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08/out

O NaNoWriMo se aproxima e, quem encarou o desafio pelo menos uma vez na vida, sabe que pode ser muito fácil, mas ao mesmo tempo muito complicado. Afinal, você precisa escrever algo em 30 dias que dê 50.000 palavras. Assim, qualquer um fica disponível ao famoso bloqueio de escritor ou bloqueio criativo. Pode ser lorota para alguns, mas eu convivo com esses bandidinhos e eles me deixam bastante mal-humorada. Trata-se de um obstáculo que faz parte da vida de quem escreve, desenha e afins, e que pede muita paciência para driblá-lo, como também um belo senso de humor.

 

Para quem escreve, é uma cena desesperadora apoiar os dedos no teclado, olhar para a tela do computador e nada sair. Você tenta algumas palavras, mas logo as apaga, simplesmente por não ter aquele feeling de que o que foi escrito está bom. É tenso forçar a mente a pensar em uma cena bacana ou então ter uma ideia genial de plot presa no cérebro, com todos os detalhes, e não fazê-lo fluir da cabeça para o Word. O bloqueio de escritor é realmente um conflito que acontece de vez ou outra e, para tentar dar uma luz para os amigos escritores, trouxe dicas valiosas assinadas por Veronica Roth, aquela lindinha que escreveu Divergente, Insurgente, ~Detergente~…

 

Veronica Roth deu algumas dicas para contornar o que ela chama de “estar estagnado” (quem nunca leu o blog dela, por favor, faça isso). Acho que o termo supercombina com o bloqueio criativo, pois imagino que ninguém consegue fazer nada direito se estiver com o corpo exausto e com a mente nublada. Sem contar a inspiração que sempre ajuda a engatar um capítulo novo e que costuma sumir, especialmente quando você está naquele clima ditador de “preciso muito escrever”. Roth compartilhou meios interessantes para contornar esse drama e que podem ser muito bem aderidos em qualquer rotina.

 

Todos com bloquinho na mão?

 

Veronica sempre foi muito transparente no blog dela ao falar do processo de criação do que ela chamou por um longo tempo de TM – The Manuscript. Assim como nós, meros aspirantes a escritores, ela também teve dificuldades com a falta de inspiração e com a revisão. Uma das coisas que a escritora aderiu para a vida dela foi um cronograma, um detalhe que amo e que tenho, até mesmo para ajustar as postagens aqui do blog. Ela usa essa estratégia para decidir os dias em que escreverá. Tem gente que faz isso todos os dias, algo que fiz no ano passado, um período em que terminei três livros, comecei um manuscrito no NaNo e terminei uma fanfic de 5 anos de existência. Uma loucura, mas, quando me dei conta do quanto produzi, fiquei feliz da vida.

 

No que um cronograma ajuda?

 

Na minha opinião, te deixa menos obcecado pela necessidade de escrever. O mesmo vale para o blog, um detalhe que serve para minha diversão, nada mais que isso. Veronica se organiza dessa maneira para alternar manhãs e tardes dedicadas à escrita e os dias em que ela pode se dedicar ao texto um pouco mais, sem se esquecer de incluir outros programas para ter vida social. Essa atitude dá uma visualização de quanto tempo de escrita você gasta, quantas palavras você escreve, talvez, por dia, o que contribui para medir o quanto se está obcecado.

 

Quando estava envolvida na segunda parte do WP, eu tirei uma semana para escrever, sem pensar em blog, onde estipulei 30 minutos por dia. Foi ótimo! Deu para pausar no momento em que o celular anunciava que o tempo acabou e eu tinha um bom período para raciocinar no que aconteceria a seguir. Essa atitude me poupou o estresse de escrever muito, o que me rendia trabalho em dobro, pois editava e reescrevia outras cenas que, no final, não tinham nada a ver com o que produzi no calor do momento. Tinha dias que eu terminava de escrever bem infeliz, porque não gostava dos resultados. Dessa forma, um cronograma te deixará mais ciente dos avanços, dos objetivos e dos hábitos pessoais.

 

Outra dica da Veronica para contornar qualquer bloqueio e estagnação é mudar o local usual em que se escreve. Isso não cabe tanto a mim, pois só tenho uma opção. O que fiz para me manter inspirada foi mudar os dias. Passei a escrever durante a semana. Nos finais de semana dou uma revisada básica. Meu melhor horário é pela manhã, porque todo mundo na minha casa está capotado na cama. Veronica foge de casa quando não se sentia motivada para escrever. A dica que ela dá é procurar outros espaços onde há pessoas trabalhando, como cafeterias ou livrarias. O que também conta é deixar qualquer aparelho com acesso à internet desligado, pois, digo por mim, ele atrapalha demais.

 

A dica mais fofa da Veronica é essa: quando você sentar para escrever, se dê um agradinho. No caso dela, é um chai latte. Ao ingerir a bebida, ela sente uma vontade louca de escrever, pois se associa essa atitude à escrita. Essa relação dá a escritora inspiração para produzir. Assim, Roth diz que, toda vez que você for escrever, reserve aquilo que realmente gosta de comer, beber ou ouvir para o momento de dar vida aos personagens. O agradinho estará ligado ao ato de escrever, como se fosse mágica. No meu caso, é Nescafé ou café mesmo, porque é meu vício das trevas.

 

Começar o dia com algumas palavras é uma dica bem interessante da Veronica. Eu costumava escrever no trabalho antes do pessoal que compartilhava a sala comigo chegar. Era um silêncio maravilhoso que me rendia duas páginas de história. Foi assim que consegui completar as 50.000 palavras do NaNo. Veronica criou o hábito de escrever um pouquinho depois do café da manhã, só para manter as ideias em circulação. Em dias em que não fazia isso, ela sentia uma grande dificuldade em começar o trabalho. Quando escrevia, nem que fosse uma ou duas sentenças, ela tinha mais facilidade em adquirir ritmo. Vou tentar aplicar essa ideia para minha vida.

 

Compartilhar com os amigos algum projeto é um item que acho meio delicado. Por mais que você tenha confiança neles e os ame com todo coração, você simplesmente não quer mostrar/falar nada sobre o assunto. Primeiro: eu me acho muito inconveniente quando falo do WP e prefiro fazer um post “por cima” só para sinalizar que a ideia persiste. Eu baixei a bola e isso é meio ruim, porque tenho ideias que acho sensacionais, que gostaria de compartilhar com os mais chegados para ter alguma opinião, mas nem faço mais isso. Para Veronica, mostrar o texto para alguém é um estímulo, pois a pessoa que o lê pode dar uma ideia ainda mais interessante, o que aconteceu muitas vezes comigo.

 

Veronica pontua um pouco a questão de um iniciante ser muito sensível às críticas, ainda mais nos primeiros estágios de produção. Ao procurar por uma terceira opinião, peça aos amigos para não pontuarem nada de grave, apenas aquilo que eles gostaram ou o que eles querem saber mais da trama. Daí, trocam-se ideias, o que funciona como motivador para deixar os dedos sangrarem no teclado.

 

Eu achei essas ideias da Veronica superúteis para todo mundo que escreve e sofre com o dilema de estagnar. Nada mais justo que se manter inspirado na hora de continuar uma história, não é mesmo? Ainda mais para quem vai se jogar mais uma vez no NaNo, tipo eu.

 

Se alguém tiver alguma ideia bacana, pode compartilhar nos comentários.

Stefs
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