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14/mar

Todos os dias, a internet lança novos aplicativos para facilitar a vida de todo mundo. Desde médicos até jornalistas, qualquer um tem o “santo app” para se salvar dos apuros. Alguém está no ônibus e vê aquela pauta incrível pelo celular e, em menos de segundos, ela é publicada em alguma rede social. A necessidade de sermos imediatos comprometeu e muito a qualidade daquilo que é encontrado online, mas esse espaço não deixa de ser uma oportunidade para blogueiros e aspirantes a escritor publicarem materiais de própria autoria.

 

Hoje, qualquer pessoa pode publicar conteúdo e, basicamente, vivemos em um mundo sem editores. Jornalistas viram blogueiros para falarem o que querem e, nem sempre, se preocupam em transmitir algo interessante para o público-alvo que quer fidelizar. O mesmo vale para o escritor que sabe conduzir uma história, mas escolheu o gênero errado para se empenhar. A necessidade de ser visto, lido, comentado e amado na Websfera ultrapassou limites, onde a regra é fazer tudo o que bem entender desde que gere visibilidade.

 

Isso acontecia na minha época de ficwriter. Não que eu tenha abandonado a “carreira”, mas aprendi muita coisa sobre escrever e publicar no auge do fandom de Harry Potter. As pessoas costumavam criar plots absurdos nas histórias e mandava o clichê: se não comentar não tem capítulo. Admito que, no começo, “trabalhei” assim. Afinal, era o que todo mundo fazia e eu ainda era nova no “ramo”. Com o tempo, descobri que podia escrever e publicar, mesmo sem comentários ou leitores.

 

E foi assim com AYS, fic eterna de 63 capítulos, que sugou toda minha vida por 5 anos. Por que resisti tanto? Porque fazia por amor. Sem cobranças, sem querer ser popular ou desejar mil comentários. As coisas são diferentes quando amamos o que fazemos, independente se há público ou não.

 

Muito bem! Entre meados de 2005 até 2007, o número de sites voltados para fanfics era enorme. Era e ainda é um mundo sem editores. Você escrevia, fazia uma capa e publicava. Acabou! Os comentários vinham logo em seguida e a história bombava. Em fóruns de discussão era realmente um caos, pois os comentários subiam muito rápido e dar conta de responder todos eles, com o objetivo de não perder leitores, era uma tarefa muito legal de se fazer, mas que dava preguiça.

 

O mesmo acontecia com os blogs potterianos. Todo mundo queria um pouco de atenção. Sabe o que era sensacional nessa época? As brigas eram raras! Ninguém metia o bedelho no trabalho de ninguém. Rolavam as cópias, claro, não tem como evitar, mas compartilhar conteúdo, por mais bobo que fosse, era muito comum, sem rixas e reclamações em comparação ao que é agora.

 

Claro que muita coisa não mudou. Hoje, você continua a escrever e a postar conteúdo na web, independente de aprovação ou se o texto está bom ou não. Nos grandes portais, é mais importante subir material sem saber do que se trata a se preocupar com a qualidade do que será publicado.

 

O mundo sem editores é movido pelo imediatismo e eu adorava viver nele no início dos anos 2000, porque era mais tranquilo. As pessoas costumavam ser verdadeiras e honestas com o que faziam, seja como um fã de Harry Potter ou um escritor de resenha de livros. Para alguns autores, o que vale é o pódio do The New York Times e para blogueiros são os números de likes no Facebook. O buzz se tornou mais importante que criar um elo com as pessoas que realmente gostam daquilo que você faz. Eu, por exemplo, amo responder comentários e não ligo se não recebo nenhum. Continuo meu trabalho, pois é isso que gosto de fazer.

 

A mídia atual é movida pela pressa e a quantidade é a palavra de ordem ao lado de exclusividade. Eu não sei muito bem como funciona em editoras de livros, mas, como bem sabemos, publicar alguma coisa no Brasil é um parto e isso faz aspirantes a escritores compartilharem histórias em sites/blogs pessoais para chamar a atenção. Isso tem funcionado e ninguém depende de uma editora para dar a bênção de aprovar o que foi escrito. Publica-se o que o autor quer e os editores deixaram de ser um problema neste quesito.

 

O mundo sem editores no mercado livreiro

 

Viver da escrita no universo online é o mesmo que viver sem editores. Não há nada que te impeça de escrever e publicar. Pensar em ter um editor para divulgar um trabalho requer cuidado e, talvez, dinheiro. Encontrar quem faça é uma questão de milagre e sorte. Por isso, escritores que querem ser reconhecidos fazem autopublicação. A internet, o universo sem editores, proporciona um fluxo de conteúdo muito grande e qualquer pessoa se afunda dentro dele, especialmente quem tem o intuito de ser publicado um dia.

