Menu:
17/out

Parece que, quando estamos chateados, só vemos coisas tristes ou irritantes. A mente parece um turbilhão, cheia de ideias e dúvidas. Mas, se eu contar nos dedos, nem metade do que pensei salvaria para colocar em prática. Ainda mais quando se une frustração + TPM, o que resulta em uma mistura perigosa, quase uma bomba nuclear.

 

O desabafo da Random de hoje é: o que você oferece ao mundo?

 

Ao analisar as minhas alternativas, cheguei à conclusão que vivemos em um mundo depressivo e solitário. Esse é o que posso dizer com relação ao século 21. Sempre dizem que todo século possui o seu “mal” e, o que eu vejo, não é nenhuma dosagem da poesia da 2ª Geração do Romantismo. De uns tempos para cá, é notável como as pessoas desistem dos seus sonhos com mais facilidade. As pessoas deixaram de ter personalidade. As pessoas não possuem amor-próprio. As pessoas se acham autossuficientes. Ou, o que me arrepia só de pensar, as pessoas não querem mais viver.

 

A coisa está feia, Randoms, muito, mas muito feia. Não só para mim, mas, especialmente, para os que nasceram após a década de 90 e até mesmo hoje, neste exato instante. Elas sofrerão com a escassez de boas ideias e viverão em um ninho computadorizado e alienado.

 

Hoje, as pessoas estão mais tristes e desiludidas com a vida. Elas não lutam mais como antes. Elas preferem a tela de um computador a socializar pessoalmente. Jovens se jogam no álcool ou nas drogas porque é cool ou trend. Não há diálogo em casa e, quando se sai do cubículo de segurança, é para aguentar chacota alheia que sente prazer em destruir alguém aos poucos.

 

É nesses momentos que me sinto uma lutadora falida. Eu luto, mas, se não venço, declaro falência. Aquele desejo de querer fazer algo e não poder, acredito que seja um dos piores sentimentos humanos, além de ódio e rancor. Você sabe dos seus talentos, das suas capacidades, mas não pode usá-los a favor de algo, não porque lhe faltam oportunidades, mas porque simplesmente não dá.

 

Não, não é desculpite. É o looping vicioso mais poético desta geração: não tenho tempo. Preciso dormir. Preciso ver não sei o que. Preciso… Preciso… Preciso… Ou não tenho, não tenho, não tenho. Como também nasceu o comportamento mais ridículo: esperar as coisas caírem do céu e tentar discutir porque a vida é injusta. Se você não faz nada da vida, logicamente que ela não será justa, meu caro. Querer algo não é o mesmo que solicitar uma cesta básica.

 

Depois de muito lutar comigo mesma esta semana – ainda estou na batalha – um vídeo e uma notícia chamaram minha atenção.

 

Vamos começar pelo vídeo produzido por Mark III e Eliot Rausché chamado What I have to Offer. A sacada brilhante foi misturar as imagens com o discurso de Charlie Kaufman, roteirista que ficou popular com os longas Quero Ser John Malkovich? e O Despertar da Mente. Ao fundo, ele dá voz ao grande malefício da atualidade: tecnologia e propaganda mal aproveitada. No decorrer do discurso, Kaufman frisou a necessidade de sermos poderosos e a loucura em querer ser esperto diante de outras pessoas por mera demonstração de medo.

 

Será que ele está errado? Vejam o vídeo!

 

 

Vivemos a base de rótulos. Você não é mais a garota brilhante que conseguiu o posto de melhor aluna  na aula de matemática. Você agora só é brilhante se tem todos os phones, os tablets e os pads. O garoto não é popular porque ele tem o sorriso encantador, mas porque ele tem um canal no YouTube que fala mal de alguém e blá, blá, blá.

 

As pessoas perderam a naturalidade que as faziam atraentes. Você pode se dizer a pessoa mais feliz do mundo, mas, como aprendi em uma das minhas séries preferidas, One Tree Hill, felicidade é um status. Uma hora você a tem, no outro ela vai embora. E será assim para o resto da sua vida, assim como tristeza, amor, raiva, etc.

 

Não serei incisiva em dizer que ninguém é feliz ou que alguém atingiu esta proeza com 100% de satisfação. Não sou cientista, psicóloga, etc. Mas, só de sair de casa para trabalhar todos os dias, eu sinto uma desanimação completa em olhar para as pessoas, pois elas estão tão desencantadas e descrentes quanto eu.

 

Mas a frase chave do vídeo é:

 

What I have to offer is me. What you have to offer is you.

O que eu tenho para oferecer ao mundo sou eu. O que você tem a oferecer ao mundo é você.

 

O que você oferece ao mundo agora? Neste momento? Na verdade, o que você é? O que você gosta sem precisar se basear no gosto alheio e na propaganda massiva?

 

A notícia que li entra justamente nesse quesito. Deixem-me contar o que aconteceu.

 

Estava em mais um dia de trabalho quando a notícia pipocou no meu Facebook: menina se mata. Ok! Se você liga a televisão às 17h sabe que isso não é novidade. Só assistir ao programa do Datena que ele lhe fará um PowerPoint das tragédias do dia. Mas, sabem o que me intrigou no meu momento de frustração + TPM? É a idade da menina. Amanda Todd fez a pior das burradas para se sentir querida online, algo que muitas crianças desinformadas pelos pais fazem, mas ela merecia tudo isso? Não, nenhum ser humano merece passar pelo que ela passou ou qualquer outra criança ou adulto. Isso é desumano.

