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25/set

Até agora na Nostalgia anos 90, tirei do baú as boy bands Five e Westlife e a eterna girl band Spice Girls. Hoje, começo a parte mais extensa desse especial que tem sido muito divertido de fazer.

 

Os Backstreet Boys chegam aqui com posts que serão divididos em algumas partes (ainda não sei determinar quantas, mas acho que serão três), pois minha relação com eles foi muito mais intensa. Os garotos da rua lá de trás foi o marco da minha adolescência com relação à música pop, da mesma forma que Harry Potter virou referência na minha prateleira de livros.

 

Nick Carter, AJ McLean, Brian Littrell, Howie D e Kevin Richardson entraram para a minha vida nas versões de festa do Dia das Bruxas, no eterno e ovacionado videoclipe Everybody (Backstreet’s Back). Lembro que costumava passar as férias na casa dos meus padrinhos e ficava o dia inteiro com a cara de frente para a televisão. Daí, eles surgiram e me cativaram da mesma forma que aconteceu com Britney Spears. Ficar muito tempo antenada me fazia descobrir coisas novas, algo que não é mais emocionante, pois temos a amada internet hoje em dia.

 

A época que isso aconteceu foi meados de 1998, se não me engano, mas como ainda era muito vidrada em Cavaleiros do Zodíaco e Sailor Moon, deixei meu interesse pelos BSB em stand by. Até que voltei para a escola e não se falava em outra coisa a não ser nos Backstreet Boys. Minha amiga de infância me levou para o caminho mais profundo da boy band, especialmente porque a irmã dela já ocupava o posto líder de fã enlouquecida.

 

A partir daí fui pega de chofre pelo meu amor com relação a boy band e esse sentimento perdura até os dias atuais. Eu fico impressionada só de estar aqui, sentada, na tentativa de relembrar o que passei ao lado dos Backstreet Boys, os momentos embaraçosos, os micos, o desespero e a choradeira. Por causa deles, descobri como uma pessoa consegue ser fã sem escrúpulos, fazer um altar com relação àquilo que ama e se debulhar em lágrimas ao estar diante do ídolo.

 

Por ter amado os BSB de forma incondicional (hoje, o sentimento é mais controlado) revivi a diversão de montar pastas, algo que fiz pela primeira vez com o Leo DiCaprio. Eram inúmeros recortes de revista e pôsteres, sem contar o tempo que passava na frente da TV (de novo) para gravar qualquer espirro que o quinteto desse na MTV. E tem aquele momento lindo que você aborrece sua mãe ao colocar fotos e mais fotos nas paredes do quarto. Só para terem uma noção de como os BSB me ensinaram o que é fandom, eles foram responsáveis pela minha primeira fanfic e eu nem sabia o que diabos era isso.

 

Da mesma forma que meu encontro com eles teve o timing perfeito, o mesmo vale para o início da carreira dos BSB. Em 1992, AJ, Howie D e Nick Carter se conheceram entre testes para modelar, fazer comerciais ou ter um espacinho na televisão. Por terem similaridades no gosto musical, formaram um trio, até se encontrarem com Kevin, que trabalhava na Disney World (alguém se lembra de quando ele contou sobre o trabalho vestido de Aladdin? Pagava e muito para ver isso). O trio virou quarteto e o quarteto virou quinteto, pois Kevin convidou o primo Brian para se aventurar em um grupo musical só de garotos.

 

Tudo na vida de boy e girl band se resumiu a anúncios em jornais ou revistas, e com os BSB não teria sido muito diferente, pois, nessa época, eles foram atraídos para os testes que dariam formação oficial a boy band. Em 1993, os Backstreet Boys fizeram a primeira apresentação no SeaWorld. Como não eram conhecidos e não tinham ainda um bom patrocínio, os garotos começaram a cantar em escolas locais até encontrarem o ouro no final do arco-íris, ou seja, os empresários da gravadora Jive Records.

 

Você pode ter achado que os BSB bombaram nos Estados Unidos, mas não foi bem isso que aconteceu. Em 1995, eles gravaram o primeiro single da vida deles, We’ve Got It Goin’ On. Lembro de uma entrevista, em alguma fita VHS perdida aqui em casa, que eles cozinharam na hora de fazer o videoclipe, pois estava muito calor e eles tinham que pagar de gatinhos com casacos pesados. O que não se faz pelo reconhecimento artístico, né?

