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30/dez

Eu sempre gosto de falar da motivação que me faz comprar determinados livros. No caso de A Culpa é das Estrelas, eu estava em um evento de Jogos Vorazes com a minha irmã e algumas garotas do fandom, falando sobre o Guia do Tributo e coisas paralelas dentro da livraria. Eu tinha intenção de comprar novos livros e, já que minha sister queria o Guia, resolvi começar a gastar meu salário com o objetivo lindo de fazer minha prateleira ficar mais pesada.

 

Enquanto tagarelávamos, fui atraída pela capa azul de A Culpa é das Estrelas e achei bem interessante o design dele – tenho queda por capas e sou facilmente atraída por elas, o que me garantiu boas escolhas até então. De repente, uma das garotas do grupo comentou que tinha chorado litros com a obra de John Green. Daí, eu pensei: bom, eu gosto de chorar e, se ela diz que chorou, por que não deveria chorar também?

 

Parti para a sinopse e o devolvi à prateleira da livraria no mesmo instante. Não queria ler mais uma história que envolvesse câncer, ainda mais quando há uma adolescente envolvida. Marquei o livro para ler no Goodreads e esperei a coragem vir para comprá-lo. Isso aconteceu no mês passado, no meio da minha loucura em querer comprar mais livros, sendo que não tinha lido nem a remessa que tinha adquirido no dia do evento de JV.

 

Ler, ouvir e falar sobre câncer nunca é uma tarefa fácil para mim e ponderei antes de colocar o livro na bolsa, temendo que eu fosse chorar durante toda a viagem para o trabalho (sim, é uma viagem, Randoms). A sorte é que as partes tensas coincidiram com o final de semana e eu pude realmente chorar dentro de casa, quieta no meu canto, fingindo que não existo #harrypotter.

 

A Culpa é das Estrelas é uma história, digamos, irônica e divertida de Hazel sobre o câncer. Ela é uma adolescente em estágio terminal e que teve a rotina toda alterada por conta disso. Eu achei bem legal o fato dela não ser uma personagem deprimida, que se faz de coitadinha, que faz uso de chantagem emocional e que fica o tempo todo de mimimi. Hazel me surpreendeu pelo humor ácido e pertinente, que me fez esquecer em muitos momentos que ela realmente está doente. As partes do Grupo de Apoio, sem dúvidas, são as melhores, especialmente quando ela conhece o galã inusitado chamado Augustus.

 

Se você espera aquela luta do garoto para tentar reverter o quadro de câncer da amada, a la Nicholas Sparks encarnado no corpo de Channing Tatum ou Ryan Gosling, esqueça. Augustus ou Gus não faz o tipinho de garoto impopular que se apaixona pela patricinha ou vice-versa. A história dele também o coloca como um personagem que vive ocupado Tendo Câncer e, quando resolve acompanhar o amigo Isaac em uma reunião do grupo, ele se vê inclinado por Hazel e, juntos, dão vida à uma história de arrancar suspiros e risos.

 

Quando eles se unem em uma amizade bem empolgante, comecei a engatar a leitura com o sentimento de que alguma coisa daria errado. Até pedi para Hazel não se apaixonar por Gus.

 

O elo que une o casal Gus e Hazel é natural. Não tem aquele desespero de “eu vou morrer, por favor, me ame”. A jovem leva em conta a realidade do risco de se apaixonar por saber que pode morrer até enquanto dorme. Ela é bem resistente ao pensar em amar Augustus por carregar esse pensamento de incerteza. Esse é um dos pontos que demonstra a personalidade forte da personagem principal, o quanto ela é sensata, orgulhosa e que não deixa o drama da doença subir na sua cabeça, especialmente quando se depara com momentos muito felizes. Ela não só protege os sentimentos dela, como de Gus também, e isso mostra o quanto ela se respeita e pensa no próximo.

 

Fanart encontrada no Tumblr

De uma inocente amizade nasce um amor puro e irresistível que se fortalece conforme Hazel e Gus vivem Tendo Câncer. Quando você vê que as coisas começam a dar errado, chega o momento de segurar o coração, pois o livro realmente rende boas lágrimas. Conforme eu virava as páginas, era como seu meu órgão vital diminuísse, muito preocupado, como se os personagens fossem meus melhores amigos. Ambos, por mais que sejam adolescentes, têm aquele encaixe genuíno, nada apelativo e nada desesperador por conta da doença. Eles não perdem o bom humor e nem a chance de se amarem, sem saber o dia de amanhã.

