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23/nov

Terminar uma história sempre dá aquela sensação de vazio. Eu não sei explicar muito bem como me sinto neste exato momento, mas é justamente o vazio de terminar algo e não saber o que fazer em seguida. Eu remoí esse sentimento durante a semana toda. É como se eu finalmente fechasse um livro e desse espaço para começar a leitura de outro. O problema é que não há palavras, só páginas em branco.

 

Em 2007, eu comecei uma fanfic muito pessoal. Eu vivia um momento delicado, por assim dizer, onde uma pessoa ficou doente e isso acarretou em loucura e depressão. Muitas pessoas dizem que escrever alivia certas dores, pois é uma tentativa de sermos sinceros com o que sentimos. Não é à toa que muitos terapeutas recomendam um diário. Bem… Eu tentei ter um diário sem a indicação de um psicólogo, mas não deu muito certo.

 

Por ser escritora de ficção de fã desde 2005, pensei: por que não fazer esta parte da minha vida ser a vida de dois personagens tão queridos da saga Harry Potter? Lily Evans e James Potter formaram o casal inspirado no meu impasse, o casal que shippo e defendo até o último fio de cabelo. Como a Era Marota sempre é um leque de possibilidades para inventar histórias e casos mirabolantes, por não ter um começo, meio e fim ditado pela tia Jo, pensei, por que não?

 

Era minha primeira investida real em uma fanfic de Universo Alternativo, onde todo o cenário, situações e frases eram reais e pessoais. Não tinha nada de Lumus ou Avada Kedavra. Todos eles eram humanos, sem magia, enfrentando um problema que acontece com muita gente. Tirando o fato que a história acontece em Londres e os personagens não me pertencerem, a complexidade e a intensidade deles era minha. E isso fez a fanfic durar 5 anos, um período exaustivo, onde cada página era uma pausa depressiva de muitas lágrimas e puro dispêndio de energia.

 

Ela começou fraca, mas se tornou forte. Assim como eu. Meu português se aprimorou, meus pensamentos, conforme vivia quase a mesma coisa que escrevia, se tornavam mais intensos e os papéis dos personagens se tornavam mais importantes. Eu pensei em dar a Lily e a James um final triste, talvez algo semelhante ao que me aconteceu, mas não. Eu queria que eles, depois de tanta luta, fossem felizes. E as reviews que eu recebia só faltavam apontar uma arma na minha cabeça para que isso acontecesse.

 

Quando troquei o “em progresso” para “completa”, era como se eu tivesse terminado uma missão impossível. E foi impossível mesmo. Durante toda a transição dessa fanfic, eu estava na faculdade, descobrindo o que eu queria – que na verdade não é o que sou agora –, vivendo novos sabores, novas texturas. Conhecendo pessoas novas que poderiam aliviar minha dor. Mas o erro foi bloquear muitas pessoas e eu acho que teria lidado melhor com a situação se tivesse agido como a Lily e ter me apoiado em alguém que representasse Sirius Black.

 

Eu coloquei todas as palavras reais na minha “nota da autora” final e, claro, chorei litros. Eu não acredito até agora que terminei, pois realmente era um trabalho dos finais de semana que não terei mais. Toda vez que pensava em um capítulo novo, eu acordava cedo, umas oito da manhã, e só terminava quase ao meio-dia. Na hora da revisão, era o mesmo processo. Eram quatro leituras de mais de duas horas, divididas ao longo do dia. Expondo assim, mostro que a fanfic não era apenas uma fanfic. Era minha vida espelhada em outros personagens. Era um projeto que eu levava muito a sério.

 

Sim, eu terminei e gostei do resultado. Amei e odiei cada pedaço da fanfic conforme escrevia. Amei e odiei cada review que recebi, mas tudo isso faz parte do processo. Foi algo encantador e sofrido. Praguejava toda vez que chorava enquanto escrevia, mas foi algo que me fez superar a dor e empurrar os obstáculos de lado. A Random fala muito de escrever e o conselho que dou é: escrevam. Você pode não ser especialista, mas se algo te machuca, escreva. Isso me ajudou e me fez, como ainda faz, muito bem. Escrever é parte do que sou e eu não troco isso por nada. É minha terapia.

 

Eu fico feliz por ter inspirado pessoas em uma fanfic de 64 capítulos e 450 reviews. Ela começou no dia 28/07/2007 e terminou no dia 20/11/2012. Eu achava que isso não seria possível, mas foi. Por isso, eu vou printar todas as reviews e guardar de recordação, pois vai que um dia o FF.net tira tudo do ar. Eu morreria de tanto chorar, é. Ninguém faz ideia do quanto eu me emocionei com cada resenha mais linda que a outra e tão verdadeiras quanto a história. Eu agradeço e muito pela força das leitoras, que sabem perfeitamente quem são.

 

Como disse, não importava se eu recebia alguma review ou não, eu só precisava honrar meu compromisso com a cura da minha dor.

 

Agora, dou espaço para uma nova história e espero alcançar novos objetivos por meio dela e ter a mesma sensação de dever cumprido.

Stefs
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • Valeu cada ano esperado, cada lágrima, cada palavrão e cada sorriso!
    Sua fic encheu nossa imaginação de alegria!
    Continue a escrever!
    :)

    • Vc é uma linda e espero continuar a escrever coisas novas mesmo ♥ Me aguardem! Hahahahaahahaha