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31/out

Falar sobre o Dia das Bruxas é bastante fácil. A primeira coisa que se pensa é em doces, ir a festas a fantasia, contar lendas urbanas e, claro, assistir muitos filmes de terror. Como não sou mais adepta a bagunça e a traquinagem como antes (motivo: velhice), nada mais justo do que ficar em casa, alugar uns filmes com alguma sinopse atraente para me assustar ou me fazer dar risada, pois os longas de suspense/terror lhe dão estas duas oportunidades de entretenimento.

 

Assistir filmes de terror sempre me fez questionar como seria a construção do roteiro. Lembro a primeira vez que assisti Pânico, lá em meados da minha amada década de 90, com olhos ingênuos e temerosos para saber qual seria a investida do serial killer, que trajava aquela máscara marcante e assustadora para uma adolescente de 14/15 anos. Eu assisti sozinha e o apartamento do qual morava tinha uma grande porta de vidro, semelhante a da casa da personagem de Drew Barrymore, com a única diferença que não tinha um jardim para sair e correr.

 

Para piorar minha sensação de insegurança, o telefone tocou, junto com o toque do filme. Nem preciso comentar que dormi com a cabeça enfiada no edredom, mas achei o máximo a adrenalina que Pânico me proporcionou. Sem dúvidas, esse foi o thriller que me marcou, é meu favorito, e terá um pedaço na minha prateleira em breve, ao lado de outros hits como Lenda Urbana e Eu sei o que vocês fizeram no verão passado. Ai! Bateu saudades do meu costumeiro Halloween com um bando de adolescentes levando sustos na minha casa.

 

Enfim, chegou uma hora que parte da minha adolescência ficou dedicada às fanfics. Depois de escrever tantos romances, resolvi arriscar um suspense, crente que seria muito fácil fazê-lo. Bastava apenas ter um filme como inspiração – no meu caso foi o fracassado O Jogo dos Espíritos (Long Time Dead), mas optei pelo real tabuleiro de Ouija. Os personagens pertenciam à J.K. Rowling, os meus queridos da Era Marota.

 

Escrever uma história desse gênero parece simples, mas não é tanto assim. Por mais que os resultados tenham inclinação de serem péssimos – o que faz dos filmes de terror e de suspense mais bacanas, pois sempre há algo para debater e dividir opiniões –, é meio complicado bolar um plot, mesmo que você já tenha escolhido o assassino que dará um fim para todo mundo.

 

Com a experiência da minha fanfic – que obviamente não colocarei aqui – realmente percebi que filmes de terror e de suspense realmente é um divisor de águas. Eles não são como os de comédia que você assiste, ri, xinga e depois esquece. Longas desse tipo sempre voltam para a mesa de debate e é por isso que sou mais inclinada a eles a qualquer outro. Quando recebia as reviews da minha fanfic, alguns gostaram, outros odiaram, outros esculhambaram, e eu pude compreender a verdadeira magia de produzir algo direcionado a esse gênero cinematográfico, mesmo que de forma amadora.

 

Quando digo que não é fácil, é porque não é. Suspense e terror devem envolver o telespectador na história e acertar no corte seco, por mais que o final seja péssimo. Se você assistiu Pânico com 14 anos e repetir a dose 10 anos depois, é fácil questionar os motivos dos quais Wes Craven fez um filme tão bobo e como conseguiu tremendo sucesso. Não se falava em outra coisa a não ser nesse filme na época e ele abriu portas para outros da mesma temática. Se ele fosse lançado agora, com certeza os críticos não o veriam da mesma forma “inovadora” e “inusitada”.

 

A começar pelo tipo de assassino que não é uma máquina como o Jason, que nunca tropeça, cai ou escorrega. Ele, por trás da máscara, é dono de falhas humanas tanto quanto às vítimas que esfaqueou.

 

Para bolar minha história foi uma tortura. O foco era o tabuleiro de Ouija, mas como os personagens funcionariam? Quem seria o culpado de tudo aquilo? Quais seriam as cenas de suspense em torno de tudo isso? Como não parecer clichê e atingir um resultado satisfatório? Escrever algo desse gênero não é simplesmente matar 10 pessoas, revelar um suspeito no final e causar um ponto de interrogação na plateia. Tem que ter uma linha lógica e uma motivação plausível. Eu tentei focar nisso e até que consegui terminar minha fanfic bem satisfeita.

 

Foi um sonho bem estranho realizado.

 

Bom, para uma ficção de fã com 19 capítulos e 243 reviews, os resultados superaram minhas expectativas e eu fiquei bastante feliz. Sem contar que a escrita era péssima e isso me deixa com um pouco de vergonha. Não é à toa que não consigo relê-la. Foi minha primeira fanfic de terror e eu curti a experiência. Nada como amadurecer e arriscar. Até mesmo minha irmã que é bastante crítica, falou para eu investir meus neurônios nesse tipo de gênero.

 

Só de pensar que ainda estou empacada em um romance que será concluído com 64 capítulos… Nora Roberts, te derrotei, sua linda!

 

Neste Dia das Bruxas, não farei nenhuma fanfic especial e não me renderei a nenhum filme do gênero, pois esta data linda cai justamente hoje, quarta-feira. Nem para ser dia 1º para emendar com o feriadão, né? Mas, como terei três dias em casa, nada mais justo do que reservar a pipoquinha, comprar algumas guloseimas e pensar no próximo plot com personagens que não são meus (e os que são) para me fazer feliz.

Stefs
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