Menu:
07/jun

Este post-desabafo é destinado aos meus visitantes que querem se dedicar àquilo que amam, mas não podem. Tudo porque precisam trabalhar (especialmente em algo que não gosta) para poderem se sustentar. No desenrolar das próximas linhas, vocês lerão o dilema da Random Girl em não querer mais escrever textos para clientes para se dedicar full-time ao pseudolivro chamado We Project.

 

Meu tempo de crise com o We Project já passou. Eu fiz uma mega choradeira aqui no blog, pois não aguentava mais a maneira como o pseudolivro se encontrava. Agora que fiz uma mudança de cima a baixo, de plot e de personagens, a história toda voltou a ser animadora. Criei muitos spin-offs para sustentar as novas ideias. Isso é realmente animador, se não fosse as 8 horas de trabalho na agência, em um círculo vicioso de mesmas tarefas, que me impedem de colocar todas as ideias em torno do WP (entre outras) em prática.

 

Essa necessidade de fazer o We Project funcionar em tempo integral me fez reviver o período de TCC, momento do qual sambei na cara da sociedade. Larguei o estágio para me dedicar à monografia e dei adeus à vida social. Esse comportamento se deu porque eu queria estar focada só nisso. Claro que não gostar mais do que fazia como estagiária deu certo peso também na minha decisão de chutar o balde, mas eu sabia que, se trabalhasse ao mesmo tempo em que fizesse a monografia, ela não ficaria como eu queria.

 

São nessas horas que as pessoas costumam pontuar exemplos: fulano trabalha e estuda e fez um TCC primoroso. Sorte a dele, porque não sou assim, amém! Se eu fizer mil coisas ao mesmo tempo, explodo e desisto de todas elas. Eu pertenço ao grupo chato dos detalhistas, aqueles que precisam analisar e roteirizar qualquer momento que envolva trabalho. Essa minha disciplina dá muito certo, ainda mais na agência. Se eu não anotar minhas tarefas do dia, não faço nada.

 

Para todos terem uma ideia desse detalhismo, os posts do Random Girl não são escolhidos do nada, pois tenho um arquivo com todos os textos e as datas que eles precisam ser publicados. Sem contar a tabela de pautas. Como vocês podem notar, cada dia da semana tem uma temática, senão, me perco.

 

Eu sou daquelas que se é para fazer, tem que ser direito. Quando o We Project baixou em mim, fui bombardeada com uma pancadaria de ideias. Comecei em setembro do ano passado e, no final de 2012, tinha dois livros e meio. Se ficou como queria ou não, pouco importa. Emendado a essa tarefa, ainda fiz o NaNoWriMo e terminei uma fanfic de 64 capítulos. Esse combo, que me fez ficar dias com a tendinite atacada, só teve uma conclusão feliz porque usei algumas horas do trabalho.

 

Mesmo com toda essa aptidão e amor à escrita, não me considero escritora. Tem gente que realmente abraça a causa, fala que atua como escritor nas horas vagas, sem ter nada publicado. Eu não consigo fazer isso. Parece arrogante. Também não gosto de falar que sou jornalista, porque ainda não tive a coragem de ir tirar meu MTB. Não consigo ser taxativa comigo mesma. A única coisa que aceito de bom grado é o fato de ser blogueira e ficwriter, porque sou mesmo e tenho muito orgulho disso.

 

Independente de regras gramaticais, minha vocação está na escrita. Na agência, aprendo todos os dias por conta das pautas diferentes. Por meio do meu trabalho, descobri um universo do qual não conhecia, o das mídias e do marketing digital. Aprendo todos os dias e sou agradecida, pois encontrei novas coisas para amar. Enquanto não escrevo, leio muitos sites sobre esses assuntos (e sobre séries, moda, literatura e assim por diante. Sabem como é, sou aleatória, pombas!).

 

Às vezes, acordo com aquela necessidade de trocar a vida real pela vida de pseudo-escritora. Me frustro fácil quando tenho uma ideia brilhante e não posso colocá-la em prática na hora, pois alguém vai estar de olho na tela do meu computador. Quando chego em casa, é triste notar que a emoção da ideia que surgiu durante o expediente não é mais a mesma e me contento em anotá-la para trabalhá-la no final de semana.

 

Outro ponto que me deixa louca da vida é saber que faço coisas incríveis fora do trabalho. Gasto 8 horas (um pouco menos, às vezes) aos sábados com coisas que melhoram e muito meu humor. Pensar nisso me faz entrar em uma crise ainda maior, pois quero abrir mão de tudo para me dedicar ao que gosto. Porém, há a questão money, money que, infelizmente, é um item necessário. Para uma pessoa com 27 anos, não dá para viver de ar, né?

