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05/nov

Eu precisava compartilhar este livro aqui no blog, pois ele serviu de inspiração para que eu desse um passo bem importante na minha vida. Sabe aqueles momentos das trevas em que você pede uma luz, pode ser de um vaga-lume ou a do metrô, para te nortear e ajudar na tomada de uma decisão? No meu caso, não era uma decisão, mas sim, um incentivo. Um chute na traseira, por assim dizer.

 

Fragile Things (li o livro em inglês, Randoms) estava na minha prateleira há muito tempo. Eu o comprei no começo deste ano, mas, por conta do TCC, não tive tempo de lê-lo. Em um belo dia, assim que terminei de ler o último livro da trilogia Jogos Vorazes, resolvi ceder espaço para Neil Gaiman na minha bolsa, para ser meu companheiro de ida e volta do trabalho, do cabeleireiro e das pausas cheias de tédio de um final de sábado.

 

A obra é uma coletânea de pequenas histórias de ficção, antologias e poesias. Ela foi publicada em 2006 no Reino Unido e, ao longo da leitura, você descobre a parte “básica” do trabalho de Neil Gaiman como escritor. Não é segredo para ninguém que ele é bastante premiado por seus livros e roteiros, e muito respeitado para quem aprecia o gênero de suspense e terror, com um toque meio gótico. Alguns dos textos inseridos em Fragile Things têm o “selinho de ouro” de reconhecimento pela publicação.

 

Ao todo, são 31 pequenas histórias que são bastante diferentes entre si. Todas são centradas no tom de mistério que Gaiman compreende muito bem e cada uma delas possui um toque diferente, que conseguiram ser atraentes e me prender na leitura. Na questão das poesias, confesso que elas funcionaram como um antídoto, realmente uma inspiração que merece ser colocada no mural para que, todos os dias, seja mentalizado para superar mais um dia difícil.

 

Fragile Things não é o melhor livro de Neil, mas consegue ser ótimo da mesma forma. Para quem nunca teve um contato com as obras do autor, acredito que a coletânea dará um respaldo para lhe encorajar a comprar os outros títulos dele. Quem já chegou perto de Sandman (HQ popular e amada), terá a chance de conhecer várias formas de escrita dele, perceber como realmente o escritor tem um cérebro criativo que invejo muito e como consegue se desligar dos mundos, indo desde Sherlock Holmes a uma história onde os protagonistas são os meses do ano.

 

Essa coletânea, sem sombra de dúvidas, é incrível e realmente me inspirou. Nem preciso dizer que é meu top favorito.

 

O detalhe primordial é que os contos de Neil, assim como os personagens, são reflexivos. A maior parte das histórias é narrada em primeira pessoa, o que permite uma pausa para se pensar sobre o que foi lido. As tramas realmente fazem o leitor pensar devido às frases-chave que concluem determinada história, de maneira a oferecer sempre um questionamento. Essa que destaquei na abertura do post é o desfecho da introdução escrita por ele e eu comecei a cogitar muitas ideias a partir daí.

 

De fato, o coração é o músculo mais frágil que nós temos, não por questões de vida ou morte, mas pela maneira como ele se machuca com facilidade e cicatriza com dificuldade. A fragilidade do nosso órgão vital o faz mais forte.

 

Muito se fala sobre sonhos em Fragile Things. Quem não os tem aos montes? Sonhos parecem algodão doce, se não soubermos aproveitar, eles se dissolvem. E muitos sonhos meus andaram dentro desse processo, sem nem ao menos sentir o sabor e a textura deles. Um algodão doce meu é escrever um livro, nem que seja de comédia, e Neil Gaiman me ajudou a dar o aval mental para isso, um clique no meu cérebro, graças às linhas bem conduzidas dessa coletânea cujas favoritas viraram um mantra.

 

Para que ninguém ficasse perdido, Neil dá uma introdução básica a todas as pequenas histórias de maneira que soubéssemos a procedência de criação, prêmios vencidos, para quem foi feito e qual foi a inspiração. É bem legal isso, pois eu sempre voltava para o índice quando terminava de ler algum bloco para relembrar o que o autor tinha a dizer sobre ele.

 

Quem investir no livro, não se arrependerá, pois ele é charmoso, a maioria das histórias são realmente boas, algumas não fazem sentido (coisas de Gaiman) e outras são como sonífero. É uma coletânea que, no fim, você escolhe aquela trama que mais lhe representa para poder reler no futuro.

 

Dentre as que destaco, estão: A Study in Emeral, para quem curte Sherlock Holmes, Bitter Grounds, Keepsakes and Treasures, The Facts in the Case of the Departure of Miss Finch, Strange Little Girls, Harlequin Valentine, How Do You Think It Feels?, Goliath, How to Talk to Girls at Parties, The Monarch of the Glen e os poemas soco no estômago The Hidden Chamber e Instructions.

 

Claro que Fragile Things ganharia “alguns” prêmios. Em 2007, levou o Locus Award por melhor coleção e as histórias Sunbird (2006), “Forbidden Brides of the Faceless Slaves in the Nameless House of the Night of Dread Desire” (2005), “A Study in Emerald” (2004), Closing Time (2004) e October in the Chair (2003) também receberam o mesmo prêmio.

 

Quer se sentir inspirado? Tenha Fragile Things na prateleira.

 

 

“Hearts may break, but hearts are the toughest of muscles, able to pump for a lifetime, seventy times a minute, and scarcely falter along the way. Even dreams, the most delicate and intangible of things, can prove remarkably difficult to kill”

Stefs
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