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11/set

Na semana passada, fui pega mais uma vez pela nostalgia dos anos 90. Dessa vez, quem me veio à mente foi a minha linda Mandy Moore ou Amanda Leigh Moore. Em uma década em que Britney Spears e Christina Aguilera brigavam pelos holofotes, Mandy foi vista como mais uma cantora pop em meio a tantas outras que começaram a seguir a mesma linha: loiras, magras demais e com expressões de ingenuidade. Um perfeito sonho americano!

 

Lá na década de 90, eu fui muito fangirling seja com boy band ou girl band e, claro, isso inclui algumas cantoras pops. Eu já fui muito fã da Britney, como também tive até uma fase toda pink, acreditem se quiser. Sempre abracei qualquer artista que me agradasse, nem ligava para as tretas, e morria de amores por todo mundo como se fossem meus melhores amigos. Isso aconteceu com os Backstreet Boys, o Five e o Westlife que eram aparentemente iguais em formação, mas tinham uma musicalidade pop diferente. Com a Mandy foi mais ou menos a mesma coisa, pois eu era uma adolescente que respirava os pompoms da Britney em ...Baby One More Time e queria ser uma das dançarinas da Christina Aguilera em What a girl wants.

 

E eu queria ser uma garota Candy, com um new beetle verde, como a Mandy.

 

O meu primeiro contato com a Mandy aconteceu com o videoclipe I Wanna Be With You. Eu sempre tive uma quedinha por balé e a temática do clipe me atraiu, assim como a música que é cheia de romantismo. E eu gostei muito do tom de voz dela. Quando a vi no MuchMusic, achei que ela era uma cantora pop diferente por não ter nenhum apelo sensual como a Britney e a Christina que se promoveram em cima disso. Mandy parecia bem na dela e, a partir daí, comecei a persegui-la.

 

Mandy Moore: o começo da carreira

 

Não foi com I Wanna Be With You que a Mandy ganhou destaque no mundo pop. Ela pode não ter brilhado o mesmo tanto que a Britney e a Christina, e não foi surpresa o fato dela ter sido estereotipada, um detalhe que levava a crer que a carreira dela não duraria por muito tempo. Eis que, na minha nobre opinião, a artista tem um histórico no cenário musical bem sólido em comparação às antigas concorrentes. A cantora não precisou de polêmica para se apoiar, tem um currículo interessante no cinema (com personagens bem marcantes) e não teve nem um pingo de vergonha de brigar com a gravadora para fazer o som que realmente a atraia. Por causa desses e de outros fatores, eu respeito muito a Mandy.

 

Mandy é um pacote de muitas coisas: cantora, compositora, modelo, estilista e atriz. Ela também era daquelas crianças que queriam ser artistas e não foi levada a sério no começo. Porém, ela se enfiou em aulas de atuação e de voz, o que lhe rendeu a oportunidade de participar de produções locais. Em algum dia da vida, a jovem decidiu cantar e gravou sozinha várias demos. Claro que tem que ter o amigo sacana na história que enviou uma das fitas para diferentes gravadoras, o que rendeu a Mandy um contrato musical com a Epic Records.

 

Em 1999, a carreira da Mandy começou, mesma época em que o mundo já caía aos pés de Britney Spears e Christina Aguilera. O mercado pop estava no auge e todo mundo que queria mergulhar nesse universo conseguia um contrato com extrema facilidade, pois as gravadoras queriam jovens bobos para tirar dinheiro deles. Isso aconteceu com a própria Aguilera e até mesmo com os Backstreet Boys e o *NSYNC que quebraram contrato e processaram os empresários.

 

Vejam bem, Mandy tinha 14/15 anos (eu tinha 13, minha gente!) quando entrou no mundo da música, uma isca fácil e que tinha tudo para render alguns milhões. Bastava seguir as regras do jogo e ficava tudo certo.

 

Para lançar Mandy ao mundo, ela foi incluída na turnê do *NSYNC. Mais tarde, ela saiu de rolê com os Backstreet Boys (o que lhe rendeu o boato sobre um namorinho com o Nick Carter). Depois das viagens ao lado das bandas de garotos que eram tudo na vida das meninas na década de 90, Moore lançou Candy, o primeiro single, em 17 de agosto de 1999. Como era de se esperar, ela foi enquadrada e exaustivamente comparada às “rivais”, pois atingiu um sucesso comercial que chamou atenção.

