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07/ago

Meio mundo sabe que tenho um amor insano pelo David Tennant. Alguns meses atrás, o ator foi protagonista de duas minisséries incríveis chamadas Broadchurch e The Politician’s Husband, ambas com poucos episódios e com premissas extremamente envolventes. Foram duas semanas de overdose na companhia de um homem que sempre prova que é ótimo no que faz. Nesses dois seriados que faço questão de apresentar a vocês, ele deu vida a personagens completamente diferentes, em curto espaço de tempo. Não tem como não querer morrer de puro deleite quando Tennant é o centro das atenções, seja como Senhor do Tempo ou um vilão envolvido com política.

 

David Tennant em Broachurch

 

Essa foi a minissérie que assisti primeiro. Eu estava bastante ansiosa para acompanhá-la, não só pelo Tennant, mas também por causa da presença de um dos maridos da Random Girl, Arthur Darvill, o Rory Williams de Doctor Who. Eu fiz contagem regressiva para saber se eles interagiriam no seriado, pois meu coração fangirling foi parar na boca quando li a notícia de que eles dividiram o mesmo set de filmagens. Adoro quando fandoms colidem. Nesse caso, foi uma questão de regeneração, pois Tennant não é do mesmo arco que Darvill, mas foi muito bom vê-los juntos.

 

Broadchurch Alec

Tennant dá vida a Alec, um detetive que se hospeda em Broadchurch, uma cidade pequena, localizada no meio do nada, onde todas as pessoas se conhecem, para investigar um suicídio. Lá, não há brigas, mortes suspeitas e nem haters, mas essa condição muda quando o pequeno Danny Latimer é encontrado morto na praia. Da suposição de suicídio a confirmação de homicídio, Alec assume a chefia da investigação do incidente que mobilizou a vizinhança inteira e que afetou as relações de confiança entre os membros da comunidade. A partir desse infortúnio, a história da minissérie começa a se desenrolar e a pergunta que ronda os 8 episódios é: quem seria o assassino?

 

Alec não é o tipo de pessoa que você gostaria de ter por perto, porque ele é antissocial ao extremo e não faz questão de criar raízes. Ele é amargurado e a fama dele na cidade não demora a ganhar força por meio de diferentes pontos de vista. A verdade é que o personagem tem um histórico triste e um caso de homicídio não resolvido. Em Broadchurch, ele vê a oportunidade de ouro para se redimir, pois o caso lhe caiu como uma luva e é o que o impulsiona a ir atrás da solução para encontrar o assassino de Danny.

 

Entre a coleta de provas, Alec ainda tem que lutar com um sério problema de saúde que pode afastá-lo do caso. Esse impasse contribui para que ele seja taciturno, abatido e fechado. Para dar uma animada nas coisas, temos Ellie, a mulher que deveria estar no lugar do homem e que foi rebaixada a “detetive auxiliar” do caso Latimer.

 

Broadchurch Alec e Ellie

A série tem um estilo CSI, mas com uma pegada mais dramática. Alec e Ellie apresentam tanto conflitos pessoais quanto profissionais durante a investigação. O detetive não tem dó de tacar todo mundo na parede enquanto a companheira tem muitos laços em Broadchurch. Isso interfere o julgamento dela, pois a mulher crê que o culpado não pertence à comunidade. Ambos se alfinetam e não conseguem chegar a um acordo nas investidas para descobrir quem é o assassino de Danny. Contudo, o companheirismo entre eles é criado aos poucos, até porque Alec não socializa e Ellie é quem segura as pontas até a trama dar uma reviravolta chocante.

 

Como uma boa série de investigação, alguns pontos quentes são levantados, ainda mais por se tratar da morte de uma criança. Todos os podres da população saem debaixo do tapete, pois ninguém é visto com a mesma inocência de antes. Confirmar os álibis é o ponto de partida que começa a desmoronar lares que, antes, pareciam intocáveis. Desde pedofilia até traição, o crime destrói a aparência de perfeição de uma comunidade que é tão errada como uma da cidade grande.

 

Broadchurch Paul

Darvill entra em cena como um padre chamado Paul, boa pinta, prestativo, mestre em computador, e nem assim ele escapou de um interrogatório. Por meio do personagem dele, a abordagem religiosa em torno da morte de Danny é trazida à tona, com aqueles velhos assuntos de pedofilia dentro da igreja e corrupção de menores. A religião não se apoia apenas no lado negro da problemática, como também participa dos questionamentos da família que não compreende o porquê Deus tiraria uma criança inocente do convívio deles.

