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27/nov

Este é aquele post que deveria ter sido publicado há mil anos, mas a falta de tempo me impediu de fazer isso. Com a correria do trabalho, mais o hiatus do WP, mais o NaNo e dezenas de outras coisas, percebo que agora, quase no final do ano, vou poder despachar alguns textos que estavam engavetados. Sei que a primeira temporada de Orphan Black terminou há alguns meses, mas sou daquelas que espera o buzz passar para ganhar mais atenção (brincadeirinha!). Eu peguei esta série para assistir assim que saíram todos os episódios e foi a coisa mais linda que optei fazer. Afinal, não precisei morrer de ansiedade.

 

Para quem não sabe do que falo, Orphan Black é uma série que vocês precisam incluir na lista daquelas que devem ser assistidas nas férias de final de ano. Ela é tão, mas tão, mas tão sensacional que eu poderia fácil escrever um texto bem rasgação de seda, mas manterei o low profile. Transmitida pela minha amada BBC America, OB é mais do que uma série de ficção científica na noite. Ela é A série de ficção científica, ao menos, de 2013. Eu sou uma pessoa que tem queda por sci-fi, um amor praticamente platônico, e gostar dela foi algo completamente irremediável. Confesso que adoro dramas adolescentes banais – tenho The Vampire Diaries como meu maior guilty pleasure flop atualmente , mas meu coração me condena quando estou diante de assuntos sci-fi ou sobrenaturais, pois sou uma grande viciada em criaturas da noite como também em teorias da conspiração.

 

De uma maneira bem geral, Orphan Black une ciência, bom humor, conspiração e clones, uma lambança que, com certeza, fizeram muitos torcerem o nariz. Afinal, o plot central usa e abusa de uma temática que sempre foi um tanto quanto polêmica e sempre foi meio óbvio que ninguém, por mais genial que fosse, teria coragem de abordá-la. Porém, OB quebra paradigmas e pegou a ideia de clonagem, um assunto delicado que, em formato televisivo bem produzido, cativou e intrigou. Tudo na trama é bem dosado, não há situações absurdas e ela não se afasta do que se supõe ser uma rotina de centros de pesquisa. O seriado possui uma história presa à tática, por vezes infalível, de “mostrar e não contar” e o contexto funciona perfeitamente. É impossível respirar a cada episódio e não roer as unhas para saber o que virá a seguir.

 

Orphan Black: um pouco da trama

 

O piloto nos traz Sarah Manning, responsável em nos levar a um novo universo de ficção científica com seu estilo punk e despojado, detentora de um comportamento rebelde e andarilho, cuja língua libera obscenidades cantaroladas em sotaque britânico. A personagem é órfã e perambula pelas ruas sem esperança de nada, a não ser recuperar a guarda da filha, Kira. Porém, esse trajeto muda quando ela presencia o suicídio de uma mulher que é simplesmente a cara dela. Praticamente, uma irmã gêmea. Depois de uma cena chocante, Sarah une o útil ao viável, e assume o lugar da suicida que se chama Elizabeth Childs.

 

Ao se ver em um mundo distante da precariedade da qual se encontrava, especialmente impulsionada pelo desejo de fugir do namorado stalker, Sarah percebe que tem uma chance de recomeçar a vida e faz o óbvio: usa a identidade da mulher e aproveita para usar o corpo dela para fazer um fake da própria morte. Conforme a trama avança, Sarah começa a ficar por dentro da vida social de Beth: ela era uma policial afastada do trabalho, tinha um marido gostoso (não tem como evitar, sorry!) e uma rotina saudável. Ela tinha tudo para passar batida se não fosse a desconfiança de Art e de tantos outros que conheciam a falecida, até o encontro inesperado com Katja, uma alemã que, por coincidência (sqn!), também é a cara dela.

 

Daí que a vida de Sarah começa a se tornar um inferno na terra e uma das perguntas é: por que há no mundo pessoas com a minha face, pfvr?

 

Just one, I’m a few, no family, too. Who am I?

 

Com a descoberta, Sarah encara uma vida dupla e os mistérios a perseguem pelos calcanhares. O encontro macabro com Katja abre portas que a levam até outras “versões” de si mesma: Alison e Cosima. No final do dia, a personagem termina ao redor de suas clones. Em meio aos rostos idênticos, ela encara a verdade de que não se trata apenas de uma ironia do destino, mas um acaso científico que criou uma seleção criteriosa de clonagem a partir do DNA dela. Ao menos, é o que se imagina, pois a outra pergunta que faz parte da lista é: seria ela a Original, aquela que foi testada para dar vida às outras? Seria ela a Mikaelson que gerou duplicatas de si mesma, sendo a única detentora de um organismo, digamos, humano?

