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30/jul

Mais um post para fazer contagem regressiva para o aniversário de J.K. Rowling e Harry Potter. Só que dessa vez, irei abordar o lado negativo imperante à saga.

 

Não é de hoje que críticos ou representantes de igrejas afirmam que Harry Potter “não é de Deus”. Desde que Harry Potter e a Pedra Filosofal foi lançado em 1999 no mercado britânico e americano, J.K. Rowling teve que lidar com muitos boatos, olhos tortos e suposições com relação a sua obra.

 

Em menos de semanas da publicação do primeiro volume, o menino bruxo virou um símbolo satânico, foi alvo de boatos de plágio e, de alguma forma, causou rebuliço nas instituições de ensino, pois os pais não conseguiam entender porque os filhos não despregavam os olhos dos livros.

 

Essa semana, encontrei mais um artigo que comenta sobre as supostas mensagens ocultas ou subliminares que, em teoria, podem impulsionar o mau comportamento dos leitores. Sem a existência de mais um livro ou uma adaptação cinematográfica, nota-se que sempre encontrarão pauta para dizer que Harry Potter é cheio – como continua – de mensagens sobrenaturais.

 

Dessa forma, a leitura de Harry Potter passou a ser vista como algo negativo pelo fato de ser um agente influenciador nos seguintes tópicos:

 

Política e sexualidade: em 2005 foi apontado por Benjamin Barton da Universidade do Tennessee que o Ministério da Magia é uma instituição dona de uma política rígida, ineficaz, burocrata e que é incapaz de proteger as pessoas contra o mal. Isso poderia refletir no modo de pensar dos leitores com relação ao governo do país que residem. Outro fator político levantado, por assim dizer, foi a posição ativista de Hermione Granger ao defender os elfos.

 

A controvérsia maior, sem dúvidas, foi gerada quando Rowling afirmou que Dumbledore, o diretor de Hogwarts, era gay. A revelação foi vista como possível potencializadora do homossexualismo, pois o personagem pertencia a um alto patamar na sociedade bruxa e, por ser respeitado, ele poderia ser uma inspiração na opção sexual dos fãs da saga.

 

Religião: claro que os problemas maiores de Rowling vieram por meio da igreja. Sacerdotes, pastores, religiosos fanáticos afirmavam que a obra faz apologia à magia negra. Outro ponto que também se encaixou na categoria foi o homossexualismo de Dumbledore. Acho que o ponto mais sem noção foi afirmar que Harry e Jesus possuem histórias semelhantes. O exemplo dado para esse absurdo foi com relação à ressurreição do menino bruxo em Harry Potter e as Relíquias da Morte. Ele sacrificou a vida pelas pessoas que amam e voltou à vida, como Jesus Cristo.

 

Além da “apologia à bruxaria”, Harry Potter seria uma história que celebra o paganismo, o que acarretou na tentativa de proibir a leitura dos livros, pois eles poderiam encorajar as crianças a quererem conhecer o Oculto.

 

Racismo, Guerra e Corrupção: Voldemort e os Comensais da Morte possuem uma forma de organização semelhante ao nazismo alemão. O lado mal da história preza por uma limpeza étnica no mundo bruxo. O Lord das Trevas almeja o fim dos não nascidos bruxos (sangues-ruins) e, dessa forma, realiza uma faxina na raça bruxa. Ele assassina inocentes ao seu comando, o que lembra o que Hitler fez contra os judeus.

 

Os jovens heróis vivem dentro do quadro de racismo puro. Esse fator negativo é apresentado no convívio estudantil, onde o asco de Draco Malfoy inspira a atitude dos alunos da casa Sonserina. O bullying é evidente quando o grupo do personagem trata todos muito mal, por não pertencerem a uma família de renome no mundo bruxo.

 

A guerra bruxa funciona como um meio para a exploração da moral e das regras aplicadas à sociedade que é injusta.

 

Harry Potter e os Movimentos sociais: atualmente, existem inúmeros movimentos que vão contra ou a favor a um determinado assunto, seja de cunho social, político ou econômico. Os participantes ignoram as regras regidas pelo poder maior e se articulam para lutar contra aquilo que os desagradam. Nos livros de Rowling, a Armada de Dumbledore representa esse fator negativo. Fred e Jorge também se tornaram exemplos de manifestantes influenciadores, pois no mundo real, eles provavelmente atuariam dentro de causas como o WikiLeaks.

 

Futuro da imaginação na era tecnológica: os novos leitores que entrarem em contato com os livros de Rowling farão isso na era da tecnologia. A internet favorece e muito a atuação de escritores de fanfic, por exemplo. Dessa forma, é difícil quantificar como a obra impactará a nova geração potteriana por meio da web. Nesse ponto, eles não terão a Warner Bros. para impedi-los de fazer alguma coisa com relação ao mundo criado por Rowling. Mas nada nega que eles poderão ser motivados a agirem conforme a trama. Não só eles, como personalidades e figuras políticas. Sem contar a influência na moralidade da sociedade atual.

 

Essas teorias, se é que podemos chamar de teorias, de certa forma, depende do ponto de vista de cada pessoa. Alguns realmente acham que Harry Potter vai contra o catolicismo, que faz apologia à bruxaria ou que é uma arma que pode manifestar o lado libertino dos leitores para serem manifestantes contra uma sociedade injusta.

 

A única coisa que posso dizer é que, toda vez que publicarem suposições sobre Harry Potter, um verdadeiro fã da saga deveria ser consultado. Eu digo por mim: não recorri à Wicca, uma religião pagã bastante séria para os praticantes, não virei uma rebelde sem causa e nem muito menos criei asco por pessoas que gostam do mesmo sexo. Harry Potter não me influenciou de maneira negativa.

 

Eu aprendi a gostar de ler e escrever por causa de Rowling. Tem algo mais positivo para uma criança que apreciar essas duas formas de arte?

 

É fato que as teorias mirabolantes que revelam mensagens subliminares em torno da saga continuem. Só não se assustem se um monte de potterheads dominarem as ruas para protestar.

 

Imagens: tumblr | Link que inspirou o post: xxx

Stefs
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