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05/jun

Quatro anos atrás, eu me considerava uma viciada em internet. Quando digo isso é porque era viciada mesmo, daquelas que trocava o dia pela madrugada. Minha mãe achava que era uma doença, um comentário típico de uma mulher que não conseguia fazer a filha se desplugar. Eu poderia jogar a culpa em Harry Potter pelas minhas noitadas online, mas quando o Orkut bombou na web, ele se tornou meu novo point e minha nova desculpa para permanecer conectada até altas horas para ler os mesmos scraps e me divertir com as partidas de RPG.

 

A internet e eu éramos um casal perfeito, até chegar à fase da ressaca online.

 

A quantidade de tempo despendido em frente ao computador acarreta um cansaço que não se sente. Muitas pessoas trabalham o dia inteiro com a tela diante dos olhos e, quando chegam em casa, ligam o aparelho para ver as mesmas coisas. Sabiam que a visão precisa de uma pausa? Isso me faz lembrar de um comentário que meu chefe fez sobre a obsessão de feedback nas redes sociais. Não conseguimos postar algo no Facebook, por exemplo, e deixar para lá. Precisamos dar F5 toda hora para ver se alguém deu like.

 

Conforme os anos se passaram, as pessoas colocaram a internet como base de sobrevivência e sociabilidade. As pessoas dormem com os computadores ligados e almoçam com um garfo na mão e o celular na outra. Ninguém consegue mais se desprender da tecnologia e, quando se faz isso, você é um alien. As pessoas colocam a razão de viver nas redes sociais, se estressam com bobagem e usam o mural para lamúrias, sendo que ninguém é obrigado a ficar por dentro da tristeza de fulano. Por causa de mimimis, uma hora é preciso se desconectar.

 

No meu caso, simplesmente evito acessar a internet em casa. Eu passo, literalmente, 8 horas do dia com a tela gigante do computador no meu rosto e, antes do final do expediente, não aguento mais ficar na mesma posição desconfortável. Quando estou no meu lar, apareço online quando tenho que atualizar o Random Girl e não demoro tanto assim, pois reaprendi a valorizar minha cama. Nos finais de semana, faço questão de ficar offline, pois é meu período de descanso, de quietude e fico distraída com coisas mais importantes (o We Project). Não é à toa que meu sábado e meu domingo têm sido muito mais produtivos sem internet e com o celular desligado.Na fase de vício, eu era incapaz de sentir meu cansaço. Eu não dormia direito. Se eu ficasse até 1 hora da manhã online, estendia mais um pouco. Quando comecei a trabalhar, não conseguia colocar disciplina no meu sono. Duas horas por noite era diversão e trabalhar irritada era o brinde. É fato que não dormir bem afeta o emocional e ninguém é obrigado a aturar falta de paciência alheia, sendo que a culpa é do cidadão que ficou conectado até altas horas da noite e não pregou o olho com dignidade.

 

Diante do computador é difícil sentir cansaço, pois somos engolidos pela quantidade de informações que estão à nossa disposição. Os efeitos colaterais como as dores nas costas, na cabeça e a tendinite que aparece graças ao tempo de teclado e digitadas bruscas são alguns “sintomas” que o santo computador e a santa internet acarretam. Atualmente, não me considero mais uma viciada em internet, pois aprendi a prezar meu sono, minha televisão e tenho duas filhas para cuidar (leia-se: minhas cachorras!). Até elas reclamam quando fico sentada em frente ao Rory, ainda mais nesta época de frio, pois o que ambas mais querem é se enfiar no meu edredom.

 

O problema é que não temos tanta consciência do quanto somos consumidos pela internet. A palavra offline já não é tão recorrente, pois, até nos finais de semana, o modem de muita gente fica ligado. O cérebro vira um triturador com muitas ideias e faz com que o ser humano deite agitado e não aproveite as horas destinadas ao descanso. O tenso é que você nem sente a estafa, pois ela some diante do PC, e a sensação física de esgotamento vem depois, quando o aparelho é desligado.

 

O cérebro precisa de descanso assim como nosso corpo. A internet nos oferece diferentes estímulos e nos engole sem ao menos percebermos. Por mais que seja algo incrível e fácil de usar, isso pode impedir o desenvolvimento das habilidades criativas e intelectuais. Nossas mães sempre dizem para “sairmos do computador” e não é por maldade, pois o tempo de tela poderia ser muito bem usufruído com outras coisas. Às vezes, é necessário desligar os aparelhos com acesso à internet e saborear o que o mundo tem a oferecer.

 

Para aproveitar o gancho, eis que apresento aqui no Random Girl um vídeo que vale mais que mil palavras, chamado The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains, que mostra o quanto nosso cérebro precisa passar um tempo offline. O vídeo é inspirado no livro de Nicholas Carr, que tem o mesmo nome. Vamos assistir?

 

 

O vídeo relata aquele processo básico de encontrar um material bacana e compartilhá-lo em todas as redes sociais. É uma atitude mecânica que se repete todos os dias e que nos faz entrar em um círculo vicioso na Websfera. De acordo com Carr, isso nos faz pessoas artificiais, dominadas por um comportamento compulsivo em checar os mesmos sites a todo instante. Além disso, é mencionado algo bacana, como a memória de curta duração, onde uma ideia acaba sendo substituída por outra devido à facilidade de distração.

 

Para fechar, o vídeo ainda pontua que o conhecimento adquirido online é temporário. Por mais que você leia um artigo, o aprendizado não dura por muito tempo e logo é esquecido. O legal é que ele cita que as pessoas mais famosas e reconhecidas são aquelas que tinham um domínio do saber muito amplo, por terem controle da própria mente. Por isso é importante ficar offline para saber analisar as prioridades do dia e fazer uma coisa de cada vez.

 

E aí, vai dar um descanso para o seu cérebro quando?

Stefs
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