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19/nov

Muitos gritos. Emoções à flor da pele. Ansiedade. Tudo isso e mais um pouco estava presente entre os tributos que fizeram contagem regressiva para assistir a adaptação do segundo livro da trilogia assinada por Suzanne Collins, Jogos Vorazes – Em Chamas. O filme mais esperado do ano foi muito fiel à obra. Quando digo muito, é muito mesmo. Até demais, se querem saber. Por mais que afirmem sem pestanejar que o antecessor foi uma produção mal feita, não nego que ele seguiu uma linha de raciocínio com momentos que foram captados do primeiro livro. No caso de Em Chamas, não esperava tamanho comprometimento, ainda mais porque, ultimamente, adaptações com base em YA-Distopia-Fantasia-Whatever têm sido uns belos fiascos de bilheteria e de direção. Como é bom ser surpreendida com tamanha perfeição que deve ter feito muito hater se contorcer no chão.

 

Nas últimas semanas, reli Em Chamas e, conforme a trama avançava, me lembrei de todos os sentimentos que batiam de frente comigo e que me atormentavam a cada virada de página: angústia, raiva, desespero, tristeza e plenitude. Sentia o choro estagnar na garganta a cada investida desesperada de Katniss e a cada tributo sacrificado na arena. É aquela emoção que faz até os pelos da nunca se eriçarem misturada com aquela provocação de querer mergulhar na trama para fazer parte da revolução e arrancar os olhos do Presidente Snow. Todos esses sentimentos abalaram meu emocional durante a leitura e me afetaram quando vi a história se tornar real nas telonas. Tudo se amplificou. Foi impossível se manter na mesma posição na cadeira, impossível não xingar e impossível não se esbaldar de tanto chorar.

 

Eu saí do cinema com a sensação de satisfação plena. Hoje em dia, é muito difícil ver uma adaptação fazer jus ao livro, e foi isso que aconteceu com Em Chamas do começo ao fim. Por mais que tenha sido criticado e posto em condições duvidosas, quem deu o recado principal foi Francis Lawrence, o diretor que não tem tantas experiências marcantes no cinema, a não ser o fiasco chamado Água para Elefantes, cujas interpretações são medíocres. Acredito que, ao aceitar a posição de responsável por uma franquia muito respeitada e que tem um fandom ardiloso, Lawrence não queria apenas calar a boca da sociedade, mas provar que é um profissional competente, que sabe o que faz e que, acima de tudo, coordenou um trabalho sem deixar de pensar nas pessoas que realmente irão conferi-lo. Nesse caso, os fãs da trilogia.

 

Um pouco da trama central

 

Katniss

O começo de Em Chamas foi direto ao ponto. Não criou missa, nem fantasia excessiva e nem deu brecha para a enrolação. Katniss vive quase feliz na Aldeia dos Vitoriosos, mas a suposta paz é interrompida pela chegada ameaçadora do Presidente Snow. Muitos sabem que tenho um relacionamento sério com vilões e o dono da Capital atendeu todas as minhas expectativas quando o assunto é crueldade camuflada em um sorriso cínico e em entonações irônicas. Adorei a maneira como o personagem simplesmente cresceu na trama, pois o segundo livro é focado, acima de tudo, nos esforços dele em desequilibrar Katniss, o Tordo, o rosto da revolução.

 

A visitinha na casa das Everdeen ficou do jeitinho que imaginei, bem como os trejeitos arrogantes dele durante a festa e o anúncio de quem participaria do Massacre Quaternário. Tudo o que faz o personagem odiável foi encarnado por Donald Sutherland, que honrou mais um ser que quer interromper de qualquer custo a jornada do herói.

 

Ao lado do Presidente Snow, Plutarch também estava ótimo. As cenas que ambos compartilham ao longo de Em Chamas, envolvidos em todas as tramoias para tornar Katniss a garota da Capital e não dos Distritos, foram completas. O livro é narrado em primeira pessoa e isso nos impede de saber o que os outros personagens pensam. Abrir esse leque de informações deu destaque aos dois, cujos objetivos são completamente diferentes, bem como a visão sobre a garota em chamas. Torná-los mais importantes ajudou a enriquecer ainda mais o longa. A pausa para maquinar contra Katniss, a falsa compreensão entre ambos e o perigo iminente fez tudo valer muito a pena.

