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23/dez

Por: Gui Zambonini Foto: Carol Munhoz

 

Ele é cafona, mas o brega tem o seu charme. Não importa o disco, o filme, o livro ou a profissão, o importante é não ter regras para inspirar o coração

 

Enquanto jovens e à cerca da inocência, idealizamos o primeiro beijo, a primeira pessoa que nos fará sonhar acordado, o primeiro momento a andar de mãos dadas — sem ser com a mãe ou com pai –, aquele suspiro intenso… o nosso primeiro amor. Digo jovem, porque esta sensação continua sempre nova e viva dentro de nossas mentes; inocente, porque até descobrirmos o amor, os outros sentimentos são singelos demais perto da ferocidade desta palavra de quatro letras, porém de inúmeras motivações.

 

Existe quem ame apenas uma vez, como quem ame várias vezes. Contudo, lembre-se: não é a quantidade que define amor, mas sim você. Certifique-se que o sentimento é verdadeiro — não se preocupe, é aterrorizante imaginar como, todavia, a maturidade fará você entendê-lo e senti-lo quando for real. Quando este momento acontecer, você entenderá a epifania do amor.

 

Também não importa se importar tanto, porque ele apenas acontece, sem forçar, pedir, exigir, rezar, inventar, tagarelar, mentir, invejar ou se conformar. Sim, conformismo, definitivamente, não é amor. Contentar-se em merecer aquilo que acreditamos ser amor, pode ser completamente diferente sobre descobri-lo. O coração age por diversas facetas, mas ele é puro e impossível de enganar. Aquele tremor e o enfadonho suspiro, não são dados a qualquer um. Por isso o amor não engana. Às vezes, adverte, inebria, porém é certeiro.

 

O amor não é um verbo de ligação, porque é ação pura. Não só ação morfológica, mas também de cinema. É uma aventura sem fim; uma guerra interna; um mundo de fantasia pelo qual você pede para não ser acordado; um suspense de não saber como agir; um terror de sensações; um pornô de emoções; um musical que foge do silêncio; um roteiro sem falas definidas; uma direção sem rumo certo, apenas em busca da tal terra do nunca.

 

Não se preocupe em querer o amor. Pode ser que quando estiver só, o frio inunde o seu corpo de dúvidas. É possível querer abraçar alguém, mesmo quando não exista quem. Também pode-se correr a ponto de se perder, além de fugir sem ter para onde ir. A tristeza pode apertar e a sua mão não ter a de quem encontrar. Neste momento, o tão perto é tão longe, que você deixa o destino passar. O para sempre se vai, o sem para sempre fica. Uma ferida se abre, mas o coração cura. Ele renasce.

 

Sem ser inoculado, o antídoto do amor é ele mesmo. Junto, o tempo age como um companheiro oculto, apto a levá-lo a se reerguer. Ao revelar o que estava escondido, o instante floresce com um sorriso, como se todo passado fosse apenas uma vaga lembrança estranha, que, talvez, nem tenha sido sua. Sim, o amor confunde. Ele pode ser conjugado e julgado de diversas formas, mas no fim, o seu significado é único. Só quem o aceita, vive-se pleno entre as linhas e entrelinhas da vida.

 

O amor respira, inspira, compõe e supõe. Entre promessas de um ano que vai e outro que vem, é este o sentimento que dá suporte às palavras, às pessoas, aos gestos e até mesmo aos momentos indigestos. Ele grita e chega sem pedir licença, afinal, não existe regra de etiqueta para aquilo que te faz feliz.

 

Não se esqueça de que não existe manual para amar e nem para errar, um está implícito no outro. Por fim, se isso não o inspira a viver, então, recomece outra vez.

Random Girl
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