Menu:
08/abr

Eu queria ver a cara dos críticos que afirmaram que Doctor Who estava muito insensível e focado em tecnologia. Se Matt Smith não conseguiu tocar o coração dessa galera, só tenho muito a lamentar. O novo episódio do nosso querido alienígena de dois corações veio com um pouco de lentidão, mas conseguiu se tornar um completo espetáculo de encher os olhos. Chorei litros com o final da trama, confesso que não estava com tantas saudades de derramar lágrimas com o seriado que me desidratou com a despedida dos Pond, mas esse foi um caso que realmente não deu para pagar de forte.

 

O Doctor abriu a trama em busca do passado de Clara para tentar entender que tipo de mágica a envolve. Adorei o retorno a 1981 para conhecer os pais da companion pelos olhos curiosos do Senhor do Tempo. Depois dessa atitude, ficou mais esclarecida a obsessão do alienígena pela garota, especialmente quando ele não aceita a possibilidade dela ser simplesmente comum e normal. A volta no tempo não foi a troco de nada, pois essa cena deu uma das milhares de dicas que começaram a aparecer desde o retorno da série, graças ao especial de 50 anos. Dessa vez, foi muito conveniente a mãe de Clara falecer justamente no mês e no ano do “reboot” de Doctor Who, março de 2005, que nos trouxe Rose e o 9º Doutor na pele de Eccleston (que recusou a participação no especial).

 

Outro detalhe que remete à primeira companion da versão moderna de Doctor Who foi o comentário de Clara sobre o que ela gostava de comer com a mãe. E o que é? Fish and chips, o prato que marcou a relação de Rose com o Tenth. Clara tinha que ter a parte representativa das batatas com o Doctor, claro.

 

Depois desse recado bem dado sobre a chegada de Rose a qualquer momento, o Doctor ofereceu a primeira viagem sonhada por toda companion na TARDIS. Bem, não foi algo sensacional, pelo menos para mim, pois achei o objetivo da trama focado em outras coisas que, no caso, foram as lamúrias de Clara e do Senhor do Tempo. Em um contexto geral, o grande vilão da história, o Deus de Akhaten, nem ganhou tanto destaque. A aventura que o Doctor propicia a toda companion não funcionou com a novata, pois o foco foi para o relacionamento deles. Clara não conseguiu transmitir a euforia de companheira de primeira viagem.

 

Clara, mesmo ansiosa com a chegada do homenzinho, vai totalmente contra a maré, o que incita ainda mais o Time Lord a querer saber quem ela é. No episódio passado, a jovem não deu uma resposta positiva e pediu para ele voltar em algum outro momento para levá-la a uma viagem inesquecível. Neste, ela simplesmente curte o passeio, abre a porta da nave espacial e vai embora.

 

O episódio foi um musical, por assim dizer, de uma voz só, mas que foi potente o suficiente para explorar o banho de emoções que foi este episódio. Todos os sentimentos foram levados ao ápice. Clara foi uma graça ao contracenar com a pequena Merry e mostrou, mais uma vez, os dotes para lidar com crianças e fazer com que elas se encantem e se sintam seguras perto dela. Eu ainda não tenho 100% de carisma pela companion, mas ela tem me surpreendido por ser extremamente sensata e sensível, não do tipo escandalosa ou sabichona que quer passar por cima do Doctor. Sem contar que não rolou aquele amor à primeira vista pelo raggedy man. Fico grata por isso!

 

Clara mal fica perto dele. Mesmo que tenha começado agora, a jovem mostrou certo respeito ao Senhor do Tempo e aos limites impostos, até o momento certo para quebrar as regras e agir.

 

No geral, a trama não teve nada a oferecer, começou com certa lentidão e só melhorou na metade, quando Merry começou a cantarolar, dando uma forte emoção e um caráter sentimental a história que parecia sem potencial. Clara e o Doctor em Akhaten me fez lembrar da primeira aventura de Amy Pond de pijama em The Beast Below, episódio da quinta temporada. Eu achei o ambiente muito parecido, sério! Sem contar o traje da garotinha, o manto vermelho que me fez recordar da Sybilline Sisterhood de Fires of Pompeii (Doctor, Donna, own!), primeiro episódio que Karen Gillan fez em Doctor Who. Essas coincidências com os Pond, especialmente com Amy, tem sido uma tortura das grandes, e só piora quando o Senhor do Tempo aparece com os óculos da ruiva.

 

Clara foi o centro das atenções. Além de ser uma garota perdida no mundo, ela ainda remói a morte da mãe e isso ficou nítido quando ela pensa mil vezes em abrir mão do anel e da folha de outono mais importante da história da humanidade que remonta o amor dos pais. Não acredito que a folha tenha simplesmente se espatifado e parado no estômago do Deus de Akhaten, pois foi com Clara que, literalmente, essa história desconhecida começou. Nada em Doctor Who é aleatório, ainda mais com o especial de 50 anos praticamente aí. O Doctor sabe que a jovem é muito mais que uma simples humana. Clara é o fio condutor de uma trama que, acredito, dará a ligação essencial com os outros personagens que voltarão a figurar na série para celebrar meio século de existência da saga do alienígena de dois corações.

