Menu:
13/ago

“Você também acha que conhece a vida. Fica a par das coisas e a vê passar, mas não está vivendo. Não de verdade. É apenas um turista. Um fantasma. E então você vê. Realmente vê. Ela entra em suas veias e vive dentro de você. E não há como escapar. Não há nada a ser feito e quer saber? É bom. É uma coisa boa”

 

Posso dizer que estou em crise existencial até agora? Posso sim, porque estou. Tudo bem, alguns podem dizer que este episódio não foi lá essas coisas, entendo, até porque também admito que a última parte de Rise, que encerrou para sempre a Era Skins, foi repleta de clichês. Para mim foi um revival do que Cook enfrentou na adolescência em meio ao triângulo formado junto com Effy e Freddie. A diferença da vez foi que ele não matou ninguém, o que mostrou certo amadurecimento, se é que posso dizer isso, do personagem que sempre foi marcado pela impulsividade. Charlie era a Effy e a pobre Emma o Freddie, duas formas de relacionamento do personagem que repetiu o drama mortal. Sem contar que ele se viu diante da escolha de matar ou não o “vilão” da trama, Louie.

 

A segunda parte de Rise começa com Cook, Emma e Charlie em fuga por causa de Louie, o garoto com crises de temperamento. Sem opção de onde ficar, o trio estaciona na casa dos pais de Emma. Tudo parecia bem e resolvido (só que não!). Essa investida serviu para mostrar um pouco mais da vida da garota que tem um relacionamento complicado com o pai, que não esconde o desgosto pelas escolhas da filha. O homem não vê alternativa a não ser aceitar Emma de volta, mesmo que temporariamente, e os amigos que nunca viu na vida. Até aqui, as coisas iam bem, até as meninas começarem com a treta por causa do Cook. Isso me irritou!

 

Skins Rise (Part 2) - Charlie

Charlie é insana e mostrou ser dona do mesmo cérebro de minhoca tão característico da Effy. Como diz Emma, ela é o tipo de garota que consegue o que quer (acrescento que, em grande parte, por causa do sexo). Isso fica evidente quando Charlie afirma que dá para todo mundo e fica à espreita quando Emma e Cook fazem um amorzinho. Se a jovem aguentou Louie por tanto tempo, isso só prova que ela era tão dissimulada quanto ele. Claro que Charlie se tornou a causa do pesadelo do Cook e eu fiquei meio possessa pelo rumo da trama ter uma motivação tão idiota: fazer o gosto de uma garota. O ápice da cara de pau é quando ela meio que implora para ser escolhida ao invés de Emma. Nem preciso me aprofundar, pois o erro para desencadear a trama começou a partir disso.

 

Louie apareceu para tocar o terror e a primeira investida dele foi sequestrar os pais de Emma. Fica subentendido se ele os matou, o que não duvido, só pelo que ele fez com a garota no final da segunda parte de Rise. Os três fugitivos passam parte do episódio em um buraco e é ali que as decisões que levam para a conclusão da trama acontecem. Emma é dopada por causa do nervosismo que o sumiço dos pais lhe causou, Charlie aproveita a situação – que ela colocou mais como uma competição pelo garoto que uma preocupação de segurança para todos –, e Cook caiu nas garras da garota errada e teve que lidar com a morte mais uma vez.

 

Skins Rise (Part 2) - Emma

Emma se resumiu em uma pessoa amorosa, mesmo sendo casca grossa com a presença de Charlie. Ela tentou reverter a influencia que a “rival” tinha sobre Cook, mas falhou. Neste episódio, adorei a relação de proteção, carinho e devoção que o garoto teve com ela. É muito difícil imaginá-lo tão dócil e tão presente com alguém, sendo que ele sempre viveu no oba, oba. De certa forma, Cook mostrou que gostava dela, nem que fosse um pouco, e tentou retribuir o sentimento de maneira destrambelhada, sem frescuras. As cenas finais de mais um shipper meu que não deu certo foram de puro amor, de fofurices e de muitos puxões de orelha por parte de Emma que tentou chamar Cook à realidade milhões de vezes.

 

Tudo o que Emma fez foi na tentativa de dispensar o problema da situação que era Charlie. Dava vontade de apertar o Cook toda vez que ele a chamava de baby, love, honey, algo muito inesperado para quem só curtia o momento e pulava fora. Desde Effy, o conceito de relacionamento dele mudou muito.

