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26/jun

Sei que a onda de protestos no Brasil baixou um pouco, mas acredito que seja útil para quem lê o blog saber o que aconteceu na semana passada fora de São Paulo. Nada mais justo do que coletar um depoimento dos dois dias que balançaram o Rio de Janeiro para que todos percebam o quanto as situações daqui e de lá foram totalmente diferentes.

 

Sendo bem honesta, depois do que vi no protesto de terça-feira em São Paulo, perdi a fé em qualquer manifestação que aconteça por aqui.

 

O Random You de hoje traz a minha querida (soulmate) Ana Carolina que cedeu um tempinho para escrever sobre o que presenciou nos dois últimos protestos na cidade maravilhosa (ou não?).

 

Vamos conferir?

 

“Eu fui ao primeiro protesto, o de segunda-feira (17). Fui surpreendida com a quantidade de pessoas que apareceram. Nos concentramos na Igreja da Candelária, onde havia grupos montando faixas e cartazes.

 

Segui pela Av. Rio Branco com todo mundo gritando várias palavras de ordem, contra a corrupção, contra a Copa, contra o aumento da passagem, contra o Eduardo Paes, contra o Cabral, contra a Rede Globo… Nesse meio tempo, eu e os meus amigos da faculdade nos infiltramos e caminhamos mais pra frente. Estávamos na esquina da Rua 1º de Março com a Rio Branco quando vimos a divisão da manifestação. Boa parte seguiu para a Cinelândia e a outra foi em direção à Alerj.

 

Fomos para a Alerj. Não me aproximei muito porque vimos vários carros da polícia chegando. E então, conforme mais pessoas iam se aglomerando, mais o clima ficava tenso. De longe, um amigo avistou a primeira fogueira. Nos aproximamos para ver o que acontecia e eu vi o caos. Testemunhamos os policiais serem acuados ao ponto de terem que se refugiar dentro dos portões da Alerj. Então, a confusão se instalou. O reforço policial chegou e começou a jogar bombas, enquanto os manifestantes revidavam com bombas caseiras.

 

Foi uma correria para todos os lados. Nós ousamos nos aproximar mais, precisamente, em frente à Alerj, e vimos o carro do sonoplasta em chamas, umas 4 fogueiras e um cheiro muito forte de gás lacrimogênio. Decidimos que era hora de ir embora.

 

No caminho, a tropa de choque chegou e mais bombas foram lançadas. Conseguimos escapar.

 

Foto: reprodução da revista Veja

 

Na quinta-feira (20) foi pior. Cheguei mais cedo no centro do Rio e já tinha avistado uma força policial absurda pela Candelária e na Av. Presidente Vargas. O pessoal começou a chegar, encontrei os meus amigos e fomos para a manifestação. Tudo corria com tranquilidade, marchamos na paz, até que o primeiro tumulto aconteceu quando a linha de frente chegou à Prefeitura.

 

Na manifestação de segunda, tinha uma predominância de estudantes universitários. Na de quinta vimos de tudo, desde bebês, famílias inteiras até idosos na cadeira de rodas.

 

Afirmo que tinha MUITO mais do que 300 mil pessoas na Presidente Vargas. O tumulto se iniciou, o pessoal começou a correr. Eu e os meus amigos nos concentramos por uns 20 minutos na passarela, uns 150 metros de distância da Prefeitura. Daí foi uma debandada. Muita gritaria, empurra-empurra. Esperamos o caos dar uma acalmada e corremos também. De longe, vimos a densa fumaça de gás lacrimogênio ao redor da prefeitura.

 

Pouco antes das 21h, resolvemos ir embora. Voltamos a Presidente Vargas, toda na maior paz. E todas as vezes que o helicóptero da PM voava rasante, o povo hostilizava com vaias e com palavras de ordem ofensivas. A mesma coisa acontecia quando uma viatura passava.

 

Como eu estava com um grupo de estudantes da UFF e que moravam em Niterói, voltamos até a Praça XV e notamos uma aglomeração de pessoas na Alerj, que é ali do lado. Fomos lá dar uma olhada. Nesses dois minutos de caminhada até lá, um dos helicópteros da PM já sobrevoava o perímetro do local. Chegamos lá e tinha uma faixa branca, enorme, escrita “SEM VIOLÊNCIA” e os manifestantes não apresentavam nenhum perigo, pois todos estavam sentados nas escadarias de forma bem tranquila.

 

Me despedi dos meus amigos que moram em Niterói, que seguiram de volta para a Praça XV em direção às barcas e eu e mais uma amiga seguimos para o túnel do Mergulhão para pegar o ônibus. Enquanto estávamos lá em baixo, bem abaixo da Alerj mesmo (o túnel cruza abaixo dela), passou-se uns dez minutos e escutamos as primeiras bombas.

 

Subimos as escadas para ver o que acontecia e nos deparamos com uma debandada de gente correndo, para todos os lados víamos bombas de gás sendo lançadas, aquela nuvem densa se aglomerando e MUITOS POLICIAIS. Descemos correndo as escadas e mais bombas explodiam. Eu, minha amiga e mais um grupo corremos desesperadamente pelo túnel até o outro lado.

 

Nos distanciamos do tumulto por uns momentos… Foram alguns minutos de paz até escutarmos uma gritaria atrás de nós e todo mundo que estava na Praça XV e na Alerj corriam em nossa direção, com a tropa de choque no encalço.

 

Corremos de novo e, dessa vez, fomos nos refugiar dentro do Aeroporto Santos Dumont. Não por muito tempo, pois os seguranças começaram a nos expulsar e, nessa altura, a gente conseguia escutar os confrontos na Lapa e na Cinelândia (que é tudo próximo).

 

Os helicópteros nos seguiam, jogavam as luzes em cima de nós…

 

O nosso objetivo era chegar até o Aterro do Flamengo, mas, por sorte, o meu pai me ligou e disse que vinha me buscar porque a situação estava muito feia. Enquanto eu e minha amiga caminhávamos, cruzando o bairro do Passeio e da Glória, do outro lado da rua víamos a polícia se aproximando, cercando tudo.

 

EU VI proprietários de bares abrigarem manifestantes e VI POLICIAIS jogarem bombas de gás dentro e próximo dos estabelecimentos.

 

Eu e minha amiga nos aproximamos do Hotel Glória (ponto de encontro que marcamos com o meu pai), quando escutamos mais bombas/gritaria e correria bem próxima de onde estávamos. Meu pai nos resgatou e pegamos o caminho para o túnel Santa Bárbara, onde vimos um grupo chamativo de manifestantes seguindo em direção às Laranjeiras, provavelmente, em direção ao Palácio da Guanabara, sede do Governo Estadual.

 

E quando cruzamos o túnel, não vimos mais nada. Chegamos em casa bem.”

 

Observações do protesto de quinta-feira

 

A reação da polícia foi brutal. Eles não podiam ver um grupo reunido que eles já jogavam bombas;

 

Fiquei sabendo depois com os meus amigos que iam seguir para a casa que, quando o caos tomou conta da Praça XV, eles ficaram encurralados dentro da estação das barcas;

 

A mídia não mostrou, mas a PM aqui do Rio foi truculenta. Mesmo quando os manifestantes se sentavam e erguiam as mãos, mostrando que não queriam violência, os policiais revidavam com bombas e spray de pimenta.

 

Qualquer outra informação sobre os protestos no Rio de Janeiro, este post será atualizado, tranquilo?

 

Crédito da foto principal: Christophe Simon

Random Girl
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