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31/jul

A história da Cassie em Skins chegou ao fim com extrema fidelidade à personagem. Gostei bastante do que vi nos dois episódios de Pure e queria que Fire tivesse seguido a mesma linha. Como nada disso aconteceu, basta me contentar com a minha personagem favorita que não foi distorcida e que não ganhou um término que fosse contra ao status real do estilo de vida que levava. Ela descobriu como é bom se amar e não dispensou em nenhum momento as oportunidades para que o mundo pudesse amá-la também. A trama se desenrolou de forma lenta e bonita, sem deixar pontas soltas e qualquer grau de insatisfação.

 

Skins Reuben

A segunda parte de Pure tocou em muitas feridas, mas, a mais dolorida, foi no que se referiu ao ambiente familiar de Cassie, o foco principal do fim da saga dela em Skins. Quem ganhou destaque foi Marcus e o irmão, Reuben, que saíram da cidade para viver em uma região litorânea, um tanto quanto depressiva, como o estado de espírito do pai de Cassie. A família dela foi uma abordagem inesperada, pois a jovem nunca teve contato direto com eles, nem com a mãe. Reuben chamou a atenção e rendeu cenas cativantes e emocionantes por ser um menino de 6 anos que tem consciência do ambiente precário do qual vive e tenta apaziguar os ânimos, até mesmo da irmã mais velha.

 

Fiquei passada quando ele afirmou quantos copos de vodca o pai tinha consumido. É de partir o coração vê-lo, tão pequeno e indefeso, tendo que crescer rápido e se apoiar em Cassie.

 

Skins Reuben e Cassie

A relação de Reuben e Cassie imitou minha própria vida. O menino me fez lembrar da época em que minha irmã era muito pequena e meus pais estavam em processo de divórcio. Não é interessante carregar o peso de uma criança nas costas, ainda mais quando ela é esperta o bastante para saber o que acontece ao redor. O momento mais difícil é quando ela quer respostas, sendo que é impossível dá-las em meio a uma situação complexa. Cassie demonstrou extrema preocupação com o irmãozinho, como o fato de ter jogado o cigarro fora quando ele surge. Indiretamente, a jovem sabia que o tipo de adolescência que teve jamais seria o modelo que gostaria que Reuben encarasse.

 

Como citei na review passada, assim como Effy, a personagem central de Pure ainda vivenciou coisas do passado. Contudo, ficou claro que ela cresceu, a ponto de lançar cocaína para o ar. Vale mencionar que Cassie tinha chance de dormir com Jakob e tirar a virgindade dele, algo que ela fez questão de “manter daquele jeito”.

 

Skins Cassie

Outro ponto muito relevante de Pure é que Cassie, enfim, saiu do casulo. Ela finalmente foi vista e, de certa forma, lutou para que isso fosse feito de maneira correta, sem apelo de drogas ou de sexo. Acreditei que ela se tornaria atriz, uma ideia totalmente fora de cogitação por ela ser muito tímida, mas a versão Cassie-modelo caiu como uma luva. As fotos ficaram incríveis! Mesmo com as complexidades, ela não recuou em nenhum momento do que queria e demonstrou uma força de caráter muito grande, algo que não deixa de ser surpresa para uma menina que agia, literalmente, à mercê da vida.

 

Sem querer, Cassie mudou, conforme o vento, e começou a trilhar o próprio caminho. Ela chegou ao fim mais forte e mais madura.

 

O que me deu raiva foi a atitude de Jakob. Achei doentia a maneira insana como ele reagiu ao photoshoot de Cassie, como se ela tivesse quebrado algum tipo de contrato. A jovem amou ser observada e notada, que mal a nisso? A cena da balada foi sensacional, achei que ela surtaria como nos velhos tempos, mas foi ali que ela percebeu que realmente valia a pena ser quem era. Cassie nada mais é que uma menina sensacional, que aguentou tantos perrengues junto com os amigos, que encontrar esse tipo de atenção era o que faltava, pois ela sempre foi tratada como uma pessoa invisível. Foi maravilhoso vê-la desfrutar do momento dela, sem receios, sem vergonha de si mesma. Foi libertador tanto para mim como fã da personagem, como para ela.

 

Skins Yaniv e Cassie

Cassie precisava ser empurrada, talvez, por pessoas que não a conhecessem. Amanda foi uma descoberta, mas que não substituiu o momento que a jovem compartilhou com Yaniv. Quase morri do coração quando ele falou que tem disciplina, que não a machucaria e que ela poderia ficar na casa dele sem se preocupar com o tópico sexo. Eu queria que eles ficassem juntos, de verdade, gostei bastante do personagem. Ele é engraçado e vê Cassie de maneira especial, não como um objeto idealizado, como aconteceu com Jakob. Mas, ela precisava de independência, não de briga entre garotos.

 

Skins Maddie

Além da família de Cassie, aqueles típicos conselhos para a vida veio da boca de Maddie. Parecia até que ela me mandava algum recado. A vizinha sambou na cara de todos ao dizer que tudo está #$#$@# nessa vida. Como ela falou, esperamos, todos os dias, a vida começar. Parece uma mensagem idiota, mas sei que para muitas pessoas não é. Tenho certeza que alguém aqui abre os olhos todos os dias e pensa: agora vai! E nada vai e tudo fica no mesmo lugar. Eu assumo e digo que espero todos os dias minha vida começar para valer. Dizer-me que estou viva, que minha existência começou quando nasci, é pura lorota.

 

A vida adulta é mais confusa e mais dramática. As coisas são mais intensas e difíceis. Ao invés dos pais exigirem algo de você, é você mesmo que se estapeia por querer algo melhor e, por vezes, não consegue. Ser adulto tem coisas boas, ruins e amargas e o colinho da mãe é um ponto necessário, mas que pode ser vergonhoso recorrer a ele. Afinal, você cresceu. É, teoricamente, independente. Na adolescência, ficar triste é poético, na vida adulta é patético. Acredito que essa seja uma das mensagens que Skins quis passar até aqui por meio de duas personagens tão difíceis e que ainda buscam por uma identidade (sem incluir o Cook).

 

Skins Rueben e Cassie

Ser adulto engloba ilusões que são altamente perigosas por serem extremamente capazes de gerar frustrações. É um mundo onde as expectativas são maiores e nem todos estão dispostos a lhe ajudar a vencer. O pai de Cassie é um exemplo. Ele sofre pela morte da esposa, mas é egoísta ao dizer para Jakob que a filha precisa ficar para assumir a casa. É o mesmo que pedir para ela retroceder e largar qualquer tipo de vida que começou a moldar. Para alguns, ser adulto é maravilhoso, mas, para outros, é uma corda bamba constante, onde cada passo pede uma pausa para o equilíbrio.

 

Nem todos saíram do casulo com 24 ou 30 anos, pois, como foi demonstrado em Fire e em Pure, os fantasmas do passado de Effy e Cassie ainda as perseguem, e a única forma de sobreviver é se desvencilhar e fechar o baú.

 

Pure foi um episódio lindo, com a sensação sincera de que tudo ficou bem. Cassie salvou o irmão, aprendeu a se aceitar melhor e ajudou o pai a enfrentar um dos maiores medos de qualquer pessoa: o baque de ficar sozinho.

 

Que venha James Cook!

Stefs
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