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17/out

As coisas com o We Project andam bem. Digo bem porque finalizei a segunda parte há algumas semanas e sinto um vazio no peito, pois morro de saudades dos meus personagens. Contudo, essa pausa tem sido muito boa, pois voltei a planejar os plots e me preparo psicologicamente para fazer a primeira leitura dos dois documentos em Word que possuem quase 400 páginas, sem compromisso. Isso quer dizer que incorporarei a pessoa que lê e não a pessoa que escreve. Essa atitude será uma tortura, eu sei, pois não tenho objetivo de editar nada. Só fazer anotações. Será que consigo?

 

Enquanto não tenho nenhuma novidade sobre a releitura, vou desabafar meus momentos de drama até ter alcançado o fatídico 27 de setembro deste ano, uma data que também marcou 1 ano de WP. Eu descobri um novo impasse além do bloqueio de escritor ao longo de um trabalho que quase me fez pedir arrego: perder o tesão pela história. Ok! Essa palavra é inapropriada (nem tanto assim porque eu deveria meter um palavrão logo, mas sou educada e amo vocês), mas foi exatamente isso que aconteceu.

 

Eu tenho momentos de surtos. Uma hora escrevo demais e em outra não quero mais brincar. O primeiro WP tem dois manuscritos diferentes e eu fiz o terceiro que ficou melhor que os irmãos mais velhos. Digamos que amadureci a ideia, mas ela precisa crescer mais, o que justifica minha nova empreitada de uma releitura sem edições. Eu quero sentir a história e só fazer notas de melhorias na minha agenda para usá-las na edição. Mais nada!

 

Ao começar a segunda parte do processo de escrita, me vi empacada lá pelo capítulo 12. Dessa vez, não era problema de nome do personagem, nem de falta de tempo, mas de perder o fio da meada. Isso se repetiu no ano passado quando alcancei a linha de chegada com metade da terceira parte do WP pronta. Eu larguei tudo e comecei do zero. Enquanto escrevia, percebi que vivia um slow motion onde todos os personagens derreteram. Não havia mais vida para eles, nem missão para fazê-los correr. O que eu fiz? Brequei o processo e fui me reagrupar.

 

Quando me reagrupo parece que monto uma estratégia de guerra. Isso costuma acontecer quando uma parte do plot não funciona e os personagens começam a sambar nas mesmas situações, o que torna meu trabalho muito chato, pois reler bobagens é um saco. Quando escrevo capítulos que realmente gosto, termino o dia com aquela sensação linda de missão cumprida, estico as pernas em meio a suspiros de alegria, com a mente bombando de novas ideias do que virá a seguir. Esse sentimento meio que tinha morrido ao longo do WP 2 e eu retrocedi de novo à procura de soluções. Alguns diriam que é trabalho duplo, mas quando não está legal, prefiro parar, ler e reescrever até ficar do jeito que eu quero.

 

Voltei à estaca zero e fiz novos roteiros para os personagens principais e descrevi cada plot. Isso funcionou muito bem, não é à toa que terminei as duas partes muito satisfeita. Eu estou empolgada para reler, de verdade. Sei que esse momento me fará rir das bobagens que escrevi e ficar chocada com diálogos e situações sem sentido, mas a história em si e meus personagens principais é o que me mantêm animada para encarar uma leitura completa. Não vejo a hora de reler, sério. Quero muito que o final de semana chegue.

 

Eu não quero começar o processo de edição agora, pois há falhas nos plots que eu preciso repensar e, para isso, preciso reler antes. Sem contar que há capítulos enormes, pois acho (só acho) que sou uma pessoa detalhista e isso gera excessos. O bom é que as duas partes ficaram com quantidade de páginas próximas e sinto que sofrerei mais na hora de cortar cenas a fazer a releitura. Eu sei que se algum dia eu resolver enviar o WP para algum lugar vou penar demais na hora da revisão/edição. Profundidade é comigo mesmo e o pseudolivro, seja o primeiro ou o segundo, tem certo peso emocional que eu gosto de mergulhar de cabeça.

 

Esse sentimentalismo que me fez empacar na segunda parte do WP. Só pensei na ação, mas me esqueci de que minha protagonista também é humana e que tem certas emoções que ela precisa testar antes de voltar ao caos da vida.

 

Sendo assim, refiz todo o roteiro, tanto do primeiro quanto do segundo WP, pois ambos se entrelaçam de uma maneira muito intensa. Fiz muitas pesquisas de casos dos quais me baseio e organizei tudo em milhões de folhas de sulfite. Acho que perdi as contas de lugares onde coloco minhas anotações, como vocês podem ver na foto abaixo:

 

Eu perdi o fio da meada por não mostrar como minha personagem realmente é. Isso não faz o menor sentido, pois seria mais bem compreendido se eu desse algum spoiler do WP. E não é algo que pretendo fazer, não por ser metida, mas porque tenho vergonha das coisas que escrevo. Quando digo coisas, são histórias. É como me deixar nua.

 

Quando fiz outro mind map, me vi com uma nova visão da história. Isso pode dar preguiça para muitas pessoas, mas escrever requer que você reescreva e eu me vi trabalhando em cima da versão número 3 da segunda parte do WP. Tudo o que tinha feito antes, entre os meses de junho e julho, já não é mais a mesma coisa. Sem contar que tirei alguns personagens que não brilharam no WP 1 e os coloquei em destaque. De certa forma, percebi que um pesquisador é muito útil para a minha protagonista, assim como o padrasto dela. E por que não ter um irmão também? E amigos? E uma vida social mesmo que isso seja tirado depois?

 

Personagens que nunca sonhei agora existem. Situações que pulei agora existem também.

 

Eu coloquei no meu cronograma que todo final de semana eu deveria ter, pelo menos, dois capítulos prontos. Claro que sempre escrevo mais e é nesse momento que percebo que gasto energia por não gostar do que fiz. Eu li em algum lugar um conselho bem eficiente: pare de escrever quando sentir que precisa. Eu estava pulando essa parte e terminava o domingo anulando 15 páginas de conteúdo que não gostei, o que me deixava apenas com 1 capítulo.

 

No começo do WP, eu até me policiava, fazia o tratamento especial, até que a coisa toda ficou excelente e comecei a quebrar barreiras. Não faço mais isso. Eu já tenho tempo curto e escrever para depois eliminar tudo me deixava extremamente infeliz. Por isso, tenho roteiro até para o número de carros que tem que aparecer em determinada cena.

 

Eu sempre vou frisar a importância de um roteiro, pois isso ajuda muito. Sem contar os manuscritos anteriores que resgatei muitas ideias bacanas. Até minha metade tirou uma parte do WP, que nem lembrava, do fundo do poço e já manejei para a terceira parte do trabalho. Até aqui, digo que voltei a ficar satisfeita com a história, tenho um plot mais definido e uma personagem que está louca para causar um pouco de caos.

 

Sério! Estou louca para fazer a releitura!

Stefs
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