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12/out

Snow Patrol é uma das poucas bandas que nunca me decepcionou. A casa de show pode estar cheia ou vazia, mas os integrantes continuam sempre calorosos, respeitam os fãs e deixam a energia do ambiente fluir do palco para a plateia. Sabe aquele show que você vai e consegue lavar a alma? É isso que a minha banda do coração me proporcionou pela segunda vez, ontem (10/10/2012), no Credicard Hall, em São Paulo. Gary Lightbody, Nathan Connolly, Paul Wilson, Jonny Quinn e Tom Simpson me fizeram chorar mais uma vez.

 

Sempre que vou ao show de um artista querido, sempre me pergunto: será que vai estar lotado? Qual será o tamanho da fila? Eu sou daquelas pessoas que não se matam para estar lá frente. Eu fico feliz se tiver um telão, mesmo tendo noção de que não é a mesma coisa quando se está perante o ídolo, no meio da muvuca. Na verdade, eu não sou mais uma fã desesperada ou enlouquecida. Essa fase eu deixei lá atrás, empacada nos meus 15 anos. Naquela época eu gritava, me descabelava, juntava pastas e mais pastas com fotos e pôsteres, mas agora não gasto tanta energia, pois Harry Potter levou tudo o que restava.

 

Mas isso não quer dizer que minha dedicação ao Snow Patrol seja escassa. Como disse, sou uma fã contida e gosto de ouvir a música para mim. É algo pessoal, sabe? Cerrar os olhos, saber a letra e deixar a lágrima escorrer. É um ritual! Isso aconteceu com Florence + The Machine no Summer Soul Festival e, mais tarde, no Lollapalooza, quando eu me esbaldei no show do Foo Figthers. Eu gosto de guardar os momentos dos shows, lembrar do que senti e tentar apreciar alguém que admiro sem parecer desesperada – mas a briga câmera fotográfica e a necessidade de assistir ao show sempre acontece.

 

A primeira vez que fui a um show do Snow Patrol foi em 2010, no Natura Nós, 16 de outubro. Eu dizia sempre quando tinha oportunidade que eles nunca viriam ao Brasil, por conta da baixa popularidade que os meninos tinham, o que levaria anos para eles se tocarem que pessoas como eu os amam. Quando a banda confirmou a presença no festival, fiquei sem palavras, pois foi como saber que um furacão aconteceu. Foi algo muito, mas muito surreal.

 

Esse mesmo processo aconteceu com a Florence, pois também não botava fé em um show dela por aqui, pelo menos, não tão cedo.

 

No Natura, eu fiquei encostada na grade da pista comum, pois era estagiária e o salário era uma merreca, mas eu precisava estar ali de qualquer forma. Minha experiência em festivais era bem nula, então, eu já imaginava algo como o filme 300, onde todo mundo se estapeava – lembranças de shows teens da vida. Contudo, fiquei a alguns bons centímetros do palco, pois o espaçamento da pista premium era um absurdo (e não lotou), mas pelo menos tive amplitude de tudo.

 

Eu assisti a apresentação do Snow Patrol de pertinho, fiquei master surda e rouca. Quando eles entraram com Open Your Eyes, dei início a uma prece longa de purificação, algo que não precisava, pois a Vanessa da Mata foi responsável em atrair um toró dos Deuses nesse dia.

 

Não tive a oportunidade de ir ao Rock in Rio do ano passado e assistir pela segunda vez um show do Snow Patrol, mas fiquei pendurada no streaming. Eu estava em uma fase muito dark da minha vida, cuja ode da vez virou This Isn’t Everything You Are, que é minha nova Make This Go On Forever, que me faz cerrar os olhos, sentir o clima da letra e me debulhar em lágrimas. Tudo isso aconteceu de novo! Sentada na cadeira, de frente para o computador, com o fone de ouvido até o talo, enlouquecida, sozinha e no escuro. Era como se eu estivesse lá, algo compensador para uma fã bem humilde como eu.

 

Depois disso, desejei e muito por um show exclusivo do Snow Patrol, sem um monte de gente e sem o risco de ficar suja de lama. E isso aconteceu e eu estava lá para prestigiá-los. Não tem como descrever neste post o sentimento que me acometeu quando a apresentação iniciou e Gary surgiu empolgado, daquele jeito que os fãs gostam, com Hands Open. Claro que tinha que rolar a bandeira do Brasil, que acredito que tenha sido lançada pela dona do Snow Patrol BR, que recolheu assinaturas da galera na fila (atitude linda!).

