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02/out

No post em que tentei desmistificar o jornalismo, comentei por cima sobre as diferentes áreas de atuação desse ramo que ainda atrai pessoas corajosas com o sonho de segurar o microfone da Globo. Hoje, vou falar um pouquinho sobre webwriting (e por que não de jornalismo online?), “minha” profissão que encontrei certa salvação, ainda mais por ter aprendido a desgostar do “choralismo”. As aspas se devem pelo fato de que sou mais webwriter a jornalista online, pois não preciso lidar com fontes (leia-se: entrevistas). E os anjos dizem amém, pois, como já cansei de dizer, não curto correr atrás das pessoas e esse meu perfil condena minha afinidade por jornalismo.

 

Os dinossauros do jornalismo não veem a internet como uma maneira de praticar a profissão e nem consideram o conteúdo online, digamos, muito influente. Acredito que isso acontece devido aos fatores que qualquer professor comenta em sala de aula: a facilidade em copiar e colar. Podemos dizer que o jornalismo online é uma área que não tem tanta credibilidade quanto ao veículo impresso, pois não tem outro item que muitos jornalistas se agarram com afinco: a profundidade da matéria. Porém, a Websfera se tornou prioridade.

 

Agora, pergunto: se é online, qual é a dificuldade de entender que o mandamento é rapidez? E qual a dificuldade em enxergar que as pessoas querem coisas mais acessíveis, embora ainda existam aquelas que amam carregar uma revista embaixo do braço (tipo eu)?

 

A queda do diploma de jornalista gerou aquele caos infernal e deu vida à lenda urbana de que qualquer um poderia exercer a profissão. Incluso ao pesadelo, o universo online entra com a falsa segurança de que qualquer um pode escrever uma matéria. O resultado? Conteúdo mal escrito e sem pé e nem cabeça em sites ou blogs. Acredito que esse seja o principal motivo de muitos profissionais de comunicação detestarem o meio web, especialmente por ele ser o primeiro em que todo mundo recorre para procurar uma informação, sem se preocupar com outro mandamento do jornalismo: a veracidade dos fatos. Afinal, todo mundo pode mentir e tem a chance de se tornar viral para curtir a fase de web celebrity instantânea.

 

Isso quer dizer que o mundo online é um poço de falta de credibilidade e até entendo porque muitos formandos em jornalismo não querem atuar nessa área.

 

Atualmente, a maioria das pessoas quer trabalhar com mídias sociais. Conheço muitos jornalistas que já migraram de área. É o new thing! Não adianta fugir, pois as empresas necessitam da moça de social media, do analista de SEO e do cara de TI, entre outros. Eu passei o mês de agosto imersa em cursos úteis para agregar algo mais a minha suposta carreira inspirada, claro, no meu ambiente de trabalho. E estou feliz da vida que nem me lembro de que um dia fiz faculdade de jornalismo.

 

Jornalismo x gerador de conteúdo x webwriting

 

A área de marketing digital pede geradores de conteúdo. Não é jornalismo puramente dito, é conteúdo. Texto relevante. Palavra-chave. Atrelado à uma empresa, é produzir de olho na concorrência. Trata-se de um ramo meio “recente” ainda e que não tem tantos profissionais qualificados, especialmente para webwriter ou redator ou gerador de conteúdo, whatever.

 

Atuar com redes sociais, por exemplo, não é ficar o dia inteiro no Facebook. Na agência, aprendi que quem cuida de social media precisa lidar com muito mais que uma edição de imagem e uma chamadinha, pois esse cara tem que ter conhecimento de métricas para produzir os relatórios que o próprio Facebook disponibiliza. Sem contar o estudo da concorrência, domínio de estratégias de marketing e feeling para atrair a audiência.

 

No meu caso, eu não atuo mais como jornalista, mas como redatora focada em gerar conteúdo para o meio web. Eu atendo clientes que possuem blogs e escrevo, na maioria das vezes, com base nas palavras-chave da busca orgânica. Sem fonte. Sem entrevista. Sem nada daquilo que aprendi em sala de aula. Minha compreensão é basicamente o Google e assuntos que têm buzz para gerar conteúdo. Nada de imprensa, nada de nada do universo jornalístico.

 

Eu sou uma geradora de conteúdo.

 

Os pontos negativos de ser redator/jornalista online

 

Trabalhar com o meio online pode alcançar uma chatice aguda com o passar do tempo, pois gera estagnação por exigir que você faça a mesma coisa todos os dias, algo que não acontece com quem trabalha em uma redação de revista ou é repórter. Eu passei meses aos prantos e rolando no chão por estar saturada da mesmice, até descobrir o WP. Minha veia de suposta escritora passou por cima do sonho de ser jornalista, um ideal que foi bloqueado.

