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26/ago

Eu tenho 26 anos e já me peguei inúmeras vezes pensando em como seria minha vida assim que chegasse aos 30. Muitos planos emergem na mente, mas todos parecem meio distantes de serem alcançados. Um deles, por exemplo, é escrever um livro. Tenho algumas “tramas” de minha autoria engavetadas, mas não tenho coragem de finalizá-las. Por que não deixar para depois dos 30? Tenho também o desejo de estragar o cabelo e ser ruiva, não comer mais doce, usar cremes, beber menos (isso eu consegui!), manter o peso ideal (este também!), etc.

 

Além das coisas fúteis, há as coisinhas mais sérias da chatice do universo adulto, como querer ser financeiramente estável quando chegar aos 30, mudar de área profissional, conhecer um cara legal, engrandecer o currículo, fazer trabalho voluntário… Acho que a ideia de ter 30 anos ou se aproximar dele é totalmente assustador. Você fica com aquela sensação de velhice, começa a relembrar da época da adolescência e cai na real que isto foi há quase 10 anos atrás.

 

Tudo fica mais tenso quando o número de realizações pessoais dá para contar nos dedos. Não irei cuspir para o alto, pois a saliva sempre volta em cheio na testa, mas eu preferia ter uma piscina de conquistas a ter que levantar alguns dedos e perceber que ainda tem muita coisa para fazer com a minha vida. Esta é a parte mais desesperadora. Logo vem os 30, depois os 40, depois os 50 e quem é você na noite?

 

Lisa Lynch é uma destas pessoas cheia de planos. Na capa de seu livro Coisas pra fazer antes dos 30, ela também dá o pontapé inicial com coisas de garotas que adoram uma boa futilidade, como perder peso, escrever um livro e ter o cobiçado sapato do honorável Christian Louboutin. A parte dos planos destinados às coisas mais sérias estão engravidar e enfrentar um câncer de mama grau três.

 

Aos 28 anos, Lisa se deparou com o inimigo de muitas mulheres que, na maioria das vezes, são surpreendidas com um caroço no seio. O erro é achar que a “pedrinha” é totalmente inofensiva e deixar a visita médica para depois. Lisa até achou que não seria nada demais até o dia, em uma brincadeira com o marido P., recebeu um golpe certeiro no seio esquerdo, o que denunciou que algo realmente estava errado. Dava-se início à luta contra a Porcaria – maneira que ela chama o câncer ao longo do livro – e todos os planos entraram em stand-by.

 

A autora narra sua luta contra a Porcaria desde a descoberta até a remissão. Confesso que comprei o livro por causa da capa e por ter me identificado com o título. Não esperava que fosse dar de cara com algo tão intenso, pois Lisa não poupa nenhum detalhe do que viveu. A obra é dividida em dois arcos: os posts no blog particular, onde ela desabafa sobre o câncer de mama, e a narração da autora em momentos mais particulares como a mastectomia e a perda de cabelos.

 

Não se trata de uma obra dramática, repleta de chorumelas, que promete te ajudar a superar o câncer de mama. A narrativa não dá sono, pois Lisa consegue te envolver no problema dela. Não se trata de um livro de autoajuda também. Lisa é britânica e os nascidos no amado Reino Unido possuem um humor negro bem ácido, então, alguns relatos dela rendem algumas risadinhas e você se sente até culpado, pois parece errado rir de toda a situação.

 

De uma forma geral, o livro é bem realista, narrada do ponto de vista de uma paciente que viveu com o câncer de mama. Lisa não mede palavras ao contar sobre os efeitos colaterais da quimioterapia, como foi terrível vomitar, como não foi nada incrível receber olhos de piedade das pessoas que não souberam agir com a situação e a insegurança de ter se sentido feia e não mais atraente para o marido.

 

Por nunca ter contato com este tipo de literatura, Lisa me surpreendeu em muitos momentos e, confesso, me fez chorar em muitos outros. Em 304 páginas, você espera um final feliz. O livro representa aquela velha mensagem que todo mundo já deve ter falado algum dia na vida: não deixe para amanhã, o que se pode fazer hoje. Ninguém sabe o que está reservado para cada um de nós e, mesmo que seja difícil, é sempre bom curtir o aqui e agora.

 

Ok! Não é um livro que fará você correr contra o tempo, mas Coisas pra fazer antes dos 30 é um espelho de como a vida pode mudar de forma brusca. Se juntarmos ele com outras obras de autoajuda, tenho quase certeza de que a grande maioria não é tão realista se comparada a história de Lisa.

 

É uma obra que vale a pena ser desfrutada.

 

Na Estante

Título: Coisas pra fazer antes dos 30

Autora: Lisa Lynch

Páginas: 304

Gênero: Memórias

Editora: Panda Books

Stefs
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