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20/mar

Hoje não tem post sobre o We Project, pois não consegui cumprir a meta de revisão. Mas estou bem adiantada – dois capítulos por final de semana, lembram? Para compensar, falarei um pouco dos pontos de vista do narrador, ou foco narrativo, no que condiz à produção de uma história.

 

Enquanto escrevia a primeira versão do pseudo-livro, fiquei na dúvida na escolha do narrador. Primeira ou terceira pessoa. E agora, doutor? Sim, acreditem, eu realmente tive esse pequeno problema. Em um mundo literário onde as heroínas são as que comandam a própria história, a terceira pessoa, aquela que o narrador tudo sabe e tudo vê, parece até que foi abolida da vida de muitos escritores. Eu não sei de quem foi a culpa, mas tenho a sensação de que foi graças à investida de Stephenie Meyer, pois, desde Crepúsculo, só vejo YA em primeira pessoa.

 

No meu posicionamento de leitora, eu prefiro livros em terceira pessoa. Gosto da ideia do narrador que sabe da vida de todo mundo. Além disso, passei o resto da minha adolescência dedicada a escrever fanfics e sempre investi nesse foco narrativo. Essa é a maneira de escrever da qual me sinto mais à vontade. Eu amo Jogos Vorazes, por exemplo, mas a trama tem uma amplitude tão grande que seria um máximo se fosse narrada em terceira pessoa. Não quero desmerecer a Katniss, pois a obra de Suzanne Collins é incrível, mas eu amaria saber os pensamentos do Peeta sobre seu amor pela Mockingjay.

 

Eu já comentei aqui no Random Girl sobre minha preferência de narrador. Os Instrumentos Mortais da Cassandra Clare foi o exemplo que usei, por ter me deixado extremamente feliz com o tipo de ponto de vista que a história se desenrolou. Cassie honrou o comportamento de “fanfiqueira” adquirida no auge do fandom de Harry Potter e usou os macetes de ficwriter na construção das suas obras.

 

O que são os pontos de vista da narração?

 

O ponto de vista ou foco narrativo é o que conduz a história. É a perspectiva de como a trama será contada. Você precisa determiná-lo e deixá-lo bem alinhado, pois é a maneira que fará os leitores mergulharem no enredo.

 

A voz narrativa é, sem dúvidas, uma das mais importantes escolhas na hora de construir uma história. Afinal, é a “voz” do seu trabalho. Cada tipo de foco narrativo se adequa a um tipo de literatura e é ela que fará o livro atraente. Contudo, em primeira ou terceira pessoa, isso é uma opção de quem escreve, da funcionalidade da/do personagem principal e do gênero literário.

 

Quando pensei sobre isso ao moldar o We Project, cogitei escrever duas versões do primeiro capítulo, uma em primeira e outra em terceira pessoa. Percebi que o último era muito mais fácil para mim, ainda mais por estar acostumada a escrever desse modo. Como minha protagonista precisa de muita gente para se movimentar, parti da afirmação de que, quem ler, deve estar a par de tudo também. Se eu concentrasse todos os problemas só no ponto de vista da minha linda e amada protagonista, a coisa toda ficaria muito chata. Por isso que eu tenho o protagonista para dar uma balanceada junto com ela.

 

Os tipos de foco narrativo

 

 

Escrever com esse ponto de vista lhe dará a chance de ter um narrador específico. Ao usá-lo, você será possessivo durante toda a construção da história, pois a trama pedirá os pronomes “eu” e “meu” o tempo inteiro. Por ser uma escrita complexa e necessitar de um pouco mais de atenção, o escritor precisará ter tudo sobre o personagem bem destrinchado, de cima a baixo e por dentro e por fora. Afinal, a história estará nas costas dele/dela, o que torna a escrita em primeira pessoa ainda mais desafiadora.

 

Por isso, é comum se estressar e encontrar dificuldades. E, claro, desistir.

 

Escolher o foco narrativo em primeira pessoa exigirá um eterno amor por parte do escritor com o/a personagem. Katniss teve que criar um elo com o leitor, por ser a única detentora das informações da Capital e dos Distritos. Ela é a voz única que precisava fazer os leitores aceitarem a história. Por ser quase um monólogo, enrolar nesse tipo de narração deixa a coisa toda chata. Por isso, é preciso que o escritor vá direto ao ponto. Pense em um diário, onde você narra a sua vida. É basicamente isso que acontece ao produzir um enredo em primeira pessoa.

 

Benefício da primeira pessoa: cria intimidade entre o leitor e o narrador.

 

 

Sim, esse foco narrativo existe e é encontrado nos livros de autoajuda. Esse ponto de vista usa bastante os pronomes “você” e “seu”, sem contar o imperativo. É verdade que há uma raridade de livros de ficção narrados em segunda pessoa, mas não é por falta de habilidade ou de experiência. A questão é que uma obra construída dessa forma faz do leitor o personagem principal. É bem difícil, né? Por isso, os livros de autoajuda calham bem nesse caso.

