Menu:
30/jan

Depois de três semanas na luta para terminar a leitura dos três livros de Os Instrumentos Mortais (Cidade das Cinzas, de Vidro e dos Anjos Caídos), cá estou eu para fazer um breve (eu nunca consigo ser breve) comentário (não sei se posso chamar disto também) sobre a série escrita por Cassandra Clare (a Deusa do shipper Harmony). Confesso que, atualmente, me tornei uma leitora relutante de obras de fantasia por oferecerem a mesma coisa (como o triângulo amoroso chato e a garota inumanamente forte). E, com Os Instrumentos Mortais, não foi muito diferente, pois comecei a lê-lo sob pressão da minha metade.

 

Não vou dar um background de cada plot dos livros, pois o post ficaria enorme e a ideia é condensar minha opinião (tarefa impossível).

 

Em setembro de 2012, Cidade dos Ossos foi minha leitura de bolsa. Comprei os demais volumes e terminei neste mês. Ao final da maratona com Caçadores de Sombras, chego aqui sem decepção alguma com relação aos quatro volumes (vai, só com o último) e nem serei metida a ponto de dizer que “esperava algo melhor”. Sabe por quê? Porque os livros são destinados para agradar o público jovem. Tias como eu dificilmente se identificam com um núcleo teen. Eles podem ser encantadores, mas não dá para esperar um comportamento inovador, sendo que já passei dessa fase e sei como funciona.

 

A história é boa, confesso, tem alguns picos que chegam a ser cansativos de ler e há coisas clichês e que não fazem sentido. Cassie é uma autora bem descritiva, que pensou em cativar o leitor em cada cenário e personagem construído. Sem contar que a história é narrada em terceira pessoa, o que me fez ler os quatro volumes com extrema rapidez. Para os leigos, Cassandra foi ficwriter, o que de certa forma refletiu na fácil elaboração da narração e dos diálogos, ambos bastante simplórios. Por ela ter escrito fanfic no auge de Harry Potter é um fato indiscutível que esse comportamento se refletiu na elaboração de Os Instrumentos Mortais.

 

A obra em si nunca me atraiu, mas sempre soube da existência dela por causa da minha metade. Eu sabia sobre os personagens por cima (odiava a Clary e só passei a odiar mais), mas não estava por dentro do universo que os faziam funcionar. Posso dizer que Cassandra se esforçou ao criar um universo próprio, um mundo escondido aos olhos dos mundanos, mas atenta aos costumes adolescentes do século atual misturados aos seres mitológicos que atrairiam facilmente os Winchester.

 

Porém, a premissa da personagem principal (Clary Fray) é simples e banal: garota pacata encontra o sobrenatural e se apaixona pelo galã com recíproca. Nem é preciso mencionar que ela tem um melhor amigo que também gosta dela, certo?

 

Outro fator que já virou rotina: Os Instrumentos Mortais – Cidades dos Ossos chega aos cinemas em 23 de agosto deste ano. Surpresos?

 

A partir do próximo tópico, há uma legião de spoilers. Para ilustrá-los, usarei fotos do elenco escolhido para a adaptação (mas não os culpem pelos personagens, agradecida!).

 

Os protagonistas: Clary Fray e Jace Wayland

 

Lily Collins como Clary Fray

Clary é uma heroína extremamente fraca. Digo isso porque o plot secundário se sobressai da protagonista, sendo que é ela quem deveria carregar a história e não as pessoas que a rodeiam. Mas é o que acontece. Clary vê um demônio e grita (tudo bem que eu também gritaria, mas sou mundana, então, eu posso!). Ok! A personagem é uma adolescente e age como tal, o que é justificável, ainda mais por não ter treinamento de Caçadora de Sombras, algo que só acontece em Cidade dos Anjos Caídos. Porém, ela está longe de ser uma heroína inesquecível.

 

Destaco a parte mais firme de Clary que aconteceu em Cidade de Vidro. Ela parou Idris ao mostrar seu talento de criação de novos símbolos para salvar todos na batalha contra Valentim. E só! E foi uma atitude surreal para quem não tem treinamento, mas nada se comparado ao fato de que grande parte da galera, subitamente, lhe deu apoio. Clary não é uma guerreira e jamais seria minha Parabatai. Ela é mundana com sangue de Caçadora de Sombras, emocional demais e que age sem pensar. Dar à personagem a voz em uma guerra, sem ela estar preparada ou ter isso como seu destino, foi precoce, até porque ela não tem esse perfil.

