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24/fev

O Oscar 2013 é hoje. Lembro que, no ano passado, fiz um breve comentário (que nunca é breve) sobre o descaso de Harry Potter não ter entrado na lista para concorrer na categoria de Melhor Filme, nem que fosse por consideração. Bom, tratavam-se de sete livros que fizeram história e que uniram fãs de todo o mundo por 10 anos. Não houve uma menção honrosa sequer (desconsidero com rancor às categorias técnicas), mesmo com toda campanha da Warner. Com tanto recalque no coração, voltei a perder a esperança na premiação.

 

A versão do ano passado do Oscar não chamou minha atenção, pois os lançamentos cinematográficos de 2011 não me atraíram. Não me interessei por quase nenhum dos filmes, assisti algumas partes da premiação de tamanha que era minha frustração e fui dormir nem um pouco abalada em ter perdido o restante. Enfim, agora o negócio é outro, pois estou até empolgada. Os filmes que entraram para a lista dos melhores de 2013, mesmo que o homenzinho dourado só vá reconhecer um deles, conseguiram me conquistar.

 

A coisa óbvia: o Oscar deste ano se prendeu aos temas com certo patriotismo americano. Em contrapartida, há os roteiros quentes em torno da época da escravidão e os mais alternativos, por assim dizer.

 

A ideia deste post não é resenhar os filmes, porque não vejo utilidade nisto, e prefiro escrever como me sinto ao assistir determinado longa a tentar meter bedelho nos outros. Isso não me faz feliz. Selecionei a categoria de Melhor Filme e os organizei em duplas por coincidirem com a temática do roteiro.

 

E lá vamos nós!

 

Argo e A Hora Mais Escura

 

Não adianta! Eles foram perfeitamente roteirizados e produzidos. Não há como negar também que ambos defendem o patriotismo americano e suas conquistas. Porém, daquele jeito bem sutil, sem fazer estardalhaço com a propaganda de que os Estados Unidos salvam vidas e que conseguem combater o terrorismo ao dar cabo no Bin Laden. Eles são arrogantes quando querem, mas, nesses dois filmes, o amor à nação ficou um pouquinho embaixo do tapete.

 

Porém, contudo, entretanto, Argo me fez chorar algo que A Hora mais Escura não fez. O que isso tem a ver? O filme de Affleck tem aquele apelo emocional de vitória que todo mundo gosta e o de Bigelow apresentou um derradeiro final monótono com uma conclusão fria perante a vitória do século. O Oscar gosta de certo otimismo quando não há concorrentes cheios de pirotecnia.

 

Ben Affleck, o pai de Argo, fuck yourself, conseguiu uma reviravolta surpreendente na sua carreira, não como ator, mas como diretor. Argo deu a rasteira em todas as premiações e é dito como favorito. Bem, de certo ele não é o meu queridinho, não por não gostar do Sr. Affleck, mas porque preferi A Hora Mais Escura. Mas por quê? (pausa para o feminismo).

 

Primeiro: o filme é dirigido por uma mulher chamada Kathryn Bigelow. Uma mulher que quebrou paradigmas ao ganhar o primeiro Oscar feminino em direção e, claro, ter o feito de derrotar o ex-marido e seus avatares na premiação de 2010 com Guerra ao Terror. Eu estava lá, aos prantos por sua vitória, porque fiquei orgulhosa, mesmo sendo mais um filme que mostra como os Estados Unidos são perfeitos (mesmo com o banho de sangue e tiro).

 

A Hora Mais Escura recebeu tantas críticas que me deram sono. Ora, mais! Todo mundo sabe que houve tortura contra os envolvidos no 11 de setembro e com membros da Al Qaeda. Qual é o drama?

 

Seria a mesma coisa se uma mulher brasileira fizesse um filme sobre a ditadura com foco nas práticas de tortura que denunciassem a galera. Se o suposto longa mostrasse a verdade, teria recebido críticas do mesmo jeito e, como as mentes das pessoas daqui são dignas de semente de soja, seria vetado e a diretora seria presa.

 

Segundo: a protagonista é uma mulher e ela é a líder da perseguição do maior terrorista de todos os tempos. Se não fosse pela presença de Jennifer Lawrence na briga pelo Oscar de Melhor Atriz, daria fácil o homenzinho dourado para Jessica Chastain, porque ela está bem forte na trama, com surtos à la Homeland. A interpretação dela foi implacável, a atriz está ótima em seu papel e desbancou muito marmanjo metido a agente da inteligência americana. Junto a isso, achei o roteiro de Bigelow bem destrinchado e focado no que queria transmitir.

 

Django Livre e Lincoln

 

Eu sou suspeita para falar do Tarantino, pois o cara é incrível e sempre será mesmo com toda a sua arrogância cinematográfica. Django Livre vai contra a maré do patriotismo americano por retratar a época da escravidão, mas com um humor cínico e ácido, com direito a um cameo do diretor. A obra de Tarantino não deixa de ser uma crítica ao racismo, evidente no modelo de herói e na reação dos antagonistas brancos quanto ao fato do todo poderoso da vez ser negro. Até o mordomo (negro) representa uma ponta de preconceito ao detestar o poder de Django.

 

É um filme de Tarantino para Tarantinos, com direito a palavrões, passagens de tempo (que dessa vez não foi em capítulos) e uma história de amor que não se sobressai. Contudo, a história cativa por conta do desenrolar da saga de Django, o grande herói negro. Tudo em Django Livre é incrível e indescritível. É um filme que não abusa de efeitos especiais ou que conta com a sorte de um grande romance. De todos, é o longa mais ‘n’ da categoria de Melhor Filme.