 

Não sei se isso acontece com vocês, mas chega uma hora que abrir mão de tudo para abraçar aquilo que se ama soa como uma resolução de vida. Chega até ser inspirador, pois dá aquela sensação de poder, de tomar posse de si mesmo para realizar tarefas que farão bem ao âmago. No meu caso, ainda não tem como viver só com o WP embaixo do braço. Afinal, o pseudolivro não pagará meus mimos, por mais que eu fique mil vezes mais radiante.

 

O que 8 horas de trabalho semanais me impedem de fazer: novos capítulos para o WP, atualizar uma fanfic que existe desde o ano passado, compartilhar mais coisas bacanas no Random Girl, fazer coisas mais legais para o Lily Collins Brasil, fazer mais posts para o Lightwoods Brasil, atualizar meus Tumblrs, tirar fotos, ver séries, dar mais atenção às pessoas lá em casa…

 

Entenderam os motivos dos quais queria muito chutar a vida de assalariada? Pelo menos, se eu encontrasse um emprego que envolvesse um desses itens acima, não reclamaria de gastar 8 horas fora de casa.

 

Não é novidade para ninguém que não tenho afinidade alguma com jornalismo. Não gosto de correr atrás das pessoas ou depender delas. Sem contar, que enjoo fácil da rotina, ainda mais se ela é mecânica demais. Todo dia, sento na mesma cadeira, digito textos com mesmos estilos e volto para casa. Os finais de semana são muito mais produtivos e eu realmente fico com aquela sensação de que trabalhei o máximo que pude em quase todos os itens que citei lá em cima.

 

Mas o que está errado? Eu respondo: você ter talento para uma coisa e ter que se apoiar em outra para se manter estável e seguro. Isso é muito injusto, só isso que tenho a dizer. Você precisa se render a tarefas chatas, sendo que a verdadeira vocação fica em stand-by por causa de outro fator que, querendo ou não, é relevante. Eu quero abrir mão da vida real e chata, aquela cercada das mesmas coisas para ficar ao lado daquilo que me faz quicar pela casa, como diria minha metade.

 

A verdade é que prefiro ser chamada de escritora a jornalista. Eu prefiro ser reconhecida por ser ficwriter a ser a garota que recebeu parabéns porque acertou no texto do cliente. Não nasci para relatar notícia, mas sim para contar histórias.

 

Na reta final da faculdade, a monografia, de certa forma, me definiu. Consegui me encontrar dentro de uma graduação que deixou de ser meu objetivo, mas bati de frente com a minha aptidão no período em que fiz o TCC.

 

Muito bem! Devo eu aceitar que sou uma, er, escritora?

 

Eu estou em fase de aceitação da vocação que me pertence desde os 12 anos, onde escrevia histórias em um caderno de desenho. Lembro-me disso como se fosse ontem!

 

Pessoas bem-sucedidas fazem aquilo que amam. Qual é o momento para se conquistar isso?

 

Infelizmente, todo mundo precisa sobreviver e, para conquistar aquilo que ama, seja no âmbito pessoal ou profissional, é preciso se render aos sacrifícios e enfrentar as dificuldades. Eu queria congelar o mundo para me dedicar ao WP e ao blog, dois itens que pertencem, na prática, ao segundo e ao terceiro lugar da minha lista de prioridades, mas, lá no órgão vital, são reis.

 

Não há muito que se fazer a não ser continuar no mesmo processo de acordar às 5h30 da matina para ser destruída no metrô e babar no busão. Tudo para ficar 8 horas sentada, um tempo que eu poderia fazer 3 ou mais capítulos do WP e me dedicar com mais afinco ao Random Girl. Enquanto isso, continuo com a vida de pseudojornalista, pseudo-escritora com meu pseudolivro e meu pseudo blog… Acho que preciso parar de usar a palavra “pseudo” para tudo.

 

E vocês, Randoms, alguma lamúria? Estão na profissão certa? Estão frustrados? Vocês já se aceitaram como designers, músicos, roteiristas e afins, em meio à necessidade de trabalhar em algo incoerente e que só te aborrece (ou não)? O que vocês fazem para aceitar ou tentar conquistar aquilo que sabem que é seu por direito?

 

Muitas perguntas, eu sei, mas contem-me mais sobre isso!

 

A dedicação àquilo que amo permanece e os finais de semana se tornaram sagrados. Me voltar para aquilo que toca o meu coração é o suficiente para tornar a minha vida um pouco mais bonita. Por isso, vou deixar aqui um vídeo que compartilhei no ano passado, necessariamente neste post. Até a próxima sessão desabafo e não desistam!

 

Todas as imagens foram tiradas do amado Tumblr e o vídeo pode sair do ar a qualquer momento 😀

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3