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09/set

A 11ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) – rolou meses atrás, eu sei – trouxe muitos escritores da gringa que pontuaram assuntos bem relevantes sobre o mercado livreiro e sobre comportamento. Em meio a tantos convidados, mencionarei Lydia Davis, escritora e tradutora, que participou da mesa sobre “Os limites da Prosa”, e aproveitou para divulgar o volume de contos chamado Tipos de Perturbação.

 

Dentre os participantes, ela foi a que mais me chamou atenção. Em entrevista coletiva, Davis disse algo muito real e interessante sobre a internet e a falta de foco, um detalhe que hoje em dia faz parte da rotina de muitas pessoas.

 

A escritora afirmou na Flip que a internet nos deixa malucos para fazer muitas coisas ao mesmo tempo, sem ter um foco específico. Isso a torna uma fonte de distração devido à necessidade da procura por informação, porque queremos ficar por dentro de tudo em um período de tempo que ainda achamos curto. Eu queria que minha vida tivesse 48 horas, pois não consigo me dedicar a tudo o que eu quero.

 

A internet é uma distração, não só no quesito redes sociais, mas por ser uma ferramenta que oferece de tudo e que nem pode ser usufruída “como se deve”, porque ninguém tem tempo hábil. É um duelo em que você tenta não usá-la, mas está conectado, com a velha desculpa de dar mais uma olhadinha.

 

Vou contar para vocês a última do meu trabalho: o chefe vetou os colaboradores de escutarem música via YouTube e Grooveshark. Isso parece meio bizarro e sem sentido. Tudo bem que “proibir” é o mesmo que dizer “procurem outros meios para contornarem o dilema”, mas a explicação foi que esses dois sites “comem” muita banda da internet. Em outras palavras, “eles são meios de distração, então, parem de usá-los”. Eu digo isso por mim: perdia uns bons minutos para escolher a trilha sonora do dia no Grooveshark. Quando a internet ficava lenta, a música engasgava e eu perdia um pouco mais de tempo para fazê-lo funcionar de novo.

 

A solução dada pelo chefe foi: escutar música pelo celular. Daí, me perguntei: não seria pior?

 

Eu tenho iPhone e não consigo parar de cutucá-lo. Não porque quero matar tempo, mas por ser a única maneira de eu fazer a manutenção do blog. Minha tela é virada para a galera e, por meio do meu aparelho, consigo atualizar qualquer coisa sem ser julgada. O celular é uma arma cheia para gerar distração, pois eles estão mais aprimorados. Quem tem as versões mais modernas, sabe que o Whatsapp é um tremendo vilão. Quem tem Fan Page, sabe que é deselegante atualizar as coisas no trabalho. Sem contar que os gansa tela existem aos montes.

 

Na minha opinião, celular é pior que YouTube e Grooveshark juntos.

 

Digo isso porque meu trabalho é misturado entre os deveres e os assuntos do blog (que faço escondido, claro). Uma hora, bate a necessidade de ter uma pausa para ler notícias, mas daí alguém aparece com um job do nada e aquilo que eu queria ler na internet fica para depois. Isso vira uma bola de neve, onde se tem muita coisa para fazer e, geralmente, nada se resolve. Em alguns dias, termino com a sensação de estar alienada do mundo, de verdade.

 

No meu trabalho também teve o dia sem Facebook. Quem disse que adiantou? Quem tem celular com acesso a qualquer rede social e uma 3G amigável, continuará a acessar e é isso aí. O mesmo comportamento vale para a música. Para o Instagram. Para o Twitter. Isso só prova que vivemos em um mundo que oferece distrações. O problema é que ninguém sabe contornar muito bem isso, sem ter a sensação de que se perde muita coisa.

