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01/maio

Graças a um pedido da codinome e adoradora do Daniel Gillies como eu Andreia, eis aqui um post para falar sobre Jornalismo. Eu fiquei um bom tempo na meditação de onde começar, se seria bacana ter uma coluna sobre o assunto com frequência e, acima de tudo, como não ser tão durona para não desiludir ninguém. Ok! Eu posso ser formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, mas não escrevo isso com aquela sensação de orgulho. Às vezes, parece que nem fiz faculdade, de tão grande que foi o desapego.

 

Calma! Eu prometi não ser negativa demais, mas não vou perder a chance de conscientizar aqueles que acham que jornalismo é um mundo regido apenas pelo papel e pela caneta.

 

O tenso de escolher uma graduação é a indecisão de não saber se aquela profissão é a certa para você. Acreditem, esse sentimento é real. Sinto uma admiração tremenda em quem acerta em cheio, mas, para bipolares como eu, a escolha é sempre incerta. Você termina com algo nas mãos, mas depois não faz ideia do que fazer com isso. Claro que nada disso me ocorreu em 2008, pois o lindo sonho de amar escrever me levou à Tradução e Intérprete e depois para Jornalismo. Se eu acertei? Não, não acertei. Pelo menos, eu acho que não.

 

Vamos começar pelo primordial! As pessoas ingressam no curso de Jornalismo com a seguinte crença: eu amo escrever, então, serei jornalista. Parados aí! Não é errado pensar que fazer essa graduação lhe dará oportunidade de escrever, ela dá sim, pois há revistas e artigos para produzir, mas engana-se quem acha que escreverá o que bem entender, do jeito que quiser e que só fará essa atividade. Infelizmente, não é bem assim. Há professores mais maleáveis que permitem o tema livre, porém, especialmente no final do curso, os alunos são condenados a fazer o que o docente quer, sem chorumelas.

 

Em 4 anos, aprendi que ser jornalista não é minha praia pelos seguintes motivos:

 

1) Não gosto de correr atrás de ninguém. Se você gosta, vai amar perseguir fontes que, nem sempre, te respondem e só te enrolam;

 

2) Depender das pessoas simplesmente me mata, ou seja, depender das fontes;

 

3) Sou impaciente e imediatista. Isso faz dos itens 1 e 2 meu inferno na terra;

 

4) Não tenho o sonho de ser repórter, nem de assumir a bancada do jornal Nacional e nem de ser locutora de rádio. Por quê? Porque sou tímida (acreditem, para isso eu sou!). Em todos os trabalhos que exigiam meu aparecimento, eu fugia pela tangente. Em 4 anos, os únicos trabalhos que fiz com grande dedicação foi o projeto de Web e meu TCC (e as provas, claro!). Descobri que trabalho melhor sozinha.

 

5) Não sou arrogante. Bem, só sou quando estou mal-humorada;

 

6) Se você não sabe nada do Brasil e do mundo, você é um Dalek;

 

7) Amo ter feriados. Finais de semana. Amo ficar jogada de pijama em alguma sarjeta, detalhe que jornalista de verdade abdicam ao longo da carreira;

 

8) Eu não posso escrever o que eu quero. Isso vence todos os fatores destrinchados acima.

 

Jornalismo: minha opinião sobre o curso

 

O curso de Jornalismo agrega muito conhecimento, requer muita pesquisa e ética. Você vai ter que lidar com muitas matérias teóricas até chegar o momento de ir para a prática. Quando chegar o momento de sair da sala de aula para o estúdio de TV ou de rádio, saiba que essa é a deixa para saber se a escolha que você fez ao prestar o vestibular foi correta. Esqueça o glamour de dominar um microfone ou estar diante de uma câmera. Fazer um programa de rádio ou de TV é estressante, capaz de destruir grupos de trabalho e tira noites de sono.

 

Minha sala começou com quase 50 alunos no primeiro semestre (noturno) e chegou no último com mais ou menos 15 alunos (diurno). Nem todas as pessoas que estavam lá tinham gosto em ser jornalistas (tipo eu) e, literalmente, só os fortes sobreviveram (não que eu me considere uma). Um grande problema bastante notável é que nem todos meus ex-colegas abriram mão dos empregos para fazer um estágio. Ser estagiário é ganhar menos e ser rebaixado, mas eu arrisquei tudo para embarcar no Jornalismo de verdade para sentir se era isso mesmo que eu queria.

