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06/ago

 Random You by: Mary Barros

 

– Mãeeeee, me leva no show do The Pretty Reckless?
– Pretty o que, minha filha?
– Ah! Mãe! O show da mina do Gossip Girl

 

Estou um pouco, para não dizer muito, distante da realidade acima. Até porque, a última vez que minha mãe me levou em um show foi quando ganhei de presente de 15 anos uma viagem ao Rio de Janeiro, para ver meus ídolos teens no “Rock in Rio”. Quem nunca teve sua fase “garota POP grudenta”? Com o passar do tempo, moldamos nossa personalidade e uma parte significativa destas mudanças ficam por conta de nossas preferências musicais, sejam estas melhores ou ainda piores que as do passado.

 

Não entrando no mérito e qualidade dos ídolos teens da atualidade, algumas pequenas criaturas se destacam, mesmo que não recebam a visibilidade a qual merecem. Esse é o caso dessa tal banda chamada The Pretty Reckless que, sem dúvida, levanta diversos “WHO’s” quando mencionada. Carregando o status de atriz infantojuvenil – vale relembrar da garotinha com nariz arrebitado e tranças loiras do filme O Grinch (2000) – Taylor Momsen, agora com dezenove anos ficou realmente conhecida após interpretar Jenny Humphrey na série Gossip Girl durante três anos.

 

Com passagem rápida pela Argentina, pelo Chile e pelo Brasil (em três cidades nacionais, entre elas, Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro), Taylor e seus rapazes, Ben Phillips, Mark Damon e Jamie Perkins, que compõem a formação mais permanente desde o nascimento da banda em 2009, mostram que nem mesmo o título de “gossip girl” de Taylor os impedem de mostrar a que vieram e, claro, o som que se propuseram a entregar.

 

O alvoroço em frente à casa de shows HSBC Brasil em São Paulo era visível, povoado basicamente por jovens entre 15 a 17 anos. Alguns destes, os pais deixaram à porta e, outros mais protetores, entraram com os filhos (as) para assistir ao show da banda que, provavelmente, nem conseguiriam pronunciar o nome com facilidade. O visual da gurizada seguia um padrão “piri-gótico” já esperado: roupas rasgadas, shorts curtos, meias arrastão e muita maquiagem preta, sendo que o público era predominantemente feminino, com algumas exceções.

 

E foi com expectativas elevadas, considerando quão surpresa fiquei ao ouvi-los três anos atrás, que finalmente entreguei o ingresso que comprara quase cinco meses antes, estes que começaram a serem vendidos no fim do ano passado. Comprovando que a melhor coisa que fez foi largar a carreira como atriz, Taylor surge com sua banda à frente de um HSBC Brasil com lotação máxima, para um curto, porém, excelente show.

 

Crédito: Capricho

 

Dizem por aí que a guria compõe desde os 12 anos e a banda apresentou essencialmente todo o álbum de estreia Light Me Up, com exceção da canção título que fez falta e You, última faixa e a mais romântica dentre todas. Começando pesado, abrem com Hit Me Like a Man, canção título do EP lançado este ano; passam por Since You’re Gone e dão um prêmio aos fãs mais atentos com Zombie, canção presente no demo nu e cru da banda.

 

O público vai ao delírio com Miss Nothing e, logo após, leva um tranquilizante com a apaixonada Just Tonight, uma das poucas canções do setlist que deixou o pessoal mais calmo, prestando atenção somente na potente e não desafinada voz da Miss Momsen.

 

E assim veio a provocante Going Down, com os dizeres mais apropriados para o público juvenil, e a nova Cold Blooded, cuja melodia tem uma bela pitada de Blues, sem contar que é um dos poucos momentos em que Ben, o guitarrista, dividiu os vocais.

 

Agora, posso tentar apostar que os assíduos fãs que cantavam e vibravam do começo ao fim de cada canção, não se importariam se os dois covers da noite, Like a Stone do Audioslave e Seven Nation Army do White Stripes, fossem descartados. Não por serem péssimas rendições, pelo contrário, mas pelo simples fato de que seria preferível ouvir todo, mesmo que seja pouco, repertório que a banda tem. Covers fazem parte, ainda mais com estreantes no cenário.

 

O melhor – literalmente – ficou para o final, com direito a leading lady pegar a guitarra durante My Medicine que fora, sem dúvida, o ponto alto da noite, perdendo somente para o single que abriu às portas para eles, Make Me Wanna Die.

 

Em todos os shows da banda, esta é a canção da qual o público mais participa e, como os fãs brasileiros são apaixonados e participativos, esta foi mais uma das vezes que Taylor largou mão do microfone e ficou somente a contemplar a cantoria da plateia. Fechando em quase uma hora de show, entregam Factory Girl, dando o tom de como o show começara.

 

E com um gosto de quero mais, após alguns poucos minutos de euforia dos fãs, a banda retorna para fechar de vez com Nothing Left To Lose, que deixou a sensação de que não havia mais nada a perder, a não ser o suor devido à casa lotada e o cansaço mesmo que momentâneo.

 

Mesmo com alguns comentários pós-show a respeito de sua “castidão” – a loirinha é bem conhecida pelas atitudes rebeldes e provocativas –, The Pretty Reckless deu uma aula de rock & roll. Mesmo não chegando aos pés dos grandes nomes da indústria, ainda mais por terem poucos anos de estrada, fizeram sua parte, principalmente no que corresponde a agradar os fãs. Estes que, assim como eu, não saíram decepcionados. Bom, talvez algumas garotas acredito que saíram, afinal, Taylor não chamou nenhuma para sensualizar com ela no palco.

 

Nota da Random Girl: random you é uma coluna participativa. Se você tem interesse em rascunhar, mande-me um e-mail: hey.randomgirl@yahoo.com.br

Mari
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