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01/abr

Depois de um tempo bem maldoso de espera, eis que o alienígena lindo de dois corações retornou à sua programação normal. Vou anunciar a maior trairagem do ano, pois não estava tão ansiosa assim, e nem sei explicar o motivo, para o retorno de Doctor Who. Deve ser porque sou uma pessoa que não nasceu rica e não vai bancar de fangirling no aniversário de 50 anos da série. Ok! Esse não é o real motivo, mas a grande culpada da minha falta de curiosidade foi Clara. Ela não gerou em mim aquele amor à primeira vista e, depois do especial de Natal, fiquei meio bolada e preocupada. Resultado: paguei com a língua.

 

O episódio foi muito bom e trouxe melhoras incríveis. Dá até saudades de 2005, onde os efeitos especiais eram bem toscos, uma das graças de assistir Doctor Who desde os primórdios. Agora, o tema de abertura ficou super &%%¨%#, assim como os efeitos especiais usados nela. Eu fico de queixo caído e fico toda arrepiada de ver um seriado que tanto gosto se aprimorar com o passar dos anos. O Senhor do Tempo está cada vez mais moderninho, cheio de tecnologias, efeitos visuais muito bem produzidos e, no meio disso tudo, abordar um assunto sobre internet tinha que fazer jus à transformação do seriado. Não sei se alguém sentiu isso, mas o plot foi meio que um “protesto” para viciados no mundo online, não?

 

Li uma resenha do Mirror sobre este episódio, onde se questiona esse excesso de pirotecnia em Doctor Who e a suposta falta de emoção do retorno do seriado. Bem, meus queridos, uma série que existe há tanto tempo precisa se modernizar e não julgo a atitude de Moffat em “vender” o seriado como se fosse um material recém-saído de um estúdio de Hollywood. Os produtores querem atrair mais telespectadores para a série, tirá-la do quadrado onde só um seleto grupo assiste.

 

A série já sofreu grandes mudanças com a escalação de Matt como o 11º Doutor, por ser o mais novo a encarnar o personagem e ter como companions figuras que combinam com um público mais jovem. Donna era uma linda, a amo do fundo do meu coração, mas o caráter jovial que Moffat deu a DW da quinta temporada para cá tem como intuito expandi-la, especialmente nos Estados Unidos. A série continua a mesma e as coisas precisam se aprimorar. Seria bizarro, dentro de um mundo extremamente tecnológico, deixar um programa televisivo incrível para se trabalhar efeitos visuais permanecer na época dos dinossauros.

 

Vamos falar do episódio! Ele foi sensacional, muito bem embasado no que queria transmitir e, ver o Doutor diante de tanta tecnologia, ainda mais quando envolve internet, merecia um prêmio. Lembro como se fosse ontem na maneira da qual ele criticou Amy por atualizar o Twitter e, agora, ele teve que se manter conectado para desvendar um novo mistério. O alienígena não teve mais como fugir e, depois dos sinos de St. John tocarem, que nada mais eram o telefone da TARDIS  (um marco, pois é a segunda vez que isso acontece desde The Empty Child), o Senhor do Tempo voltou às atividades para reencontrar a garota que mexeu com a sua cabeça: Clara. Tudo isso em meio a um universo dominado pelo Wi-Fi, capaz de sugar a alma das pessoas, de maneira que elas ficam presas para atender à empresa sugadora de inteligência, The Shard.

 

Eu adorei o clima de cliques e barulhos de teclado, ainda mais por parte do Doutor que sempre mostrou certo repúdio à Websfera. Achei muito conveniente fazer um episódio que abordasse de uma forma bem sutil a alienação das pessoas no que condiz à internet. Podemos passar horas no Facebook, mas não nos damos conta de que vemos as mesmas informações e seguimos com esse mesmo comportamento ao longo do dia. Mesmo que não seja real, nossas mentes são controladas pela internet, onde muitas pessoas anulam as vidas sociais para ficarem conectadas.

 

Como o Doutor muito bem pontuou, as pessoas estão em uma sopa Wi-Fi  misturada com redes sociais que condenam o convívio longe da tela do computador. De acordo com ele, são almas presas na World Wide Web. Bem que ele poderia nos salvar desse vício maligno que deixa muita gente lesada e fora da órbita.

