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29/out

Depois do meu período curto de férias, eu não queria enfrentar o mundo lá fora. Foi realmente muito difícil ter que acordar cedo, algo que detesto, para enfrentar pessoas nada educadas no metrô e no ônibus. Quando parei diante da porta do trabalho, eu queria sair correndo. Não queria ocupar a cadeira de sempre e fazer as mesmas atividades da semana. Foi difícil me readaptar, algo que seria muito mais fácil se eu estivesse dedicada a fazer algo que realmente gosto.

 

Em 5 dias enfurnada em casa, fiz tudo que mais adoro (além de ficar de pijama): escrever, editar fotos, escrever, editar fotos, escrever, editar fotos. Eu terminei a segunda parte do WP nesse período e foi tão gostoso. Largar tudo isso para voltar à rotina, presa ao triste pensamento tenho que trabalhar por causa da grana, é de partir o coração. É um aval para entrar em desespero e se perguntar: wtf r u doin’?

 

Na véspera do meu retorno, quase me amarrei à cama. Não conseguia dormir. Meu pensamento estava a mil. Para piorar, escutei minha mãe amolando minha irmã para saber o que fiz em 5 dias. Ela deu a resposta certa: escreveu. Eu estava tão empolgada, com o peito estufado de ter cumprido a meta de terminar a segunda parte do WP, que nem me senti culpada de ter ficado de pijama durante 5 dias. Eu estava saltitante, queria compartilhar a boa nova com as pessoas mais próximas, mas daí, quando fiz isso (com uma pessoa que não será nomeada), uma outra surgiu do nada e tirou aquele sarrinho básico do tipo: Ah! Claro você escrevendo, uhum!

 

Eu fiquei enraivecida. Eu acho engraçado como certas pessoas têm o poder de se meter no que não entendem, como se “perder” energia em algo que se gosta fosse uma atitude vinda de outro planeta. É como se essas pessoas que amam criticar decisões alheias estivessem muito felizes à mercê do dinheiro (sei que fingem que são), sem pensar no valor pessoal, em um reconhecimento mais justo ou no prazer de se dedicar a determinada coisa por afinidade. Eu estou com uma ideia muito mirabolante na minha cabeça que ainda não foi anunciada e nem anunciarei, pois serei analisada como o robô Marvin, como um serzinho alienígena que ninguém dá ouvidos.

 

Eu sou uma grande defensora da inspiração. De fazer aquilo que gosta. De se render de corpo e alma às tarefas que preenchem o coração. Eu queria que o mundo visse o quanto fiquei feliz por ter terminado a segunda parte de um projeto que gasto minha energia todos os dias. Não é uma questão de querer se aparecer ou de tentar ser arrogante, meu sonho é escrever e viver disso, não importa se eu ganhe 10 reais por mês. Eu não ligo!

 

Eu encontrei um post incrível esses dias que enumera muitos fatores dos motivos dos quais todos nós precisamos nos dedicar ao que amamos e resolvi trazer essa pauta aqui para o blog. Um dos pontos que me chamou atenção foi a questão do “prestígio”. Sim, além do dinheiro, eu boto fé que esse é um dos motivos que serve de desculpinha para muitas pessoas não largarem os empregos que as deixam infelizes.

 

Quero ser grande, quero ocupar o lugar de fulano, quero ser pop para almoçar com o chefe, quero ganhar mais para ter aquele carro…WTF? Quando não é isso, é o mero prazer de puxar o tapete alheio e ficar os próximos meses se gabando disso. Isso não muda caráter e não faz ninguém melhor. Se ser melhor é mensurado pelo quanto você ganha para sustentar caprichos, prefiro ser internada com camisa de força já!

 

Pessoas que fazem o low profile têm meu respeito àquelas que forçam a barra o tempo inteiro. Se é uma coisa que me mata são aqueles sorrisinhos impertinentes, como se isso fosse um passe para sentar ao lado da diretoria. Prestígio é um inimigo ao lado do dinheiro, pois cegam as paixões pessoais. Ser prestigiado por aquilo que ama é outro nível, mais digno de respeito, do carro da moda e da casa em bairro nobre.

 

“Encontre algo mais importante que você e dedique sua vida a isso”.

