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03/dez

Na semana passada, vocês leram a primeira parte do especial sobre as Little Mix e hoje trago a parte final que falará um pouco dos dois álbuns da banda e do quanto vocês precisam ouvi-los. Todos prontos?

 

Tudo é uma questão de DNA!

 

Sempre lembrarei de I Hate do Passenger, pois uma das coisas que ele menciona como odiosas é o fato do The X Factor assassinar a música. Concordo que o formato é extremamente popular e comercial, mas, como apreciadora a longos anos, digo que bons frutos – Kelly Clarkson o maior deles – podem sair de programas como esse.

 

Críticas surgem aos montes, ainda mais quando um artista é montado, como foi o caso das Little Mix e, anteriormente, do One Direction, que nem precisou vencer para se tornar a boy band mais rentável de todo mundo, merecimento que não entrarei em detalhes, porque entendo bem como a indústria funciona.

 

Obviamente assinadas pelo selo da Syco, gravadora do produtor e do criador do programa, Simon Cowell, as vitoriosas, além de colherem bons resultados com a venda do “Winner Single”, mergulharam com tudo na produção do álbum de estreia, rodeado de grandes expectativas na crescente base de fãs e, naturalmente, da mídia especializada.

 

A verdadeira prova do talento e da capacidade delas terem uma carreira estava prestes a serem testadas, ainda mais dentro da indústria pop onde diversos artistas são considerados marionetes do próprio produto. Sempre acreditei que as Little Mix iam além de algo fabricado por meio de um programa de televisão, e isso ficou comprovado de A-Z quando o álbum debut, DNA, foi lançado em novembro de 2012.

 

And I’m gonna shine like a star
Cause I’m the only me in this world

 

Se tem um trecho desse debut que define bem o grupo é esse acima, presente na animadíssima We Are Who We Are. Porém, o primeiro single de divulgação do álbum só poderia mostrar mais do mais e nunca mais do mesmo, algo que já estamos calejados de ouvir quando uma nova música é lançada, seja de um artista conhecido ou de um rosto novo.

 

Wings é a simbiose perfeita do urban beat brit girl power e, contrário das artistas femininas que vendem constantemente uma imagem sedutora e inacessível, seja pela posição como Diva ou detentora dos charts da Billboard ou do iTunes, Jade, Jesy, Leigh-Anne e Perrie são no mais piegas da palavra “gente como a gente”.

 

O videoclipe lançado em agosto deu um tira gosto do que viria meses depois com todo o DNA que imprimiu quem elas querem ser, numa meninice mixada com vozeirões que respeitaram o estilo próprio de cada uma, desde o tomboy de Jade à cool-hype de Perrie.

 

Não gosto de ficar dando uma de Wikipedia e trazer detalhes sobre os charts, onde o álbum isso ou aquilo, onde passaram este ou aquele artista. Venho aqui para tentar dedilhar em muitas palavras (eu sei), o que essas garotas me transmitem de positivo para além do investimento e toda a hype colocada sobre elas.

 

Numa tarefa bem difícil, não conseguiria escolher minhas favoritas, considerando que sempre escuto o álbum sem pular uma faixa, mas sugiro que abram os ouvidos para o primeiro single claro e também para a fatal DNA, a balada Change Your Life, a batedeira Stereo Soldier, a avassaladora Turn Your Face, a despojada How Ya Doin? e a enlouquecedora Madhouse.

 

 

Representando todas as mulheres, Salute!

 

Em meio a uma agenda extremamente lotada com eventos, shows e programas de televisão e de rádio, as Little Mix têm uma grande missão pela frente: divulgar o novo trabalho ao redor do mundo. Quando se ama muito algo como eu as amo, confesso que fico realmente enciumada quando as vejo sair da bolha da terra da Rainha, mas é altamente explicável que elas, vivendo o melhor momento de suas vidas, teriam que desafiarem-se, conquistando novas terras, arrastando sua batida energética para outros países, especialmente os Estados Unidos da América, local onde quase todos os artistas desejam se enfiar.

 

Cher Lloyd, também fruto do The X Factor e colega da gravadora Syco, passou recentemente por essa transição, porém o mercado norte-americano da música pop é uma competição acirrada e desleal, então, restará saber se o povo da terra do Tio Sam estará de ouvidos e braços abertos para receber as Little Mix, ainda mais depois de um forte anúncio que elas, juntamente com Fifth Harmony e Cher Lloyd, seriam os opening acts da nova turnê da eterna estrelinha da Disney e agora jurada do The X Factor US, Demi Lovato.

 

Antes de chegar nesta nova etapa da carreira, mesmo em curto espaço de tempo, muita coisa aconteceu de um ano para cá. Não sou daquelas que ficam “stalkeando” artista, sabendo tudo que acontece ou deixa de acontecer em suas vidas. Considero-me uma fangirl na medida certa, ao contrário de muitos por aí que tomam atitudes pra lá de inconvenientes, transformando-se numa ameaça nuclear de tão insuportáveis.

 

No quesito vida pessoal, pouco sei a respeito das gurls, a não ser certos detalhes que pipocam na mídia, como os maldosos comentários sobre os quilinhos a mais da linda da Jesy ou as acusações de um namoro “public relations” entre Perrie e Zayn do One Direction. Tenho total conhecimento que as Directioners são as fãs mais intensas e sem limites que existem atualmente, por isso fico a pensar como deve ter sido um inferno na terra para Perrie, pois feia e talentosa do jeito que ela é – beijo no ombro – imagino o recalque do Reino Unido e do mundo inteiro voltado para sua figura, ainda mais depois do anúncio do noivado em agosto deste ano.