 

Além de sermos pessoas vazias em um século medíocre, casos como o de Amanda só comprovam o quanto nossa juventude é cruel e sádica. Se você ver pelo ângulo geral, as crianças de hoje não crescem, pois esse direito lhe é usurpado por outras crianças extremamente tacanhas. Elas simplesmente são barradas de terem uma vida saudável por causa de outros seres humanos, teoricamente, iguais a ela. Isso é justo?

 

Não, não é! Tenho certeza que você se sente um lixo quando alguém te chama de imprestável. Idealize isso para uma garota ou garoto, seja de qual idade for. É a pior das sensações. Eu sei disso, porque aconteceu comigo, eu tinha 15 anos e minha época era diferente. E aí?

 

Nessa mesma notícia da Amanda, eu fui ver os comentários na página do Facebook do veículo de comunicação. Sempre haverá divisão de opiniões, justo, mas a cada linha que eu lia, só via hipocrisia atrás de hipocrisia de certas pessoas que não possui um pingo de vergonha na cara ao publicar o que pensam na web.

 

Ah! Mas eu sofri bullying e superei.

Ah! Mas a menina é mentalmente fraca.

Ah! ………………….

 

Para somar a todo o resto, somos uma sociedade hipócrita e que adora falar demais, sem saber se o que pensa é adequado para o momento. Quem levanta o dedo para julgar, honestamente, deve ter infernizado alguém na vida, só isso. Sem contar, que deve incitar qualquer tipo de agressão. E as marcas que ficam? Ninguém pensa nisso, né? Claro que não! A menina era mentalmente fraca mesmo…

 

O que faz do assunto bullying ser tão chato é o trabalho da mídia em cima disso. Não tem como evitar, você já deve ter revirado os olhos e falado de novo? perante uma notícia sobre o assunto. Eu sei disso, até ver alguém da minha família lutar contra o abuso.

 

O comportamento muda e nada sobre a vida é vista como antes. É aquele velho ditado: você precisa perder, ou quase perder, para deixar de ser cego. Falar de bullying agora é pop e, considerando o tipo de cobertura jornalística que temos hoje, não me espanto quando alguém fala que é “frescura” ou “falta de vergonha na cara”.

 

Na minha época também havia casos de bullying, mas não era chamado de tal forma. Sim, pessoas que conheço deram a volta por cima. Mas quem não consegue se impor ao abuso é porque tem uma mente desestruturada? Não teve educação ideal por parte dos pais que permitem que crianças fiquem muito tempo online? Seria uma diferença de décadas e gerações? Não sei!

 

Na minha “Era”, o acesso à internet era diminuto, e existia o processo de sabotagem da infância de alguém, mas a mídia não falava sobre o assunto. Agora é uma questão de audiência e lucro.

 

Hoje, eu acho que as crianças, os jovens e os adultos são mais vulneráveis. Por isso, eu tenho a sensação que nossa vida não vale nada. Uma hora você está em casa e, na outra, você pode não estar. Simples assim! É triste ver uma juventude despender tanto tempo com maldades, ao invés de aproveitar este período que não volta nunca mais. O mais tenso é ver essas mesmas crianças incapacitadas de sobreviverem sozinhas, pois elas agem em bando ou são muito dependentes dos pais. Aposto que acusarão o chefe de bullying quando ouvirem o primeiro grito em um emprego.

 

Every day I think why am I still here?

 

Há muita coisa para se pensar. Há muita coisa para se fazer. Meus momentos de frustrações pessoais geram pausas reflexivas intensas e encontro coisas que me fazem bem e mal ao mesmo tempo. Mas me ensinam, de certa forma. Acho que esse é uma das leis da vida, aprender. Às vezes, penso que viver atualmente pode não valer o esforço. Daí, eu volto no looping vicioso, onde a palavra “não” é a mais constante, uma questão de segurança. Negar algo virou senso de preservação pessoal. E se algo der errado? Compensa mais se proteger a gerar outra onda de frustração.

 

Eu não sei o que ofereço ao mundo ultimamente, acho que metade das pessoas não sabem, mas esta é a linha tênue da vida. A meta é sempre mostrar ser capaz de algo, pois o percurso é cheio de provações e queremos ser vistos. Isso é fato. Mas, até quando verei tantas coisas ruins que conseguem se sobrepor sobre as boas? Seria ideal furar um buraco no subsolo e viver lá para sempre? Por não acreditar nas minhas capacidades e nas expectativas que o mundo lá fora espera de mim? Insano.

 

Será mesmo que não tenho nada a perder? Será mesmo que as pessoas continuarão vazias e superficiais? É martírio demais ter na mente, algumas vezes, a cansativa pergunta: o que diabos eu estou fazendo aqui?

 

Essa é uma resposta que jamais terei. Enquanto isso, eu continuo tentando e vocês deveriam fazer isso também.

 

Nota da Random: o vídeo está disponível na conta Vimeo do autor e pode ser retirado do ar a qualquer momento | Fotos retiradas do Tumblr

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3