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09/out

Desde que li e assisti As Vantagens de ser Invisível, não tive coragem de escrever absolutamente nada sobre ele, talvez, por extrema covardia. No meu último dia de férias, resolvi tomar coragem para assistir de novo a adaptação do livro de Stephen Chbosky, dirigido e roteirizado por ele. O resultado: acho que prendi tantas emoções acumuladas que chorei muito mais em comparação à primeira vez que entrei em contato com Charlie, Sam e Patrick.

 

A história narrada por Charlie representa a fase mais complicada da vida de todo mundo: a adolescência. Retratada na década de 90, era bem óbvio que o meu passado se encaixasse em muitas situações e não nego de que eu pertenceria à ilha dos brinquedos desajustados sem nenhuma dificuldade. Eu andava em um trio que não era o mais interessante, mas, sem dúvidas, era composto pelas meninas mais legais da escola inteira. Por isso, inspirada pela obra, este post tem como foco transmitir uma mensagem. Sendo assim, não é uma resenha.

 

Random Girl em: de volta à adolescência…

 

Desde a pré-escola, eu nunca fui a garota popular, mas eu era conhecida. Aquela menina que todo mundo conversava, mas que não fazia parte de nenhuma panelinha específica. Eu nunca fui muito fã de grupinhos, mas isso não quer dizer que eu não tive minhas melhores amigas ou que não tentei entrar neles. Eu posso dizer que era muito como o Charlie, participava de diferentes grupos, desde os nerds até as patricinhas. Era muito legal ter esse tipo de envolvimento, embora eu não fosse de acordo com muitas atitudes de determinadas panelinhas, mas ficava de boa. Eu era uma das poucas figuras que participava e circulava entre pessoas diferentes de mim.

 

O primeiro ano do Ensino Médio foi a parte mais difícil da minha vida. Inclusive, eu lidava com dilemas da adolescência, como o divórcio dos meus pais. Para piorar, minha irmã era uma criança que teve que assistir todo o inferno em casa, sem poder discutir. A separação me fez mudar de escola para sobreviver dois anos em meio a um bando de desconhecidos. Eu não sabia mais me adequar a determinadas situações, especialmente escolares, pois eu cresci em uma instituição e estava muito bem e muito confortável até tudo ser arrancado de mim. Durante toda minha fase escolar, eu era um pedaço do Charlie, do Patrick e da Sam, com dúvidas e medos do que viria assim que a escola terminasse.

 

Mesmo não sendo a figura popular, eu amava ir à escola. Era meu lugar favorito! Lá, eu encontrava refúgio para todos meus problemas. Ficava na biblioteca, praticava esportes, ajudava na equipe de teatro, paquerava os garotos mais velhos… Eu era superenvolvida e tinha dificuldades de voltar para casa, pois odiava ir para lá. Voltar para o condomínio só era bacana porque eu tinha amigos nas redondezas, o grupo “barra pesada” que não lembrava em nada da turma da escola. Mas era bacana estar no meio de muitas pessoas, ainda mais por causa dos problemas que eu não sabia lidar.

 

Eu passei por muitas mudanças que me fizeram uma adolescente meio transtornada, que culpava os pais por tudo, especialmente por terem, supostamente, destruído meu final de adolescência. Eu queria me formar com meus amigos da escola que participaram de todas as minhas transições. Lembro que planejei a viagem de formatura com eles. Porém, nada disso aconteceu, pois mudei de escola meio que obrigada e não se faz amigos para sempre em dois anos (esse era meu pensamento na época). Não tive formatura. Nem viagem. Nos dois últimos anos do Ensino Médio, eu tinha tudo para odiar a escola nova, mas aprendi a amá-la e ela se tornou meu mais novo refúgio. Sem contar que amadureci, pois tive que aprender a me virar, andar de trem, administrar dinheiro da passagem e afins…

 

Quando eu tinha 15 anos, eu simplesmente não me importava com absolutamente nada. Afinal, quem se importava? A única coisa que eu queria era pertencer a algo, mas não fazia esforço para isso. A adolescência é uma fase de descobertas e de experimentos, mas nada bate tão forte quanto o desejo de fazer parte de um grupo, de uma ideia. O desejo de se encaixar é um pensamento desesperador para quem viveu ou vive essa fase, onde há pessoas boas e as malignas. Porém, eu me contentava com o fato de ser apenas conhecida. Isso me dava passe para muitas coisas.

 

Olha eu ali belíssima de aparelho e com a cara de bolacha. Era gata, sqn!

 

Eu tinha muitos complexos também. Quem não tinha, né? Eu detestava meu cabelo enrolado, usava aparelho e era meio gorducha. Eu amava ter que usar uniforme, pois me poupava tempo de pensar no que vestiria no dia seguinte. Ninguém nunca falou que eu era bonita ou inteligente. Nenhum menino se interessava por mim. Depois de um tempo, notei que as pessoas da minha turma perdiam a personalidade para se aparecer. Eu nunca tentei agradar ninguém. Tentava cuidar da minha vaidade no limite, como passar batom, sombra e rímel. O basicão! Confesso que já fiz absurdos para poder pertencer a algum grupo, mas não era desesperada, de fumar só porque fulano fazia o mesmo.