 

A busca por respostas (além de tantas outras) a faz ingressar no Clone Club e é onde a trama começa a desmanchar alguns nós, especialmente sobre os motivos dos quais essas clones existem. Porém, na contramão, há alguém muito empenhado em matá-las.

 

É aí que entra Helena, uma suposta clone, responsável pelo caos. Afinal, nada mais justo que ter uma hipotética vilã (será?) que seja a cara da protagonista. Ela é vista como uma tremenda ameaça contra o clube por ser dominada por um fanático religioso que não acredita na ciência. Claro que a situação de Sarah e companhia só piora, pois o mundo científico pede o cérebro doentio, e ele está na forma do Dr. Leekie, que tem a proposta de querer protegê-las. Para salgar e apimentar, temos a ponta número 3, e não menos importante, onde está Paul, o marido de Beth, que tem muitos segredos embaixo das mangas, além de ser lindo e sexy.

 

E como uma boa série de ficção científica, há a organização: Neolution, responsável pela reviravolta do season finale que dá vontade de arrancar os cabelos. Cadê 2014, cadê?

 

Com todos esses plots, Orphan Black não se perde no objetivo. Ela é a série revelação do ano na categoria sci-fi, sem sombra de dúvidas, com uma tramoia altamente intrigante e inteligente, que nos leva ao doce e ao amargo de uma teoria da conspiração que pode ser vista como real em um futuro, digamos, não tão distante. Sem contar os conflitos religiosos bem pontuados, onde experimentos científicos são coisas do capeta. A série mostra dois pontos de vista com relação aos interesses humanos, especialmente a ganância em tornar alguém uma patente e de como os pesquisadores se sentem confortáveis em prosseguir com atos que, ideologicamente, são contra a natureza.

 

É com esses e muitos pensamentos que as clones tentam sobreviver e lidar com verdades que nunca lhe foram ditas, especialmente Sarah que ingressa nesse clube sem fazer a mínima ideia das razões e das circunstâncias que fizeram o seu DNA (será?) ser clonado tantas vezes. Essa é a típica série que, se contar demais, estraga a surpresa.

 

Então, por que não pegaram o torrent ainda?

 

Opinião da Random Girl

 

O primeiro episódio de Orphan Black – bem como os outros – exploram o suspense em alta voltagem atrelada à preocupação arrebatadora que obriga qualquer um a ficar parado onde está para saber o que vem depois. É uma série com uma proposta futurista e que coloca em cheque a capacidade do ser humano agir como Homo Superior, ou pior, como Deus. Com um apelo jovial, sem se esquecer do humor muito bem explorado no diálogo das personagens, ela dosa momentos dramáticos com base nas storylines que se cruzam no derradeiro final, um baque forte que lhe faz ficar boquiaberto por dias.

 

A parte mais sensacional é ver a maneira como as clones interagem entre si e como elas enriquecem a história graças às personalidades diferentes e marcantes. Todas tornam tudo mais excitante de assistir e isso acontece por meio de uma pessoa: Tatiana Maslany. É ela quem leva Orphan Black nas costas, uma atriz que demonstra talento e versatilidade que convence em diferentes faces e situações. Para dar vida às clones, a atriz simplesmente muda, assim, totalmente. De clones perfeitas e inteligentes como Alison e Cosima, Maslany ainda distribui mais do seu talento na atuação das versões mais perdidas e amarguradas, como Sarah e Helena. Ela encarna todas as personagens principais e ofusca o elenco secundário, com exceção do Felix que merecia um spin-off. Divo demais.

 

Orphan Black é uma história que mostra que você não pode confiar em ninguém, nem mesmo em quem dorme ao seu lado. Em busca da salvação da própria espécie, a maior incógnita fica na questão de como sabotar um invento tão ousado e que tem tudo para dar certo. Na ciência há falhas e o seriado também se empenha em mostrar que nada é perfeito.

 

Depois que Fringe deu adeus e muita gente ainda não sabe o que é Doctor Who, há sim uma falta gritante de boas séries de ficção científica e Orphan Black veio para cuspir na cara da sociedade, especialmente por ter uma protagonista feminina. Afinal, sci-fi, hipoteticamente, é universo dos meninos, né? Errado! A série comprova que ainda é possível criar um seriado de qualidade, basta espantar a preguiça e abusar da criatividade, sem haver necessidade de se apoiar nos clichês, e colocar apenas 1 pessoa para tomar conta de tudo. Por mais que seja um seriado para os dois sexos, Sarah e todas as clones representam o que poderia vir a ser o poderio feminino nesse gênero devido ao talento inquestionável.

 

Para quem ama sci-fi, assistir Orphan Black é obrigatório. Prometo que, depois do primeiro episódio, você vai querer pertencer ao clube das clones para ficar por dentro das teorias que deram origem a esse universo muito bem entrosado, com sacadas geniais e bem desenvolvido até aqui. Vale muito a pena conferir!

Stefs
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