Menu:
31/ago

Fazia um tempo que eu não assistia a um filme tão bonito como Pelos Olhos de Maisie, que me levou aos prantos como há muito tempo não acontecia. Com a rotina de escreve, escreve, escreve, essa parte de pausa para diversão, que era necessária na minha rotina, foi meio que cortada. Com a belezinha de irmã que eu tenho, voltamos a ter aqueles sábados lindos de filmes banhados a pizza bem gordurosa e guloseimas, e eis que ela me fez assistir ao longa. Tudo bem que ela queria vê-lo só por causa do Alexander Skarsgård, mas vamos fingir que houve interesse por causa da sinopse, ok?

 

O filme é um drama dirigido por Scott McGehee e David Siegel, produtores de The Kids Are All Right, que tem no elenco o já citado Alexander e Julianne Moore. O filme foi exibido pela primeira vez no Festival Internacional de Cinema de Toronto no ano passado, e o roteiro foi inspirado na obra de Henry James, What Maisie Knew, publicado originalmente em 1897. Os atores escalados são conhecidos, e por que não dizer de certo peso, mas quem rouba a cena é Onata Aprile, a pequena Maisie, que nos norteia durante o decorrer de uma história que é de partir o coração.

 

Pelos Olhos de Maisie tem como foco principal o ambiente do qual a garotinha está imersa. No primeiro momento, a vemos na casa da mãe, Susanna (Moore), que é uma artista com sérios problemas de ego. Ela é extremamente egocêntrica e trata a filha como um acessório. A mulher não tem maturidade alguma para cuidar da menina, o que gera brigas entre o marido e ela, um comportamento que culmina em um dos milhares de divórcios que Susanna enfrentou. Os pais são figuras centradas nelas mesmas, que colocam as carreiras acima da menina que vive embaixo da asa da babá, Margo, que é bastante adorável e se preocupa com o bem-estar de uma criança que meio que se torna mais que uma obrigação a ela.

 

Aparentemente, Maisie tem uma vida muito boa, pois a família tem grana e pode bancar os mimos dela. Porém, a pequena não faz o tipo daquelas crianças da sétima arte totalmente caricaturadas com o mesmo tipo de personalidade: mimadas, debochadas, revoltadas ou demoníacas. Ela é quieta, tímida e não esconde o medo que sente com relação às mudanças constantes na vida dela. O mundo de Maisie é a mãe, mas nem a mulher se importa muito com a existência da filha. Assim, só resta para a pequena espiar tudo o que acontece pelas frestas das portas para tirar as próprias conclusões de situações que ela não é obrigada a entender. A garotinha nem se dá conta do quanto é rejeitada, acha tudo muito normal, a compreensão de uma criança que acredita que está tudo bem.

 

É realmente sob o olhar da personagem que somos guiados a uma trama delicada, onde a jovenzinha tem que se virar em um antro familiar extremamente conturbado. Ela não tem ninguém com quem contar, a não ser a babá. Maisie é meiga, dedicada à escola e muito obediente, o que facilita o caminho para nos emocionarmos a todo instante com ela. É impossível não torcer pela personagem e querer algum tipo de salvação por causa dos altos e baixos que ela enfrenta com tão pouca idade. Por ser extremamente passiva à maneira ioiô da qual é tratada, a menina aceita as condições, sem reclamar, e isso não a faz menos amorosa.

 

Maisie tem noção do que acontece com as pessoas e isso é muito importante, pois contribui para o crescimento da personagem. Os pais a abandonam como se ela fosse nada, com consciência do que fazem com a menina, mas sem a coragem de mudar certas atitudes que são extremamente vergonhosas. Daí, o suporte vem de outras pessoas. Porém, Maisie se mostra muito superior aos pais, embora aguente os trancos de ser magoada incontáveis vezes calada. Esse é um processo cansativo para uma criança que não tem como se defender e que tem receio de se expressar. Ainda mais por ter uma mãe descontrolada.