 

Na adolescência, certas coisas não fazem o menor sentido, mas todos vão conforme a maré. O uniforme poderia não ser o cartão da popularidade, mas, na minha época, um tênis era tudo. Lembro que sofri com a modinha tênis com salto plataforma, pois me peguei querendo um, mas não tive porque a família estava sem grana. Me conformei, não só com isso, mas com muitas outras coisas que poderiam me fazer parte de uma panelinha. E não morri por causa de nada disso…

 

Assim como Charlie, eu nunca entendi a necessidade de querer ser popular para pisar nas pessoas. Ser popular por ser gentil é uma coisa, mas por ter ficado com o garoto desejado é outra. Como toda garota, eu tive uma fase de querer fazer parte do grupo dos populares, mas o desejo logo morreu. Eu não andava com eles para cima e para baixo, mas era absurdamente estranho como conhecia todos e era bem tratada (tendo certeza de que falavam mal de mim pelas costas, obviamente). Eu era uma das primeiras a ser escolhida em qualquer esporte. Eu sempre era convidada a ir à casa de fulano para fazer brincadeiras babacas como a do compasso (era awesome!). Eu sempre estava no grupo de quem matava aula. Enfim, eu me divertia!

 

Talvez, minha suposta popularidade tenha sido alavancada por sempre me envolver em barraco, especialmente com os meninos. Eu era como a Clarisse de Percy Jackson, metida a valentona. Eu tive uma fase de impulsividade, levei suspensão e já saí na porrada no meio da quadra. A ironia do lado Stefs – A Barraqueira, é que ganhei minhas verdadeiras amigas em recorrência disso. Há coisa das quais me envergonho (e muito), mas, com o tempo, aprendi que pirraçar alguém a troco de nada era uma imbecilidade das galáxias (um beijo para os meninos que passei o recreio perseguindo só por causa dos apelidinhos carinhosos). Só sei que na adolescência há uma linha tênue onde todo mundo precisa ser imbecil, nem que seja uma vez.

 

Como também não se dar valor. Como também achar que o mundo não importa. Como também achar que não há esperança depois do colegial. Eu lembro claramente como tentei consertar minha vida adolescente imersa a muitas desilusões. Até que chega um momento, aquele bendito momento, que muda tudo. As coisas entram em câmera lenta e você começa a notar que a sua vida importa. Que fazer a diferença importa. Que não ser como todas as garotas da escola não me faria chegar onde estou. Que ver suas “amigas” ficarem com os caras que você gostava, não machucaria tanto até encarar a morte de alguém.

 

Não sei se há uma fórmula de sobrevivência ou um manual de etiqueta para se comportar na adolescência, mas, no final das contas, aquilo que você viveu a partir dos 15 anos não importará tanto assim depois. Quem traçará as novas aventuras é você. Quem vai ter que contornar traumas e mágoas é você. Você pode ter 500 amigos, mas quem vai ter que se virar é você.

 

Quando mudei de escola no segundo ano do Ensino Médio, foi o período em que tive a revelação de quem eu realmente era. Em As Vantagens de ser Invisível, Charlie começou o primeiro dia do colegial em contagem regressiva e eu também. Entrei em desespero, pois tinha perdido a prática de fazer amizades. Na verdade, eu aprendi a não correr atrás de ninguém e, por ser novata, não demorei a ocupar a carteira do fundo de uma turma que já tinha passado daquela fase de apresentações. Enquanto o professor de Charlie queria que ele participasse, eu não queria fazer nada, pois estava revoltada com a mudança. Por que eu deveria pagar pelos erros dos meus pais? Sim, tenho certeza que você já pensou nisso uma vez na sua “aborrecência”.

 

O que me fez participar da segunda rodada do colegial foi meu fichário do Harry Potter. Ele que me levou a ter uma única amiga, uma pessoa que foi minha companheira até o final dessa jornada que muitos não veem a hora de terminar. Lá também eu era conhecida, não pertencia ao grupo dos populares, e percebi que era melhor continuar dessa maneira.

 

Era 2002 quando achei que jornalismo seria a carreira da minha vida. Também foi o período que comecei a fazer meus primeiros amigos virtuais por causa de um blog. Nem toda reviravolta é para o mal, acreditem em mim. Eu percebi que algo em mim mudou quando tirei meu primeiro zero e quando chorei litros quando tirei 5,0. Ou quando me sentia usada pelos “amigos”… Eu não acreditava na minha inteligência e sempre me conformei em atingir a média, o que era uma bênção quando isso acontecia. Como Patrick, eu ficava feliz com um C-.

 

Por mais que seja um período desesperador, a adolescência é uma cesta: há aqueles que tomam jeito na vida e aqueles que ficam estagnados aos moldes antigos. Há aqueles que realmente amadurecem como Sam e Patrick. Há pessoas como Charlie que te inspiram a ser melhor. Há pessoas que conseguem vencer sozinhas, mas continuam na luta. Há também a parte que ainda sofre e que se perdeu no caminho. Por mais que se negue, tudo o que se viveu quando se é muito jovem ainda fica marcado dentro de nós e isso pode influenciar em muitas tomadas de decisões da vida adulta. Como disse, a mudança parte de você e de ninguém mais.