 

O que eu quero dizer com isso é que uma hora você terá que abrir mão de qualquer coisa para tentar entrar na área. Se você não fizer isso, para que gastar 4 anos na faculdade, sem ter a intenção de exercer a profissão, nem que seja uma vez na vida? Uma hora, seja no começo ou no meio do curso, você terá que se convencer de que largar algo será necessário para poder colocar em prática o que foi aprendido em sala de aula. Se você não fizer isso, vai ser tenso arrumar um emprego depois de se formar, vai por mim.

 

Muito se falou da queda do diploma e isso é drama desnecessário. Publicitário também não tem diploma e nunca gerou caos quanto a “queda” do jornalista. Foi um apocalipse tolo, como se os veículos de comunicação fossem realmente contratar qualquer pessoa para produzir matérias. O tenso é que esse bafafá fez muita gente abandonar o curso e, meio sem querer, derrubou a credibilidade da graduação, como se todo mundo pudesse ser jornalista agora.

 

Desmistifique-se disso, por favor!

 

Os motivos errados para ser jornalista

 

Antes de tudo, os parágrafos seguintes narram minha experiência na faculdade e o que ela me deixou de lembrança.

 

Para quem está perdido na escolha da universidade, há diversas, que incitam os alunos de maneiras diferentes. Contudo, eu poderia ter estudado na mais top de todas, mas teria ficado desencantada do mesmo jeito. Chegou um momento durante o curso que me bateu o desespero e cheguei a chorar na cara do meu professor de rádio que me falou o seguinte: se você gosta de blog, faça blog.

 

Muito obrigada pelo conselho mais sincero que recebi durante 4 anos de estudos!

 

As pessoas ingressam na faculdade com pensamentos e expectativas erradas. Muitas tendem a confundir talento com profissão. Não façam isso pelo amor de Deus! Talento é talento, trabalho é trabalho. Talento é direcionado àquilo que se gosta de fazer, aquele hobby que faz você se sentir completo e satisfeito, e o trabalho é o que fará você sair da cama (bem irritado) para se empenhar em algo que lhe dará dinheiro para pagar as contas.

 

Claro que dá para conciliar prazer e trabalho, mas nem sempre dá certo, pelo simples fato de que pessoas que não atuam naquilo que amam sentem um desejo constante de ser independentes, não gostam de ser dominados, enjoam das coisas com facilidade e se sentem estagnados.

 

Eu entrei no curso de Jornalismo pelos motivos errados e tive certeza disso no quinto semestre, quando fui banhada com notas baixíssimas e cheguei no limite de faltas antes do meio do semestre. Eu quase tranquei o curso, mas ultrapassei a linha de chegada.

 

Sou jornalista. Sou escritor. Só que não.

 

Se você ama escrever, ser jornalista não é a base dessa tarefa. Digo isso porque achei que era um detalhe relevante e foi ele que me fez prestar vestibular para Jornalismo. Essa profissão não lhe abre espaço para falar o que quiser, a não ser que você tenha um blog, mas nem isso é sinônimo de liberdade para quem trabalha com comunicação.

 

Tanto jornalista que falou demais e foi demitido, não é mesmo?

 

Outra coisa, no curso de Jornalismo você não aprenderá a escrever, da mesma forma que cursar Tradução e Interpretação não lhe fará fluente em inglês. Você deve chegar à faculdade semi-pronto, quase um miojo. Sabe onde comecei a aprender a me desenvolver melhor na escrita? No estágio! Na sala de aula, ou você sabe ou você sabe, senão, ficará a ver navios e é muito difícil um professor parar para lhe auxiliar. A não ser que o aluno seja puxa-saco, o que tem de sobra nas salas de jornalismo, daí funciona.