 

Quem quer ingressar no jornalismo online, se prepare. A rotina se resume aos mesmos textos (claro que de editorias diferentes), mesmas palavras e afins. Quem é jornalista de Rádio ou TV tem novidades e desafios todos os dias, o que impede que o profissional entre no tédio. Quem se dedica ao online está condenado a dores nas costas e a falta de ação, pois não é preciso correr atrás de ninguém. Geralmente, os sites de consultas são indicados pelo próprio cliente e, no caso do jornalismo online, a fonte pode muito bem ser entrevistada por e-mail. Quem não consegue ficar 1 hora no mesmo lugar, não se dedique a esse segmento. É morte súbita!

 

O jornalismo online soa como uma área fácil, mas exige disciplina. Sem contar os conhecimentos extras. Quanto ao webwriter ou redator, pode ver que as empresas exigem que um cidadão domine até balé, pois é bem esse o caso. A pessoa precisa ter noção básica de HTML e de Photoshop. Atualmente, os recrutadores pedem técnicas de SEO. Além disso, é preciso estar preparado para escrever o que te faz infeliz (no meu caso, escrever sobre odontologia), não receber tão bem e ficar com muito tédio. Ah! E tem agência que faz o redator online revisar. De jornalista, você passa para o pseudoprofissional de Letras.

 

Se você é jornalista e blogueiro como eu, sabe que o amor pela escrita é tudo nesta vida, mas, em qualquer campo jornalístico, isso nunca será o bastante, pois não é o diferencial de peso. Afinal, ninguém escreve o que gosta quando opta pelo jornalismo, a não ser que tenha um diário ou um blog. Quem trabalha como redator online, sabe que os clientes é a parte chata. Pode não ter fonte, mas há empresas que acham que sabem das coisas e podem atrapalhar até demais. O texto pode ser o mais incrível, mas vai haver a sessão pitaco por mais que você tenha razão. Não que seja muito diferente das redações jornalísticas.

 

Atrativos para o texto online

 

Se tornar familiar com ferramentas online é questão de sobrevivência, ainda mais se você for um repórter que precisa manter o site vivo por meio de entrevistas (as fontes nunca desgrudam em determinados casos, notem). O texto web pede atrativos, pois é raro as pessoas lerem tudo (vocês chegaram até aqui?). Por isso, é preciso vídeos e imagens para deixar tudo mais rico e lindo.

 

Vale mencionar que os textos informativos da web são enxutos e sucintos. Esse é outro ponto que os dinossauros do jornalismo reclamam, pois não há profundidade. Isso não quer dizer que uma pessoa que tem um blog de literatura precisa escrever uma resenha em seis parágrafos, acho isso impossível, mas é preciso distribuir bem as informações do texto. Título focado com a palavra-chave, parágrafos de até 6 linhas, imagens, vídeo e áudio formam um pacote que o jornalista online e o blogueiro precisam abraçar com todo amor.

 

Provavelmente, algum redator da Folha de São Paulo não deve gostar da editoria que escreve, mas é a realidade de qualquer jornalista. Eu trabalho em agência de publicidade que encaro como meu maior desafio da profissão, pois saí de uma redação de revista para migrar para o universo online sem ter domínio algum. A parte boa é que aprendi muito e descobri novos amores digitais. É um aprendizado ser redatora online, onde se precisa de paciência e de jogo de cintura para não surtar.

 

Guarde com você: a base do webwriter é a criatividade.

 

Isso quer dizer que o redator online deve abraçar muitos assuntos que não se tem conhecimento. Os jornalistas ainda têm a sorte da especialidade, mas, quem é apenas redator, tem que trabalhar em Matrix diferentes.

 

Uma dica para encerrar este post: quem tem desejo em trabalhar com jornalismo online tente atuar em sites que aceitam colaboradores. Assim, você será publicado e terá material para portfólio, um detalhe que gera muita briga, pois o redator online não tem “direito” pelos textos que escreve, pois, como acontece comigo, leva o nome do cliente. Essa para mim é a maior desvantagem de todas, pois não faz o menor sentido um ser contratar alguém para escrever. Se não sabe fazer isso, não tenha blog, oras.

 

O jornalista online também tem o dom de sobreviver de freelas. Sempre há uma oportunidade no mercado para isso, pois muitas empresas querem ter blog e usam o pessoal formado em comunicação para abusar do corpo deles.

 

Para quem preza o “Anti-Social Network”, ser gerador de conteúdo online é uma boa pedida. Você trabalha no seu canto, finge que não existe e entrega tudo dentro do prazo, sem crise. É uma área que gosto muito e que pode servir de opção para quem perdeu a fé em ser jornalista, no real sentido da palavra claro.

Stefs
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