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17/dez

Neil Gaiman é um dos meus escritores favoritos e ele sempre tem mensagens muito inspiradoras dispersas em cada página de seus livros. Em 2012, o caríssimo fez um discurso maravilhoso e de fazer qualquer um chorar para os formandos da Universidade de Artes da Filadélfia, onde ele deu conselhos sobre vida criativa, carreira e sonhos. Isso se tornou um livro chamado Make Good Art. Praticamente é um conselheiro completo para quem gosta de despender energia ao fazer aquilo que gosta, mas sem perder aquela dose criativa.

 

A citação ao Gaiman acontece porque ele foi minha fonte de inspiração para fazer este post. Foi por causa dele também que, depois de ler Fragile Things, comecei a esboçar as primeiras linhas do We Project. Não é novidade o fato de eu ser uma grande defensora de uma pessoa que resolve se dedicar ao que ama. Esse foi um dos assuntos que mais comentei aqui no blog, pois é um dos meus principais desafios para o próximo ano. Eu quero ter aquela sensação de acordar cedo, alegre com a vida (não que isso não aconteça, mas só às 17hrs quando o expediente acaba), empolgada em fazer aquilo que faz o coração bater acelerado e enfrentar qualquer obstáculo de cabeça erguida.

 

Essa foi uma das bandeiras que defendi e sempre defenderei, especialmente por ser uma das muitas pessoas insatisfeitas com a carreira que escolheu e que não se sente útil no local de trabalho. No último ano, minha criatividade andava solta, mas percebi que perco tempo com algo que realmente não me atrai e isso trava a voz interior que quer me guiar para outro percurso.

 

Este post é praticamente uma nova mensagem para aqueles que ainda estão perdidos, sem saber o que fazer e que, talvez, precisem de uma mensagem de conforto. Gaiman sabe das coisas quando defende aquilo que sempre quis fazer da vida – escrever – e eu quero entender mais sobre este assunto no próximo ano. Será uma fase de redescoberta, um período de aceitação, pois já entendi que jornalismo não é minha vocação. Não tenho 20 anos e sinto que não posso mais me dar ao luxo de esperar. Preciso correr atrás e o momento é agora ou não faço nunca mais.

 

Do what only you can do best: Make good art. Make it on the bad days, make it on the good days, too.

 

Nós crescemos com aquela sensação de que somos obrigados a nos formar na faculdade com 22 anos, arrumar um namorado com 25, casar aos 30 e ser bem-sucedido nessa faixa etária com casa, carro e marido, sem contar o planejamento de um filho. São regras da sociedade que não são impostas goela abaixo, mas as pessoas ao redor, por serem espelhos, meio que te obrigam a pensar que tudo isso é necessário para viver bem. Porém, são detalhes. Sobreviver sozinho e com coisas simples é o mesmo que declarar que você é um fracassado e não é bem assim.

 

Eu não quero casar, muito menos ter filhos. A única coisa que me mantém em um relacionamento sério – além das minhas cachorras – é minha paixão pela escrita. Ao menos, até agora! Seria eu uma fotografia do fracasso, só porque prefiro andar de metrô ao invés de almejar um carrão na garagem? Please!

 

Em 1 ano, percebi que, além da minha mãe e da minha irmã, as pessoas que me dão valor e valor ao que faço estão no Twitter e no Facebook. A maioria são pessoas desconhecidas, que deixam elogios. Quando montei o Random Girl, eu o deixei muito tempo escondido, porque não queria ser mais um blog ou um site com 3 mil seguidores, sendo que só 10 leem o que escrevo. Sem contar que morria de vergonha!

 

Não é fácil você decidir se expor na internet, ainda mais quando se escreve sobre assuntos delicados, algo que sempre me faz criar posts quilométricos. Volto a dizer que queria inspirar essas 10 pessoas. Independente do que fosse. Seja para escrever, tirar foto, chutar o balde… O que der na telha.

 

Eu sempre tenho em mente que 10 pessoas leem este blog e isso sempre foi o bastante para mim. As visualizações me dizem o contrário, mas, conforme me agarrei a essa ideia, senti o amadurecimento em muitos âmbitos da minha vida e percebi que ainda não desisti daqui por ser minha pequena forma de arte. Isso é mais do que suficiente. Seja em tempo bom ou ruim, é esta uma das artes que me dedico e espero fazer um bom trabalho.

 

Eu tenho a mania de abandonar qualquer projeto guiada pelo baixo astral, mas isso não quer dizer que eu não esteja fazendo minha própria arte. Quando estou assim, eu gosto de fotografias. Elas sempre me rendem bons insights e me dão um sentimento estranho de esperança. Me dão aquele sentimento de não desistir. Além da inspiração, é isso que mais desejo para todo mundo no próximo ano: não desistir.

 

É difícil, eu sei bem como é, mas escrever todos os dias no blog, ainda mais por eu estar em um momento complicado, é o que me mantém em alerta para não fugir do objetivo. São em dias tristes que penso em largar a casinha de mão, o We Project, qualquer coisa artisticamente criativa, e é sempre nesse período que as mensagens de carinho chegam, como se fossem um aviso para eu não largar isso daqui.