 

Está certo que Plutarch se esqueceu de mostrar o relógio com o símbolo do Tordo, mas isso foi compensado com um show de cinismo, de traição e de sorrisos de deboche junto com a sensação de falsa segurança e de honestidade. Plutarch mostrou com uma doçura comedida como é destruir um sistema de dentro para fora e a sacada dele ao longo do Massacre, como preparar o canhão para Peeta e largar tudo para salvar Katniss, foi digno de aplaudir de pé. O cara é total rei do camarote e agregou valor à revolução. Aplausos!

 

Claro que as menções honrosas vão para Haymitch, que dispensa qualquer comentário, pois ele foi muito bem encarnado desde o primeiro filme, como também Effie Trinket, sempre regada a muito bom humor, frases imbatíveis e um estilo que deixaria a Lady Gaga com inveja. Ela foi responsável pelas cenas mais engraçadas, com comentários certeiros em momentos de tensão, sem quebrar o ritmo dos acontecimentos. Geralmente, as piadinhas não dão certo em meio ao caos, mas a personagem mostrou que isso é possível, sem desvalorizar a sequência e a mudança de plot.

 

O mesmo vale para Haymitch e para Katniss que, ao longo da viagem de Distrito em Distrito, tiveram comentários engraçados sobre como amar a Capital em 10 mil passos. Nem preciso dizer que morri jogada quando Effie quer que o grupo seja um time, com todo aquele look do dia em amarelo, onde ela apareceu fantasiada de gema de ovo.

 

Sam Claflin e Jena Malone

 

Johanna

Eu queria contar nos dedos quantas pessoas falaram mal da escalação da Jena para Johanna. Eu queria esganar todos que meteram o pau, sem ao menos terem se dado ao trabalho de conferirem qualquer projeto da atriz. Em outras palavras, Sucker Punch, onde ela interpreta uma personagem completamente dissimulada. Se as pessoas duvidaram da capacidade de Isabelle Fuhrman como Clove, sem se lembrar do show de atuação que ela deu em A Órfã, a justiça foi feita mais uma vez, pois Malone também cuspiu na face de geral por ter sido uma Johanna totalmente superior a que está nos livros. Por ser a única personagem mais desbocada da trilogia, isso deu oportunidade para torná-la mais interessante, mais livre para falar palavrão e para desafiar o presidente Snow. A cena em que ela se despe no elevador confirma que não haveria outra pessoa para ser Johanna a não ser Jena Malone.

 

Mags e Finnick

Sobre Sam, é difícil dizer alguma coisa sobre a atuação dele. Ao contrário de Johanna, Finnick é mais palpável no livro, sem contar que ele é completamente inimaginável por ser perfeito demais. Sam pode não ser o Deus Grego que todo mundo esperava, mas ele conquista. A missão do ator foi se apoiar na sensibilidade do personagem e não no estilo garanhão. A relação dele com Mags foi um dos pontos altos da trama, algo tocante e bonito, e não senti falta das piadinhas que valorizam o ego dele. No caso da versão cinematográfica de Finnick, a sensualidade não foi trabalhada ao extremo, pois, acima de qualquer cubo de açúcar, ele é sensível e amoroso, e ele se importa por ser tão vítima da Capital quanto Katniss, Peeta e tantos outros. Acredito que se o fizessem sensual demais, acabariam caindo no clichê e o personagem seria detestável.

 

Sacadas brilhantes de Em Chamas

 

1º: o encaixe do Distrito 13 nas palavras do Presidente Snow. Com a saída de Bonnie e Twill, essa era uma das partes que Lawrence teve muito cuidado em inserir de maneira que continuasse a fazer sentido. Até que deu certo, pois a existência dele soou como uma mensagem subliminar do presidente para Katniss.