 

O debut desse single aconteceu em setembro do mesmo ano, mas só conseguiu repercussão na Europa, onde firmaram a quinta posição no Top 5 da Alemanha. Isso rendeu a eles uma turnê de verão.

 

Logo em seguida, veio uma das músicas mais fofas da carreira deles, I’ll Never Break Your Heart (o videoclipe tem duas versões. Eu escolhi a mais bonita), que foi lançada apenas na Europa, em 1996. Depois de dois singles bem aceitos no continente europeu, eis que nasce o primeiro álbum que levou o nome da banda. Eles não perderam tempo e engataram a divulgação do primeiro projeto ao lado do videoclipe da música Get Down (You’re the One for Me). O debut aconteceu em nível internacional, mas a banda conseguiu pouca aceitação no mercado americano e canadense.

 

A popularidade dos Backstreet Boys ficou concentrada na Europa, algo muito similar ao Westlife que também teve muita dificuldade em conquistar a Terra do Tio Sam (e não conseguiram do mesmo jeito). Os BSB criaram fortes raízes na Alemanha, onde conquistaram o posto de melhor banda internacional. Os singles lançados foram superbem vendidos, com direito a discos de ouro e de platina. Para uma banda que ainda não era reconhecida em outros continentes, o quinteto estava bem e se tornou a banda com o debut mais bem-sucedido da década de 90.

 

Para conquistar todos os territórios, a música Anywhere for You foi a escolhida para a representá-los internacionalmente. Logo depois, foi a vez do sedutor Quit Playing’ Games (With My Heart) que rendeu o segundo lugar na Billboard americana. Qual adolescente não ficou grudada na frente da TV só para observar os tanquinhos dos garotos? Esse videoclipe foi, sem dúvidas, o motivo estrondoso das fãs dos BSB arrancarem os cabelos, além de atrair uma nova legião de seguidoras que queriam um pedaço do quinteto banhado na chuva de camisas abertas. Confesso que até hoje fico boquiaberta com o clipe.

 

Em 1997, veio o fenômeno em formato de álbum chamado Backstreet’s Back, que foi lançado mais tarde nos Estados Unidos, com algumas músicas que não foram inclusas, só na versão alemã. O segundo projeto dos BSB foi o debut oficial nos EUA, como se o projeto anterior nunca tivesse existido. Para vocês terem ideia do descaso inicial do mercado americano, algumas músicas do primeiro CD foram inclusas no segundo, como Anywhere for You.

 

Demorou muito mas, aos poucos, os americanos se renderam ao charme do quinteto, pois eles conseguiram alcançar o quarto lugar das paradas na Terra do Tio Sam e venderam mais de 14 milhões de cópias com esse álbum. Contudo, o sucesso garantido ainda estava enraizado na Alemanha, onde eles faturaram a primeira posição nas vendas, assim como na Suíça, na Finlândia, Bélgica e Austrália. Isso era sinal que as coisas começavam a mudar para o lado deles.

 

Também não é para menos. Os singles desse segundo álbum emplacaram na fofura e na inovação. Everybody (Backstreet’s Back) é tendência até hoje, da mesma forma que as baladinhas românticas As Long as You Love Me e All I Have to Give.

 

 

Backstreet Dramas!

 

A vida dos Backstreet Boys sempre foi rodeada de muitos dramas que nunca foram fortes o bastante para fazer o quinteto desistir de uma carreira promissora ou abandonarem o projeto sem nenhum motivo. O primeiro impasse que os garotos enfrentaram foi contra os empresários da gravadora que, aparentemente, não dividia os lucros de igual para igual. O processo foi uma grande dor de cabeça e se estendeu até para os meninos do ‘N Sync.

 

Mas nada disso se comparou ao diagnóstico preocupante com relação ao estado do coração do Brian. A cirurgia do primo de Kevin aconteceu no meio da turnê do segundo álbum e mobilizou os fãs. Os amigos de palco aguardaram a recuperação completa de Brian para retomarem os shows. Howie D também teve seu drama particular ao enfrentar o maior impasse da sua vida, a morte da irmã Caroline por conta do Lupus e o meu Mr. Body Beautiful aka Kevin perdeu o pai em 1991, o que impulsionou o cantor a procurar oportunidades de emprego melhores e o resultado foi uma vaga nos Backstreet Boys.