 

Por isso, aprendi que, mesmo que sejam 10 pessoas, alguém está do outro lado, lendo (ou não) este post, e eu só queria dizer que você importa. Não interessa se você não deixa comentário, você importa. Eu só queria entender como você veio parar neste mundo aleatório Hahaha

 

Seja nos bons dias ou nos péssimos dias, todo mundo tem que se apoiar em alguma coisa, seja em uma frase, em um blog, em um livro ou em uma música. No meu caso, é o Random Girl e o We Project.

 

Para o Charlie, o que o fazia vivo era escutar música com os amigos que mais ama. Para Pat, era tornar as energias negativas em positivas. Para o Doctor, é nunca desistir. Independente de qual seja a sua arte, o seu refúgio, seja um trabalho que você acertou em cheio ou aquilo que você ainda quer muito, dedique-se aquilo que você domina. Se serve de consolo, Neil Gaiman apenas fez uma lista do que queria fazer na vida e a seguiu. No final, ele fez tudo com base naquilo que ele sempre amou fazer: escrever. Para deixá-los inspirados, deixo o vídeo com o discurso perfeito do inspirador deste post:

 

 

E não se esqueçam:

 

When things get tough, this is what you should do: make good art

 

O vídeo está hospedado no Vimeo e pode sair do ar a qualquer momento

Stefs
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  • heyrandomgirl

    Hey, Ana, tudo bem? Mil perdões pela demora em te responder, mas posso dizer que o efeito do seu comentário fez meus olhos brilharem de mta, mas mta alegria. O feedback do blog em questão de comentário às vezes é mto pouco e qdo recebo mensagens assim e fico toda derretida por saber que, de alguma forma, a mensagem chegou em alguém <3

    A carreira que a gente escolheu não é fácil, realmente, mas de uma forma ou de outra a gente tem que se agarrar naquilo que acredita e fico mto, mto mto feliz que este post tenha te inspirado <3 Não desista se é isso mesmo que vc quer e se não quiser tbm, sempre tem outro caminho para seguir. O que vale é o amor, sempre.

    Grande beijo e obrigada por ter caído aqui da forma mais random possível <3

  • Ana Carolina Cabral

    Stefs, por ironia do destino e seguindo o nome do seu blog, te encontrei de forma totalmente "random". Confesso que nunca fui fã de blogs (e muitas vezes, era uma das pessoas que liam somente um post e iam embora), mas me identifiquei com este de tal forma que posso dizer que criei "laços afetivos", haha. Mas principalmente, Stefs, me identifiquei com você. Sou aluna de Jornalismo (depois de querer ser médica e ter trabalhado em cartório) e vejo nas suas palavras o imenso dom que você tem de transmitir seu sentimento. Mesmo distante, nesse mundo cheio de informações, você me inspirou. Você está fazendo "good art" quando escreve! E fiquei grata por isso. Estava desanimada aqui no meu estágio, pensando em quanto a área de Comunicação é desvalorizada hoje em dia por algumas empresas e me senti bem melhor após a leitura do seu post.

    Obrigada querida! And keep on the good work :)

    As the french says, merci!

    Beijos,
    Ana Carolina

  • heyrandomgirl

    Own :'( assim eu fico parecendo uma manteiga derretida homérica, pois acho que ninguém liga para isso daqui, sendo bem honesta Hahahaha. Mas eu tento todos os dias expor algo de mim, mesmo que pareça irrelevante. O blog é como meu filho mais novo que tenho dar amor igual, sendo que tem outras coisas acima dele, mas o negócio não é desistir. É um cantinho especial na tentativa de fazer com que outras pessoas tbm se sintam da mesma forma.

    Sobre as listas, tive um tempo que parei de fazê-las e confesso que me senti completamente desnorteada, sério. Era como se eu não soubesse o que fazer. Tudo bem que coloco muitas coisas das quais não lembro no decorrer do ano, mas é bom saber que eu pensei em algo, mesmo não tendo conquistado tudo.

    Faculdade é um mega investimento e parece que me formei há 10 anos Hahahaha Você se sentirá do mesmo jeito tbm, vai vendo. Mas o que importa é ter objetivo, mesmo que seja um só :'(

    Obrigada pelas palavras, sempre valem de muita coisa *_*

  • Isis Renata

    ai que post lindo, socorr! rs

    sabe que mesmo sendo alguém assim distante (geograficamente falando) eu sinto isso de você com relação ao blog. sinto que esse é um pedaço (e que pedaço vamo combiná) da sua arte, do seu bem querer
    aqui você brilha os olhos, é seu pedaço, para além de ser algo que outros verão, isso é teu <333
    pelo amor de Deus então bata o/ com essa situação de 'preciso fazer tal e tal coisa para ser feliz' incansáveis surtos eu já tive com relação a tentar cumprir o que os outros esperam (outros, no caso família e etc) nunca fui de criar objetivos do tipo 'farei isto este ano ou aquilo' mas aderi esta causa a partir deste ano (ironias) e confesso que meu objetivo foi alcançado no decorrer dele. estou feliz com isso.

    desejo do fundo do meu heart que você possa abraçar de fato aquilo que você ama fazer e que provável que isso lhe cause alguns dias ruins, mas como você mesma disse, haverão dias ruins e até neles estaremos fazendo o que amamos.

    espero atingir os objetivos que venho traçando para o próximo ano. serão coisas novas e que sempre quis fazer desde pequena, mas não tinha a verba para tal
    bora colocar isso em prática, agora que a facul acabou e posso investir em mim (não que a faculdade não tenha sido um investimento, mas pohan né? haha)
    beijos beijos