 

Dan Dennett sabe das coisas, mas pergunto a vocês se todos encontraram a verdadeira paixão, aquela que faz você pular da cama ao som de qualquer música feliz, que lhe faz aproveitar o dia e chegar no final do horário comercial tão satisfeito que, se tivesse chance, faria tudo de novo. Muitas pessoas ainda se prendem à ideia de que fazer aquilo que gosta é uma questão de sorte e, durante todo meu período com o WP, aprendi que isso é falta de força de vontade. Sorte não vai ao encontro de ninguém.

 

Acredito que todo mundo tem que fazer acontecer, independente do resultado final. Dá medo? Dá sim. O tempo inteiro. Mas o que se tem a perder nessa vida? Tentar nunca é demais, não é?

 

“I myself am a firm believer in the power of curiosity and choice as the engine of fulfillment, but precisely how you arrive at your true calling is an intricate and highly individual dance of discovery. Still, there are certain factors — certain choices — that make it easier. “ – Dan Dennett

 

Como diria as pessoas mais profundas, há quem espere o verdadeiro chamado, como os heróis de Joseph Campbell, que nos força a sair das rotinas pacatas para abraçar aquilo que fomos destinados a fazer. Mas como saber disso?

 

Eu já escrevi dois textos sobre fazer aquilo que ama para blog de clientes. Neles, eu não poderia ser tão sincera quanto aqui no Random Girl, mas um dos pontos que acrescentei e que carrego comigo, é que a solução está em conhecer a si mesmo. Eu fiz jornalismo pelos motivos errados. Eu amo escrever. Escrever histórias. Adoro minha tarefa de webwriter e redatora online vez ou outra, pois chega um momento que sinto meu texto estagnado, repetitivo, truncado. Eu gosto de dar vida a personagens, fazê-los se amarem e se odiarem, não ficar dando dicas de como ser bem-sucedido em 10 passos. Não é um post que mudará o comportamento de alguém…

 

A sensação de prestígio não quer dizer que uma pessoa não trabalha naquilo que ama. Às vezes isso acontece, temos vários exemplos e jamais pararei de citar a J.K. Rowling, que conseguiu ser prestigiada e reconhecida por aquilo que ama. Uma pessoa satisfeita com o dinheiro e o lifestyle não sente as mesmas inseguranças daquele que luta todos os dias para sair da zona de conforto. O prestígio é perigoso, pois impulsiona a ambição que nem sempre é usada para algo bom. Se fosse assim, não existiria os puxadores de tapete. Hoje, as pessoas gastam energia em coisas que não as satisfazem e, quando se dão conta, o chamado para a real tarefa daquilo que ama já passou.

 

Além de J.K. Rowling, um dos maiores exemplos é Steve Jobs. Ele sempre deu conselhos brilhantes e inspiradores para os perdidos na vida como eu, que ficam presos na linha tênue de chutar o balde e se entregar aquilo que gosta ou continuar na mesma salinha engolindo sapo.

 

Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do. If you haven’t found it yet, keep looking. Don’t settle. As with all matters of the heart, you’ll know when you find it. And, like any great relationship, it just gets better and better as the years roll on. So keep looking until you find it. Don’t settle.”

 

Desde a minha época de fanfic, eu escutava minha irmã dizer: você não acha que está na hora de criar algo que é seu? Essa ideia ficou na minha mente por muitos anos, mas nunca tive coragem de abrir o Word e pensar em escrever algo para chamar de meu. Pensar em escrever profissionalmente é aterrorizador e me dá crises de pânico sempre que paro e penso: o que diabos você está fazendo, querida?

 

Eu não tenho do que reclamar do meu trabalho, mas ele tem tudo para me tornar acomodada. A partir do momento que você grita que não quer mais isso, as coisas simplesmente mudam. Quando sua mente e seu coração entendem que você não quer mais viver do mesmo jeito, algumas situações se tornam altamente toleráveis, como os comentários de pessoas que não acreditam no seu potencial. Os cidadãos que aceitam o tal prestígio e o tal salário sempre dão os conselhos mais imbecis da face da terra, e eles devem ser ignorados. Afinal, no mínimo, essa pessoa nem tem consciência de si mesmo e adora trabalhar como desmotivador nas horas vagas.