 

Longe dos pais, Maisie se relaciona muito bem. Ela se diverte na escola, adora compartilhar ideias com os colegas e é superprestativa. No começo da história, já fica nítido qual é o melhor lugar para ela, mas as coisas começam a ficar um pouco mais tristes no decorrer da trama. Dá aquela vontade louca de socar os pais dela, juro!

 

Os diretores se preocuparam em apresentar o ponto de vista da menina no decorrer de Pelos Olhos de Maisie. Eles acrescentaram todas as nuances da inocência dela e deram um tom bastante ingênuo, mas de maneira que a história não se tornasse boba. Se fosse do ponto de vista dos pais, tenho certeza de que o filme seria muito mais revoltante e insustentável. A todo o momento, não tem como não desejar a felicidade da menina, tão pequena e indefesa, um doce que dá vontade de pegar no colo e sair correndo.

 

Pelos Olhos de Maisie é extremamente sensível, ainda mais por Onata ser tão carismática dentro da própria timidez da personagem, que, com um sorriso bobo, ganha o coração de qualquer pessoa. Ao contrário dos filmes com crianças rebeldes, esse mostra que até mesmo aquelas que são bem tratadas, certinhas e dóceis também aguentam perrengues por culpa de pais sem noção e que não dão atenção aos filhos por estarem ocupados demais com o próprio umbigo. Para alguns, posso até imaginar que esse longa soe como mais uma personagem infantil rica e injustiçada por ter pais típicos que agem com petulância em um drama bobo.

 

Se esse é o pensamento, você não usufruirá o filme, pois ele não é absolutamente nada disso.

 

O bom da história é a reviravolta no futuro da personagem, onde os alicerces dela vêm de duas pessoas que não são nada dela: Margo, a babá, e Lincoln (Alexander), o novo marido de Susanna. A ligação de Maisie com ambos a desconecta dos pais, pois os dois personagens secundários mostram o quanto ela é amada e que não há nada a temer. Não tem como não se emocionar com a atenção que Lincoln dá a Maisie, ainda mais nos momentos de crises que nos guiam para o fim do longa. O que encanta é que Alexander soube muito bem dar vida a um homem destrambelhado, sensível e romântico, algo que quem é viciado no Eric de True Blood achará meio esquisito. Ele é o bom moço dessa vez, caído de amores por uma criança, e até que convence. Ao lado de Onata, a dupla brilha muito.

 

Pelos Olhos de Maisie é um filme que mostra o mundo de uma garota meiga e fechada diante de toda a problemática dos adultos. Ele transmite com doses certeiras de emoção a vida de uma criança diante do divórcio dos pais, do desequilíbrio deles e diante dos próprios medos de ser indefesa e não ter muito que fazer para mudar todo o clima ruim.

 

O que tiro de conclusão é que o filme mostrou que sempre encontramos alicerces onde se menos espera. No caso de Maisie, ela se apoiou em Margo e Lincoln, que lhe dão a sensação de que é possível fazer parte de uma família, ser amada e, acima de tudo, respeitada.

 

No final, a menina recebe uma conclusão libertadora que não tem como conter as lágrimas. Nem mesmo quando ela finalmente toma uma atitude e resolve se impor contra os desejos da mãe. Pelos Olhos de Maisie é encantador e tocante. Vale a pena conferir (não só pelo Alexander, ok?).

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3
  • Adriana Campanholi

    Interessante reflexão sobre relações parentais.

  • Isis Renata

    😀 que bacana prima!
    filmes assim são tão *suspiros* não é mesmo?
    eu terminei a sequencia do 'before' aquele com 'before sunrise' e etc e ainda tou de ressaca deles.
    como faz bem filmes assim. o dia fica mais leve e bonito.
    nos faz acreditar que mesmo na realidade cruel que enfrentamos por muitas vezes, existe paz e amor nos lugares que passamos

    :*
    espero conseguir ver este filme. vou baixar rsrs
    não só pelo Ale 😛