 

Infelizmente, certos artistas são colocados em pedestais e em posições que os fazem se vender ou, cruelmente dizendo, se prostituir pra indústria. Esse padrão de comportamento teen pode ser reescrito, não?

 

Little Mix trilha um novo caminho este ano, mas, se continuarem a se respeitar e serem especiais e únicas do jeito que bem entendem, podem reescrever padrões, como nossa amada troll Jennifer Lawrence já vem fazendo em Hollywood, aliás um salve à coluna especial dedicada a ela aqui no blog.

 

Já que vivemos na sociedade do espetáculo e da contemplação, muito disso por culpa de Hollywood, então porque não se inspirar em pessoas positivas, confiantes de quem são e daquilo que devem dizer aos outros por meio de seu trabalho? Acho que a música, diferente de qualquer arte, “fala” diretamente a ti, mas vai do seu filtro absorver aquilo que lhe remete, seja uma vivência, momento ou uma época, como eu aqui a curtir a nostalgia de minha adolescência ou aqueles que nela adentram neste exato momento.

 

Jade, Jesy, Leigh-Anne e Perrie podem ou não ter a ambição de conquistar o mundo e, mesmo que isso não aconteça, chego a parte final desta pequena grande narrativa com um orgulho que não cabe mais no peito, uma sensação que sempre senti quando o assunto é Little Mix, mas que se intensificou quando um tal SALUTE inundou meus ouvidos.

 

Este ano poucos álbuns tiverem um efeito intoxicante sobre minha pessoa, entre eles: The Civil Wars, Halycon Days da Ellie Goulding e claro The Blessed Unrest da minha Sara Bareilles. Cada um destes álbuns me fez e ainda me transporta para um universo somente meu e, agora, com todos os louros de merecimento, acrescento Salute, o segundo álbum das pequenas grandes meninas a esse seleto grupo de pessoas incríveis, admiráveis e talentosas.

 

Para alguém que passou anos e anos esperando material novo da banda favorita lá da Irlanda, é realmente estranho ganhar outro presente destas meninas depois de apenas um ano. Tudo aconteceu muito rápido, mas, mesmo assim, não foi de se espantar que elas voltassem melhores, maiores e mais hipnotizantes do que nunca. Essa última palavra define bem meu estado desde o dia 11 de novembro, quando Salute oficialmente foi lançado no Reino Unido.

 

Desde o lançamento do single Move, senti algo sutilmente diferente nessas meninas e só uma palavra pode definir isso: confiança. É tão bacana quando você visualiza jovens confortáveis com seu trabalho ao ponto de não precisarem se esforçar muito para aparecer mais que a outra ou mesmo ir além do próprio limite, ainda mais neste Admirável Mundo Novo (sqn) que vivemos.

 

Realmente não é uma tarefa fácil ser mulher, mas se você sabe quem és, tá aí meio caminho andado. Infelizmente, não me respeitei muito ao ponto de abraçar meu jeito de ser e tudo aquilo que tinha a oferecer, mas vê-las transmitindo isso para esta nova geração, que às vezes penso estar perdida, é inovador.

 

Se na época do lançamento de DNA já receberam alfinetadas como vocês são marionetes que não escrevem suas próprias músicas, hoje, maduras e conscientes de seu espaço, LM provou que em apenas dois anos é possível fazer muito barulho e, melhor disso, um barulho do bem, soe careta a quem quiser.

 

Salute mostra de faixa a faixa que cada uma delas teve mais envolvimento na criação do álbum, especialmente porque já deixaram bem claro em entrevistas que acreditam que a música deve representá-las. Então, que melhor forma de fazer isso senão mergulhar no processo? Maldades por parte da crítica, se antes já haviam se envolvido na criação de DNA, com Salute a fórmula se intensifica, expondo um trabalho com fortes influências do pop, mas também do R&B, numa extensão de experiências, vitórias, derrotas, paixões e desilusões delas próprias.

 

Com batidas e melodias que também prestam uma nítida homenagem às girl bands veteranas que abriram portas a elas, as Little Mix imprimem sua assinatura distinta em cada uma das faixas e, já que não falarei de todas, destaques ficam no auge da vulnerabilidade de These Four Walls, no ritmo militante de Salute, na afiada Competition, na acapela R&B Boy, no estilo urbano das ruas de A Different Beat, na orquestrada Nothing Feels Like You, nas brincadeiras vocais em About the Boy e, por fim, o hino Little Me, canção que escolhi para fechar a coluna Random You. Afinal, ela expressa de forma quase poética o que tentei explicar lá no primeiro post sobre elas, se é que ainda se recordam do que falei lol.

 

O nome do álbum é realmente uma celebração, uma maneira bem Little Mix de brindar e vibrar quão abençoadas e gratas estão por tudo que aconteceu até agora. Nada egoístas, elas convidam os fãs e novos agregados a representar a festa. Não ficarei a babar mais ovo aqui, então serei bem direta: Salute é o álbum POP do ano, senão dos últimos anos, e essas meninas serão A girl band das girl bands.

 

 

Wish I knew back then what I know now
Wish I could somehow go back in time
And maybe listen to my own advice
I’d tell her to speak up, tell her to shout out
Talk a bit louder, be a bit prouder, tell her
She’s beautiful, wonderful
Everything she doesn’t see
You gotta speak up, you gotta shout out
And know that right here, right now, you can be
Beautiful, wonderful, anything you wanna be
Little me

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento

Mari
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