 

Os E-books têm sido uma salvação para quem quer uma obra publicada, pois permitem que o autor divulgue o material e faça o trabalho que deveria ser do editor: batalhar por seguidores e fazer publicidade. Há um site americano chamado Lulu que propicia a autopublicação e os leitores podem comprar a obra online e recebê-la em casa.

 

Comodidade tanto para quem escreve e para quem lê.

 

Então, por que se preocupar com editores, agentes e afins?

 

Se todo mundo investir em autopublicação, agentes e editoras serão dispensáveis. Afinal, a internet tem editores de texto, então, qualquer escritor pode fazer o serviço deles. Quem quer ver um livro publicado, corre para os sites que disponibilizam o serviço de publicação e pronto. Tudo online, sem burocracia, negativas e chorumelas. Soa lindo, não é? Quem não ligava para os beta readers de fanfic, ao decidir fazer um livro, poderá não querer um editor. Mas, será que viver nesse mundo sem editores é bom?

 

Viver em um mundo sem editores seria um pesadelo, porque se o gênero YA já possui um padrão da garota forte e do universo utópico, não teríamos novidades nas livrarias. Se você não quer depender de certo profissionalismo, baterá de frente com questões que envolvem o bolso. Há autores que juntam dinheiro para bancar a própria obra. Ao postá-la online pode até sair gratuito, mas quem quer a versão em papel terá que arcar com essa dívida.

 

Os sites de autopublicação são bem bacanas, pois eles costumam fazer hospedagem gratuita e chegam a garantir uma renda ao autor por meio da compra da obra pelos leitores. Isso quer dizer que a versão do mundo sem editores é incerto, como trabalho de freela. Uma hora você lucra, outra não. Nesse universo, há outros itens positivos como comodidade e livre arbítrio, mas contar com agentes e editores dá mais segurança ao escritor, pois é uma equipe que estará preocupada e empenhada no trabalho dele.

 

Postar uma história online é muito fácil e rápido, mas nem sempre fica do jeito que o autor almejou. Anular editoras e agentes é o mesmo que cortar aquela magia de ver o livro ganhar forma como a encadernação, o desenho da capa, a revisão, as brigas com os agentes que querem mudar o texto, etc.

 

A parte essencial do editor e do agente é evitar que você passe vergonha e que a obra encalhe. Nem sempre aquilo publicamos é sensacional e, mesmo com um site que propicie tudo isso, o escritor anula toda a tarefa que dará forma a sua obra ao viver de autopublicação. Digo isso, porque quero ver o We Project crescer. Faz parte do meu sonho!

 

E, não mais importante, há a questão da publicidade. No mundo sem editores, você terá que fazer isso sozinho e, no mundo com eles, tudo ficará mais tranquilo, pois haverá um grupo responsável e que trabalhará duro pelo seu trabalho. Boa promoção é uma arma poderosa para divulgação e, se o autor não tem uma reserva de dinheiro para fazer isso sozinho e tempo para promover o material, ele não terá a venda esperada, ou então, ninguém notará a existência da obra dele.

 

Um mundo sem editores é quase um mundo sem leitores. Um desempenha o seu papel atrelado ao outro. Já pensou que sem graça se não existisse editoras? Sem elas, não teríamos livros no mercado. Seria uma vida muito, mas muito triste.E você? Acredita em autopublicação? Faria? Minha resposta é: não sei.

Stefs
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  • Então …. no Brasil já existe uma Plataforma Web de Autopublicação e Comercialização de Livros e eBooks chamada PerSe (www.perse.com.br), nela o autor é quem publica sozinho o seu livro e/ou eBook e o melhor .. Gratuitamente. O Autor, além de manter os direitos autorais consigo, é quem define o quanto quer receber por eles. Quando um leitor adquirir o livro eles imprimem sob demanda e entregam, sem que o autor precise fazer investimento inicial e sem Estoque. Possuem ferramentas Gratuitas de divulgação, vendem seus eBooks através de outras lojas Online e nesse ano participarão da Bienal do Livro do Rio. É uma ferramenta bem interessante, vale a pena conhecer.

    • Uau! Não sabia desse site e corri para dar uma olhadinha. Ele realmente parece ser bem bacana mesmo. O site é bem organizado, achei bem bacana. Realmente há poucos sites de autopublicação no Brasil e admito que tenho receio em publicar qualquer coisa neles. Enfim, mtoooooooo obrigada pelo comentário e pela dica superessencial.

      Abraços!

  • Isis Renata

    'fazer tudo o que bem entender desde que gere visibilidade' falou tudo nesta simples frase. Hoje está parecendo guerra do 'sou foda' e com isso, há demasiada informação de qualidade, além de pouca originalidade.
    tá tenso braseeel rs
    beijos love :*

    • Mas já virou a guerra do sou foda Hahahahah basta olhar no Facebook, o antro de exibicionismo virtual hahahhaha

      Beijos baby!