 

Volto na questão do talento. Escrever foi o ponto que me gera frustração até hoje. Afinal, uma das coisas que mais amo fazer se tornou meu emprego, aquele que me dá dinheiro e nem sempre escrevo aquilo que gosto. Isso me faz querer arrancar os dedos e os olhos. É bem diferente escrever para um veículo de comunicação (e para ganhar nota) e escrever por satisfação pessoal, no intuito de que só os amigos leiam, como eu faço aqui no blog.

 

Sem contar os meus instintos de pseudo-escritora, que não podem aflorar, pois eu preciso trabalhar para justamente pagar minhas contas.

 

Quero fazer Jornalismo e ponto final!

 

Ingressar em uma graduação é uma decisão que se refletirá para sempre, pois é a profissão que lhe representará por causa do diploma. Se for a escolha errada, se lamuriar é o que sobra até dar a volta por cima.

 

Muito se fala dos benefícios em fazer Jornalismo, mas raras pessoas falam dos pontos negativos. Mais uma vez, partirei do meu ponto de vista: este ramo é para quem nasceu com o feeling de jornalista. Não me venha com aquele papo de ser comunicativo, pois isso não é tudo. Eu falo que nem uma matraca, adoro soltar piadas, mas, diante da câmera, adeus minha personalidade. Ser jornalista é para quem tem amor e coragem, sem contar o compromisso e a adoração pelo ramo.

 

Os pontos positivos: créditos nas matérias e liberdade de entrada em eventos. Eu amo ver meus textos publicados com meu nome. Amo mesmo!

 

Os pontos negativos: aqueles que citei no começo deste post. Há outros, mas isso pode render outro texto aqui no Random Girl.

 

Mas isso também não é tudo, pois o mercado para jornalistas está saturado e isso o tornou mais fechado. Conto nos dedos as pessoas da minha sala que estão na área. O segmento é realmente cruel, a empregabilidade não está lá essas coisas e, quando você encontra algo, é preciso torcer para que nenhum jornalista sensacional apareça para roubar seu lugar. O salário não é justo pela quantidade de trabalho, mas o café das redações costumam ser de primeira.

 

Por isso que se deve analisar se Jornalismo combina realmente com seu perfil. Em qualquer profissão, não se deve confundir lazer com trabalho, pois uma hora você explodirá. O ditado de fazer o que se ama é muito cabível em qualquer quesito profissional. Para aqueles que têm certeza do que querem, ser jornalista envolve um trabalho árduo, mas acho que vale a pena pelo sorriso e a sensação de missão cumprida no final do dia (e os créditos na matéria e os presentinhos que os professores dirão para serem recusados).

 

Eu amo escrever e ainda quero Jornalismo

 

No último semestre, um orientador de TCC entrou na sala de aula e disse: se você ama escrever, faça Letras e não Jornalismo. Respirei fundo! Depois, cheguei na minha orientadora e falei que meu TCC era sobre Harry Potter. Ela riu com os olhos. Daí, me lembrei da primeira aula de jornalismo impresso, onde o professor perguntou para cada um a motivação de fazer jornalismo. O que eu respondi? Porque eu amo escrever. Risinho de canto. Isso me faz bater na tecla de que, quem ama escrever, não deve se meter com jornalismo.

 

Pelo menos, não acreditar que ser jornalista é só digitar textos. Você terá que fazer pesquisa de campo, coletar dados, entrevistar pessoas que nem sempre estarão dispostas a falar, fazer laudas, pautas e muitas outras coisas enlouquecedoras. O aluno aprende até a fazer a previsão do tempo! Pelo lado positivo, quando ocorrer problemas no Jornal Nacional e algum espertinho tirar onda, você saberá se defender, olha que bacana.

 

Dizem que o jornalista tem que ser multifuncional, mas de que adianta um cara gostar de política e ser jogado na editoria de cultura? Ele não vai gostar, vai odiar e não vai demorar muito para se irritar e ir embora. Por isso, há especializações. Se você durou 4 anos, espere a pós-graduação. Aí sim haverá escolha sobre a área de atuação (jornalismo esportivo, cultural e etc), mas ainda com chance mínima do recém-formado se dedicar aos temas que lhe afeiçoam.