 

I walked away from the
last great Time War. I marked the passing of the Time Lords. I saw the birth of
the universe and I watched as time ran out, moment by moment until nothing
remained. No time. No space. Just me. I’ve walked in universes where the laws
of physics were devised by the mind of a madman. I’ve watched universes freeze
and creations burn. I’ve seen things you wouldn’t believe.I have lost things
you’ll never understand.And I know things. Secrets that must never be told. Knowledge
that must never be spoken. Knowledge that will make parasite gods blaze.

 

Por mais que Clara tenha sido bem-sucedida neste episódio, o Doctor roubou a cena. Matt fez valer as cenas finais e me fez se esquecer de qualquer outra coisa que envolvesse a trama. Não tenho palavras para descrever o monólogo que me fez debulhar em lágrimas por causa de mais um momento de fraqueza e redenção do personagem. Carregar mil anos de solidão e perdas é um fardo que só um Senhor do Tempo consegue aguentar, mesmo com doses de bom humor e otimismo.

 

Quando ele se rende ao Deus e começa a mencionar toda a dor que começou em Gallifrey, as perdas e os ganhos, vivi um flashback de poucos segundos em torno da saga desse alienígena tão incrível. Da nova geração, Rose, Martha, Donna, Amy e Rory foram especiais, mas foram perdidos no espaço e no tempo, uns com um final mais drástico que outros.

 

Dou atenção especial à Donna e aos Pond, os companions que conseguiram me destruir com as respectivas despedidas. Reconheço que Doomsday, que anunciou a saída de Rose, foi realmente triste, mas ela foi a que se deu “melhor”. Afinal, a personagem foi para um espaço paralelo, está com a família e tem um doppelganger do 10º Doutor.

 

E quanto ao resto? Donna não pode se lembrar do que viveu ao lado do Senhor do Tempo e os Pond se foram para nunca mais voltar, tudo por causa de um paradoxo flopado. Eu lembro muitas vezes dos surtos do 10º Doutor quando ele se sentia inapto por não ter o poder de mudar certas coisas do passado, do presente e do futuro por já estar escrito. Donna sempre bateu nessa tecla de querer alterar as coisas, por ele ter supostamente esse poder, mas nada funciona como o Doctor quer. No universo há regras de boa conduta e elas precisam ser respeitadas. O alienígena é um poço de lamento e os dois corações agonizam perdas irreversíveis.

 

No final, tudo termina com o conhecimento que o Senhor do Tempo não pode revelar: Doctor Who?

 

Clara aprendeu a lição de que não há fuga, mas muita corrida ao se aventurar com o Senhor do Tempo. Não há desistência. Há compaixão. Há promessas que nem sempre são cumpridas. O canto de Merry atrelado ao discurso poderoso, lamurioso e sensitivo do Doctor realmente foi digno de todas as lágrimas derramadas. Matt Smith merecia uma salva de palmas por essa atuação incrível e me gasta quando as pessoas tentam julgá-lo o tempo inteiro. Ele não é o Tennant e daí? Matt é tão importante quanto os outros Senhores do Tempo e a storyline que o segue é tão forte quanto àquela vivida por Tennant.

 

A maioria das pessoas que criticam o 11º Doutor, e até mesmo os Pond, são os devotos ao Tenth e a Rose. Cadê a capacidade de aceitar mudanças? Como disse Matt na Comic-Con do ano passado, a série é sobre se regenerar e isso quer dizer que sempre haverá alterações.

 

Smith melhorou e muito a atuação ao longo das três últimas temporadas de Doctor Who. Foi uma responsabilidade que deram a ele, ainda muito jovem, e ele envelhece junto com o personagem que interpreta. Depois deste episódio, ficou claro como água o quanto ele amadureceu. Admiro Matt por todo o empenho demonstrado ao longo do trabalho como Senhor do Tempo e ele merece sim ser muito respeitado por isso. Amo Eccleston e Tennant também e reconheço que cada um contribuiu com a série de maneiras muito diferentes, porém, marcantes e inesquecíveis. Isso também vale aos antepassados que começaram a trajetória de DW em 1963.

 

Parem de pegar no pé de Matt Smith, agradecida!

 

Comentário: é extremamente notável o carinho e o cuidado que tem sido dado aos personagens que voltarão por intermédio de Clara para o especial de 50 anos da série. Eu penso que, conforme o crescimento da história da companion, teremos mais revivals de quem já passou pela TARDIS. Mesmo que os Pond não voltem, na semana passada foi o livro da Amy que deu o ar da graça. Neste, houve dicas sobre Rose e até um comentário sobre a neta do Doutor. Susan é você?

 

O retorno de Doctor Who tem superado expectativas e estou muito empolgada para o próximo episódio. Acho que fiquei obcecada pela história da Clara também e quero muito saber quais os avanços sobre a vida dela.

 

E pode mandar mais dicas Moffat. Me gusta!

 

PS: por que a TARDIS não gosta da Clara? Tenho certeza que a sexy me amaria. Hahaha

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3