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11/nov

Uma coisa que notei no decorrer dos últimos lançamentos de adaptações cinematográficas de livros YA/fantasia foi o marketing reforçado em torno delas, incluindo uma forte preocupação com a interação dos fãs. Desde então, cada estúdio tem que rebolar no senso de criatividade para alimentar o animal chamado fandom, ao mesmo tempo em que promove uma franquia. Em meados da década de 90, essa promoção virtual não acontecia em excesso. Até porque nem todos que viveram essa época linda possuíam uma internet digna.

 

Harry Potter, uma saga que sempre será um exemplo para qualquer assunto que envolva o mercado livreiro, não contou tanto com o chamado marketing interativo. A websfera ainda se fomentava na época em que o menino bruxo começou a ganhar força, e todas as armas online que hoje o público da querida Geração Z tem em mãos, os pottermaníacos não tinham. Nós fomos usufruir do Orkut, por exemplo, em 2004 e era algo meio “elitizado”, onde só se entrava com convite de quem já estava dentro da rede social. Até todo mundo perceber que o maior lançamento de todos os tempos do Google tinha potencial, J.K. já tinha lançado Relíquias da Morte e o fandom abaixou a bola.

 

O máximo que curtimos de Harry Potter na internet, criado por intermédio de um estúdio, no caso, a Warner Bros., foi o site promocional dos filmes. Lembro-me até hoje do jogo de Quadribol que sempre travava porque minha internet era discada. Não era nada como o Pottermore.

 

Nesse cenário, entra a Lionsgate, que contribuiu para mudar a forma de interação dos fãs com determinada franquia, graças a nossa amada internet. Hoje em dia, as pessoas praticamente vivem online e o fandom é a parte predominante, detentores de grupos no Facebook e dos chamados FCs no Twitter. A Websfera está mais, digamos, democrática. Há quem não precise mais do computador para se informar, basta apenas um celular com conexão Wi-Fi e está tudo certo. Não há empecilhos para milhões de seres humanos interagirem entre si e os estúdios de cinema enxergaram esse mercado potencial.

 

Antes do lançamento do primeiro filme de Jogos Vorazes, a Lionsgate investiu na promoção da “nova” franquia por meio do marketing interativo. O estúdio deu duro na divulgação tendo como foco a base de fãs da trilogia de Suzanne Collins, a fim de criar uma relação, que continua a ser bem-sucedida, entre o fandom e a história de Panem. Onde isso acontece? É óbvio que é na internet, um espaço povoado 24 horas por dia.

 

No mundo corporativo, o marketing interativo nada mais é que a criação de um canal que permite a interação entre empresa e cliente. A Lionsgate trabalhou muito bem em cima do público-alvo de Jogos Vorazes e apoiou a divulgação da franquia por meio da criação de sites, cuja temática é fiel ao proposto nos livros de Collins. Tudo isso com foco no emocional, o ponto de partida de qualquer ação de marketing. Esse mix de estratégias deu muito certo, pois os tributos têm muito amor pela trilogia e foram arrebatados pelas novidades.

 

Essa forma de promoção de Jogos Vorazes caiu como uma luva, pois o marketing também atua nas vontades do público-alvo. O que ele quer? O que ele precisa? O que ele deseja? Oras! Tributos querem fazer parte de Panem, porque não dar isso a eles?

 

Entre meados da década de 90, não havia esse papo de viral, nem muito menos a brincadeira de “subir hashtag”. Nós ganhávamos as coisas, digamos, de graça, mas eram muito demoradas. Não só pelo fato de termos internet ruim, mas porque soltar itens promocionais acontecia muito próximo da estreia do filme.

 

Marketing interativo: The Capitol PN e Capitol Couture

 

Jogos Vorazes é um verdadeiro exemplo de marketing interativo, pois trouxe uma proposta que ajudou a mudar a forma de divulgação de uma franquia via internet. Em 2012, ano em que o primeiro livro adaptado chegou aos cinemas, a Lionsgate lançou o site The Capitol PN: The Official Government of Panem, um pedaço virtual da Capital. Bastava apenas o tributo ter uma conta no Facebook ou no Twitter para ser sorteado para uns dos Distritos e um banner era compartilhado na timeline. Quer coisa mais prática que isso?

 

A sacada dessa forma de marketing foi justamente mexer com a emoção daqueles que queriam fazer parte da história de Collins. O intuito era gerar um viral e os fãs foram os responsáveis por isso. Quem via o banner do Distrito na timeline do Facebook do amigo, e também era fã de Jogos Vorazes, bastava acessar o The Capitol PN e fazer o mesmo. A partir daí, o resto foi consequência do empenho do fandom. Isso deu controle aos fãs.

 

A Lionsgate fez tudo muito bem programado, pois cada Distrito foi detentor da própria Fan Page, um lugar fácil de acompanhar as últimas novidades sobre o filme e sobre a parte de Panem que um tributo pertence.

 

Para promover o The Capitol como um viral, a Lionsgate aproveitou o lançamento do teaser de Jogos Vorazes para divulgar a hashtag #whatsmydistrict. Depois disso, outra foi lançada, a #headforthesquare, que simbolizava o dia da Colheita. O processo funcionou com uma excelência incrível e impactante para o estúdio, como também para os fãs. No caso da Colheita, 12 usuários do Twitter foram escolhidos, não para brincar de Jogos Vorazes, mas para atualizarem as páginas dos respectivos Distritos com novidades a cada hora. O quão incrível é isso, né?

 

Quem usufruía do site era meio que um integrante vip da Capital. Os usuários viraram importantes fontes de spam de notícias. Cada cidadão de Panem, conforme explorava o The Capitol, recebia links que precisavam ser compartilhados muitas vezes para ter acesso ao material exclusivo, como também para ganhar brindes. Claro que isso só aconteceria se as pessoas que caíram em determinado Distrito compartilhassem ou usassem a hashtag correta para espalhar o viral de maneira satisfatória.

 

Para promover Em Chamas, a ideia foi a criação do Capitol Couture, uma revista de moda online que tem supostamente como criadora Effie Trinket. Nela, há estilistas reais que dão dicas de como se vestir como cada Distrito, como também há entrevistas fictícias com a própria Effie e até mesmo o Cinna. O bacana dela é que há edições, onde um profissional da moda ganha destaque conforme a temporada das estações do ano.

 

Claro que, para Em Chamas, houve outras formas virais, como subir hashtag para liberar as fotos promocionais do filme.

 

O marketing interativo muito bem bolado da Lionsgate influenciou muitos estúdios a fazerem a mesma jogatina com diferentes fandoms. Isso aconteceu com a divulgação de Os Instrumentos Mortais, por exemplo, onde os fãs tiveram que subir hashtags para ter material exclusivo do filme. Na minha opinião, essa relação do fandom agrega mais valor a qualquer franquia, independente se a adaptação foi boa ou não.

 

O The Capitol PN está de cara nova para quem ainda não viu, com direito até a previsão do tempo da Capital. Está muito bacana e tem sons altamente futuristas. Só faltava a tela do nosso computador ser touch para poder arrastar as imagens para os lados. Quem ainda não conferiu, corre lá, pois as interações ainda acontecem!

 

Aviso: os sites são extremamente pesados. Não se irritem! The Capitol PNCapitol Couture

Stefs
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