 

Benefício da segunda pessoa: fala sobre o leitor com o objetivo de ensiná-lo a fazer algo.

 

 

 

Eis meu ponto de vista favorito. Ele é o mais usado no universo literário, mesmo com uma quantidade gritante de YA em primeira pessoa. Escrever com este foco narrativo permite que o escritor e o leitor mergulhem em cada detalhe da história e, o melhor, dos personagens, como reconhecer as dúvidas e os desejos deles.

 

Quem escreve pode escolher qual dos personagens revelará pensamentos e ações. O melhor de tudo é que há como controlá-los para não serem grandes fofoqueiros dos segredos que envolvem a trama. Quase nunca o narrador é um personagem, mas ele pode expressar opiniões e oferecer conselhos. O maior exemplo de todos é o amado Harry Potter.

 

Benefícios da terceira pessoa: o escritor segue qualquer personagem, inclui opiniões de cada um deles e revela informações ou as barra com tranquilidade.

 

 

Narrador Onisciente: esse ponto de vista permite que o narrador se mova entre os personagens com tranquilidade, pois a história favorece o desenvolvimento da informação em torno de qualquer um e revele os fatos ao leitor. Isso proporciona uma sensação de liberdade, pois favorece um foco aleatório entre os personagens que guiam a história. Pontos importantes do plot podem ser mantidos em segredo do protagonista para criar um suspense.

 

Aqui, vive o “leitor sabe tudo”.

 

Esse ponto de vista pode gerar uma parede por causa das informações limitadas, por se focar nos eventos preocupantes de um personagem de maneira que os leitores calcem os mesmos sapatos dele. Essa “onisciência limitada” funciona melhor quando certos elementos precisam ficar escondidos do leitor, revelados conforme a trama cresce.

 

Benefício do narrador onisciente: quantidade de informação limitada dada ao leitor e ao protagonista, ou seja, só oferece o que ambos precisam saber em determinado momento.

 

Pode ser difícil no começo escolher o melhor ponto de vista para a história, mas não é impossível. É preciso pensar naquele que funciona na hora de escrever. Se você nunca tentou rascunhar em primeira pessoa, pode até servir de aprendizado, mas, no primeiro momento, tente fazer aquilo que sabe. É comum mudar o ponto de vista ao longo da escrita, o que não deixa de ser uma prática, pois o escritor descobre qual é a melhor “voz” para dar a sua história. Contudo, é um trabalhão arrumar a estrutura da narrativa mais uma vez, mas a revisão serve para isso.

 

Por enquanto, estou na luta e confundindo as vozes do We Project.

 

A Random Girl responde todos os comentários. O problema é que o blogger não notifica ninguém.

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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • Isis Renata

    preciso urgente me atualizar no WE Project e xeretar mais sobre ele para entender melhor sobre seus planos rs.
    confesso que gosto muito mais da terceira pessoa #suspeitaprafalar, mas a primeira pessoa também tem suas vantagens se a pessoa tiver bons motivos para contar 'sua' história.
    rs lembro-me que minha professora de revista retalhou os livros ou textos em segunda pessoa porque diz que são pobres >< …
    bem, sou melhor leitora do que escritora ^^

    um beijão !

    • Se a pessoa tiver preparo psicológico que nem a Stephenie Meyer pode mandar em primeira pessoa Hahahahahaha. Eu já tentei escrever dessa foma e não consegui. Quando me dei conta estava na terceira pessoa de volta Hahahahah. Nunca tentei em segunda pessoa também, é até estranho não pensar nela sem remeter a "tu'', mas admiro quem cosnegue 😀

      Beijão!

  • Nossa, prima, ótimo texto. Eu tb concordo que a terceira pessoa é a melhor de se trabalhar pq amplia a visão sobre a trama e o espaço onde se desenvolve. Sempre que vc tem apenas o foco do narrador-personagem, eu sinto que perco algo que ainda poderia ser muito interessante… a primeira pessoa é um recurso pros fortes, e acredito que, quando não é aliada à uma reflexão profunda do próprio personagem (como em Dom Casmurro, por exemplo), se torna algo vazio (também adorei Jogos Vorazes, mas o terceiro livro tem momentos bem cansativos justamente pq o enredo se concentra apena no raio de ação de Katniss). Exclelente texto! Bjo

    • Eu não consigo nem imaginar eu escrevendo em primeira pessoa, pois é bem capaz de eu expressar demais minha personalidade e passar dos limites. Em terceira pessoa tem a vantagem de mudar o foco dos personagens, mesmo tendo a protagonista, isso tira a monotonia do texto.

      Acho bem bacana e a gente que escreve fan fic sabe o quanto é melhor fazer uma história assim Hahahahaahah. Jogos Vorazes tem muitas partes cansativas, mas, pelo menos, não é uma literatura ruim. Apesar dos pesares, JV ganha pela ação e pela agonia dos jogos, porque é a partir daí que a leitura avança.

      Beijos gata!