 

Além dessas participações célebres, vale mencionar a presença de David John Bradley, o Sr. Filch de Harry Potter, que traz uma história emocionante e preocupante. É extremamente desesperador o que acontece com ele, assim como o resultado, que não passou de um efeito colateral.

 

Broadchurch Família Latimer

As passagens de tempo em Broachurch são bem dramáticas, com cortes de cenas lentas para reforçar o clima pesado que também funciona para dar certa carga de melancolia ao Alec. A minissérie explorou muito bem o jornalismo aos moldes do Datena, totalmente sensacionalista, sem poupar a participação das redes sociais, que serviu como um bombardeio para atrair jornalistas que, em casos como esse, não respeitam a dor de ninguém.

 

O mais legal de Broadchurch é que nenhum personagem é suspeito na caruda, pois os álibis batem, o que deixa Alec maluco. Isso dá sustento à trama, pois assisti todos os episódios sem ter escolhido um suspeito para ver se acertava. Isso traz uma conclusão bombástica, de querer arremessar o controle remoto na parede de tanta revolta. A minissérie provou aquilo que digo sempre: a culpa sempre vem daquele que se menos suspeita.

 

Querem mais um motivo para assistir Broadchurch? O seriado foi ovacionado pela crítica, foi indicado a vários prêmios e levou o Freesat Awards, como melhor série britânica. A boa nova é que a segunda temporada foi encomendada pela ITV, mas só vai chegar nas telinhas ano que vem.

 

David Tennant em The Politician’s Husband

 

The Politician's Husband Aiden

A minissérie traz Tennant no papel de Aiden, um político muito bem casado e pai de família. Ele vive em um lar lindo com Freya e tem uma carreira aparentemente promissora. Porém, repito que o soco no estômago também vem daquele que se menos espera. Nesse caso, foi de Bruce, o melhor amigo, que dá início ao inferno astral de Aiden.

 

Ele é um homem ambicioso, que não pensa duas vezes para conseguir o que quer e usa quem for preciso, até mesmo a esposa. O drama dele começa por meio de uma atitude que tinha tudo para ser genial: abrir mão do cargo de ministro sênior do Gabinete inglês. Na tentativa de obter uma reviravolta política que o beneficiasse, ele é sabotado ao vivo por Bruce que encerra qualquer tentativa do então ex-melhor amigo subir na vida.

 

The Politician's Husband Freya

Depois dessa traição, Aiden vê Freya como a única solução para todos os problemas políticos que o atormentam e, claro, uma porta para ele voltar a ocupar um dos bancos do Gabinete. A série possui três episódios que se dividem entre o lar do casal, repleto de problemas reais, e Westminster, onde o barraco pega fogo. O casamento perfeito começa a desmoronar por causa da obsessão de Aiden em querer o poder de volta e isso só piora quando ele se vê de avental e a mulher toda linda no lugar dele. Isso o torna colérico e frio, de maneira a descontar a frustração em Freya, com indiretas desnecessárias e mentiras cabulosas.

 

Mentiras que também passam a fazer parte da vida de Freya.

 

Como o próprio nome da minissérie diz (que não passa de um trocadilho), acompanhamos a evolução da esposa, onde Freya sai da vida doméstica para se envolver com assuntos políticos. Aiden é quem assume as tarefas do lar e ele aparenta ser bem bacana no começo, por causa da mente aberta, cheia de ideias mirabolantes que dão a impressão de que ele vencerá. A trama traz inúmeros desafios para o casal que sai do amor recíproco para repulsa seguida de ódio.

 

Ao longo de The Politician’s Husband, as diferenças entre as ambições de Aiden e Freya se destacam, mas quem ganha força é a mulher, que derruba o machismo que existe quando o sexo feminino está no poder. Ela termina vencedora por meio de uma força incrível que dá o toque final à trama, digno de aplaudir de pé.

 

Em Broadchurch, você amará David Tennant e em The Politician’s Husband você irá odiá-lo. O ator muda bastante de Alec para Aiden, mas todo aquele sotaque escocês está presente para matar qualquer um do coração. Falar sobre as atuações do ator é meio que tentar desafiar a gravidade e, por mais que ele seja o carro chefe dessas duas minisséries, repito que vale a pena pelo restante do elenco e pela qualidade das tramas que não ficam nem um pouco a desejar.

 

Ambas são bem curtinhas, com premissas marcantes, de fazer qualquer um saltar da cadeira. Em 1 semana dá para assistir as duas, fica a dica! Para finalizar, deixo o trailer de Broadchurch!

 


 

Créditos das imagens: divulgação | O vídeo está hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento 

 

 

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