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26/mar

Veronica Mars foi um sucesso televisivo que perdurou nas telinhas por três temporadas e foi cancelada em 2007. A promessa de fazer a quarta temporada ficou na lembrança, assim como o suposto filme que deveria relatar mais uma aventura da investigadora que abriu espaço para Kristen Bell ganhar os holofotes. Todos os sonhos com relação à história adaptada para o cinema, que atraiu muitos adolescentes aspirantes a serem detetives, pareciam ter morrido, até a notícia de que o longa metragem se tornaria real bombar na internet.

 

A pergunta é: como?

 

Tudo começou no Kickstarter. Rob Thomas, criador e escritor de Veronica Mars, foi o responsável em iniciar a campanha nesse site para juntar fundos monetários para dar vida à versão cinematográfica da série televisiva. Em 11 horas, 2 milhões de dólares foram arrecadados, um valor dado como suficiente para começar as gravações do longa no verão americano. Porém, esse valor atingiu cerca de 3.7 milhões de dólares. Com esse dinheiro, dá até para fazer uma nova temporada para a série.

 

O sonho de ver a história de Veronica Mars adaptada para o cinema aconteceu por causa do crowdfunding ou financiamento coletivo que o site Kickstarter proporciona. Thomas abriu a campanha e, quem quisesse fazer uma doação, clicava e ajudava com a quantidade de dólares que pudesse contribuir. Com tantos avanços tecnológicos, esse bate diretamente de frente com a maneira de negociação dos direitos de produção no universo cinematográfico. Afinal, a vitória de Thomas prova que um filme não precisa de grandes estúdios para ser produzido.

 

Veronica Mars foi cancelada por não ser mais promissora para a Warner Bros., responsável pela sua exibição. Adaptá-la seria, possivelmente, um fiasco de bilheteria para a época. Claro que, em grande maioria, quem arregaçou as mangas para ajudar o financiamento da adaptação veio da base de fãs. Isso demonstra que um conjunto de pessoas, fanáticas ou não, têm capacidade de mudar algo para o bem de um determinado fandom.

 

Por mais que os grandes executivos do cinema falem que os fãs não são tão importantes, os lucros vêm deles. Rob Thomas partiu daí e, cansado da negação, conseguiu arrecadar uma boa grana para tornar o sonho de muitos fanáticos pela série puxarem os cabelos de empolgação ao abraçarem a causa.

 

Mas o que é crowdfunding?

 

O crowdfunding ou financiamento coletivo se tornou um meio interessante de expansão de projetos, uma nova forma de investimento que atrai audiência potencial e emergente. Esse método oferece a oportunidade para que aspirantes a diretores de cinema, por exemplo, consigam a chance de fazer o roteiro sair do papel. Basta fazer uma boa campanha de divulgação e esperar as conversões monetárias acontecerem.

 

Arrecadada a quantia almejada, os projetos se tornam reais e têm grande capacidade de quebrar barreiras mundiais. Em um mundo cada vez mais competitivo, onde supostamente só os “melhores” têm vez, contar com o financiamento coletivo tem sido a saída de muitas pessoas, especialmente para as que estão engajadas no mundo do entretenimento.

 

Nos Estados Unidos, os mais utilizados para esse tipo de causa são o Kickstarter, o Indiegogo, o RocketHub e o Rock The Post. Podem notar que os quatro atendem projetos independentes ou de fundo de garagem, justamente por eles não ganharem atenção dos grandes estúdios, desprezados por não serem de artistas conhecidos e sem QI (Quem Indica). Esse comportamento de vista grossa atingiu Veronica Mars de frente e comprometeu por anos uma série com a base de fãs grande e que, com certeza, alavancaria ótimos números nas bilheterias. É aquela velha história de menosprezar o papel do fandom.

 

A diferença de Veronica Mars é que o projeto não é independente. Como assim? Vejam bem, muitos roteiristas e diretores recorrem ao crowdfunding para tentar produzir filmes lado B, mas, neste caso, a história da investigadora ainda está enlaçada com a Warner Bros. (aka CW). Isso faz dele um projeto de estúdio, onde a empresa é ainda responsável por ele. O dinheiro desembolsado pelos fãs no Kickstarter será desviado também para a distribuição e o marketing do longa, com o auxílio de uma corporação que não confiou no filme logo de início.

