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23/jul

Graças ao pedido de uma leitora do blog, fiz um post relacionado à profissão jornalismo e resolvi investir na ideia. Confesso que fiquei meio receosa, pois terei que esboçar opiniões muito particulares que podem não atender as expectativas de ninguém. Por isso, se eu for maligna demais, puxem minha orelha. Antes de ir direto para o tema de hoje, é bom que saibam que não levanto a bandeira “sou jornalista com muito orgulho”. Contudo, isso não quer dizer que eu não possa dar alguns toques e apresentar material bacana sobre a área. Preparem o psicológico, porque não rasgarei seda e não pouparei o verbo sobre minha formação.

 

O primeiro post que fiz sobre o assunto foi uma ideia de desmistificação do jornalismo. Pontuei que amar escrever não lhe representará dentro desse universo. Claro que dominar as palavras é um dos pontos essenciais para se dar bem na carreira, mas não é tudo. Se você for com sede ao pote sobre “farei jornalismo porque amo escrever”, cuidado que o baque pode ser frustrante. Digo isso porque o profissional escreverá o que o veículo de comunicação quer. Ele terá que abraçar o local de trabalho e deixar as crenças particulares em casa. Nem todos os jornais e revistas respeitam a ética do ramo, o que o torna insano e, por vezes, cruel. Assim, guardem esse conselho: amar a escrita não é o suficiente para ser jornalista.

 

No jornalismo, escrever deve ser feito a partir de um ponto de vista imparcial. Assim, aproveito esse gancho para apresentar algumas dicas de boas práticas da profissão que o aluno cansará de escutar ao longo da graduação.

 

Na hora de escrever uma matéria tenha em mente que o texto não é seu, mas de quem o lerá. Ele terá a assinatura do jornalista, mas ele deve ser moldado com base no público-alvo. Quando dou meus pitacos aqui no blog, faço isso sem nada a temer. Afinal, o blog é meu e eu posto o que quiser. Parece fácil pensar dessa forma, mas essa atitude não é tão verdadeira para mim. Quando o assunto é mais delicado, sempre passo um pente fino no texto antes de publicá-lo, pois há certas opiniões que posso guardar. Ninguém precisa aturar minhas reclamações online. Isso tiraria todo o contexto do que quero transmitir com o blog.

 

Porém, em um veículo de comunicação, a obrigação do jornalista é ser imparcial. Quem tem blog pode arriscar e falar o que deseja, mas quando o dinheiro depende da conduta, é preciso respirar fundo, engolir sapo e seguir em frente. Não adianta querer debater com quem paga o salário, pois o editor-chefe não mudará de opinião só porque você é um escritor habilidoso, que tem muitas verdades para contar. Dentro de uma redação, é preciso ser sensato, não só em comportamento, como também na hora de lidar com os fatos que precisam ser noticiados.

 

Atualmente, os veículos de comunicação online são destaque e precisam de notícias instantâneas. Todo mundo quer ser o primeiro, o que resulta em trabalhos malfeitos. Passem um tempo no G1, por exemplo, para verem como o conteúdo é postado com informações vagas/incompletas e cheio de erros. Daí, entra outro mandamento da profissão: checar os fatos. Isso é necessário não só por ser uma matéria jornalística, mas porque levará o nome de quem escreveu. Nada mais embaraçoso que ver o povão zombar do jornalista nos comentários. É constrangedor! Por isso, nada de postar por postar. O texto deve ser lido e checado quantas vezes for preciso.

 

O papel fundamental do jornalista é compartilhar notícias e eventos, por vezes, em curto espaço de tempo. Os repórteres precisam se virar nos 30 para dar a informação de maneira que seja interessante e, claro, coerente. O mesmo vale para o redator online que precisa matutar e criar um texto que segure o leitor, pelo menos, até a metade do post. Essa atitude dependerá do veículo de comunicação, pois rádio não tem a mesma rotina que TV, que não é igual ao universo do impresso, que nem se compara à velocidade da internet. Como garota da Web, acredito que o jornalismo online precisa de profissionais mais capacitados, que saibam unir velocidade com qualidade.