 

Davis pontuou outro assunto que nunca canso de mostrar meu desgosto: o hábito de sair com a tchurma e, segundos depois, ver todo mundo cutucando o celular. Por causa dessa aparelhagem toda, a escritora falou que não aproveitamos mais o momento de calor humano, pois, em qualquer minuto de silêncio, lá vai fulano checar se alguém deu double tap na foto postada no Instagram. É o que meu chefe disse uma vez: quem é que consegue ficar sem checar o status depois de atualizado, só para ver se alguém deu like?

 

Eu criei o hábito de desligar o celular nos finais de semana e não acessar a internet. Tenho feito coisas mais úteis. Não sou contra em mandar um tweet ou tirar uma foto em um encontro, pois também faço isso, não sou hipócrita. A questão da distração e do não aproveitar o momento se vale pela necessidade de estar o tempo inteiro conectado e não ter controle do que acontece ao redor. Claro que nesse contexto também cabe os exibicionistas de plantão.

 

No que condiz à distração, abrir o Facebook é batata. Ler uma notícia também. Cuidar de um blog pelo celular, no meu caso, é digno de crime. Porém, a internet é uma linda, pois nos fornece informações rápidas. Quem não tem tempo, recorre a ela. Quando chego em casa, só quero colocar o post do dia no ar e curtir um pouco as poucas horas para descansar. Não consigo ler nada, só no trabalho, pois toda hora me chamam para ver alguma coisa. Por causa disso, às vezes, nem tenho nada para fazer online, mas fico no círculo vicioso de Twitter, Tumblr e Facebook, sendo que vi a mesma coisa segundos atrás.

 

Taí, a distração e a falta de controle do tempo. Parei com isso e criei cronograma. Até para o final de semana (quando fico em casa, óbvio! O que tem sido o tempo inteiro por causa do WP). Sim, virei control freak.

 

Não tem como mentir: a internet e a falta de foco são melhores amigas. Meu chefe vetou o YouTube por saber que ninguém o acessa só para ouvir música. Um vídeo leva a outro, que leva a outro e assim por diante. No meu caso, meu pecado era o Grooveshark, mas encontrei outro meio de ouvir música, mas tomo cuidado para não gastar tempo à toa. Já tenho minhas playlists favoritas e é só apertar o play de acordo com meu humor. Isso não compromete meu trabalho. Porém, uma olhadinha em algum site, vez ou outra, ainda mais para quem vive para escrever e revisar, é um meio de aguentar o mesmo trampo o dia inteiro.

 

O segredo é aquele que todo mundo deve estar cansado de ouvir: saber balancear. Eu criei o hábito de organizar minhas horas para as coisas da agência e para minhas coisas pessoais. Geralmente, a parte divertida fica próxima da hora do almoço, de ir embora ou no meio do dia que seria, mais ou menos, o horário do café da tarde. Como chego bem cedo, esse é outro momento que encontro para ler sobre meus fandoms queridos, revisar algum post e deixar no rascunho. Inclusive, tenho uma lista de links favoritos que carrego comigo para não navegar além da conta na internet para ler coisas que não tem nada a ver com o trabalho.

 

É tudo uma questão de se organizar e a internet não será mais vilã na vida de ninguém.

 

E aí, tem se distraído bastante com a webs? Sabe balancear o uso? Conte-me mais sobre isso!

Stefs
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  • Nessie

    Eu sei que estou atrasada no comentário. Tenho n abas aqui com o RandomGirl aberto e nunca paro pra ler. Hoje que meio que briguei comigo mesma resolvi ler e colocar a minha cabeça pra funcionar.
    É incrível como culpo a internet por tudo, por ser um distração quando não preciso de uma, e sim preciso de foco na minha história. Essa minha história vai ser o meu TCC e tenho poucos dias pra escrever, mas quem disse? A história tá toda na minha mente, mas quem disse que consigo colocar no bendito word?
    Resolvi ler os seus textos por que eu sei que de alguma forma eles me ajudariam, e de novo, é incrível como em alguns momentos eu tenho raiva da internet e do meu computador. Parece que a culpa é deles por eu não conseguir desenvolver um texto ou a minha história.