 

Os BSB começaram a assumir posições filantrópicas e um dos atos mais importantes da carreira deles foi um show beneficente para as vítimas do tornado em Orlando, em 1998. Eles ganharam a chave da cidade por terem arrecadado mais de 250 mil dólares para corrigir os danos causados pela tragédia. Eis que nasceu o Backstreet Boys Day.

 

More than work

 

Mesmo com os dramas e ainda com o processo contra os empresários nas costas, em 1997 os Backstreet Boys começaram a preparar o álbum que eles não faziam ideia que os colocariam no topo do mundo. O primeiro single do álbum Millennium foi I Want It That Way, que conseguiu ótimas posições em 25 países como o Reino Unido, Alemanha, Suíça, Áustria e Nova Zelândia. Os BSB atingiram o posto de fenômeno e a vida deles virou de ponta cabeça. Aqui no Brasil, o single do terceiro álbum vivia em primeiro lugar no falecido Disk MTV (digo falecido, porque hoje ninguém merece esse programa).

 

O álbum Millennium alavancou a carreira dos Backstreet Boys e foi o best-selling da carreira deles. O terceiro álbum se manteve por 93 semanas na parada da Billboard, vendeu mais de 12 milhões de cópias nos EUA e recebeu 13 vezes o disco de platina. Outros hits que emplacaram foi Larger than Life, a música que eles dedicaram aos fãs, cujos efeitos especiais do videoclipe são totalmente perfeitos, algo extremamente futurista, e The One, com flashes da turnê referente a esse trabalho.

 

Mas nada foi tão arrebatador quanto o single Show me the Meaning of Being Lonely. Sabe os dramas que citei logo acima? O videoclipe foi totalmente inspirado na história de vida dos meninos. Além dos impasses de Brian, Howie D e Kevin, AJ lamenta a perda de uma namorada, dentro do ônibus que foi uma homenagem ao produtor Denniz Pop, que também faleceu nessa época. Nick, sozinho na noite, é um mistério e eu não consegui puxar nas minhas memórias e nem no Google os motivos para ele ter ficado dessa forma no clipe.

 

O videoclipe foi uma mensagem pura para aqueles que perderam seus entes queridos. A música é realmente depressiva, com tons de cinza e expressões de perda. Não tem como não chorar toda vez que o assisto. Na época em que ele foi lançado, a situação toda foi mais tocante, pois a história do quinteto era fresca, por assim dizer, e não havia uma fã que não tenha ficado comovida, especialmente com a parte do Brian.

 

 

Rolling in the Deep or not?

 

Os problemas no paraíso dos BSB continuaram e eles romperam o contrato com a Jive Records. Entre turnês bem-sucedidas, ingressos esgotados e fãs desesperadas, que faziam de tudo para ficar perto deles, a banda não parou de trabalhar.

 

Em 2000, eles migravam de estúdio em estúdio para dar formação ao quarto álbum, o Black and Blue, que foi lançado em novembro do mesmo ano. Para promovê-lo, eles fizeram o inusitado: uma viagem de 100 horas com direito a paradas em Estocolmo, Tóquio, Sidney, Cape Town, Rio de Janeiro e Nova York.

 

Vocês se lembram dos diários que a MTV americana sempre produzia com os artistas que bombavam na década de 90? A atitude dos BSB deu vida para o The Diary of The Backstreet Boys e, a parte mais chocante do especial voltado para a pequena turnê de 100 horas, foi quando eles pararam no Rio de Janeiro. As fãs enlouquecidas simplesmente bloquearam o ônibus e não tinha por onde eles saírem.É nessas horas que tenho vergonha de ser fã e morar no Brasil, pois ninguém consegue ser civilizado por aqui. Ser fã brasileira resume-se em demonstrar uma paixão excessiva que faz com que haja perda de controle e queimem o filme daquelas que não se comportam de uma maneira tão extremista.

 

Até hoje me recordo do comentário do Kevin nesse especial, todo preocupado ao dizer que estava com medo do ônibus virar, pois as brasileiras ensandecidas se espremeram em torno do busão, davam tapas, socos e berravam, e faziam o transporte balançar de um lado para o outro. Mas, não serei totalmente egoísta e chata, pois agradeço a loucura delas. Meses depois desse episódio, o quinteto confirmou que trariam a turnê Black and Blue ao país (e eu estava lá, conforme futuros relatos do especial).

 

Os Estados Unidos tiveram que engolir os Backstreet Boys, pois quando o Black and Blue saiu do forno, eles roubaram os holofotes dos Beattles, por conseguirem vender mais de 1,6 milhões de cópias na primeira semana. Vocês ainda se perguntam por que as outras boy bands resolveram embarcar nessa ideia de música pop, com cinco garotos que dançam e cantam?

