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18/jul

O terceiro episódio da sétima temporada de Skins foi, literalmente, puro. Nesse primeiro momento, posso dizer que ele fez jus à Cassie, a minha queridíssima que quase me matou de ansiedade para saber o que tinha acontecido com ela, depois daquele término arrebatador ao som de Hometown Glory. Só de me lembrar da corrida dela em NY, acompanhada dessa música, já passo mal. Sou daquelas que sempre eternizará a primeira geração, não tem jeito. Acho que os melhores personagens e as melhores tramas estão nas duas primeiras temporadas. O que aconteceu depois, infelizmente, foi a repetição de erros, tais como matar personagens só porque o Chris, de certa forma, “deu certo”. Jamais perdoarei o que fizeram com Naomily.

 

É verdade que nem todo mundo gosta da Cassie por achá-la meio boring, mas não dá para exigir muito da personagem e do contexto do qual ela viveu/vive. A garota sempre foi muito insegura, tímida e solitária, o que faz o universo dela complexo e excêntrico. O ar de inocência pode não ser conveniente para alguns, mas ela foi a personagem que mais me identifiquei ao longo das três gerações de Skins, pois, de certa forma, ela sempre foi muito honesta. As pessoas confundem o comportamento dela como de uma adolescente boba, mas, mesmo na bolha, a jovem nunca pensou duas vezes em ser diabólica para se proteger.

 

Pure apenas honrou o que Cassie representou e ainda representa em Skins. Fiquei satisfeita por ela não ter sido distorcida, como aconteceu com Naomi. O episódio começou do jeitinho da personagem, com cenas zens, músicas calmas e muitas expressões viajadas da personagem que mostrou um estilo de vida que não me surpreendeu. Afinal, ela saiu de Bristol para NY e ficou em aberto o que aconteceu com a personagem. Só pela “fuga”, era fácil imaginar que ela permaneceria escondida até se recuperar, sem se formar ou pensar em ingressar na faculdade. Não podemos se esquecer de que a lacuna principal da história dela era Sid. A meu ver, essa questão foi respondida, indiretamente, quando Cassie visita Maddie, a vizinha. O relacionamento terminou porque poderia ser eterno, ou seja, um círculo vicioso.

 

Convenhamos que Sid nunca teve um lado responsável, por mais que fosse tímido. Cassie nunca apresentou uma aspiração, o que os tornava um casal quase perfeito. Imaginem viver sem perspectiva de nada, só viajando? Ambos ficaram na América e o término trouxe a garota de volta à Londres. Jamais imaginei que Cassie fosse ter uma carreira incrível, justamente por ela ser muito acanhada. Trabalhar em um café, entrar muda e sair calada, em meio a pessoas que ela crê que não criará raízes, é bem o estilinho dela.

 

Cassie mora em um muquifo e admirei a paciência dela com aquela barulheira. Como sempre, ela se fecha no mundinho, onde ninguém pode atingi-la. Porém, Yaniv, um dos garçons do café, quer algo com a jovem e um misterioso fotógrafo a perturba. Além dos dilemas particulares, as questões familiares perduraram na vida dela e a surpresa ficou por conta da mãe falecida, o irmãozinho que cresceu e o pai que se tornou um alcoólatra e mal consegue se virar sozinho.

 

Ao menos até aqui, a personalidade dela foi completamente respeitada e ela soube ser dócil e um pouco malvada conforme as circunstâncias da trama. O ar de inocência continua a atrair as pessoas para ela, a curiosidade que incita todos a rodeá-la. Os personagens em torno de Cassie não trouxeram nenhum revival, como Jake que parecia o Freddie 2.0. Dentre eles, quem se destacou foi Yaniv, um ex-militar, que realmente se interessou pela garota que não tem nada a ver com ele. O rapaz faz a pinta de garanhão, mas tem um lado sensível. Além de ter sido do exército, o cara coleciona soldados e lamenta a perda dos amigos de quartel.

 

Achei que a Cassie demoraria a se envolver com ele, mas ambos logo se enrolaram, sem frescuras. Porém, ela se sentiu culpada com o ocorrido, porque, assim como Effy, a menina também vive na sombra da adolescência.

 

A cena que comprovou isso foi quando ela vai embora da casa de Yaniv e vê um bando de adolescentes chapados na rua. Realmente, certos fantasmas não vão embora, ainda mais para Cassie que sempre se afundou em drogas e remédios para fugir da realidade. Ela realmente mostrou que se fechou para evitar que coisas daquele tipo se repetissem e quase surtou quando dormiu com o boy magia. Não é à toa que o sexo sem compromisso com o carinha do café a fez se sentir muito mal, pois ela tem na mente que todo mundo só quer isso da vida. Eu senti até que Cassie criou um trauma de garotos, pois ela ficou receosa o tempo inteiro com a movimentação de machos no apartamento da Maddie. Acho que isso pode ter acontecido por causa da relação entre Sid e ela, vai saber.

 

Cassie demonstrou grandes problemas de solidão e de insegurança que se intensificaram com as fotos que o amigo de café, Jakob, o stalker, tirou dela. De boa, elas ficaram realmente incríveis. No projeto Oblivion, o menino captura os momentos solitários da jovem, as divagações de uma vida aparentemente vazia e sem tantos objetivos. As misteriosas imagens deram o que falar em curto espaço de tempo, mas o dilema logo foi dissolvido, pois a garota não esconde o desejo de desabrochar.

 

Jakob é o ponto-chave do que o episódio representou de Puro. Ele é o Dom da Cassie. O menino conseguiu me deixar com o coração minúsculo em apenas 5 minutos, ainda mais por ele se esconder atrás de uma câmera fotográfica por causa das inseguranças típicas da adolescência. Cassie e ele deixam a vida levá-los, sem saber exatamente para onde. A jovem foi totalmente bicha má com ele, o que coloca em cheque a tese de que de boba ela não tem nada.

 

O que tirei de lição nesse primeiro momento de Pure é que os personagens focam bastante no contexto vida, onde as aspirações existem, mas são deixadas de lado ou por não se acreditar em si mesmo ou porque não há autoestima. Jakob se escondeu e domina uma arte incrível. Cassie quer sair do casulo, mas ainda se sente oprimida. Yaniv quer ser apenas amado por uma garota que está distante o tempo todo do mundo real. Vale mencionar os quotes dos dois personagens masculinos que deu ainda mais intensidade ao episódio.

 

No decorrer da trama, notou-se uma preocupação com os detalhes delicados que se referiram à personagem, especialmente a fotografia do episódio que ficou de tirar o fôlego, com tomadas perfeitas, como se realmente alguém fotografasse todos os passos da garota.

 

Por mais que não tenha acontecido nada de bombástico e tudo tenha ocorrido de forma arrastada, é válido lembrar que Cassie jamais foi uma garota  Fire como a Effy. Ela sempre ficou na dela, em um romantismo trágico que a torna uma pessoa muito difícil de compreender. O episódio foi extremamente fiel a ela, com a dose certa de drama, sem arrancar a personalidade da garota.

 

Mal posso esperar para semana que vem, pois acredito que será algo bem emocionante.

Stefs
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