 

Diante do palco, era como se eu recebesse um golpe de cada vez. Eu sempre tenho aquela primeira sensação de não pertencer a um determinado lugar. E estar tão perto do Snow Patrol era inimaginável. A pirotecnia no telão ao som de Berlin ainda não tinha me feito cair na real. Eu olhava para trás e achava que algo estava errado, pois tudo estava muito tranquilo. Quando todos os integrantes da banda dominaram o palco, não sabia se cantava, se pulava, se filmava ou se tirava foto. Gary me desesperou enquanto agitava a galera com as músicas que esquadrilharam a história deles, como You’re All I Have, Crack The Shutters e Take Back the City. Vivi as mesmas sensações do Natura Nós.

 

Mas a casa começou a cair para o meu lado quando Gary se alinhou diante do microfone e começou This Isn’t Everything You Are. Eu fiquei a tarde inteira pensando qual seria a música que eles me derrubariam e me levariam aos prantos. Pois bem! A sequência de salve a Random quem puder teve início quando Gary anunciou The Garden Rules (em um momento bastante brincalhão com um fã presente no show). Eu não esperava que essa música fosse entrar no setlist, mas fiquei fora de mim. Nesse momento, me toquei que assistia ao Snow Patrol, com o Gary praticamente do meu lado, adicionado a visão completa, perfeita e exclusiva do Paul.

 

Eis que chegou a sequência do inferno para mim, iniciada com o círculo das trevas chamado Set The Fire To The Third Bar. Eu pedi e muito para que eles não incluíssem essa música no repertório, por conta de toda a carga emocional e das lembranças que me traz, mas lá estava eu, mordendo o lábio inferior, com um grande esforço inútil para não chorar. Quando chegou no refrão, me entreguei e comecei minha prece interior.

 

Depois veio You Could Be Happy, outra música que tem o poder de me estragar emocionalmente. Ela foi escolhida pelo público, cuja competição era com New York, a canção que teria me feito chorar como um bebê, sem dúvidas. Mas, meu mundo ruiu em um balde de lágrimas crescentes quando os acordes de Make This Go On Forever começou. Parecia que eu estava em queda livre, como se eu fosse a única do Credicard Hall a ouvi-la. De olhos fechados, não tem como segurar a emoção com o trecho mais decisivo dela:

 

Please just save me from this darkness

 

O show do Snow Patrol atingiu diferentes proporções. Começou agitado, ficou depressivo, e voltou com força total quando Fallen Empires dominou. Com um clima psicodélico, não tinha como ficar parada e eu senti as solas dos meus pés ficarem adormecidas de tanto que as batia no chão. Sem contar os momentos de pulos enlouquecidos com uma bolsa transversal nos ombros (imaginem o estado deles agora). Called Out In The Dark brilhou na noite assim como Run e Chasing Cars. Essa última foi a única música que todos, todos mesmo, cantaram. Chocolate também me levou a loucura e me lembrou da fase dos 25 anos que não tenho mais.

 

Mas o momento espiritual, mais uma vez, foi para Open Your Eyes. O episódio do Natura Nós aconteceu de novo, mas dessa vez sem lágrimas. Olhos fechados, eu e Snow Patrol. Ninguém ao redor. Melhor sensação imaginária não há.

 

Quando o show terminou, eu ainda não pude acreditar que tinha acabado mesmo. Foi tudo muito simples, sutil, feito com amor e dedicação aos fãs que estavam lá, sejam eles de longa estrada ou que os descobriram por causa da novela da Globo. Eu sabia em qual posição eu estava com relação ao Snow Patrol e sei que valeu a pena, mais uma vez, ficar sem grana no final do mês. E faria, tudo, tudo, tudo de novo, sem pensar duas vezes.

 

Eu ainda sinto falta de New York e I’ll Never Let Go, mas fica para a próxima! No mais, estou feliz da vida por ter tido a oportunidade de curtir e amar o Snow Patrol mais uma vez. No slider, vocês poderão ver algumas fotos que tirei do show. A máquina não é excelente, mas deu para registrar bastante coisa.

 

Stefs
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