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28/ago

Escrever uma história sem compromissos é uma tarefa extremamente fácil. Quando eu tinha o hábito de produzir fanfics uma em cima da outra, tudo fluía muito bem. Nem pensava nas possíveis rejeições, pois é muito fácil ignorar uma review grosseira. Afinal, não se tratava de um trabalho ou de um projeto que passará por uma avaliação de um profissional. Era algo feito por diversão, sem cobranças.

 

Tudo bem, isso não quer dizer que você pode escrever ficção de fã de qualquer jeito, não é nada disso. É só que não é uma tarefa que se iguala a produção de um livro. Não é brincadeira e o projeto precisa ser levado a sério, pois não deixa de ser um trabalho. Eu já comentei aqui no blog sobre meus dilemas em ser ou não ser escritora, algo que ainda estou em processo de aceitação, pois acho arrogância afirmar isso sem ter nada publicado, mas o We Project tem sido uma aventura que ainda me enlouquecerá. Mas nem posso reclamar, pois meu pseudolivro nasceu em um momento certo e já tem tantas versões que ainda tenho medo de partir para um quarto manuscrito.

 

Saudades fanfics!

 

Muito bem. Escrever um livro, seja ele de qual gênero for, precisa de organização. Precisa de ideias. Precisa de opiniões de alguém de confiança. Precisa de muitas coisas para tudo fluir e dar certo ao longo da produção. Eu aprendi muito com o desenrolar do WP e confesso que a nova versão que o pseudolivro ganhou nos últimos meses está mais madura e bem mais interessante. É até engraçado ler o primeiro manuscrito e encarar o terceiro, pois não foi só a história que mudou. Minha escrita também deu uma melhorada (embora eu ainda não goste o suficiente dela. Desde a era das fanfics).

 

O dilema fica com quem quer escrever um livro e não sabe por onde começar. Não é difícil, juro. O que complica é a falta de tempo que pode gerar aquela frustração, especialmente quando se tem aquela ideia brilhante que não pode ser usada no momento (meu trabalho me mata de vez em quando por causa desses raros insights que não podem ser desenvolvidos). Eu acho que já comentei por aqui também sobre como o WP meio que surgiu, não dá para contar todos os detalhes, mas foi um impulso. Eu tive a ideia e coloquei em prática. Do nada. Sentei na frente do PC e mandei bala.

 

Caso você ainda esteja com problemas e dificuldades para começar a escrever, eis aqui algumas dicas que a Random Girl traz e que podem ajudar quem quer escrever, quem já escreveu, quem vai escrever de novo e quem se perdeu.

 

Quando você começa a escrever é fato que as situações podem sair do controle. Ao reler algum capítulo, lá está uma informação que seria revelada apenas no final da história. É comum, fiz isso inúmeras vezes. Tenha em mente o seguinte: mostre e não conte. Se a personagem descobriu um segredo importante em um arquivo, corte a cena e pule para outro capítulo. Revele o que ela viu mais adiante, quando for pertinente. Essa mesma ideia vale na hora de mostrar o que você escreveu para algum amigo. Minha consultora particular do WP é minha metade e ela sempre lê os capítulos e dá opiniões. Já mudei muitos personagens e muitos nomes por indicação dela.

 

O pseudolivro ainda não tem um gênero, não posso chamá-lo de YA, por exemplo, mas, toda vez que eu bato no clichê, eu sou sacudida por outro cérebro que está limpo com relação ao texto escrito. Por isso é preciso ter alguém de confiança para trocar ideias. Neil Gaiman já deu essa dica de ter uma ajudinha extra para compartilhar opiniões sobre o que foi escrito. Essa atitude tem minha aprovação, pois acredito que a nova versão do WP não teria ganhado mais força como agora se eu não tivesse chorado as pitangas com alguém.

 

Eu li também em muitos lugares que o personagem principal deve ser o mais atraente possível. Vou usar um exemplo bem basicão, o idolatrado das mamães, Christian Grey. Vamos desconsiderar o fato sobre o que ele curte fazer a quatro paredes para focar só na descrição do personagem. O cara é bonito, tem uma idade acima dos 30 anos, é rico, se veste bem e tem um mistério que faz as mulheres o rodearem como urubus. As dimensões de Christian Grey batem de frente com as expectativas de grande parte da mulherada. Isso deu sucesso à trilogia 50 Tons de Cinza. Nas primeiras páginas, o leitor quer saber o que um homem tão bonito esconde e o que ele quer com uma menina simplória.

 

É assim que um personagem precisa ser construído, mas não de maneira que ele ou ela seja lindo de doer. Precisa ter mistério. Também sou contra as meninas com excesso de baixa autoestima. Ok! É bacana! Mas nem todas as adolescentes têm problemas de autoimagem, por mais que essa seja uma característica da idade.

 

O ponto de vista sempre gera polêmica. Há quem se dá bem com a primeira pessoa, mas outras preferem a terceira. Tem até segunda pessoa, mas não recomendo, a não ser que você seja Camões. A primeira pessoa limita a história a um personagem. Eu, particularmente, acho muito chato. A maioria dos livros YA tem essa pegada o que acho um tremendo desperdício. Não canso de dizer que, por mais que ame Jogos Vorazes, a história seria bem mais dinâmica e profunda se fosse em terceira pessoa. Todos os personagens têm problemas e o ponto de vista da Katniss nem sempre é o suficiente. Definir o ponto de vista parte da experiência de quem escreve e da amplitude da história. WP é em terceira pessoa, porque sempre escrevi assim e eu gosto de dar voz a outros personagens. Isso me faz sentir que a trama fica mais completa.

 

Para decidir o ponto de vista, considere as motivações do personagem. A minha precisa de algumas pessoas para funcionar e isso me fez escolher a terceira pessoa na lata. Independente disso, pense nas motivações do personagem, o que o faz se mover. Acima de tudo, o que ele quer.

 

Dois fatores que muitos escritores costumam afirmar para o iniciante é que ele deve escrever o que sabe. Eu tenho diversas opiniões sobre o assunto. Se você escreve o que sabe, tudo bem, dá certa confiança. Mas, e se eu quiser dar uma de Tolkien? Ninguém nasceu com o cérebro dele e fazer um “novo” Senhor dos Anéis é uma tarefa praticamente (ou não) impossível. Escrever o que sabe é um treino, mas se a pessoa quer sair da zona de conforto é uma ótima atitude também. O processo vai requerer pesquisas, leitura de outros livros, e mais pesquisas. Vocês acham que Dan Brown escreve tudo aquilo porque ele tem vocação? Em parte sim, mas ele tem uma ajudinha extra: a esposa.

 

O outro fator é gerar emoção. Eu gosto quando as pessoas choram. Sério! Eu gosto de chorar. Sem contar aquelas cenas que causam um desespero, onde sempre um personagem morre. Quando finalizava a fanfic interminável, eu ficava muito feliz em saber que quem lia caía aos prantos, porque eu também morria desidratada, especialmente nos capítulos finais. O WP sempre me traz uma onda de tristeza e espero que algum dia alguém chore. Se não há lágrimas do escritor, possivelmente, não haverá lágrimas do leitor. Dar aquele toque de drama é sempre bom, mas sem excessos. Nada de final feliz à la Crepúsculo. Matar alguns personagens sempre cai bem.

 

Para finalizar este ponto, as dicas de sempre: revisar e confiar em si mesmo.

Stefs
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