 

A Culpa é das Estrelas pontua bastante a questão do apego. Isaac tinha apego ao amor, Augustus curtia um cigarro sem ao menos tragá-lo e Hazel tinha um livro que leu quinhentas mil vezes. Cada um dos personagens tinha sua válvula de escape para vencer o câncer, algo muito real para qualquer pessoa que queira sair da realidade. Sempre temos um meio de fugir do nosso universo para aguentar a dor que nos consome em certos momentos, especialmente aqueles onde as indagações imitam pesadelos.

 

Outra coisa que me chamou a atenção é a verdade sobre o comportamento das pessoas quando sabem que alguém próximo delas está com câncer. Algumas ficam ao lado de quem está nesse quadro ou se distanciam. Nessas horas, sempre surge a hipocrisia em forma de elogio à luta, sendo que fulano não acompanhou todo o processo até o fim. Foi linda a maneira como Hazel se revolta e se impõe com relação a isso, pois realmente as pessoas só sabem dizer que alguém “lutou até o fim contra o câncer” ou “que ciclano merecia uma vida brilhante”, sem ter vivido o impasse.

 

A depressão, a necessidade de dormir (porque combate o câncer), os enjoos do tratamento e a perda da rotina foram itens bem colocados na história. John Green inventou pontos para dar asas a sua história e foi muito verdadeiro ao relatar a vida de três personagens com diferentes tipos de câncer. O autor foi extremamente peculiar e cuidadoso sobre os efeitos colaterais e, mesmo inventando um remédio para Hazel, ele não fugiu das partes mais incômodas de quem vive Tendo Câncer.

 

Eu não sei se é possível dizer isso, mas a história relata um primeiro amor juvenil. Nenhum dos personagens adolescentes são saudáveis, o que é um grande ponto positivo, e não há aquele clima de Um Amor para Recordar. Hazel e Gus se encontram dentro do mesmo problema, tentam reconfortar um ao outro e lutam até não poder mais contra a doença e o amor que se tornaram pontos fixos para que ambos pudessem enfrentar os próximos dias Tendo Câncer, um ao lado do outro, acompanhados pela música favorita dele e o livro favorito dela.

 

É um amor que se renova todos os dias em uma batalha dupla contra o câncer. Green não fez uma história cheia de exageros e os pequenos diálogos são grandes frases de efeito que nos fazem refletir. Ele não criou um picadeiro em torno do plot principal – que é ter câncer –, mas se focou no relacionamento de dois adolescentes, cujo humor em acreditar em uma melhora não foi perdido e só se intensificou assim que um entrou na vida do outro. É uma história linda, engraçada, aventureira, pura e que merece estar na prateleira de todo mundo.

 

A Culpa é das Estrelas é uma obra que foi ovacionada pela crítica e rendeu muitos prêmios ao John, como na seletiva do Goodreads. Sem dúvidas, ele é um dos autores mais queridos da nossa geração. Esse sim é um livro memorável que fará com que você fique com os olhos cheios de lágrimas só de olhar para a capa dele mais uma vez, depois de terminada a leitura. Você realmente sentirá que perdeu alguém e ficará em um constante período de ressaca literária.

 

Na Prateleira:
Nome: A Culpa é das Estrelas
Autor: John Green
Páginas: 288
Editora: Intrínseca

 

 

“Pensei no meu pai me dizendo que o universo quer ser notado. Mas o que nós queremos é ser notados pelo universo, fazer com que o universo dê alguma bola para o que acontece com a gente – não a ideia coletiva de ideia senciente, mas cada um de nós, como indivíduos”.

Stefs
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  • ressaca é o nome. 'tá falando alguma coisa' é a frase.
    de fato ele não usa de minimilidades na história, não não. pelo contrário. ela é completamente palpável e real! (embora seja ficção).
    e pela primeira vez na vida, eu chorei e estava dando risada na mesma frase.
    incrivelmente poderoso este livro, apenas.

    um beijo sua linda
    ps. novamente, tá faltando coisa aí rs

    LOVE