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04/jul

Quem estava com saudades de Skins, não estava mais, pois a sétima temporada estreou esta semana. Eu sou daquelas pessoas que acompanha a série desde os primórdios e fiquei com medinho do rumo maduro que Effy, Cassie e Cook receberiam. Afinal, o trio representou a parte com mais problemas no decorrer das três gerações do seriado e imaginá-los na versão adulta (ou quase) era praticamente incogitável. Sendo bem honesta, só via algum futuro para a Cassie, pois para os outros dois eu só conseguia ver o círculo vicioso de tragédia se repetir.

 

Desde o lançamento, Skins trouxe uma premissa muito diferente das séries que abordam o tema adolescência. Os produtores não tiveram medo e nem vergonha de dar aos personagens problemas reais e cotidianos, tais como o uso de drogas e de muitos, mas muitos palavrões. Ela desmitificou o universo teen que sempre é representado no clima Malhação, onde ninguém tem vício, todo mundo é perfeito e visionário quanto ao futuro. Sem contar aquele mimimi quando o assunto é sexo. Skins abraçou os temas vistos como polêmicos para a televisão e explorou de tudo, até casais homossexuais com uma problemática mais palpável que o típico ser ou não ser gay.

 

A fase da adolescência não é fácil para ninguém, quem dirá a vida adulta. Com esse norte que preza a maturidade dos personagens escolhidos, a season première da sétima temporada de Skins trouxe Effy Stonem em um novo estilo de vida que jamais passou pela minha cabeça que ela teria. A personagem começou muda, mas ganhou voz ao longo da terceira temporada em meio ao triângulo amoroso e arrebatador com Fred e Cook que, com certeza, mudou muitos âmbitos da vida dela. Por ter sofrido inúmeras perturbações, desde o acidente de Tony e a convivência com um psiquiatra tarado, nunca imaginei um futuro para ela, a não ser um hospício. De fato, fiquei surpresa com a pegada empresarial de Effy.

 

Effy está com 20 anos, deixou a adolescência de lado e vive em Nova York. A história dela começa na primavera, como uma mera assistente de uma empresa que atua no segmento de gestão de ativos. Logo no início, percebe-se o descontentamento dela em servir café, tirar xerox e atender o telefone, uma rotina repetitiva para quem é secretária. Até que em um belo dia, Effy pega os chefes em uma cena um tanto quanto constrangedora e ela começa a refletir sobre a vida profissional. Por mais que não tenha sido enfatizado, é fato que houve a questão do teste de sofá que muita gente faz para alavancar a carreira. Effy poderia muito bem fazer isso, mas ela resolveu atacar pela porta dos fundos e usar as oportunidades a seu favor.

 

A começar pelo fofo do Dom, o garoto estrategista que arrasta um bonde para a personagem. É por meio dele que a saga da garota como operadora financeira se inicia. Ela se torna a única mulher a lidar com a bolsa de valores na empresa em meio a um bando de marmanjos machistas que não perdem tempo em caçoá-la. Como conhecemos bem a Effy, era óbvio que as provocações se calariam. No final das contas, ela simplesmente arrasa e honrou o lado manipulador e decidido do começo ao fim do episódio. Amei a maneira como a colocaram nessa nova “versão” de Skins. Digo isso porque ela nunca foi minha personagem favorita e achei que não curtiria a nova vida dela.

 

Eu me identifiquei com as indecisões da Effy quanto às reviravoltas profissionais. Para ser alguém é preciso sair da zona de conforto, mas nem todo mundo faz isso com a melhor das intenções. A atitude dela em assumir uma reunião com um cliente que tinha sido cancelada foi o pulo do gato, uma oportunidade que, para uma garota como ela, extremamente ambiciosa, não poderia ser eliminada. Ao menos, deram uma conquista limpa e digna a ela, mesmo com alguns requintes de sensualidade, como o cliente passando a mão e o chefe com os olhos fixos no decotão do vestido que ela usou.

 

Essas nuances que cortaram o barato do sexo explícito não poderiam ser deixadas de lado. Não por ser Skins, mas porque a mulher está inclinada a sofrer assédio em meio a um ramo empresarial da qual Effy se encontra. Claro que isso só acontece se a pessoa der ousadia, algo que a personagem fez isso sem um pingo de receio.

 

O que me convenceu sobre o rumo da história de Effy foi por ela ter o combo perfeito para essa profissão que se apoia na persuasão, o que deu ainda mais sentido para o plot dela. Ela tem o olhar de santa e o sorriso inocente. Quem é que não morderia a isca?

 

Em meio às tramoias profissionais de Effy, quem reapareceu para matar as saudades foi Naomi. Será que eu fui a única que não curtiu o rumo da personagem? Eu sempre a achei muito criativa e talentosa, mas não para se tornar comediante. Ela até podia saber do impasse da saúde dela antes, mas não consigo vê-la como desistente. Naomi perdeu o respeito por si mesma, sendo que ela sempre foi, apesar dos pesares, extremamente confiante. O mais tenso foi vê-la em crise de relacionamento com Emily, personagem que também retornou à primeira parte dessa temporada de Skins.

 

Esse comportamento de Naomi serviu de teste de paciência de Effy que, de certa forma, amadureceu e tem objetivos, algo que a parceria de quarto se esqueceu de ter. Eu fiquei meio decepcionada com ela, de verdade.

 

Naomi foi a perturbação de Effy que, mesmo empenhada em arrasar na carreira, ainda sente receio quanto à vida que levava no passado. Em algumas cenas, como a atitude dela em ir à balada sozinha, houve um resquício da adolescência ao mesmo tempo em que a cena mostrou o amadurecimento e a independência. Contudo, o que se sobressai da nova versão da Effy é a ambição e o desejo de vencer. Para terminar o dia bem, ela levou todos a loucura e recebeu o prêmio mais óbvio do episódio: o chefe. Isso me faz relembrar da necessidade dela em se esconder atrás de braços fortes, pois, quando ela estava com problemas, ela recorreu ao Cook e praticamente o enlouqueceu.

 

O que deu para notar nesse primeiro episódio da sétima temporada de Skins é que eles levaram muito a sério a questão de trama madura. Houve os palavrões, claro, mas o lado sexual escancarado foi comedido. As portas abertas da intimidade dos personagens da série foram respeitadas e me pergunto até quando, pois com Cook as coisas podem ser um tanto quanto diferentes. Parecia até outra série e eu gostei muito do que assisti.

 

Effy se deu bem nesse episódio, mostrou que é uma garota cheia de fogo, mas deu para notar que ela não mudou tanto assim. A jovem ainda faz uso das artimanhas adolescentes para conseguir o que quer. Pelo menos, sem drogas. Gostei da guinada da personagem, pois, no meu ponto de vista, ela ficou mais interessante.

 

Como nem toda história tem um final feliz, ainda mais no que condiz à Effy, Naomi deu uma chuvarada com a notícia de que está com câncer. O lado pretensioso da personagem caiu por terra e só quero ver se ela ficará na poker face com relação à amiga.

 

E foi dada a largada para os dramas de Skins. Mal posso esperar pelo próximo episódio.

Stefs
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  • heyrandomgirl

    Posso te dizer que a Parte 2 foi chateante? HAHAHAHAAHAHAHAAH Não vou meter spoiler, mas vá preparada. Não sei se vc já assistiu a essa altura, mas se prepara. Fiquei mto revoltada, tenho dito. :(

  • Eu não assisti ainda não, já baixei, mas quero guardar. Me avise se a Naomi morrer, porque me recuso a assistir isso se esse for o caso HUAHUAHUAHUAHUHAUHA