaque daqui para frente. Acho isso merecido após tantas escolhas erradas que ele já fez. Não suportaria ele terminar mais uma temporada sofrendo por causa de uma perda amorosa e bebendo ao lado de Damon (e sendo morto por ele toda vez que fala demais).

 

A mistura de passado e presente acarretarão novas dores de cabeça. Especialmente para os Gilbert, como era de se esperar. Damon e Stefan chegam à conclusão que o que aconteceu no passado foi obra de uma mulher, Samantha Gilbert, por possuir um dos anéis que enganam a morte. Meredith surge no batente da casa de Elena, com aquela cara de santa imaculada, revelando o que Alaric não quer ouvir: problemas mentais causados pelo mesmo anel e que gerou as duas mortes dos membros do conselho. Todas as armas dos crimes pertencentes a ele não foram algo ocasional. E tudo só piora porque Elena confirma a informação, ao ter em mãos o diário da nova Gilbert (roubado do armário de Meredith), relatando o mesmo problema que seu “pai” está sofrendo.

 

Quero e muito ver como a história do professor de história se desenrolará nos próximos episódios de The Vampire Diaries. Também necessito saber qual será o caminho que os Originais seguirão assim que Rebekah descobrir sobre o paradeiro da árvore. São duas histórias com enredos diferentes. Será que se encontrarão no final?

Stefs
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