 

Skins Rise (Part 2) - Cook e Emma Morte

A trama chegou ao ápice quando Louie botou todo mundo para correr. Ele torna tudo uma bela bola de neve, onde Cook tem que escolher o lado que quer ficar, mesmo que isso não tenha sido imposto de maneira literal. Sério, eu queria muito bater no Cook quando ele caiu no charme da Charlie, mas era meio óbvio que o garoto gostava mais dela que de Emma, que enfrentou um pesadelo que não fazia parte e foi reduzida a nada. O que me deixou mais triste é que eu via futuro entre Cook e ela, ainda mais por Emma ter se mostrado tão incisiva quanto às atitudes e aos mistérios que sondavam o rapaz. Fiquei com o coração partido com o tipo de término que a personagem teve, tão brutal quanto Freddie.

 

Skins Rise (Part 2) - Louie e Cook

Emma demonstrou que sempre quis o melhor de Cook. Ela pede para ele ser forte. Ela pede para ele lhe dizer a verdade, especialmente quanto à Charlie. Emma foi quem forçou Cook a ser honesto, algo que ele nunca quis, pois ele é um fantasma, um turista na vida. Não é à toa que foi confirmado que Cook estava foragido pelo que aconteceu com o terapeuta maluco. Isso reflete no pouco de amadurecimento que ele teve ao dizer que a morte não serve de nada e que, depois de feita, é preciso viver com ela. Para Charlie, essa era a melhor saída para se livrar de Louie  mas, com a arma na mão, Cook disse não.

 

Entregue a impulsividade em querer por fim a existência de Louie, com direito ao I’m fucking Cook, o personagem não quis mais um assassinato nas costas. Ele não se rebaixou, independente do que aconteceu com Emma. Eu achei que o rapaz fosse matá-lo sem pensar duas vezes, pois ele ficou fora de si. Fiquei feliz que não lhe deram essa escolha, pois meio que dá força aos diálogos dele com Emma que tentou, de certa forma, salvá-lo dos fantasmas do passado. Foi lindo o tipo de respeito que ele demonstrou por ela e fiquei satisfeita pela bica dada em Charlie.

 

Skins Rise Part 2 Cook

O que assisti foi um dilema que aconteceu no passado de Cook ao lado de Effy e de Freddie. Tudo o que ele viveu neste episódio serviu para o personagem ascender. Cook quebrou barreiras e se libertou. Agora, ele busca uma redenção, que não se sabe onde será encontrada. O jovem aprendeu a negar o lado mais impulsivo que sempre lhe rendeu problemas e, assim como aconteceu com Cassie, Cook ganhou uma nova oportunidade de acreditar que a vida é muito boa, especialmente quando se elimina as algemas que nos empaca no mesmo lugar.

 

Conclusão final sobre a Era Skins

 

É com tristeza que Skins chegou ao fim, uma série que sempre tentou ser realista quanto aos problemas da adolescência, centrada em diferentes gerações que tinha impasses familiares, dilemas amorosos, conflitos de sexualidade e vícios destrutivos. Um dos personagens podia ser eu ou você. Quando soube que essa finalização aconteceria fiquei muito empolgada e fico contente por Cassie e Cook terem superado minhas expectativas. Não posso dizer o mesmo da Effy, pois Fire foi muito surreal, não por ter descaracterizado a personagem, mas por ter destruído Naomily.

 

Cassie, a garota Pure, nos mostrou que podemos deixar o passado de lado e nos amar mais, sair do casulo, querer algo além da zona do conforto ou da bolha de ilusão. Cook aprendeu com o erro de tirar a vida de alguém e mostrou que isso não é compensatório e que leva a uma vida de reclusão nas sombras. Ambos deveriam ser o par Rise, pois os personagens saíram por detrás das cortinas e assumiram as rédeas do espetáculo ao descobrirem que, apesar dos pesares, há algo para se lutar e que dá para passar por cima do que foi vivido na adolescência, de forma gradativa. Trata-se de um processo de cura.

 

Posso dizer que todos os personagens de Skins ensinaram muita coisa, sempre muito palpáveis e próximos da adolescência, uma parte das nossas vidas tão complicada, tão intensa, tão cheia de descobertas e tão cheia de cicatrizes. As três gerações tentaram ao máximo transmitir isso para os fãs da série. Não tem como não dizer que pelo menos uma pessoa não tenha se identificado com um personagem, perdidos em plots diferentes, onde alguns não funcionaram como o esperado.

 

Foi muito bom acompanhar uma série tão boa e tão sincera na medida do possível. Sem dúvidas, deixará saudades. Ainda estou com vazio existencial, vê se pode?

 

Adeus, Skins! #chateada

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3