 

Daí, vem as questões de sobrevivência e a prova de amor à profissão, que ficam claras quando o chefe te manda para o meio do mato e o jornalista terá que ir. Você está disposto a isso?

 

Para quem quer ingressar no curso de Jornalismo (não só nessa área, como em outras), digo do fundo do meu coração: pense mil vezes. Escrever sempre é a primeira motivação que leva alguém a pensar que tem perfil de jornalista, sem contar a falsa imagem que tudo é oba, oba, mas não é assim. O buraco é mais embaixo! Se você gosta de falar de séries, esqueça, pois o professor pedirá produção de textos chatos durante as aulas. E você não lerá Jogos Vorazes, se é que vai ter tempo de ler outros livros, pois os companheiros serão os tios chatos de teoria da comunicação.

 

Para ser jornalista tem que ter muita afinidade com o ramo, realmente ser prestativo e vale mencionar o perfil comunicativo e espontâneo. Se você sofre de timidez aguda, mas acha que sua vida está no Jornalismo, há o veículo impresso e o mundo online, os dois meios que recomendo. Existem quatro arcos dentro do jornalismo que é rádio, TV, impresso e web e é preciso analisar todas elas para saber onde está seu coração. Mesmo que você descubra afinidade em um deles, há universidades que focam mais em um determinado veículo de comunicação, mesmo que ensine todos. No meu caso, foi rádio e eu queria morrer todos os dias.

 

Mas, no final das contas, a internet está aí para fazer jornalistas morrerem de amor pelo que são ou não. Eu só me sinto meia jornalista por causa da mídia online. Se não fosse por ela, estaria em depressão. Eu amo manter o blog, justamente para compartilhar coisas bacanas, mas não tenho o ego gigante para dizer que arraso no jornalismo online. Há muitos profissionais que fazem uso de ferramentas da Websfera por causa da necessidade de querer compartilhar opiniões sobre tudo e mais um pouco. No meu ponto de vista, essa é a salvação, porque o resto rola muito QI (quem indica!) e, óbvio, muita sorte.

 

Termino essa coluna gigantesca aqui. Há muitos pontos para se comentar sobre Jornalismo e abordei o geralzão que nem é geral, porque faltou muita coisa.

 

Eu penso em fazer um próximo post sobre os “tipos” de Jornalismo. Se acharem justo, basta deixar um comentário. Espero que eu não tenha sido muito dura ou falado demais, mas há muitos jornalistas que pensam diferente de mim, então, lembre-se que este post é apenas uma fatia opinativa de uma pessoa que passou 4 anos em um relacionamento de amor e ódio com o Jornalismo.

 

Espero que tenham gostado!

Stefs
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  • heyrandomgirl

    Ownnn fico feliz que tenha gostado! Pensei que nem tinha visto, sendo que te marquei no Twitter Hahahahahaha.

    Sério que vc faz esse curso? Eu sou totalmente a favor de publicitários, dá para ir para diversas áreas, não que jornalismo não dê, mas eu acho mais limitado que publicidade nessa transição de um lado para o outro. Me arrependo até hj não ter mudado, pois até o segundo semestre dava, pq as matérias dadas eram iguais, mas me formei nisso daí Hahahahahaha

    Ah sem dúvida! Mas tem bastante curso técnico em marketing, até tecnólogo de 2 anos na faculdade. Mas PP é só graduação mesmo, isso se não tiver algum curso dando sopa, o que acho difícil, mas depois de formada vc pode sambar com seu currículo pra onde quiser, ainda mais vc que gosta da área.

    Beijos sua linda.

  • Adorei adorei adorei esse post? De certa forma eu já tenho toda essa visão mais 'real' do jornalismo. Gosto de escrever mas também tenho um grande amor pela área de comunicação. Faço curso de Comunicação Visual e tenho um lado que tende a cair pra Publicidade e Propaganda e pra aréa de marketing. Até conheço uma menina (minha vizinha) que trabalha com marketing mas é formada em jornalismo. Acho que meu sonho mesmo e de alguma forma fazer isso sabe? Mas precisaria fazer mais cursos que me ajudem a ter mais currículo pra isso. Devia existir um curso que misturasse os três, ia ser perfeito.