 

Cada mídia traz um benefício diferente ao público e ao jornalista. Da mesma forma que não é todo mundo que gosta de morango, nem todo profissional gosta de Rádio e TV. Porém, não quer dizer que cada sabor não tenha um elemento que se sobressai. O jornalismo televisivo conta com a riqueza de imagens. A versão impressa é palpável, pode ser lida em qualquer momento do dia e as matérias são mais aprofundadas. A internet faz o estilo drive-thru: você escolhe o que quer ler, rola o scroll e se sente satisfeito em curto espaço de tempo.

 

É bem verdade que as redes sociais são mais eficientes para se informar em tempo real a esperar pelo jornal da noite. No tempo em que o Jornal Nacional é editado para entrar no ar, meio mundo já se aprofundou no assunto do dia e só liga a televisão, talvez, por causa do hábito. Enquanto o telespectador pode selecionar o que quer ler, o jornalista não tem esse luxo. Ele é o profissional que fica online o tempo inteiro, que é acordado no meio da noite e briga com prazos. Ainda bem que minha rotina é totalmente entregue a paz de Cristo. Tenho tempo para fazer meu trabalho, tenho feriado e ninguém me liga nos finais de semana.

 

No meu ponto de vista, eu sou uma anomalia. Trabalho com jornalismo online, que na verdade nem é jornalismo, e tenho uma vida pacata. Olhem como sou sucesso e só dependo da internet para trabalhar.

 

No meio de tantos jornalistas, acredito que a principal característica desse profissional é o insight ou o feeling. O famoso faro jornalístico. Para mim, isso vem de berço. Não é à toa que eu não tenho isso. Não corro atrás, não tenho paciência e evito as pessoas (leiam-se fontes). A veracidade e a apuração são dois dons que alguns jornalistas se esquecem de colocar em prática, assim como a checagem da informação. A parte mais delicada ainda é a revisão, pois até as versões impressas apresentam erros absurdos, de total falta de atenção.

 

Se é uma coisa que me deixa bem irritada são aquelas notas de correção em jornal tradicional. Um errinho, tudo bem, mas muitos? Isso vale também para as revistas adolescentes que contratam uma galera super ‘n’ que chamam o Damon de Alaric e assim por diante.

 

Por mais que o mercado jornalístico não esteja lá essas coisas, ele ainda é competitivo e escasso. Para se destacar, é preciso respeitar as lições de boas práticas do jornalismo. Eu sempre dou apoio para quem quer ter um blog, mas não defendo um blog de qualquer coisa, sem criatividade, que só quer unir seguidores que nem se importam com o que o autor posta. Eu amo a Web, não trocaria por nada neste mundo, e sou a favor de uma vida sem fontes, com dinheiro de freela e do pijama como uniforme de trabalho.

 

Palavras de uma jornalista que não é jornalista e que não curte nada da profissão.

 

No próximo post, falarei mais sobre jornalismo online. Fiquem ligados aqui no Random Girl.

Stefs
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  • Isis Renata

    ")

    gostei muito do post. seu lado jornalístico que de certa forma já conhecia.

    eu ri na questão "revistas e galera N" ri, mas é a real. a galera tá tão absorta em querer produzir produzir e produzir, que os erros doem para quem conhece a fundo e sabe que aquilo é uma coisa que qualquer inocente tambpem saiba.

    de fato, no fundo todos temos um pouco desse pensamento de 'conto de fadas' se assim me permite dizer. essa coisa de 'vou ser jornalista porque amo escrever' eu também amava o que escrevia, mas o fato é que o que eu escrevia não era jornalístico, eram coisas minhas ou seja…rs

    eu sempre amei jornalismo desde a oitava série, e me imaginava escrevendo e conhecendo pessoas novas e lendo coisas novas e essas coisas. irônico, porque embora muito doidona, eu raramente saio por ai falando. a não ser que já goste do local e pessoas ao qual irei falar.

    de qualquer forma, o jornalismo tem seu lado bom e ruim como qualquer profissão. e as vertentes ao qual pertence, TV, rádio, impresso e web, ou seja, tem pra todo mundo rs. basta que a pessoa analise suas qualidades e veja onde ela se sente melhor.

    é triste ver os outros dizendo 'qualquer um pode ser jornalista'. eu não acredito nesta frase não. acredito que existem pessoas com o feeling como vc disse. que tem vocação pra isso, e outras que escrevem…

    um beijo sua linda :*