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10/abr

Once upon a time, there’s a boy

 

Struck by Lightning é um livro escrito por Chris Colfer, de nome original Struck by Lightning: The Carson Phillips Journal, adaptado para o cinema pelo próprio ator que ficou famoso pelo personagem Kurt do seriado Glee. Além de roteirizar, o ator assumiu a pele de Carson, aspirante a jornalista, criativo, mandão, cuja esperança é deixar a marca da sua existência para as próximas gerações. O problema é que ele quer fazer isso pelo caminho que ninguém dá a mínima bola: escrever para o jornal da escola.

 

Carson é aquele tipo de adolescente que quer ser ouvido, visto e reconhecido pelo talento inspirador. Desde criança, ele sonha em ser jornalista para trabalhar em grandes veículos de comunicação. Isso soa como um clichezão, mas não é nada disso que você pensa nesse momento. Como assim? Ora, Carson não é o garoto que é encontrado por acaso, enfiado nos bastidores de algum programa de TV e que, logo em seguida, encontra um amor e termina a história promovido. A trama dele não tem nada a ver com o lado glamoroso do jornalismo estipulado por Hollywood (que de glamour não tem nada). Carson é um aspirante a jornalista muito batalhador e obcecado pelos próprios objetivos com o diferencial de que ele se impõe para conquistar o que mais sonha, custe o que custar.

 

O personagem demonstra o interesse pelas palavras desde pequeno, onde as usava, muitas vezes, para fugir da realidade. Especialmente para ignorar as brigas dos pais que terminou em divórcio. Carson vive com a mãe, que não é o maior exemplo a ser seguido, pois ela está rendida à depressão por ter sido abandonada e chegou ao fundo do poço. O adolescente vive em um clima pesado, mas é muito dedicado e decidido no que quer. Ele leva o talento da escrita muito a sério e é disciplinado quanto à publicação no jornal da escola. Não é à toa que, se ninguém encaminha os textos, o jovem vira a noite para deixar tudo nos conformes.

 

Do jornal da escola, ele parte para a elaboração de uma revista literária a fim de obter créditos suficientes para ingressar na universidade que fica a muitos quilômetros de distância de casa. Contudo, para produzir a revista, ele se vê diante de um dilema: precisa de mais pessoas para escrever. O que ele faz? Manipula! Um comportamento bem popular entre os jornalistas de plantão. A partir daí, assistimos o progresso do personagem que se joga na produção do novo projeto com todo o amor do mundo.

 

A personalidade de Carson

 

É muito fácil se identificar com Carson. Digo isso, pois o considerei minha versão masculina. Confesso que desaprendi a amar jornalismo, não sei se um dia cheguei a amar de verdade a profissão, mas a questão é que eu precisava descobrir o tipo de jornalista que eu queria ser. Isso foi definido no meu TCC que, no caso de Carson, foi na revista literária. O personagem tem a grande necessidade de ser levado a sério e minha monografia teve esse detalhe como um dos impulsos principais, pois sempre me senti muito alienada dentro da sala de aula por não gostar do “tipo certo de jornalismo”.

 

Carson não se vê como escritor ou poeta, por mais que tenha afinidade com as palavras. Ele nasceu jornalista. Ele é decidido e esse comportamento é de causar inveja, pois eu queria, no período da graduação, ter essa certeza. O filme não aborda mais uma figura interessada nessa área de trabalho e no glamour que nada tem a ver com o real jornalismo. O personagem não tem um fim bem-sucedido, mas também não é arremessado logo de cara em algum estúdio de gravação ou em uma Vogue da vida. Carson começa pela parte mais difícil, que é produzir algo próprio para chamar a atenção e conseguir o sucesso que o faria chegar mais perto do sonho de ser editor-chefe do The New Yorker.

 

A revista literária foi a forma perfeita dele provar que é ótimo no que faz e no quanto ele é capaz de inspirar as pessoas, mesmo sendo um baita control freak.

 

O que toca com relação ao Carson é o dom que ele tem muito bem articulado. Quem tem o hábito de escrever sabe muito bem como isso alivia muitos males e distrai a cabeça. Eu, por exemplo, não consigo me ver sem fazer produção de texto. Por isso que ainda não tive coragem de largar o mundo das fanfics. Por mais que ninguém leia, eu gosto de dar asas à imaginação. Se não fosse pelo meu papel de ficwriter, jamais engataria um We Project da vida.

 

A adolescência e seus clichês

 

Struck by Lightning é focado, essencialmente, nas dificuldades em se aceitar na adolescência, a fase cruel das indecisões e da necessidade de um jogo de cintura tremendo para sobreviver. Carson e os colegas, a partir do momento que participam da revista literária e começam a escrever, se redescobrem. As palavras se tornam refúgio daqueles que enfrentam problemas em casa, que não pertencem a alta hierarquia escolar ou que não tem nada a perder.

 

O maior medo de Carson era de não ser lembrado no futuro, o mal de todo ser humano com uma pegada artística. A adolescência é o período mais inconstante das nossas vidas, pois nunca sabemos se o que fazemos naquele momento é o certo ou o errado. Simplesmente fazemos, sem parar para pensar no que a atitude se refletirá no nosso futuro. O que fica de lembrança é um poço de inseguranças e a preocupação constante do que “as pessoas irão pensar de você”.

