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24/fev

Por vezes, porém, surge na nossa vida uma tragédia que possui elementos artísticos de beleza. Se esses elementos de beleza são reais, todo o dramatismo acaba por apelar para o nosso sentido de efeito dramático. De súbito, damo-nos conta de que já não somos os atores, mas sim os espectadores da peça. Melhor dizendo, somos uma coisa e outra. Observamo-nos a nós mesmos, e ficamos subjugados pelo fascínio do espetáculo. (Oscar Wilde – O Retrato de Dorian Gray)

 

Oscar Wilde pontuou a beleza da tragédia, mas para Elena essa situação foi uma maneira de testar seus sentimentos que chegaram ao limite neste episódio tenso e triste. A personagem teve que enfrentar cara a cara a morte do irmão, aquele que sustentava sua humanidade por causa das lembranças boas, por ele ter sido seu alicerce e por representar o único pedaço vivo da família Gilbert.

 

Para vocês terem uma ideia, este é um daqueles episódios que não dá para falar muita coisa, não dá para julgar e não dá para contestar o comportamento de ninguém. A perda causa reações muito particulares para cada pessoa. Alguns conseguem ficar dormentes, como foi o caso de Elena no começo, mas há outros que se rendem e se deixam ser dominados pela dor excruciante.

 

As reações de Elena sobre a morte de Jeremy

 

Elena pode ter se transformado em vampira, mas, como Stefan disse no começo da temporada, Jeremy era quem sustentava a humanidade dela. Não é à toa que ela não pensou duas vezes em matar o primeiro caçador que ameaçou colocar a vida do irmão em risco. Todos sabemos que a jovem é extremamente protetora e isso a faz irritante, pois nem sempre uma pessoa precisa ser protegida e Elena sempre passa dos limites quanto a isso. A vampira costumava prezar sua humanidade, um sentimento que perdeu o foco desde o elo com Damon, mas a lembrança do que era estava presa em Jeremy. Com o irmão morto, ela está morta.

 

As tragédias que envolvem Elena sempre me deixaram em um estado inconformista. Ela nunca surtou como deveria com relação às mortes que aconteciam ao seu redor. A jovem simplesmente chorava, ganhava um chamego de Stefan e dos amigos, e o sol no dia seguinte sempre voltava para iluminar sua vida em Mystic Falls. Há quem possa criticar o comportamento dela neste episódio, mas as dores das perdas entraram em processo cumulativo e Elena explodiu.

 

Eu não conseguia aceitar o autocontrole que ela tinha quando perdia alguém que viveu ao lado dela e foi muito bom vê-la – finalmente – desmoronar com todos os surtos poupados ao longo das últimas temporadas. Elena sempre foi metida a ser forte, comportamento que se manteve neste episódio, até não haver mais motivos para tentar negar o inegável, mesmo com a insistência cega de que o anel traria o irmão de volta.

 

Elena pode ser insuportável quando quer, mas ela sempre foi fiel ao Jeremy. Ele seria a maior perda da sua vida, sem sombra de dúvidas. Se ela reagisse da maneira banal, como aconteceu com Jenna e Ric, eu desistiria da personagem. A jovem não é invencível e imune a tudo e a todos, e eu senti falta dela reagir com negativismo às tragédias que marcaram seu trajeto. Não é cabível apenas ver o mundo ao seu redor desmoronar, soltar algumas lágrimas e palavras de lamúria só para dizer que está de luto. No começo de The Vampire Diaries, a vimos proteger o irmão contra Vicki, além de tentar reverter o comportamento autodestrutivo dele que se seguiu após a perda dos pais. Na segunda temporada, ela continuou no mesmo processo e assim se seguiu. Mesmo com todos os impasses amorosos, Jeremy era o coração da personagem.

 

Eu sempre censurei esse comportamento “tranquilo” de Elena sobre as mortes das pessoas que lhe eram queridas. Isso me faz tocar no ponto da mágica de Mystic Falls, como ela mesma afirmou em seu surto com Meredith. Depois que se acostuma a viver com o sobrenatural, as coisas soam mais fáceis de lidar, pois tudo passou a ter solução. Afinal, há sangue de vampiro, há a bruxa e há artefatos que matam ou ressuscitam qualquer um. Era nesta crença que Elena se manteve presa até se conformar que Jeremy foi embora. Ela pode ter agido de maneira inaceitável no começo, pois todo mundo sabia que o garoto estava morto, mas eu toco no que Matt falou para a amiga: quando se há esperança é mais fácil se manter no caminho.