 

2º: a neta do Presidente Snow. Ela serviu para mostrar que os efeitos de Katniss são mais fortes do que ele imagina. Se até dentro de casa alguém foi contaminado pelo estilo, pelo amor dela por Peeta e pela presença forte, quem mais não cairia aos pés da garota em chamas? Eu cheguei a cogitar o momento em que o Presidente estapearia a menina. Quando ela comenta da trança, visualizei perfeitamente o momento em que a cabeça dela seria raspada. As expressões diabólicas dele contribuíram para meus pensamentos perversos.

 

3º: a maneira como pouparam certos segredos que só estavam presentes nos livros para aumentar o suspense nas telonas. Nesse caso, eles foram assinados por Cinna: em nenhum momento Katniss testa o traje antes do desfile, bem como Katniss não pergunta sobre o sinal que ela deveria receber na hora de girar e o beijo de Cinna para o presidente Snow quando o vestido de casamento se torna um Tordo. Posso falar que Lenny Kravitz, mesmo tendo aparecido pouco, estava muito amor?

 

4º: ao longo da turnê da vitória, nosso emocional foi lá embaixo com a imagem dos tributos no telão. Foi um elemento surpresa. Nem preciso falar que o rosto da Rue acabou comigo, né?

 

Atuação dos Atores

 

As críticas que li de Em Chamas louvaram Jennifer Lawrence e eu não farei muito diferente. Confesso que não acompanhei o período de escalação dela para Jogos Vorazes, um processo estressante que todo fandom tem que passar quando recebe a notificação de que o livro favorito será adaptado. Ela surpreende mais uma vez e me emocionou de todas as maneiras possíveis e inimagináveis. O ar de medo, a expressão de desafio e o sentimentalismo se fundiram e tornaram J-Law dona de uma atuação extremamente forte e presente. Uma prova maior do quanto à atriz evoluiu foi a maneira como Katniss lida com Peeta, o personagem que cresceu junto com a dela. Em meio a todas as pressões, o Tordo se mostrou sensível ao lado do garoto, e se mostrou forte ao longo do Massacre Quaternário. Uma dualidade notável.

 

O mesmo vale para Josh Hutcherson. Eu entendo que o primeiro filme inspirado em uma trilogia ou saga não tende a ser uma maravilha do universo. Isso aconteceu com Harry Potter, cujas atuações são de fazer chorar de tão ruins – mas pottermaníaco ama mesmo assim. Josh não estava tão bem em Jogos Vorazes, mas, em Em Chamas, ele abraçou toda a sensibilidade do personagem, bem como a força genuína e o amor puro que ele sente por Katniss. O Peeta que estava nas telonas era aquele que você se empenharia em salvar. Hutcherson abraçou o padeiro e ajudou a torná-lo ainda mais inesquecível. Sem contestar, ele amadureceu e muito.

 

Sobre Liam, eu fico com dó dele. Gale não é meu personagem favorito e a baixa necessidade dele, tanto em Jogos Vorazes quanto em Em Chamas, não ajuda muito na formação de opinião sobre a atuação do ator. No aguardo de A Esperança.

 

Os shippers

 

Gale e Katniss: eu não sou uma pessoa muito fã de triângulos amorosos e Jogos Vorazes nunca se fortaleceu nisso, mas o que foi trazido para as telonas quanto ao breve romance entre Gale e Katniss foi o suficiente. Digo isso porque eles não têm o peso emocional se formos comparar o relacionamento dela com Peeta. O casal tentou honrar os admiradores pelo shipper, mas foi facilmente ofuscado por Everlark.

 

Peeta e Katniss: a cena da corrente era a que eu mais queria ver e fiquei jogada no chão de tão perfeita que foi. Vale um comentário na cena final, onde rola aquele beijo de despedida unido ao olhar de essa é a última vez que nos veremos. Houve uma química fenomenal entre Jen e Josh, algo que demorou a acontecer, mas ficou na medida certa, sem melodrama, com declarações fiéis ao livro, sem muito peso dramático.

