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14/fev

Quem escreve sabe que a inspiração demora muito para vir e, às vezes, nem aparece. Você pode dar um rolê no quarto, ir até a sala ou comprar algo para comer, mas tem dias que é osso ligar os neurônios e ter uma ideia brilhante. Mas, quando a criatividade vem, tem que correr, pois ela é que nem trem parado na plataforma, escapa fácil e, quando se chega perto, vai embora. Por isso, é um momento que deve ser aproveitado ao máximo. Meu cérebro que me desculpe, mas ele merece ser espremido que nem laranja.

 

Mas não é sobre inspiração que quero falar hoje. Na verdade, falar sobre ela é o que dará sentido ao que será relatado nas próximas linhas, um fato doloroso que aconteceu comigo em um dos meus processos criativos, mas que foi superado.

 

Quando estou inspirada, pego meus inúmeros cadernos de anotações, escrevo tudo e depois abro o Word (ou qualquer outro programa) e lanço tudo o que se passa pela minha mente, por mais absurdo que possa ser. O problema é quando meus dedos trabalham de uma maneira tão frenética que deslizam por botões do teclado que nem imagino e misturam comandos que resultaram no apagão do meu documento inteiro.

 

Quando digo inteiro, é inteiro mesmo, gente. Sim, amiguinhos, meu livro desapareceu diante dos meus olhos no meu momento frenético de produção.

 

Se eu chorei? Nah! Eu fiquei de olhos arregalados, depois entrei em coma. Fiquei em choque! Meus olhos piscavam junto com o cursor, a respiração pesada, o peito subindo e descendo, e minhas mãos querendo acertar a cara de alguém. Mas só tinha o notebook na minha frente e, mesmo que eu o estivesse odiando naquele momento, ele é meu companheiro fiel de aventuras literárias e não merecia apanhar. A culpa não foi do Rory, oras.

 

Vou lhes contar exatamente como aconteceu.

 

Um tal de ZenWriter, um aplicativo para metidos a escritores que acham que encontraram a ferramenta do século, eliminou minha história inteira enquanto eu digitava bem feliz uma cena do casal principal da minha pseudo-obra. Mas era aquela cena totalmente repelente, cheia de asco, ironias e tudo mais. Não vou cuspir no prato que comi, pois o ZenWriter me fez feliz, tem um esqueminha de fundo de tela genial, mas ele engoliu meu pseudolivro. Inteiro.

 

O mais drástico durante o ocorrido foi rebobinar o dia de cão que eu tive. Eu sempre tenho surtos de inspiração no trabalho e tenho que esperar o expediente acabar, matutando ideias no trajeto com medo de esquecê-las, coçando as mãos por querer dar forma a determinada cena e ganho um presente desse? Com um apagão e um cursor rindo de mim? Argh! Já não me basta ter que brigar com minha dupla personalidade, onde sou Stefanny de dia e Stefs de noite.

 

Sabe o que foi mais tenso disso tudo? É que meu livro está em fase de revisão, ou seja, cenas cortadas e acrescentadas, todas para o saco.

 

A quantidade de palavrões que saíram da minha boca foi assustador. A mente pedia calma, mas eu só conseguia pensar no meu trabalho que nasceu em setembro do ano passado e que foi engolido pelo movimento frenético dos meus dedos. Como lidar?

 

Você deve se perguntar: e o bendito Ctrl+Z, menina? Será que você não sabe que existe um comando que recupera as alterações?

 

Eu fiz isso, ok? Mas nada voltou a ser como era. É o ZenWriter e não o Word.

 

Mas e agora?

 

Verdade seja dita: eu não perdi tudo. Quem é escritor ou pseudo-escritor sabe como é se desesperar quando o arquivo da história simplesmente desaparece e agora compreendo o perrengue deste momento infernal. Todo pseudo-escritor prevenido tem back-up da história até no e-mail do trabalho. Para todos os males, meu livro está bem e seguro, a primeira revisão foi finalizada no feriado de Carnaval, estou bem satisfeita, mas não quero este susto de novo na minha vida.

 

A conclusão?

 

Eu abraço a seguinte tese: se o computador deleta um trabalho meu ou trava alguma edição no Photoshop, é porque não estava legal o suficiente. Por isso, não surtei tanto! Tudo bem que não escreveria minha história de novo se realmente tivesse sigo engolida, pois consideraria um aviso subliminar de que a coisa toda estava ruim, mas foi esse pensamento que me manteve 50% mais calma. Esse mantra tem funcionado desde que o implantei na minha vida, sério.

 

Depois desse susto que quase deslocou o planeta Terra, o We Project continua. Quem nunca passou por um perrengue desses, né? Infelizmente, se você não tem backup da sua história, é sentar e realmente chorar. Se você está começando agora, salve em todos os lugares possíveis, até no computador do seu irmão. É só ameaçá-lo, como faço com minha irmã, dizendo que ela não terá dedicatória quando o livro for publicado.

 

A partir de hoje farei posts sobre o andamento do meu livro, seja momentos felizes e trágicos. Tudo bem que o plano não é publicá-lo, mas eu preciso de um canto para compartilhar sensações, e nada mais justo do que ser aqui. Até o próximo We Project da Depressão.

Stefs
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