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04/nov

Imaginem um filme em que eu ri do começo ao fim. Depois de dar vida a personagens excêntricos e que não se assemelham em nada, Julianne Moore resolveu ser uma mulher antiquada ao estrelar o longa The English Teacher. A atriz, que sempre causa inveja com o cabelo ruivo lindo de doer, interpreta Linda, uma professora solteirona que ama o trabalho que lhe oferece contato constante com a literatura. Isso a faz muito dedicada e uma leitora assídua, o que aumenta o comprometimento e a ideia de que seu papel na humanidade é inspirar um bando de adolescentes que não se importam em saber quem é Shakespeare.

 

The English Teacher - Linda

Desde a infância, Linda se sente segura no universo literário e no romantismo que a salvaguarda de momentos constrangedores – como procurar algum cara para namorar –, até reencontrar Jason, o ex-aluno com dotes teatrais que tentou firmar carreira em Nova York, mas voltou por ter flopado. O adolescente (interpretado por Michael Angarano) é tudo o que encanta Linda: um escritor. Porém, ele é frustrado (mais um para minha coleção, ae!). O personagem volta para a cidade Natal devido às decepções vividas, detalhes que ganharam mais peso devido à recusa da peça que tanto se dedicou e que não foi levada a sério.

 

É a partir desse encontro, que tinha tudo para ser nostálgico, que a trama começa e a vida de Linda vira de ponta cabeça.

 

The English Teacher - Jason e Linda

Ao contrário de Linda, que é toda certinha e focada, Jason é desencanado, o típico personagem que busca soluções simples para a vida. Ao longo do filme, ele revela um ódio tremendo que obteve por ter fracassado naquilo que mais ama fazer. Para tentar remediar o fato de que escrever é um processo que o deixa doente, Jason solta no ar a possibilidade de ser advogado e abandonar a “carreira”, mas a esperança lhe é dada de volta quando Linda resolve levar a peça de teatro para ser adaptada na escola. No decorrer dos preparos da produção, Jason precisa encarar que o futuro dele é realmente escrever e sair da bolha de frustração. Mas antes, ele causa muitos problemas na produção.

 

Nessa aventura bem divertida, somos levados ao colegial, composto por todos os clichês dessa fase da vida, onde há desde as estrelinhas até aqueles que só querem se formar e se mandar da escola. A presença dos alunos é altamente ignorada, pois Linda é o coração da trama, o que torna o resto meras peças em meio ao universo atrapalhado da personagem.

 

The English Teacher - Halle - Lily Collins

Com exceção de Lily Collins. Depois de Stuck in Love, a atriz sai mais uma vez do caráter de personagem boazinha com Q de heroína para dar vida à Halle, uma adolescente cheia de si, com pose de Queen B, e causadora dos principais problemas de Linda. Posso dizer que gosto mais da dedicação dela em filmes independentes? Eu sou totalmente a favor desse tipo de trabalho, pois acredito que rende as melhores performances, pois não tem a cobrança insuportável de Hollywood. Confesso também que prefiro a Lilica encarnada na bicha má, como é o caso de Halle. Tudo bem que não achei essa personagem tão marcante quanto Sam (Stuck in Love), mas ela, que consegue o papel de protagonista da peça em The English Teacher, dá força sobre os tipos de personagens que Lily pode agarrar com mais afinco. Sem dúvidas, ela se sairia bem melhor.

 

Depois da Branca de Neve, e devo ressaltar Clary Fray, a atriz demonstra que tem aptidão para interpretar personagens mais amargas e, confesso, cai melhor nela. Lily é uma fofa, sem dúvidas, mas o rostinho delicado dela combina muito com personagens arrogantes. Halle e Sam são as personagens que considero as melhores performances da atriz – minha opinião –, o que deixa as boazinhas e caricatas no chinelo. Infelizmente, Halle não aparece tanto no longa, mas é o rosto da rebelião contra Linda e quem contribui para tornar a vida da professora um inferno.

 

Julianne nos guia na saga de uma mulher que vivia na zona de conforto, que tinha uma vida pacata e que se contentava com livros. Ironicamente, tudo isso é destruído. Linda experimenta um lado que nunca ousou se arriscar e, em pouco tempo, ela se vê dentro do universo adolescente e começa a agir como uma, totalmente descontrolada por causa de um escorregão que chegou a custar sua carreira. A professora certinha sai do nível de respeito para o de “safadinha” e, como ela sempre se manteve invisível, a trama se torna uma comédia na corrida dela em consertar os próprios erros e recuperar a reputação.

 

No final das contas, Linda consegue inspirar todo mundo, mesmo duelando com as próprias inseguranças por meio da peça de teatro.

 

Opinião da Random Girl

 

The English Teacher passa longe de ser um drama, pois a fórmula parte do humor negro sobre o velho aviso de colher o que se planta. De mulher respeitada, um exemplo aos alunos, Linda virou motivo de chacota. Tudo isso sem perder o bom humor da história. Porém, Jason fica responsável em transmitir a moral da trama. Ele transfere para o papel todas as inseguranças e mentiras da própria existência, e criou uma história que não tem nada a ver com a sua realidade, mas que serviu de válvula de escape para muitos problemas. Quem é que nunca fez isso, né? Só que Jason é mais intenso, pois camuflou todas as decepções pessoais em uma peça sombria, onde ele vê a morte como uma solução.

 

Michael Angarano rende as cenas mais engraçadas, especialmente ao lado de Linda. Sem contar que ele consegue nos emocionar no final ao ver um sonho destruído se tornar real. Vale mencionar Greg Kinnear que retorna mais uma vez na pele de um paizão para me matar de amor. Dessa vez, ele não é escritor, mas um médico que só tem pinta de arrogante e é tão divertido e complexado quanto Jason e Linda.

 

The English Teacher é um ótimo filme para quem quer dar risada. No quesito trama ele é bem mediano e preguiçoso, mas temos Julianne Moore que faz o longa valer muito a pena.

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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