 

Além da mágica da cidade, Elena se agarrou à expectativa, seja no anel ou no lado miraculoso de Bonnie, até se convencer de que não havia mais jeito. A fé dela em trazer o irmão foi mais forte que aceitar que ele se foi.

 

Falar sobre irmandade é algo que realmente me toca. Por isso, volto a dizer que as perdas agem de maneira diferente de pessoa para pessoa. Eu acho que ignoraria algumas mortes, faria a poker face como Elena e só desmoronaria para valer quando a realidade do fato caísse sobre minha cabeça. Independente de ser irmão ou não, quem tem um elo tão forte com alguém, seja por amizade ou por amor, sabe que perder essa pessoa é a última coisa que se espera e, quando isso acontece, é pior que levar uma surra. Sempre há um indivíduo que desequilibra o outro e é aquele que não pode ser tocado, pois isso nos deixa fora de si. Jeremy representava isso para Elena e eu pude entender a atitude dela muito melhor agora. Ela perdeu Jenna e Ric e ficou mal, mas o irmão representava mais em sua vida. Ele era seu sustento, o seu equilíbrio, a sua sanidade e a representação de familiaridade.

 

O protecionismo de Elena é um sentimento que, quando ampliado, ganha uma proporção surpreendente. Sei o quanto ela é chata, mas, depois de tanto tempo, eu a vi como humana. Ela sempre foi humana demais, né gente? A transição dela para vampira não lhe mudou muita coisa, a não ser os indícios de que a personagem sem humanidade teria grandes chances de ser uma imperdoável e uma estripadora. Diante do drama do irmão, Elena saiu daquela figura patética de ficar entre Damon e Stefan para agir como a pessoa que ela costumava ser antes da chegada dos Salvatore na cidade. Foi triste vê-la em negação, aquele olhar vazio que reconheço muito bem. Eu gostei das reações dela, pois, pelo menos, ela teve a dignidade de lutar por Jeremy até quando lhe foi permitido. No fim, ela precisava surtar, dar a louca e tentar amenizar a dor cumulativa. Já era tempo!

 

A cena final do episódio me fez perder o fôlego. Depois de tanto tempo, Elena vomitou tudo o que tinha que vomitar em nome dos Gilbert e se rendeu ao pesar e ao desespero. Quando ela implorou para que a dor passasse, eu senti meu corpo inteiro encolher, porque, pela primeira vez, ela não queria aqueles sentimentos, os elementos que a fazem humana. A morte de Jeremy apenas afirmou que Elena de super-heroína não tem nada. A jovem não consegue lidar com a perda e deve ser por isso que ela não relevou esse sentimento conforme as pessoas que amava deixavam de existir, por não saber dominá-lo e, quando tenta lutar contra, só faz burrada.

 

Em torno da vida com o sobrenatural, Elena se esqueceu de que é uma adolescente e não uma adulta, que costumava ir para a escola, se divertir com os amigos, mas até isso mudou e ela não pôde fazer nada. Afinal, todo mundo se transformou em algo ou morreu por causa dela. Neste ponto, até surge uma pequenina ponta de admiração por ela ter segurado a onda por tanto tempo, mas ainda acho surreal demais ela ter visto tanta coisa ruim e manter o jogo de cintura. A maioria pagou o pato pela sua existência e ela, ao menos, nem teve um colapso por ninguém, nem que fosse momentâneo.

 

Até vir Jeremy.

 

Elena sem humanidade

 

Queimar a casa dos Gilbert foi uma solução plausível, mas que doeu demais. Eu amava aquela casa, gente, como se fosse minha. Compreendo a atitude da Elena, pois eu também não quereria viver em um lugar cheio de lembranças que só apontam para a morte. Ela pediu para parar de sentir e Damon lhe deu isso. Tacar fogo no próprio lar foi o resultado conclusivo de que a Elena do passado não vive mais ali. Agora, a personagem entra em um novo ciclo com a dor silenciosa que a moverá daqui para frente. Ela pode não sentir mais esse negativismo, mas é isso que a guiará daqui para frente.

 

O que me deixou ainda mais triste foram os cortes de cena dentro da casa dos Gilbert. Destruir o lar de Elena e Jeremy foi o mesmo que detonar a parte crucial que deu vida a The Vampire Diaries. Os desenhos, as fotos, as bebidas de Ric, os quartos… Esse pedaço da história foi o coração e a alma da série, onde tudo começou. Foi ali que Stefan e Elena começaram a ter um relacionamento, foi ali que Jenna e Ric se apaixonaram, foi ali que John teve os dedos cortados por Katherine, foi ali que Delena começou a crescer… Realmente são muitas lembranças e todas disseram adeus junto com Elena.