 

O single So Real veio logo em seguida, junto com o álbum de mesmo nome, que, por mais que não pareça, não foi bem aceito pela crítica, o que a condenou como “mais uma” no mundo das cantoras pops. As reviews foram bem maldosas e seriam capazes de afundar a carreira precoce de Mandy. Porém, o álbum subiu nas paradas, mas nada disso impediu que o terceiro single Walk me Home também naufragasse. Um começo desanimador para uma garota de 15 anos. Imagino o quanto ela deve ter enlouquecido.

 

Daí veio meu single mais amado, I Wanna Be With You, que foi lançado em 2000 junto com o segundo álbum de mesmo nome, que foi uma edição especial com as músicas já lançadas e outras inéditas. Esse foi o milagre da vida dela, pois foi a primeira música que entrou na lista da Billboard Hot 100, depois de Candy, e permaneceu lá por 16 semanas. Claro que as críticas continuaram negativas, mas Mandy ganhou algum respeito do público adolescente.

 


Em 2001, Mandy se dedicou inteiramente ao terceiro álbum, na tentativa de fazê-lo mais maduro, longe do pop chiclete (bubblegum pop) da década de 90. Diga-se de passagem, é meu álbum favorito e tenho até o CD. Essa reação da cantora foi devido ao fato da música pop soar igual, com os mesmos moldes da receita perfeita, o que não era mentira. As regras impostas por Mandy na hora de desenvolver o projeto foram: nada de dança e nada de cantar como as outras artistas. Ao contrário da Jessica Simpson que tentou se vender como gostosona no fatídico Irresistible, Mandy sempre manteve a discrição. O popular sexy sem ser vulgar.

 

Eis que In My Pocket nasceu com um videoclipe luxo de doer, onde ela realmente apresentou mudanças, saindo da garota boba de 15 anos, para quase uma mulher que queria ter controle da carreira. Mesmo assim, Mandy foi boicotada de novo pelos críticos, que pareciam gostar muito de falar mal das músicas dela. O segundo single, Crush (lindo, lindo, lindo!), entrou na lista Bubbling Under Hot 100, ficando na 19ª posição.

 

Como disse, Mandy foi apresentada à mídia da década de 90 como um produto. Como mais uma menina loira, sem talento, programada a obedecer à gravadora. O que o mundo não esperava é que ela mostrasse insatisfação com a carreira. Isso trouxe a quebra de contrato com a Epic Records com o típico problema de diferenças criativas. A saideira promoveu um álbum com os melhores hits da cantora, The Best of Mandy Moore, que vendeu, aproximadamente, 100.000 mil cópias. Em 2003, Mandy deu um hiatus na carreira musical e se dedicou inteiramente ao cinema.

 

Intercalando a carreira musical com a de cinema, Mandy migrou para o folk e se dedicou ao quarto álbum que se chama Coverage. Ele reuniu covers de clássicos da década de 70 e 80, e quem se destacou foi Have a Little Faith in Me, canção de John Hiatt. Acredito que foi esse projeto que mostrou que a cantora tem talento, pois, de certa forma, ela provou que não era uma marionete e que sabia cantar, além de ter criatividade. Como a cantora mesma disse, nada de pop chiclete, barriguinha de fora e loirice. Não é à toa que Mandy pintou as madeixas de preto, uma quebra de estereótipo para a época. Para variar, a investida não deu muito certo e ela chegou a ser criticada pela tentativa de ter abandonado as madeixas loiras. Please!

 

Mandy Moore: carreira no cinema

 

A carreira no cinema da Mandy começou em 2001, no filme Doutor Dolittle 2, mas como dubladora. Logo depois, veio uma participação em O Diário da Princesa, onde ela interpretou Lana, o pesadelo da Princesa Mia. O que lhe deu mais destaque no longa foi o fato dela ter cantado uma nova versão de Stupid Cupid na cena da festa da praia.