 

Sobre Jace, ele não faz meu tipo, nem se eu tivesse 15 anos, pois minha fraqueza sempre foi os garotos de boy bands e com cara de bobos. Porém, ele foi o personagem que mais amadureceu, não aquela coisa estrondosa, mas Jace teve uma evolução de caráter incitado pelo seu amor por Clary e pela força psicológica dos laços com Valentim. Ele era insuportável, não que isso tenha mudado, mas o Caçador de Sombras fez sacrifícios reconhecíveis pela garota que ama. Ele lidou com Simon-vampiro, o milagre do século.

 

Ele tenta ser o cara bom para Clary, é inegável, mas as chorumelas dele chegam a ser irritantes. Quando a garota é fraca, o garoto tende a ser forte, ou vice-versa. Mas não é o que acontece aqui. Clary e Jace se fortalecem pelas frases de efeito ao longo da história, que se tornaram repetitivas em Cidade dos Anjos Caídos. Mas, ambos se prendem ao outro pelo amor que compartilham que é o que os une como também o que os destrói.

 

Como casal, desgostei deles devido ao papo do incesto. Não tem como achar isso lindo. Primo não é parente como muitos dizem, mas irmãos? Quando terminei de ler Cidade dos Ossos tive vontade de vomitar, sério! Para continuar a leitura, consultei minha fonte confiável (metade) e só por isso li os outros livros. Mesmo com o esclarecimento, o encanto morreu e não vi mais nenhum potencial entre os dois. Virou muito Malhação para mim.

 

O cúmulo é que, depois do papo de irmandade, Cassandra não se cansou de torturá-los, o que já acho uma encheção de linguiça. Digo isso porque achei precoce o relacionamento deles. Uma coisa que senti falta em Os Instrumentos Mortais, assim como em diversas obras YA atuais, é o desenvolvimento gradativo do sentimento amoroso entre o casal principal. Parece que tudo tem que acontecer à primeira vista, com um suspiro e um beijo roubado. Chega, né?

 

Os Lightwood e companhia

 

Jemima West, Kevin Zegers e Jamie Campbell Bower
como Isabelle, Alec e Jace

Os personagens secundários são os grandes responsáveis em fazer a história funcionar. Clary tem seus símbolos, mas nem isso a faz brilhar. Até Camille, a vampira sensual e ex-peguete de Magnus, é mais útil que a protagonista. O caso ficou ainda mais sério quando Simon dominou Cidade dos Anjos Caídos, e se tornou o astro e o dono das melhores frases (com Jace) ao lado de Isabelle Lightwood (dona dos foras na Clary).

 

Digo o mesmo para meu amado Alec que chama atenção por causa do seu dilema em sair do armário, um risco sagaz e que deu certo, especialmente pelo carisma de Magnus, o feiticeiro que ofusca qualquer personagem até sem uso de purpurina. Eu quase tive um treco com os diálogos Malec em Cidade dos Anjos Caídos (meu OTP lindo!) e eu encheria facilmente o Alec de beijos por ser tão emburradinho e bicudinho (mas não é hetero, #chatiada).

 

Jonathan Rhys Meyers como Valentim

Os vilões costumam me causar faniquitos, mas Cassandra não deu o destaque que mereciam. Na verdade, só Valentim, que merecia uma participação mais ousada (cadê o quebra-pau com Jocelyn?), mas senti que o personagem foi um tapa buraco para um esquema que caiu por terra com uma facilidade incrível. A história começou em torno dos Instrumentos Mortais e Valentim encontrou todos rápido demais. E, sem contar, que ele morreu em um piscar de olhos, um pouco medíocre para alguém que sempre foi tão temido pelo céu e pelo inferno.

 

 

Random Opina

 

Depois de terminar a leitura, é muito fácil concluir que Cassandra pegou todos os macetes para se tornar best-seller:

 

1) Ela criou uma garota próxima da realidade. Clary gosta de coisas geeks, café e arte. Ela apenas nasceu com um dom e descobriu depois. Sem contar que a autora distribuiu bem as personalidades dos personagens de maneira que nenhum deles ficasse sem um fã. Isabelle é perua, Simon é nerd à Seth Cohen, Alec é homossexual, Magnus é a nova Vera Verão e Jace é o garoto arrogante e lindo. Ou seja, não tem como não terminar a leitura sem ter ao menos um personagem preferido e um casal do coração. No meu caso: Alec e Malec.