 

Damon desligou seus sentimentos e todo mundo sabe o que acontecerá a partir de agora. Repito: Stefan disse que Jeremy segurava a humanidade de Elena. Agora, não tem motivos para ela ser boazinha ou compassiva, pois a única pessoa que a mantinha com os dois pés no chão se foi. Isso quer dizer que Elena começará a agir como vampira e, sem dúvidas, de uma maneira destrutiva aos moldes de Stefan. Jeremy se foi e ela foi “desligada” dos sentimentos que a fazia humana. Elena chegou ao seu auge e, provavelmente, não vai ser algo bacana de se ver. Aposto que ela ficará mais irritante que o normal e me preparo para voltar a sentir raiva dela.

 

Matt: o único humano

 

Envolver Matt foi o toque depressivo e certeiro no meu pobre coração. Ele é o único que o sobrenatural não engoliu e o rapaz não tem mais força para aguentar tantas perdas. Quando ele viu o corpo do melhor amigo, tive vontade de pegá-lo no colo e niná-lo, pois enquanto Elena tentou segurar seus sentimentos, Matt foi muito claro em sua silenciosa revolta com relação à morte de Jeremy. Ele perdeu Vicki de maneira bruta e nunca se recuperou disso. O encontro de irmandades fez Matt e Elena tentarem colocar o coração no lugar certo quanto à nova onda de luto que estaria por vir. Ao chorar no carro, Matt reafirmou o quanto ele é um dos mais sofridos da história, mesmo não fazendo nada de útil.

 

A presença de Matt serviu para mostrar o quanto as coisas em Mystic Falls estão erradas e, o mais tenso, que não dá para lutar contra, pois a cidade está impregnada de entes sobrenaturais. Não restou mais nada para ninguém naquela cidade a não ser perda e dor.

 

A reunião Defan

 

Eu os admirei como costumava admirá-los no decorrer de alguns episódios. Eles mantiveram o controle quanto à posição de Elena e se uniram para fazer o melhor por ela. Damon foi atrás de Bonnie e Stefan tentou acudi-la. Ambos assumiram posições maduras, algo que nunca deveria se perder, pois ambos funcionam muito melhor dessa maneira pacífica. Os Salvatore amam Elena a sua maneira e precisavam de uma trégua para analisar suas prioridades. Isso me deixou feliz e satisfeita, pois estava cansada dos pitacos, das indiretas e da infelicidade que os rodeavam por terem e não terem a garota amada.

 

O que me preocupa é que Damon conseguiu a versão de Elena que sempre quis e eu espero que ele não seja egoísta quanto a isso. Ele a “desligou”, mas o resultado disso será devastador, pois ele calou a humanidade da garota. Tem coisa mais horrível que isso? Não sentir absolutamente nada? Sem dúvidas, ela vai descontar isso no primeiro azarão que cruzar seu caminho e será de uma maneira que, provavelmente, Stefan terá que intervir por compreender o quanto é desconcertante agir no auge do vampirismo. O meu outro receio é que a transformem em uma “nova” Katherine. Não quero que isso aconteça.

 

Espero, do fundo do meu coração, que Stefan e Damon não voltem a se “matar” por ela. Honestamente, não é mais o momento para isso e ela precisará de suporte para controlar seu lado tresloucado que promete sérias dores de cabeça.

 

E quanto ao resto?

 

Bonnie e Shane me irritaram muito com a ideia maluca de planejar o terceiro massacre. Na hora que ela vê Jeremy no chão da floresta ficou óbvio que o professor na verdade era Silas. Eles me tiraram do sério, juro! Por outro lado, Rebekah manteve sua dignidade em querer a cura e teve que aturar Damon na tortura de Galen, que confirmou o que eu suspeitava: a aliança com Katherine. Dessa forma, ainda acredito na presença de Elijah por detrás disso. Tudo se encaixou quando o caçador comentou da presença de Hayley, personagem que está confirmada para o spin-off dos Originais, em Nova Orleans (cidade onde se baseará a história), onde ela contou à vampira sobre os trâmites da busca pela cura.

 

E, por favor, o que diabos a April tinha que ligar para o Jeremy? A menina nasceu para ir atrás dos outros, né? Depois do “vocês viram a Rebekah?”, a filha do pastor teve que engolir que seu suposto interesse amoroso está morto. Imagino só a cara dela de surto + desespero + mãos agitadas + gagueira ao ouvir a informação da boca de Elena. Pobre, April!

 

The Vampire Diaries dará uma folga para todos nós e só retornará no dia 14 de março, com uma Elena fora do limite.

Stefs
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