 

Como o crowdfunding funciona?

 

É muito simples! Uma pessoa cria um perfil no site escolhido, coloca algum material para ser exposto, faz uma introdução, uma lista de doações e coloca até algumas imagens. Esse conjunto tem que ser muito bem feito, pois o objetivo é atrair um público para a causa, de maneira que ele se sinta à vontade em contribuir com um valor em dinheiro. A mensagem terá que ir de encontro aos que acessam o material para convencê-lo de que o que vê é promissor.

 

Desde 2009, o Kickstarter arrecadou mais de 500 milhões de dólares para mais de 35.000 projetos criativos. Veronica Mars é o mais caro e lucrativo projeto cinematográfico hospedado nessa rede.

 

O papel do fandom de Veronica Mars

 

Thomas elaborou a seguinte frase: Let’s get this thing made, Veronica Mars fans. Claro que os fãs de longa data e que ficaram no banco da praça à espera de um milagre abriram as carteiras, o que foi uma atitude muito esperta, pois, de uma forma ou de outra, qualquer fandom é extremamente sentimental e não hesita em ver sonhos se tornarem realidade. Doar uma grana e ver que o investimento deu resultado gera o orgulho e a sensação de dever cumprido. Fãs unidos sempre conseguem mudar muita coisa, basta serem provocados da maneira certa. Rob foi bem esperto na mensagem.

 

No caso de Veronica Mars, nenhum fã hesitou em doar, por exemplo, 100 dólares. A emoção é uma grande motivadora que anda lado a lado do crowdfunding. Isso muda muita coisa no quesito de escolhas cinematográficas para adaptação. Se uma pessoa tem um filme para ser desenvolvido, mas não tem apoio, a internet é a arma perfeita, da mesma forma que um autor que se autopublica em um blog. Fazer campanha na Websfera se tornou uma maneira de trabalho bastante influenciadora, onde os renegados ganham poder pelos admiradores que podem ser o vizinho, o padeiro e assim por diante.

 

Isso não é exploração?

 

Partirei da minha opinião: eu preferiria doar 100 reais para ver um filme que tanto quero ganhar vida a gastá-lo em uma balada. Da mesma forma que preferiria colaborar com algo importante e que marcou minha geração a gastar com coisas inúteis que não servirão de nada para minha vida. Eu fico cansada quando as pessoas acham que os fãs são pessoas estúpidas, mas ninguém para e nota as diferenças de uma pessoa fútil a quem se dedica ao fandom. Mas pensar no Edward Cullen não é futilidade? Preferiria ver minha filha – que não tenho – apaixonada pelo vampiro a vê-la almejar o Christian Grey (mas diria a ela que ambos são péssimos).

 

A Warner Bros. tentou menosprezar os fãs inúmeras vezes. Lembro até hoje do fechamento dos sites e da tentativa de proibição das fanfics de Harry Potter, mas, sem essa galera, duvido muito que o estúdio teria arrecadado tanto dinheiro, ainda mais quando teve boicote que fizeram os executivos voltarem atrás nas decisões. Eu fico imaginando a cara daqueles que não acreditavam em Veronica Mars. Deve ter sido algo muito divertido.

 

Independente de ser fanatismo ou não, o crowdfunding é uma ajuda econômica que pode ganhar muita força nos próximos anos, ainda mais com o sucesso de arrecadação de Veronica Mars. Desde pequenos projetos que necessitam crescer, até os mais conceituados, “os Kickstarters” da vida são ferramentas que atraem o público criativo que quer um espaço para serem reconhecidos pelo que fazem.

 

Atualmente, não basta mais fazer campanha no Facebook ou no Twitter. Uma página no Kickstarter pode fazer toda a diferença para qualquer projeto. Male, male, isso também ajuda a crescer a economia do país. O financiamento coletivo não pode ser visto como um malefício completo, pois, atualmente, a indústria de entretenimento só sabe vender produto pré-pronto para lucrar e, o que é de qualidade, é posto de lado.

 

Que venha Veronica Mars e todo seu poder!

Stefs
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  • Ótima matéria, parabéns!
    Que venha Veronica Mars e que se fodam os executivos, hahaha!

    • Obrigada pelo comentário, Deives! Tbm quero que os executivos vão pastar, esses comedores de grana! Hahahaha

      Abraços! :)