 

Comentários gerais

 

Katniss e Peeta

Chego aqui para dizer que, sem dúvidas, Jogos Vorazes – Em Chamas foi uma superação valente, rica e bem feita em comparação ao antecessor. Foi uma adaptação cujo contexto linear dos fatos foi obedecido agregado a outros pontos de vista que ajudaram a enriquecer a trama e a jornada de Katniss. Todo o peso político e ditatorial, bem como as angústias e a compassividade por uma garota que é o rosto da revolução, foram escarrados nas duas horas de filme. Não houve um minuto sequer de melação amorosa, pois o longa se apoiou no contexto político.

 

A trama foi fiel do começo ao fim, bem como os diálogos. Claro que foi meio repetitivo ver o processo de ir para a arena, mas os personagens tornaram isso um dilema menor por causa do carisma. A cena da entrevista dos tributos unida ao bom humor de Caesar quebra totalmente o sentimento de que já vimos algo parecido no filme anterior. Ela foi muito marcante, aproveito para dizer, pois tinha muito medo que cortassem todos eles de mãos dadas.

 

Eu não vi os spots de TV, pois queria ser surpreendida e foi exatamente isso que aconteceu. Francis Lawrence dirigiu um filme que pode muito bem ser compreendido para quem não leu o livro e, claro, deu um prato cheio para quem leu soltar críticas. Como não canso de dizer, é impossível migrar tudo dos livros para as telas, mas aprecio o senso de fidelidade que o diretor impôs à adaptação ao lado de toda a equipe, e ele não me decepcionou em nenhum momento. Basta assistir a cena da arena e ver que tudo que estava no papel, estava lá nas telonas, apenas com um efeito dramático mais intensificado.

 

O longa foi muito bem dosado com drama, desespero, amizade, compaixão e acima de tudo amor e desejo pela revolução. Pelo desejo de liberdade. Pelo desejo de mudar um sistema opressor. O filme manda a mensagem de que, literalmente, a união faz a força e que apenas um Tordo não é capaz de provocar uma guerra. Katniss é a faísca, os Distritos são a parte incendiária que teremos que suportar para ver em ação até a chegada de A Esperança. Sem dúvidas, Em Chamas me representou e é um filme A ++++++.

Stefs
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  • sidnei luis fermino

    Oi adorei.. muito obrigado, me fez se
    interessar pelo livro….mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor
    Darlei… se trata de um livro arrebatador…ele coloca em cheque os maiores
    dogmas religiosos de todos os tempos…..e ainda inverte de forma brutal as
    teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre
    Jesus jamais mencionados na história…..acesse o link da livraria cultura e
    digite reverso…a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços.
    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?

  • heyrandomgirl

    Às vezes, só acho que sou doente demais pela trilogia, mas preciso me curar HAHAHAAHAHAHAH.

    Eu gosto do efeito que Jogos Vorazes me afeta, pois gosto de histórias que me fazem refletir e assistir Em Chamas foi aquela velha coisa de se sentir bem e se sentir mal ao mesmo tempo. Fico bem e mal ao mesmo tempo e isso é <3

    Preciso assistir de novo!

  • Isis Renata

    primeiramente boa noite rs.

    não sou fã assim como você na saga, mas levo-a no peito com muito carinho. E mesmo não sendo tão aprofundada em cada detalhe desta história, digo sem dúvida que a adaptação surpreendeu e muito

    muito bem dosada em todos os sentidos. sem aquela de humor demais, ou drama demais ou ação demais

    como você ressaltou, me mexi demais no cinema, tinha horas para relaxar, horas tensas, horas para sorrir, horas para chorar. e tudo isso no mesmo filme, haja coração!

    impressionada como os atores amadureceram, no caso o trio. o oscar faz jus a srta JLaw que provou mais uma vez que ser camaleão é para poucos. de Mocinha a revolucionária 😉

    Josh também mudou muito, desde a primeira cena notei sua maneira madura de entoar a voz, que coisa! 😮

    os adultos ahazaram do início ao fim. Haymitch, Snow, Plutarch e Effie *–* haah aliás hoje estava a imitando
    "postura reta, olhar para frente, sorriso no rosto, eu estou falando com vc Katniss" haaha amo essa fala

    ai meu comentário já está enorrrrrrme, mas resumo então que amei e quero ver mais umas duas vezes. fim