 

Eu achei minha mudança de escola ruim, mas admito que foi ela que me salvou. Bem como os livros. Bem como as palavras. Depois de assistir minha irmã sofrer na escola e tomar decisões errôneas por pressão de pessoas idiotas, revi muitos conceitos.

 

Eu sobrevivi ao final do colegial por causa da escrita. Eu era ótima em redação. Até mesmo em Química. Digamos que minha mudança tinha tudo para ser um pesadelo, e realmente foi no começo, porque fui obrigada a deixar para trás pessoas que cresceram comigo e que agora são um bando de estranhos. Contudo, se não fosse pela minha transição, acho que eu continuaria empacada e não consigo imaginar onde estaria.

 

Opinião sobre As Vantagens de ser Invisível

 

 

As Vantagens de ser Invisível é bem profundo neste dilema que é a adolescência, onde os integrantes da ilha de brinquedos desajustados só querem provar que são capazes de fazer algo e serem bem-sucedidos. Eles só querem deixar as burradas e os traumas para trás. É um dos poucos filmes (livros) que assisti (li) durante minha vida – até então – que realmente toca em pontos delicados e que mostra a sensibilidade dos personagens de uma maneira honesta e muito verdadeira. A história em si é um recado para que os adolescentes lutem. Que eles se arrisquem. É um livro/filme que ensina e que deveria ser lido/visto por qualquer adolescente.

 

A adolescência não é fácil, mas ela passa. Eu queria não ter desejado que meu período escolar acabasse, pois não foi tão complicado assim. Não foi difícil como a da minha irmã, que cresceu em uma época totalmente diferente da minha. Na década de 90, uma boy band e uma festa do pijama era a cura para todos os males. Paquerar um carinha pelas frestas da porta era mais que demais. Hoje, meninas aparentam ter 20 anos com apenas 15. São desenvolvidas demais. A maioria delas não possui a mágica da adolescência. Os adolescentes de hoje se perdem com muita facilidade, sendo que nem começaram a jornada. Se agora está difícil, é bom aguentar mais um pouco e guardar energia para a vida adulta, onde tudo realmente pega pelo calcanhar e te derruba dezenas de vezes.

 

Charlie lutou. Patrick e Sam também. Bem como os outros personagens que nos conduzem para essa trama de partir o coração e que, ao mesmo tempo, o enaltece de esperança. Todos os personagens são extremamente realistas, muito próximos do que eu vi em vários grupos que participei. Muito próximos de mim. O que fica de recado em As Vantagens de ser Invisível é a maneira como você se vê e o que você almeja para ir de encontro àquilo que te inspira. É uma obra que instiga quem leu/assistiu a sair da sombra para ser o melhor que se pode ser…

 

Em outras palavras, ser infinito.

Stefs
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Escreva seu comentário antes de ir <3
  • Leticia

    Não consegui gostar desse filme, talvez o livro seja melhor

  • heyrandomgirl

    Pelo tempo que demorei pra responder, me pergunto se vc já terminou *_* de longe é meu top livro favorito, sem dúvidas, e o filme é mto perfeito ♥

  • Karohane Fonseca

    Comprei o livro ontem, já no comecinho ma identifiquei Charlie, eu sou uma dessas desajustadas mas nem ligo, porque se você parar para olhar a maioria das pessoas que fizeram a diferença no mundo eram desajustadas.

  • Isis Renata

    'Ninguém nunca falou que eu era bonita ou
    inteligente. Nenhum menino se interessava por mim' – isso comigo é até hoje, amém?
    eu nunca me maquiava, não tinha o habito antes. ou seja, quem vai notar alguém que nem ao menos batom usava?
    sim, essa fase é drásticamente calculada pelo o que você tem e pelo que você é. eu nunca fiz presença e também não tinha muitos pertences de marca, logo fiquei na sargeta em muitos momentos. o único momento em que pisei na roda dos populares foi quando um deles se interessou pela minha amiga e eu o ajudei, mas era só por isso.
    eu não sei fazer novas amizades por mais faladeira que eu pareça, então sempre sofri com mudanças, principalmente a do colegial, pois estudei 11 anos no SESI e então tive que mudar para o Ulisses e foi um porre.

    pelo amor de deus nem vou continuar a falar que é muito mimimi pra pouca Isis e eu já sou mimimi. a real é que este livro/filme mostra pontos de minha vida em cada um dos personagens. já fui um pouco charlie, um pouco patrick e um pouco sam. nas suas dificuldades, e descobertas.
    eu penso 'não vou chorar desta vez' mas não adianta, eu sempre choro nos mesmos momentos que chorei anteriormente. nas partes em que as ações refletem um pouco do que vivi também. não sei se fui uma adolescente legal. tive bons momentos, mas a melhor parte foi no desfecho – ou seja, quando harry surgiu. eu já estava nos 17. então basicamente no fim. não havia mais colégio, e sim o passo para uma faculdade e amadurecimento. graças a deus a história do bruxo me encontrou e eu me encontrei também.