 

Em contrapartida, temos a história do Sr. Abraham Lincoln, cujo foco se encaixa na questão da escravidão e do preconceito racial. O filme inteiro debate a questão dos direitos dos negros e a libertação deles para que possam conviver em sociedade e comunhão com os brancos, com direito ao voto e tudo mais. O roteiro não puxa pelo patriotismo americano, embora haja uma vitória que custou uma vida, pois o contexto é puramente histórico.

 

Lincoln está lado a lado na briga com Argo, com todos os mimos do mundo.

 

O Lado Bom da Vida e Amor

 

Esses dois longas são os romances da lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme. Eles apresentam diferentes formas de amor que me fizeram refletir e me perguntar se é realmente possível encontrar uma pessoa especial ou salvar essa pessoa especial em meio a uma onda de caos.

 

A começar pelo Lado Bom da Vida, baseado no livro de Matthew Quick, com um roteiro do roteiro do roteiro totalmente diferente da obra que o inspirou. As interpretações de Bradley Cooper e Jennifer Lawrence foram um “cala a boca, sociedade” para quem pensava que ambos não passariam de Se Beber Não Case e Jogos Vorazes, respectivamente. O longa envolve uma história de amor inusitada, longe de dezenas de clichês mamão com açúcar e dá a sutil esperança que as coisas da vida realmente podem melhorar. O Lado Bom da Vida nos ensina sobre família, amizade, amor, perda e luta, em um misto de comédia, drama e romance. Para mais detalhes, leiam essa resenha.

 

Amor ainda está em processo de digestão, pois permaneço chocada com o resultado final. Como já disse aqui no blog, é um filme que faz você refletir, ainda mais por se tratar do amor entre duas pessoas idosas, algo que todo mundo quer para a vida, né? Casar e manter a pessoa amada ao seu lado até ficarem velhinhos. Só para vocês terem noção, nem consegui chorar, pois o impacto da conclusão da história de Anne e Georges me roubou a existência por breves minutos. É mais uma história que nos ensina como esse sentimento é forte e que se pode chegar à meia-idade ao lado da pessoa amada para suportar tudo o que tiver que suportar até o sacrifício final.

 

Os Miseráveis

 

Para tudo e chama a NASA, porque o musical é um ladrão de oxigênio e um laxante para quem tem o costume de chorar por qualquer coisa que aconteça em um filme muito forte. Todo mundo conhece a história de Os Miseráveis, mas, dessa vez, o negócio ficou tão sério que parecia que eu apanhava a cada solo dos personagens. A situação ficava pior quando a galera toda cantava de uma vez em um coro revolucionário de arrepiar cada poro do corpo.

 

Admito: gosto de musicais, mas não sou fangirling quanto ao assunto. Se me derem para assistir bem, se não, tanto faz. E, quando assisto, costumo cair aos prantos. O mais próximo de fanatismo com relação a esse gênero é com O Fantasma da Ópera, Across the Universe (que nem é 100% musical), Moulin Rouge e Mamma Mia. Olha, tem até uma quantidade boa.

 

Os Miseráveis me destruiu. Fui dormir na derrota. Por mais que não goste da Anne Hathaway, ela está permitida a levar o Oscar de Atriz Coadjuvante, pois o filme é dela. Tipo, é dela. Hugh Jackman arrasou também, mas as partes mais intensas e dramáticas são da Anne. Ela merece toda atenção pela interpretação, cantoria e expressão que transmitiram a sensação de desespero que faz você sentir vontade de ajudar para amenizar o sofrimento da pessoa.

 

Não tenho palavras para descrever mais uma adaptação da história de Victor Hugo, um “novo” musical bem filmado, organizado, cujos esforços dos atores são facilmente notados.

 

E meu campeão seria: Indomável Sonhadora

 

Quvenzhané Wallis. É esse nome que faz o longa inesquecível, pois a menina leva o mundo inteiro nas costas em um ambiente de pura miséria, maus-tratos e porquice descarada. Ela é tão expressiva que não precisava de muito para saber como ela se sentia perante determinadas situações, especialmente dentro do convívio com o pai.

 

Indomável Sonhadora é um reflexo de pobreza pura. Não tem como não se emocionar com a relação pai e filha, especialmente quando acontece a catástrofe principal que dá sequência a outros fatores que nos faz questionar e perceber como o tratamento dos pais pode mudar a cabeça de uma criança. Hushpuppy é uma garotinha que precisa agir como se tivesse 30 anos. Mesmo com a necessidade de ajudar a “banheira” e lutar para continuar a viver nela, ela é uma pequenina como qualquer outra, que gosta de brincar e que sente falta da mãe.

 

Ela é a agente de turismo da história que nos guia na narrativa que envolve imaginação e criatividade em um roteiro nada romântico. É um retrato de países carentes que sofrem pela falta de infraestrutura, pela carência de crianças que não conhecem a escola e pela existência de pais desumanos que deveriam se comportar como adultos. Mesmo com tanta negatividade, o filme merece   o Oscar, pois nem é uma crítica social e nem um acalanto ao patriotismo. Agregado a isso, a atuação forte e marcante de Quvenzhané nos envolve e nos torna parte do universo da sua personagem.

 

Vale mencionar que Indomável Sonhadora é um projeto independente e de baixo custo?

 

E As Aventuras de Pi?

 

Não me interessei. Coloquei no play e tirei porque fiquei entediada. Portanto, não há comentários sobre ele. Se for realmente bom e valer a pena, me avisem, por favor!

 

Estou realmente muito ansiosa para a premiação, não sei se terei pique para acompanhá-la por ter que madrugar todos os dias para ir trabalhar, mas quem sabe, né?

 

Espero que tenham gostado do post e que seus favoritos vençam!

Stefs
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