 

Acho que quem tem dotes artísticos tem esse grande medo de não ser reconhecido pelos esforços. Carson pontua isso no filme e questiona como certas pessoas conseguem as coisas com tanta facilidade e, aquele que se esforça, atola na lama. Eu super me identifiquei quando ele fica indignado com as reais preocupações dos colegas de escola, dominadas por futilidades. Hoje, as coisas não estão diferentes e os jovens precisam se exibir de uma maneira tão humilhante, totalmente desprezível, para se sentirem “alguém”. A troco de quê?

 

Carson é um personagem bem maduro para a idade. É uma raridade encontrar um adolescente como ele nos tempos atuais e o rapaz toca no ponto que faz parte das dúvidas das pessoas mais velhas: os adolescentes perderam a fé nos próprios sonhos e em si mesmos. E ele não está tão errado, sabem?

 

Os adolescentes deixaram de ser otimistas para serem conformistas. É uma raridade encontrar aqueles realmente criativos, satisfeitos mesmo com as inseguranças, e com uma independência que os fazem sair da zona de conforto para lutar pelo que almejam. Em grande maioria, os jovens de hoje se tornaram relaxados, salvo alguns que ainda tem um cérebro e projeta o futuro. Assim como Carson, eu só vejo pessoas de cabeça vazias ao meu redor. O personagem via isso no cotidiano escolar e a falta de similaridades pessoais com outros alunos era gritante. Não por ele ser culto demais, mas porque os companheiros de sala perdiam tempo com bobagens ao invés de enriquecerem a vida com coisas mais importantes. Carson era o mais focado no futuro enquanto os conhecidos só queriam usar a roupa da moda.

 

O filme frisa muito bem a questão de rótulos que Carson foge perfeitamente sendo uma figura única e que se destaca sozinho. Nem preciso mencionar que a parte mais legal é o desprezo dele pelos colegas, com uma dose de arrogância e superioridade por acreditar em si mesmo e se achar sensacional, independente do que falam. O personagem, mesmo com os medos, é autossuficiente.

 

Ao longo do ponto de vista de Carson, acompanhamos os altos e baixos dentro da hierarquia escolar, os clichês que o personagem intitula. Afinal, sempre tem a garota linda e popular, o atleta cabeça oca e o artista que se acha a última bolacha do pacote. Existem muitos clichês na vida e acho que esse detalhe está muito pior. Antes era legal ver todas as amigas e outras pessoas usarem o mesmo tipo de tênis e ouvir a mesma banda (saudades quando eu dividia os integrantes dos BSB de boa. Agora, partilhar o One Direction é sinônimo de perseguição online para as mais viciadas). Agora, por mais que uma pessoa esteja por dentro de um universo e demonstre apreciar aquilo, sem amarras, só que em um período muito recente, ela é poser, wannabe e blá blá blá.

 

A autoafirmação de Carson é a inteligência. O adolescente não conseguia se envolver com os outros alunos por causa de antipatia, mas porque eles simplesmente não tinham nada de bom a oferecer e que contribuísse com o crescimento dele. Sabe, eu digo isso para minha irmã, nunca é tarde para pensar no futuro e fazer coisas bacanas.

 

Opinião geral

 

Chris Colfer está incrível no filme e a interpretação dele é impecável. Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas o ator realmente me fez sentir os conflitos do personagem que luta todos os dias para ser notado em um universo de clichês, onde as pessoas só valorizam a beleza e o dinheiro. Colfer dá consistência e força a um personagem que não perde a crença nos objetivos e vive cada momento como parte do seu sonho. Isso é uma questão de sobrevivência em um mundo que está cada vez mais frustrante.

 

A história é de fácil identificação pessoal, inspiradora até dizer chega e vai tocar o coração de todos os sonhadores de plantão. Acredito que sonhar é a razão de muitas pessoas saírem da cama, como também é símbolo de descrença por causa da frustração de não conseguir o que quer. Carson é uma fonte de força para um adolescente, pois mesmo com um final que dá vontade de arrancar os olhos de raiva, ele não desistiu. Como ele mesmo diz, as ideias são como um raio e ele te pega de surpresa para que você o conduza da melhor forma possível. E foi isso o que ele fez com relação à revista literária e ele se regozijou por ter conseguido fazer todos os clichês da escola escreverem, mesmo com o golpe baixo da manipulação.

 

Prepare-se para derrubar algumas lágrimas, pois Struck by Lightning é um filme que toca no coração, ainda mais se você estiver naquela fase em que não vê luz no fim do túnel e nem esperança.

 

O filme prova mais uma vez aquilo o que sempre comento com ironia: a vida acaba quando encontramos a felicidade plena.

 

Seja você é jornalista ou aspirante a escritor, assistam Struck by Lightning porque é realmente incrível. Eu já passei da fase da adolescência, mas viver o meu sonho, todos os dias, é o que me faz enfrentar o mundo, por mais rodeado de clichês que ele esteja.

 

Carson não deixa de ser uma lição de vida e, quem está muito acomodado, faço das palavras dele as minhas: espero que a vida lhe morda na traseira!

 

O vídeo foi retirado do YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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