 

Os singles de sucesso do quarto álbum foi Shape of my Heart, The Calling e o deslumbrante e enigmático More Than That. Sem contar que Howie D lançou a moda da chapinha, Kevin deixou as madeixas longas e o Nick parecia uma bolinha fofa de tão gordinho.

 


Em 2001, os Backstreet Boys pegaram a estrada para a turnê da vida deles. Sem contar que ela foi a mais cara em questão de produção (me dá arrepios só de relembrar!). Eles performaram nos 5 continentes em uma turnê que qualquer fã da boy band tem orgulho de declarar que foi e que sofreu horas na fila por um bom lugar.

 

Mas, como tudo de ruim começa a acontecer quando boy e girl bands atingem o auge, com os BSB não foi diferente, pois AJ agitou a mídia ao anunciar que iria para a rehab, a fim de se livrar do vício do álcool. Eu lembro que meu mundo caiu quando soube disso, pois ele sempre me pareceu muito bem, mesmo com todo seu estilo pessoal e rebelde. Confesso que estranhei bastante quando ele adotou uma fase dark com lápis de olho e unhas pretas na era Larger Than Life, algo que nunca imaginei que AJ faria um dia. Achei que poderia ser uma fase, mas, ao colocar no papel e analisar a situação, isso poderia ser o indício de que ele não estava nada bem (ou uma questão de estilo, como mostra a foto atual do cantor).

 

Kevin sempre foi o porta-voz dos assuntos referentes aos BSB (meu orgulho ♥), por ser o mais velho da boy band. Ele assumia o posto de orador e, de certa forma, como fã enlouquecida deles, me senti mais tranquilizada com a notícia explicada por ele. AJ foi se tratar e assumiu em rede internacional, algo que muitos artistas não tem peito de fazer. Eu imaginei que isso acabaria com a carreira da boy band, pois as fãs tem essa imagem idealizada do seu ídolo e poderiam abandoná-los por causa da polêmica.

 

Foi nesse momento que descobri que sou madura o bastante para desvirtuar as coisas. Eles são humanos tanto quanto eu, não vivem em uma redoma de vidro e fazem burradas. Para uma garota de 15 anos entender isso foi um milagre, pois era mais fácil acreditar no príncipe com cavalo branco. Lembro que tinha meninada estarrecida quando o Nick foi preso porque dirigiu em alta velocidade, sem contar que ele também foi viciado em drogas e álcool. Qual celebridade nunca teve um problema desse e deu a volta por cima?

 

Eu temi pelo fim dos Backstreet Boys quando foi lançado o The Hits: Chapter One, em outubro de 2001, a coletânea com os sucessos da boy band. Desse quinto CD foi produzido o videoclipe da única música inédita, Drowning, que teve duas versões produzidas.

 

Eles ficaram em hiatus por dois anos que, para mim, foi uma eternidade. Tinha perdido até as esperanças do retorno deles e resolvi me jogar no Linkin Park.

 

Enquanto AJ continuava com o tratamento, Nick lançou um álbum solo, o Now or Never, além de dar apoio à carreira do irmão mais novo, Aaron Carter. Nesse mesmo ano aconteceu o Rock in Rio aqui no Brasil, do qual os Backstreet Boys foram convidados, mas não puderam participar (alimentou-se que eles não queriam dividir o palco com o ‘N Sync).

 

Em 2002, eles ainda enfrentavam problemas judiciais com a Zomba Music Group (parente da Jive). Em 2003, AJ foi sentar no sofá da Oprah pela primeira vez para contar sobre os problemas com álcool e drogas, e as dificuldades da fama. A parte mais emocionante desse dia foi quando os membros do grupo apareceram para mostrar seu apoio ao amigo e, juntos, depois de dois anos separados, mostraram que são muito mais que um produto da mídia.

 

 

Na segunda parte da Nostalgia Anos 90, falarei um pouco mais da carreira solo dos Backstreet Boys e o retorno da boy band depois de tanto perrengue. Não me abandonem, pois no final de tudo isso farei um relato muito bizarro sobre a minha presença no show da turnê Black and Blue, cujas anotações no diário merecem ser fotografadas.

 

Nota da Random: os vídeos foram retirados do YouTube e eles podem ser excluídos a qualquer momento.

Stefs
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