 

Mandy tinha tudo para ser aquelas estrelinhas pop que só fazem pontinhas em filmes, mas ela conquistou a primeira protagonista até que cedo: Jamie Sullivan em Um Amor para Recordar. O filme adaptado com base na história escrita por Nicholas Sparks mudou a vida dela. Além de atuar, a cantora também foi responsável por grande parte da trilha sonora ao lado da banda Switchfoot. A música Cry, que está no terceiro álbum da cantora (com outro videoclipe lindíssimo), foi lançada como canção principal para ajudar a promover o filme:

 

 

Mandy declarou que Jamie é a personagem que ela tem mais orgulho.

 

Depois disso, ela estrelou como protagonista do filme How to Deal, que não teve sucesso de bilheteria, mas digo que o filme é muito fofo e vale a pena assistir. Longe da música, a carreira de atriz rendeu papéis uns colados aos outros. Claro que Mandy como atriz foi um divisor de opiniões, pois alguns críticos adoravam, outros nem tanto. Saved!, filme de sátira religiosa, que tem até o Macaulay Culkin e a Jena Malone, rendeu reviews positivas, não só para o longa, como para ela também, onde alguns disseram que foi a melhor performance dela. Para o filme, Mandy fez um cover da canção God Only Knows, do The Beach Boys, ao lado de Michael Stipe.

 

Em 2005, Mandy cedeu a voz para a personagem Sandy, do filme Deu Zebra, e fez uma pontinha no seriado Entourage. Em American Dreamez, lançado em 2006, ela interpretou uma acirrada competidora. As resenhas também brigaram em opiniões sobre Mandy, mas elas nunca foram suficientes para fazê-la parar de fazer o que ama. No mesmo ano, ela voltou aos estúdios como dubladora, na sequência de Irmão Urso 2, como Nita.

 

O retorno à carreira musical

 

Longe do cenário musical por 4 anos, Mandy resolveu lançar um novo álbum. Em meio a inúmeras entrevistas, a artista sempre foi transparente quanto aos dois primeiros trabalhos que lhe abriram as portas no mercado musical e nunca escondeu a insatisfação (ela chegou a brincar que devolveria o dinheiro de quem comprou os CDs). Em 2006, ela sentiu falta da música e assinou um novo contrato com a gravadora EMI, que lhe deu total liberdade em criar um material longe do mainstream, onde ela tinha total controle. Em 2007, ela voltou ao estúdio e lançou Wild Hope, que contou com colaborações de Chantal Kreviazuk, Rachael Yamagata, Lori McKenna e The Weepies. As críticas foram boas e ela logo saiu em turnê com Ben Lee para dar apoio à turnê da Kelly Clarkson.

 

O álbum não atingiu o mesmo sucesso da época em que o pop estava no auge. Contudo, isso não a fez desistir da música. Em 2009, ela lançou o sexto álbum ainda mais maduro intitulado Amanda Leigh, que chegou a entrar na 25ª posição da Billboard 200. Até então o último projeto musical da carreira dela, ela aproveitou a onda do mundo digital e disponibilizou I Could Break Your Heart Any Day of The Week, o primeiro single, para download.

 

Mesmo dedicada à música, Mandy continuou agarrada na carreira de atriz. Alguns exemplos de outros filmes e séries que ela fez incluem Because I Said So, ao lado de Diane Keaton, e License to Wed, ao lado de Robin Williams. Moore apareceu em How I Met Your Mother e no filme independente Dedication, que entrou na lista do Sundance Film Festival. Em 2009, ela fez uma participação em Grey’s Anatomy.

 

E como está a Mandy agora?

 

Depois de tantos trabalhos, muitos devem ter escutado falar da Mandy graças à Rapunzel do filme Enrolados, pois foi ela quem deu a voz à personagem e à trilha sonora, I See The Light, que ganhou um Grammy. Inclusive, ela esteve no Oscar 2011 para cantá-la ao lado de Zachary Levi, pois a música concorreu na categoria de Melhor Canção Original.