 

2) Cassandra criou um universo mágico, por assim dizer, daqueles que todo mundo quer fazer parte. Quem não queria ser bruxo? Agora, quem não quer ser Caçador de Sombras? Sair com roupas pretas, estelas e runas marcadas na pele? A criação do universo paralelo longe da cidade, no caso Idris, é outro ponto que dá certa força à criatividade de Cassandra, uma visibilidade notória de atrair o público jovem com uma história que foge da realidade, uma perfeita válvula de escape.

 

3) Há um triângulo amoroso. Isso é crucial para a sobrevivência de um best-seller atualmente. Todo fandom ama casais para lutar por eles. Nesse caso, Clary se vê no meio de Simon, o mundano (vampiro), e Jace, o Caçador de Sombras. Tudo bem que ela sempre se manteve firme com relação aos seus sentimentos por Jace, mas ela dá uma usada básica no corpo do nerd, só para não dizer que não deu uma chance a ele.

 

Os quatro volumes são agradáveis de ler (preciso ler o quinto!), não é algo que você vai colocar em um altar e pedir para que todos ovacionem, até porque eles não são fortes o bastante para isso. Há sim momentos de euforia, como também uma louca vontade de mandar a Clary e o Jace para o inferno. Normal, gente, não se sintam inibidos em querer jogar pelo menos um dos livros pela janela do ônibus (vontade esta que sempre passou pela minha mente). Mas me rendi e tive bons momentos de divertimento.

 

Mas, em uma opinião pessoal, acho que a saga de Clary e companhia deveria ter chegado ao fim em Cidade de Vidro, pois teve todo aquele louvor de guerra, perdas, ganhos e festejo que se quebrou quando li Cidade dos Anjos Caídos, com uma proposta totalmente diferente, que foi dar ênfase ao Simon e deixar Clary e Jace comer poeira. Dá até aquela sensação de que os livros obedecem a uma organização em arcos, onde os 3 primeiros simbolizam a Era Valentim e os próximos será a Era Sebastian.

 

Acompanhando as resenhas do Goodreads sobre o quarto volume, muitos leitores concordam que a história dos Caçadores de Sombra deveria ter terminado no terceiro livro, dando notas baixíssimas para o quarto.

 

Eu meio que senti uma avacalhação ao dar continuidade a algo que tinha terminado bem. Mas essa opinião varia de leitor para leitor. Por isso, penso que Cassandra abraçou a ideia de faturar mais em cima do amor do público pelos shadowhunters (já tem muito material a ser lançado aqui no Brasil, não me venha!).  A base de fãs dela é grande e estável, então, ela tem que alimentar a galera (e ficar rica). O problema é que, se subir na cabeça, ela não vai querer parar e a tendência é fazer a qualidade da trama despencar.

 

Os Instrumentos Mortais é um divisor de águas. Se você gosta da pegada de autoras como Suzanne Collins, Clary não será agradável, pois ela não tem nada de Katniss. Mas, (desculpa galera) se você gosta da garota frágil e apática, facilmente vai achar a Clary linda, perfeita, corajosa e etc. Mas, lembre-se: os personagens secundários são os melhores!

 

Se você é fandom whore, com certeza, vai se jogar na comunidade de fãs de shadowhunters, desenhar runas pelo corpo e vai achar que toda dor se resolve com um iratze. Sem contar que as facas de cozinha serão lâminas serafim disfarçadas, cada uma com um nome de anjo. E Parabatai é o novo codinome para seu/sua BFF e sua raça será nefilim.

 

Eu recomendo a leitura de Os Instrumentos Mortais sem compromisso. Não é o livro que mudou minha vida e que releria com facilidade. Não esperem nada extraordinário, mas é uma história criativa à sua maneira. Deem uma brecha para se encantar com os Caçadores de Sombras (e Malec) e compartilhar seu amor (ódio) por Clary e Jace.

 

Na Prateleira: 

Nome: Os Instrumentos Mortais | Cidade dos Ossos,

Cidade de Cinzas, Cidade de Vidro e Cidade dos Anjos Caídos
Autor: Cassandra Clare
Editora: Galera Record

 

 

“Still I pictured having you for fifty, sixty more years. I thought I might be ready then to let you go. But it’s you, and I realize now that I won’t be anymore ready to lose you then than I am right now. Which is not at all.”

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3
  • Raí

    Não há triângulo amoroso. Ela só se interessa por Simon no COA (Cidade das Cinzas) e depois ambos superam, continuam melhores amigos.