 

Nesse clima de evitar que almas sejam sugadas pela conexão Wi-Fi conhecemos Clara mais uma vez. A história dela partiu do zero e, confesso, ela ganhou um pouco da minha afeição. A versão dela no especial de Natal me deixou com a pulga atrás da orelha, assim como na versão Dalek, por achá-la oferecida demais. Tudo bem. Essa polêmica de companions assanhadas vem desde Amy Pond, que foi criticada pelas saias curtas. Também não posso colocar a culpa na Clara por ser uma flor aberta, pois Amy agarrou o Doutor na primeira oportunidade que teve. Eu lutei para não criar simpatia pela nova companheira do Senhor do Tempo, mas, depois de assistir um pouco da rotina dela, acho que ela pode até ser agradável.

 

Para nenhum espanto, Clara manteve o posto de governanta e apaixonada por livros. Ela virou a nova fonte de obsessão do Doutor e agora boto fé de que um sentimentalismo, além da proteção de alienígena e companion, pode acontecer entre eles. Afinal, Moffat insinuou um triângulo amoroso, o que pode colocar River Song no meio da história – uma ideia meio desproporcional, porque Clara tem 24 anos e River parece ter uns 30 (ignorando o fato dela se regenerar). Essa competição será extremamente desigual, ainda mais quando se tem um alien de vida eterna no envolvido nisso tudo. As insinuações do Doutor com beijo na testa, colocar na cama, montar uma mesinha com água, biscoito e flores é uma demonstração excessiva e perigosa, justificada pela necessidade de cuidar dela por querer compreender qual é da existência de Clara.

 

Ambos na moto me fizeram lembrar do 10º Doutor e Rose. Espero mesmo, do fundo do meu coração, que eles não tentem fazer nada parecido. Já nem concordo com esse papo de triângulo para ser bem honesta.

 

O Doutor estava muito bem no episódio, engraçadíssimo, todo torto, com aquela revolta discreta de que não gosta quando metem bedelho no que é seu. A TARDIS, imponente, agora também é estacionamento do veículo de batalha do Senhor do Tempo. Achei o aumento da caixa de polícia um tanto quanto bizarra, mas tudo bem.

 

O que concretizará Clara como a companion do Doutor é a questão de viagens. Tinha mesmo que ter um ponto de partida e voltamos a ver uma garota em condição de vida nada animadora. O gostinho inicial de toda nova companheira do alienígena sem vida social ou planos para o futuro voltou com a jovem que não está tão satisfeita quanto aparenta. Sendo assim, embarcar na TARDIS funciona como a luz no fim do túnel. O Doutor foi um lindo ao questionar o emprego da garota, sendo que Clara deveria se comportar como os jovens da idade dela, sair para dançar (o que foi ele dançando?) e tudo mais. O livro de lugares para visitar foi o ponto-chave que a fará embarcar nas aventuras com o Doutor como companion fixa. O bacana, é que ela recusou de primeira.

 

Comentários e questionamentos:

 

1. A piadinha “Don’t Click” foi um revival de “Don’t Blink”?

 

2. Os entendimentos de Clara sobre tecnologia parece que se refletirão na condição de Dalek dela. Mas, será que isso aconteceu no futuro? Porque sabemos o que aconteceu com ela no passado e vamos acompanhá-la no presente. Será que isso faz sentido?

 

3. E qual é a da folha de outono, hein? Ela está presente no pôster do segundo episódio desta temporada, The Rings of Akhaten. Clara vai dar muito pano para a manga, posso sentir isso.

 

Detalhe: percebi que o livro que Clara comenta com Artie é assinado por Amy Williams. Juro! Quase capotei da cadeira com isso. Não tem como esquecer os Pond, gente, só quando mudar o Doutor. É aquela coisa, todo mundo se lembrava da Rose quando o Tenth ainda assumia a TARDIS e será a mesma coisa até Matt Smith sair da série. E, convenhamos, quem ama os Pond dificilmente os esquecerá.

Eu realmente adorei o episódio, tenho que pagar meus pecados pela falta de expectativa. A abordagem e o sentido que deram à Clara, atrelado ao roteiro bem conduzido, trouxe a sensação de que o Doutor voltou de verdade para nos alegrar e com muito estilo.

Stefs
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