 

Ao contrário do que se imagina, Mandy é uma das poucas cantoras pop da década de 90 que não marcou história por ser sensual. Naquela época, era cômodo e lucrativo formar grupos de mulheres e de homens, na verdade, de adolescentes, pois eles eram (e são) mais suscetíveis ao estrelismo, e mais fáceis de serem enganados pelo glamour. Enquanto Britney vendia o papel de garota fofa e virgem (depois se revelou no VMA 2000) e Aguilera tentava contornar a sombra da “rival”, Mandy tentava se libertar do pop chiclete, um tipo de música que não era sua favorita.

 

Mas, para quem tinha o sonho de cantar, era melhor agarrar a oportunidade e ver no que dava. Mandy revelou em entrevistas que a gravadora simplesmente enfiava as canções goela abaixo para que ela gravasse, sem direito a discussão. Algo que não era muito difícil de imaginar, pois era o que vendia na década de 90 e era uma oportunidade que tinha tudo para dar certo, pois era moda. Ela era muito jovem, cedeu, fez o que tinha que fazer, e depois se libertou. Em meio a tantas cantoras pop, ela foi a que conseguiu administrar a carreira muito bem e com projetos muito bem feitos.

 

Não desmereço Spears e Aguilera, especialmente a Aguilera que também quebrou amarras e fez aquele álbum incrível chamado Stripped (que nunca é tarde demais para escutá-lo na íntegra) e polemizou por mostrar quem realmente era (com direito a declaração de que tinha piercing nas partes íntimas), mas Mandy tinha tudo para surtar com 15 anos, mas não o fez, algo que assistimos com a Britoca e com Lindsay Lohan.

 

Mesmo que ela não tenha ganhado a mesma atenção que a Britney e a Christina na década de 90, Mandy coletou o reconhecimento que merecia e brilhou à sua maneira sem perder a personalidade. Ela entrou na lista criada pela VH1 das 100 mulheres mais incríveis da música e também foi considerada uma moça muito sexy. Mandy prometeu um álbum para este ano, mas nada se fala sobre o assunto. Nem preciso dizer que eu quero, né?

 

Para finalizar este post lindo, deixo vocês com o cover de Umbrella (Rihanna) mais perfeito da face da terra:

 

 

Músicas de destaque do álbum So Real e I Wanna be With You:  So Real, Candy, I Wanna Be With You;

 

Músicas de destaque do álbum Mandy Moore: In My Pocket, Crush, Cry, Saturate Me, One Site Love…Todas!

 

Músicas de destaque do álbum Coverage: Senses Working Overtime, One Way Or Another, Have A Little Faith In Me

 

Músicas de destaque do álbum Wild Hope: Extraordinary, Can’t You Just Adore Her, Wild Hope, Gardenia…Todas!

 

Músicas de destaque do álbum Amanda Leigh: I Could Break Your Heart Any Day of the Week, Merrimack River, Love to Love Me Back

 

Espero que tenham gostado deste momento de nostalgia!

 

Crédito das imagens: reprodução | Vídeos hospedados no YouTube e podem sair do ar a qualquer momento

Stefs
Postado por:       

       
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  • Tiago Sampaio

    Aguilera e Mandy são as artistas que mais gosto, a personalidade delas me encanta <3

  • heyrandomgirl

    Hey, Cristian, tudo bem? Obrigada pelo comentário *_*

    É sempre libertador ver um artista que a gente gosta quebrar as amarras. Stripped da Aguilera sempre será meu álbum de referência para tudo, pois foi um momento literalmente de libertação, onde ela passou por vários problemas também com o empresário dela e tudo mais. Mandy tbm resolveu abraçar o próprio talento e sou apaixonada pelos últimos álbuns dela, pois não tem a entonação comercial. É sempre muito incrível ver uma conquista deste tipo.

    Beijosss e obrigada mais uma vez <3

  • Cristian

    Adoreeei o post, eu sou fã da Aguilera e admiro muito ela por ter se libertado da imagem de loira perfeitinha do pop, Mandy fez o mesmo.

  • heyrandomgirl

    Tá pensando que aqui é bagunça? HAHAHAAHAHAHAH

  • Isis Renata

    você postou a vida inteira dela, apenas
    isso é muito amor ! rs 😛