 

Quando uma pessoa encontra o tal verdadeiro chamado, ela sabe o que quer e faz isso acontecer, sem pensar nos resultados. Eu só penso no momento que guardo mentalmente sobre o WP dar certo. Já ensaiei minha risada Voldemort dezenas de vezes e é isso que farei no meio da rua, correndo em círculos.

 

Citando um ponto alternativo, eu vejo artistas dizerem aos fãs para não se influenciarem por terceiros, especialmente quando eles acham que sabem do que você é capaz e do que conseguirá realizar. Esses são os tipos que devem ser cortados da sua vida ASAP. Simplesmente, eles não entendem. Eles não apoiam. Eles não querem o sucesso – além do deles –, ainda mais se for por algo que soa radical. Eles querem que você nade na vida, sei lá, por que Deus quis? Terceiros acomodados e satisfeitos com o que são e o que possuem não aceitam os “insatisfeitos”, aqueles que querem viver bem, mas de forma a depender daquilo que apreciam. Eles enchem o peito para dar conselhos inconvenientes.

 

“Art suffers the moment other people start paying for it. The more you need the money, the more people will tell you what to do. The less control you will have. The more bullshit you will have to swallow. The less joy it will bring. Know this and plan accordingly.” – Hugh Macleod

 

Eu acredito que as pessoas têm o poder de destruir objetivos, mesmo sem querer. Eu acredito em energia. Eu acredito que tudo que vai volta. Eu acredito no universo e no poder de apontar o lugar certo na hora certa. Eu acredito nos poucos amigos que tenho. Todo e qualquer projeto, eu mantenho a sete chaves e conto para as pessoas mais próximas, pois sei que são elas que ficarão genuinamente felizes se eu conseguir ser bem-sucedida. No âmbito profissional, ainda mais quando se faz o que não gosta, a pessoa que finge estar feliz por você é aquela que está doida para te eliminar do Big Brother.

 

“You will build a body of work, but you will also build a body of affection, with the people you’ve helped who’ve helped you back. This is the era of Friends in Low Places. The ones you meet now, who will notice you, challenge you, work with you, and watch your back. Maybe they will be your strength.” – Robert Krulwich

 

Eu acredito em vocação. Eu acredito no amor pelo que se faz. Acredito em inspiração. Acredito no esforço. Acredito que é sim possível fazer aquilo que ama. Depois de ser preenchida por aquilo que gosto de fazer, um detalhe que sambava na minha cara e tentava girar na minha face como a Claudia Leitte quase fez no Rock in Rio, me sinto melhor e tenho menos tempo para sentir pena de mim mesma. Eu me submeti a ter apenas 24 horas de tristeza, pois sou humana e preciso me sentir um lixo. Quem nunca?

 

O que aprendi ao me abrir para o tal chamado é tratar tudo o que acontece na minha vida profissional como algo supérfluo. Eu deixei de aprender onde estou e, se meu chefe viesse com uma proposta genial, não aceitaria, pois não é o que quero ou o que preciso. Faço o meu, no melhor nível possível, mas não gasto mais tanta energia e volto para casa sem olhar para trás. Eu acredito em recompensa, venci em tantas coisas da minha vida que abracei a ideia de que preciso vencer mais essa. Eu posso não ter largado tudo (ainda não, aguardem), mas encontrei aquilo que realmente amo fazer e isso é o que tem feito meus dias melhores e tragáveis, o que diminuiu muito minha taxa de tristeza repentina.

 

E é pela escrita que vou sair da zona de conforto. Anotem!

 

Eu amo escrever. É nisso que gasto energia. Se estou triste, é na escrita que desabafo. Se estou feliz, a mesma coisa. Se preciso de romance, eu sei exatamente quais os personagens me darão isso. Só lamento pelo fato de ter demorado muito para tomar a bendita iniciativa…

 

“This is your life. Do what you love, and do it often. If you don’t like something, change it. If you don’t like your job, quit. If you don’t have enough time, stop watching TV.

 

“If you are looking for the love of your life, stop; they will be waiting for you when you start doing things you love.”

 

Mas nunca é tarde! Por isso, escreva, fotografe, desenhe… Faça um Tumblr, um blog… Qualquer coisa que seja seu espaço para fazer aquilo que realmente ama, nem que seja 5 minutos ao dia. Vai por mim que vale a pena, eu juro!

 

Por causa deles, esta jornada começou

 

Imagens tiradas do amado feed do Tumblr

Stefs
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